Medo

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Na Câmara, uma CPI está descartada por ora. Depois de quatro horas de reunião, a Mesa Diretora e os líderes partidários aprovaram a proposta do líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), de requisitar ao Ministério Público e à PF os autos completos da Operação Navalha. A intenção é saber se existe uma lista de parlamentares que teriam recebido propina. "Estamos requisitando a transferência de todos os sigilos das duas operações e das que vierem. Fiscalizar é uma função constitucional do Legislativo", disse Miro.

O pedetista evitou comentários sobre o envolvimento de seu colega de partido e governador do Maranhão, Jackson Lago: "Não temos pré-julgamentos. Os culpados pagarão. No caso de Lago, eu desejo ardorosamente que ele seja inocente, mas, se for culpado, que sejam aplicadas as penas da lei".

O líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), disse que chegou a ser levantada a hipótese de se criar uma CPI mista para investigar os resultados da operação da PF, mas a maioria dos líderes teria preferido aguardar os andamentos das investigações. José Múcio também ressaltou a importância de que a PF envie os autos sobre supostas listas de parlamentares envolvidos no esquema.

A instalação de uma CPI foi defendida pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, que, em nota, considerou o momento "oportuno" para instalação da comissão. "A CPI das Empreiteiras poderia sanear esse importante segmento nas relações do Estado com a iniciativa privada", sugeriu na nota.

Para o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), as mudanças no sistema de financiamento eleitoral são mais urgentes do que a instalação de uma CPI. Ele apontou a "busca incessante" de recursos para campanhas eleitorais como uma das principais causas dos fatos apurados pela PF. "Muito melhor do que uma CPI seria o Congresso acelerar a reforma política", disse o petista. Para Luiz Sérgio, o financiamento público de campanhas somado à adoção das listas partidárias fechadas.

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