Paulista se blinda contra moradores de rua

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Uma migração de moradores de rua do centro para a região da Avenida Paulista tem feito empresas e prédios residenciais adotarem novos hábitos para evitar que marquises e fachadas de empreendimentos sejam ocupadas. Ao percorrer o maior centro financeiro da cidade, o JT constatou que condomínios também se “blindam” com paredes de vidros para preservarem seus jardins. Seguranças de bancos e galerias protegem os clientes de abordagens de pedintes. Até policiais militares têm ajudado a retirar andarilhos das calçadas.

“Temos visto cada vez mais a mendicância tomando conta da cidade. De uns dois anos para cá, a coisa está piorando e agora chegou ao limite na região”, avalia a presidente da Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro de Cerqueira César, Célia Marcondes.

A Secretaria Municipal de Assistência Social (Smads) não nega o problema. Em nota, confirmou que a região é um atrativo à população de rua, por concentrar renda e serviço, e que, por lei, não podem ser levados para albergues contra sua vontade (leia mais nesta página).

Uma das explicações dadas por moradores de rua é a falta de albergues. A outra seria um movimento de expulsão dos que vivem no centro pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). “Tivemos de sair do centro porque os GCMs estavam batendo na gente, jogando água. Meu colega levou até bomba”, disse uma moradora de rua que se identificou apenas como Tereza, de 50 anos, que na semana passada estava com o marido e o filho em frente ao Conjunto Nacional.
Antonio Maria, de 60, diz que sempre morou na Praça da República, mas a situação ficou complicada depois que a guarda “pegou pesado”, segundo ele. “Um dia cedo falaram que iam fazer a limpa e não podia mais ficar lá”, conta.
Considerada pelos moradores de rua segura (por causa do movimento) e atrativa (pela facilidade para conseguir esmolas), a avenida perdeu no fim do ano passado uma ferramenta importante para que as reivindicações da população fossem encaminhadas. O cargo de gerente da Paulista não existe mais. “Perdemos um canal de comunicação com a Prefeitura. Ele (o gerente) vinha de tênis, caminhar para ver os problemas”, disse a advogada Raphaela Galletti, que trabalha e mora na região.

Quem caminha pela Paulista identifica dois fenômenos urbanísticos, um de causa e outro de consequência – nas calçadas, pessoas amontoadas sobre papelões, agasalhadas com cobertores finos; nas edificações, prédios escondem suas fachadas com paredes de vidro fosco.

No Edifício Nações Unidas, a tal parede encobre o painel de azulejo da fachada. O síndico, Luiz Alberto da Silva, nega que a obra, concluída em novembro, seja antimorador de rua. “Além da boa visão, impede que alguém pule para ‘se amoitar’. Acaba ajudando, mas não é para morador, fazia parte do projeto.”

O vigilante de um prédio comercial na altura do número 1.079, também cercado por vidro, disse que a medida tem como foco a segurança. Uma loja de roupas recém-inaugurada, perto do 1.100, adotou esse recurso para fechar o jardim, que era acessível a quem caminhava pela via. O segurança alegou que tratava-se de proteção para uma reforma.

Vendedores da Hering disseram que de manhã precisam varrer a fachada para retirar a sujeira deixada por moradores. Às vezes, pedem ajuda a PMs para tirá-los de lá. Para a diretora da Associação Paulista Viva, Marly Lemos, a situação já esteve pior e não houve aumento de sem-teto vivendo na avenida.Informações do JT

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