Varejo experimenta crescimento chinês

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Em abril de 2009, diante da severidade dos efeitos da crise internacional, o governo decidiu reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de uma cesta de produtos de materiais de construção. Passado mais de um ano, a ação anticrise não apenas estancou as perdas do setor, como contribuiu para uma das maiores expansões já vividas pelo varejo da construção no país. A receita atingiu R$ 45 bilhões em 2009.

De acordo com dados da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), as vendas experimentaram alta de 12%, entre maio deste ano e o mesmo mês de 2009. Já nos cinco primeiros meses do ano, a alta foi de 9,5%. No primeiro trimestre de 2009, a receita dos varejistas caíra, em média, 12%.

O desempenho expressivo levou a associação a projetar um aumento de vendas em torno de 10% para 2010 - um numero tímido, que já está sendo revisado, diante das evidências do mercado.

Segundo Claudio Conz, presidente da Anamaco, a conjuntura favorável é fruto, em maior medida, do aumento da renda e do fluxo de crédito, além do déficit habitacional do Brasil - em torno de 8 milhões de moradias. "Durante o período mais agudo da crise encomendamos uma pesquisa que revelou um dado impressionante: dois terços dos brasileiros gostariam de realizar alguma reforma em suas casas. Esse número foi um dos argumentos para a redução do IPI e nos mostra o potencial de vendas do setor", explica Conz.

Os números do conjunto do setor encontram eco no desempenho de grandes varejistas, como a Leroy Merlin. De acordo com o diretor de marketing da empresa, Marco Gala, a expectativa de crescimento nas vendas é de 30% em 2010. "Houve uma melhora de todos os indicadores, inclusive no tíquete médio."

Nos planos futuros da empresa está abrir três novas lojas ao ano nos próximos cinco anos. "Nossa prioridade é reforçar nossa presença onde já atuamos."

Outros varejistas também reafirmam suas apostas no mercado brasileiro. A Saint-Gobain Distribuição do Brasil, que reúne as bandeiras Telha Norte, Pro Telha Norte e Center Líder, é uma das redes que esperam se aproveitar do bom momento vivido pelo setor.

Recentemente, a empresa comprou a Center Líder, especializada na venda de materiais de construção para a classe C. "Adicionamos 10 lojas, além das cinco lojas que abrimos nos últimos cinco anos. Agora, nossa estratégia é consolidar esses pontos de venda", revela o diretor geral, Manuel Corrêa.

Segundo o executivo, o grupo deve seguir a média do mercado no aumento da sua receita em 2010. "O índice de confiança do consumidor tem sido muito positivo e este é um dado muito relevante para a reforma da moradia."

Apesar desse desempenho, a expansão nas vendas pode ser afetada, em parte, pela falta de mão de obra qualificada para atender às novas demandas do setor.

Segundo Conz, essa realidade age negativamente sobre toda a cadeia da construção civil. "Não tenho dúvida de que esse é o principal gargalo do setor", afirma.

O diretor geral da Saint-Gobain defende o aumento do investimento em programas de formação no varejo. "Tradicionalmente, o varejo da construção tem uma rotatividade muito alta. No nosso caso, temos ampliado nossos programas de qualificação e treinamento, ao mesmo tempo em que investimos em medidas de retenção, como a criação de planos de carreira dentro do grupo", detalha.

Enquanto lutam contra os chamados "males do crescimento", as empresas do varejo da construção aproveitam o bom momento e torcem para que o governo prorrogue a redução do IPI para além de 30 de dezembro deste ano - data em que a medida expira. "Contamos com a sensibilidade do governo, uma vez que repassamos integralmente a redução para o consumidor", afirma Corrêa.

Para o presidente da Anamaco, a volta do IPI traria um impacto negativo nas vendas e, dificilmente, levaria a um aumento expressivo da receita do governo. "Não acredito que o governo vá mexer em uma medida que se provou acertada."

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