ABIN JÁ VIGIAVA AS CONTAS DE RONDEAU

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O Palácio do Planalto acompanhou de perto as investigações da Operação Navalha, desencadeada pela Polícia Federal. Documentos obtidos pelo Correio Braziliense mostram que no dia 30 de março os agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) passaram a investigar as transações financeiras e imobiliárias do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau e de seu ex-assessor Ivo Almeida Costa.

Alertado pelos agentes federais, o chefe de Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Armando Félix, solicitou que a área da Abin que investiga lavagem de dinheiro e crime organizado passasse a acompanhar os passos de Rondeau e Ivo Costa. O ex-assessor foi flagrado pela PF recebendo um envelope da diretora da construtora Gautama, Fátima Palmeira, supostamente com R$ 100 mil. Arapongas descobriram que nos últimos dois anos as movimentações bancárias da dupla na Caixa Econômica Federal, e em outros bancos, estavam bem acima dos rendimentos declarados à Receita Federal.

As transações imobiliárias também foram questionadas. Segundo investigação da Abin, Ivo Costa construiu uma casa avaliada em R$ 700 mil sem se desfazer de uma casa avaliada em R$ 250 mil, que está à venda no Guará. Segundo os investigadores, Costa gasta a maior parte de seu salário com prestações e financiamentos. Além da casa financiada pela Caixa, ele desembolsou cerca de R$ 2 mil para um plano de previdência privada e também financiou um carro Corola azul, da Toyota. Costa ainda possui outro Corola prata e um Celta, da GM.

O que chama a atenção é que o servidor de carreira da Eletronorte passou a assumir esses gastos depois que foi admitido no cargo de assessor de Silas Rondeau. Os agentes da Abin conseguiram também reunir provas que ligam o ex-assessor ao deputado distrital Pedro Passos (PMDB) e ao presidente do Banco de Brasília (BRB), Roberto Figueiredo Guimarães, que também foi preso durante a Operação Navalha. i

Ivo Costa foi visto pelos investigadores várias vezes com Passos em festas no Guará. Para os agentes da Abin, Costa era o elo entre Eletrobrás e a construtora Gautama, de Zuleido Veras, apontado pela PF como o “chefão” do esquema de fraudes em licitações públicas. Vale lembrar que a construtora foi beneficiada com várias obras do programa Luz para Todos, executado com recursos da empresa estatal.

Registro
Os agentes também vasculharam os imóveis do ex-ministro. Os arapongas descobriram, por exemplo, que até hoje Rondeau não registrou em seu nome o apartamento luxuoso com quatro quartos, avaliado em R$ 800 mil, no Sudoeste. O ex-ministro passou a morar nesse imóvel, que está registrado em nome de uma construtora desde 2002, quando ele vendeu um apartamento de dois quartos por R$ 150 mil na Octogonal.

A Abin tentava apurar por que Costa e Rondeau tentaram obter crédito com uma empresa catarinense que trabalha na construção edifícios. A empresa chegou a consultar o cadastro dos dois na Serasa, a Centralização de Serviços Bancários. Mas com a saída de Costa e Rondeau do governo a Abin desistiu de checar se a transação foi concretizada.

Silas Rondeau é acusado pela Polícia Federal de receber R$ 100 mil da Gautama. Chegou a receber palavras de consolo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando entregou sua carta de demissão no último dia 23 de maio. Embora não tivesse feito nenhum esforço para manter o ministro no cargo, Lula afirmou estar convicto da inocência de Rondeau.

O ex-ministro só não podia imaginar que três meses antes de deixar o governo, o Palácio do Planalto já sabia que o nome dele havia sido citado nos grampos da chamada Operação Navalha. Procurado, Ivo Costa disse que só falará no final do processo que tramita do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Procurado nos telefones de sua residência e nos de seus advogados, Rondeu não retornou as ligações.

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