Ministério da Justiça trabalha com possibilidade de nova rodada de prisões

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A expectativa do Ministério da Justiça é de que uma nova rodada de prisões da Operação Navalha aconteça hoje. Novos nomes podem surgir e aumentar ainda a tensão no Congresso com a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quinta, que levou à prisão 46 pessoas, entre parlamentares, prefeitos, ex-governadores e empresários.

Ontem, o ministro do STF, Gilmar Mendes, concedeu habeas corpus ao ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares e ao presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), que já foram libertados. Até as 21 horas o STF ainda julgava pedidos - ao todo, foram apresentados 26 - e os havia negado aos dois sobrinhos do governador Jackson Lago, Alexandre Maia Lago e Francisco de Paulo Lima Júnior, e ao ex-secretário municipal de Sinop (MT) Jair Pessine.

Desde que a PF começou a efetuar as prisões, os telefones do Ministério da Justiça, sobretudo do gabinete do ministro Tarso Genro, não pararam de tocar. "Eu vejo esses movimentos como naturais pedidos de explicação, não como formas de pressão. Primeiro porque eles sabem que não aceito pressão; depois, têm consciência de que os inquéritos serão conduzidos pelo STJ, não por mim", afirmou.

Genro não quis condenar ninguém, mas lembrou que, contra todos os envolvidos presos até o momento, pesam "fortes indícios de envolvimento nos atos de corrupção investigados". O ministro recebeu pessoalmente, na quinta, um grupo de deputados do Maranhão, acompanhando o governador Jackson Lago (Zequinha Sarney, do PV, não estava presente).

"Eu disse a eles que não havia qualquer perseguição ao Maranhão, que as investigações tinham começado na Bahia e acabaram por se ramificar por outros Estados. Disse ainda que, se eles tiverem qualquer indício que contribua para o trabalho da PF, basta me trazer uma notícia-crime. Não precisa nem provas, basta indícios", frisou Genro.

O ministro da Justiça avisou o presidente Lula sobre a Operação Navalha no final da tarde de quarta. "Eu disse a natureza da operação (fraudes em licitações públicas) e que a Justiça enviaria mais de 40 pedidos de prisão. O presidente não colocou nenhuma objeção". Genro fez questão de frisar que nem ele próprio tinha conhecimento dos nomes dos envolvidos na operação Navalha. "É uma forma de evitar a politização. A Polícia Federal tem um limite no grau de informações que me repassa, para garantir o sucesso das operações."

O ministro evitou analisar politicamente a operação, "até mesmo porque ela envolve diversos partidos, PT, PMDB, PSDB e DEM". Segundo ele, estender às legendas a responsabilidade por ações de indivíduos é uma tática "fascista", condenada por ele desde os tempos em que o PT estava se afundado no escândalo do mensalão. "A depuração ética posterior é um debate que cabe aos partidos, não ao ministro da Justiça".


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