Venda de máquinas para construção pesada acumula alta de 16% até junho

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A execução de grandes obras, como as usinas de Belo Monte e Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, e projetos de infraestrutura ligados à realização da Olimpíada e da Copa no país resultaram em um desempenho além do esperado para fabricantes, distribuidoras e locadoras de máquinas e equipamentos para construção pesada. Os números da Abimaq, entidade que representa a indústria, comprovam que as oportunidades têm sido aproveitadas e a expectativa é a de que nova rodada de investimentos fortaleça o setor. O movimento já atrai o interesse de fundos de private equity, que descobriram o novo nicho: a GG Investimentos, que tem entre seus sócios o ex-ministro Antonio Kandir, acaba de aportar R$ 55 milhões na Geradora Aluguel de Máquinas.

De janeiro a maio, conforme a Abimaq, o faturamento nominal da indústria cresceu 15,9% na comparação com igual intervalo de 2009 e o nível de utilização da capacidade instalada chegou a 81,9% em maio. Tal desempenho vai se refletindo no balanço de distribuidores de equipamentos para construção pesada, como a Tracbel, e locadoras, como a Solaris, que está ampliando seu portfólio para se beneficiar do bom momento do setor.

Em meados dos anos 2000 a Tracbel, grupo de origem mineira e hoje principal distribuidor da divisão de construção pesada da Volvo, lançou um plano de crescimento ousado. Entre 2005 e 2009, passou de cinco unidades em três Estados para 25 unidades cobrindo 11 Estados - com isso, começou a atender São Paulo e a região Norte, grandes consumidores. Bateu recorde de receita em 2008, com R$ 530 milhões, mas como esperado, o ano de 2009 foi fraco, com uma queda de 16% nas vendas. O ano de 2010 não acabou, mas promete: no primeiro semestre, em comparação com o período do ano anterior, a receita cresceu 110%.

Todas as vendas da divisão de construção e equipamentos da Volvo devem passar pelos seus distribuidores, o que dá à Tracbel um bom mapa do crescimento do setor no país. Além de grandes construtoras - Camargo Corrêa, Odebrecht e OAS entre elas -, que já vinham com as aquisições em alta, a novidade este ano foi a volta das encomendas nas empresas ligadas à mineração, como Vale e Votorantim e empresas que prestam serviços no ramo.

Segundo Luiz Gustavo Pereira, vice-presidente da Tracbel, a previsão é fechar 2010 com receita de R$ 600 milhões, crescimento de 40% com relação a 2009. No longo prazo, o plano é mais ambicioso: fechar 2013 com receita de R$ 1 bilhão.

A empresa colocou em prática no ano passado um plano de investimentos de R$ 100 milhões com o objetivo de aumentar sua frota destinada à locação - a atividade rende R$ 15 milhões em receita ao grupo - e ampliar as instalações de seis de suas maiores unidades de vendas e manutenção. Trata-se do maior plano de investimentos do grupo: de 1998 até 2007 os investimentos da Tracbel somaram R$ 90 milhões.

O grupo está de olho em grandes projetos em curso: Luiz Gustavo Pereira está de viagem marcada para conhecer o andamento da obra da transposição do Rio São Francisco, para quem ainda não fornece. E já comprou um um terreno em Altamira (PA), município mais próximo ao local onde será construída a usina de Belo Monte, para instalar uma representação do grupo. E tem planos de instalar uma oficina da Tracbel dentro do canteiro de obras da usina, seja lá quais forem as empreiteiras escolhidas para tocar a obra.

O empresário também tem boas perspectivas no setor sucroalcooleiro, onde a exigência de mecanização da colheita da cana até 2013 está levando à novas necessidades de investimentos - e não apenas em colheitadeiras. A empresa está vendendo motoniveladoras e carregadores para os plantadores de cana: os motoniveladores são usados para adaptar o o terreno às colheitadeiras, e os carregadores alimentam os caminhões com os restos da cana cortada. Entre os principais clientes estão Cosan, Guarani e Santa Elisa. O grupo abriu unidades no interior de São Paulo para fornecer ao ramo sucroalcooleiro, e atua no Estado como representante da Massey Fergson.Valor

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