Cadê a faxina? Investigação irrita aliados de Alckmin

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Fiel aliado do governador tucano Geraldo Alckmin, o presidente estadual do PSDB, Pedro Tobias, diz não descartar que o prefeito Gilberto Kassab soubesse antecipadamente de investigação da Corregedoria do Município que apontou que empresa de familiares da primeira-dama, Lu Alckmin, falsificou documentos para fraudar em R$ 4 milhões o pagamento de tributos municipais. A denúncia irritou os alckmistas.

“Pode ter dedo do prefeito”, afirma Tobias sobre a acusação feita anteontem pelo corregedor-geral da capital, Edilson Bonfim, responsável pela investigação sobre supostas fraudes no recolhimento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e de títulos de outorga onerosa (para construir acima do limite legal).

“Negócio de IPTU, de ligação com a Prefeitura. Pode ser (influência de Kassab). Tudo é possível”, diz Tobias. Embora desconfie da denúncia, o tucano e deputado estadual diz defender a apuração do caso e punição de culpados. “Se é verdade e não tem armação de Kassab. Se alguém da família errou, vai pagar o erro dele”.

Fraude e conspiração

Segundo a Corregedoria, a fraude teria ocorrido no edifício Royal Street, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona sul, que pertence à Wall Street Empreendimentos e Participações. A empresa tem como sócios Adhemar Cesar Ribeiro Filho e Maria Paula Abreu Cesar Ribeiro, respectivamente filho e mulher de Adhemar Ribeiro, irmão de Lu Alckmin. A empresa não se manifestou sobre o caso.

Na empresa, funcionários afirmam que Adhemar, cunhado de Alckmin, é o dono da Wall Street – na época da fraude ele ainda seria sócio da empresa e hoje atua como procurador da firma. Só de contrapartida para autorizar ampliação no edifício, a empresa teria deixado de pagar R$ 4 milhões. O problema é que técnicos da Secretaria de Habitação controlavam apenas visualmente se guias apresentadas por construtoras estavam pagas e não checavam com os servidores da Secretaria de Finanças se o pagamento havia sido efetuado. Até agora, dez construtoras obtiveram autorização para 23 empreendimentos e desfalcaram os cofres públicos em R$ 50 milhões (em valores atuais).

Um tucano com trânsito entre alckmistas e aliados do ex-governador José Serra (PSDB), padrinho político de Kassab, lembra que o atual secretário municipal de Finanças, Mauro Ricardo, foi preterido por Alckmin no novo governo. Ricardo era o titular da titular da Fazenda na gestão Serra. “Todo mundo sabe que os dois nunca se deram”, afirma.

Procurada, a Prefeitura informou que não comentaria as declarações de Tobias. Pela manhã, Kassab disse que desconhecia o fato de que um dos investigados ser cunhado de Alckmin. “Eu mesmo nem sabia que ele era o procurador, ou o proprietário. E não estou participando nesse processo. Após duelarem pela Prefeitura em 2008, Kassab e Alckmin podem ser rivais de novo, em 2012, na disputa pelo governo.

Firmas informam mesmo prédio como sede

A Wall Street, empresa ligada a familiares da primeira-dama do Estado, Lu Alckmin, informou à Junta Comercial que sua sede fica no 12º andar de prédio na Avenida Nove de Julho. Declarou funcionar no mezanino do mesmo edifício a Humanitas, empresa criada por Geraldo Alckmin no final de 2006.

A assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes informou que “a empresa Humanitas deixou de exercer suas atividades em 2009, antes mesmo da posse do governador Geraldo Alckmin”. E que “apuração da Corregedoria-Geral do município de São Paulo não tem qualquer relação com o Governo do Estado.” Mas não informou se o imóvel declarado como sede da Humanitas pertence à firma ou a terceiros.

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