Operação atinge políticos do PMDB, DEM, PDT, PT e PSDB

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A operação da Polícia Federal atinge o governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), no instante em que a oposição liderada pelo senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) procura criar ambiente para a cassação do mandato do pedetista. De todas as lideranças envolvidas, é a que está em posição mais vulnerável. O grupo sarneyzista nunca reconheceu como legítima a derrota em 2006 e existe uma ação no TSE para anular a eleição por abuso do poder econômico. Os sarneyzistas permaneceram ontem em contato com integrantes da PF e trabalham com a hipótese que Lago terminará diretamente envolvido. Até o momento, é suspeito de ter recebido vantagens da empreiteira Gautama por meio de dois parentes. No círculo próximo a Sarney, aposta-se na existência de elementos mais comprometedores.

Há tentativa de mostrar tranqüilidade com o envolvimento de integrantes do grupo com a Gautama. Um dos presos é Ivo Almeida Costa, assessor do ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau. O envolvimento de Costa pode enfraquecer Rondeau, ministro indicado pelo senador pemedebista.

Sarney não quis se manifestar. Por meio de assessores, afirmou tratar-se de um "assunto da Justiça". Mas adiou para amanhã a viagem a Viena, onde participará de um evento que reúne ex-presidentes (Interactil Council). Aliados disseram que um receio da família é a exploração do episódio pelos adversários políticos, que podem tentar responsabilizar os Sarney pela investigação dos adversários.

Lago viajou para Brasília, onde manteve audiência com a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Procurou apoio no PDT, que divulgou uma nota em que "condena a manipulação para comprometer a imagem do governador conduzida pelo império de comunicação da oligarquia maranhense".

O governador redigiu uma nota em que não responde diretamente às suspeitas. Diz ter solicitado à Polícia Federal "uma certidão sobre qualquer alusão ou citação de meu nome no referido processo". Diz ainda que tornará público os contratos do governo com a Gautama.

Em Alagoas, onde a Operação levou à prisão o secretário de Infra-Estrutura Adeilson Bezerra, além de outros assessores do governo estadual, o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) afastou os envolvidos e declarou seu " firme compromisso com a transparência e com a moralidade pública". Responsável pela indicação de Bezerra, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), repetiu uma frase do antigo presidente Juscelino Kubitschek e afirmou "não ter compromisso com o erro".

Renan é considerado próximo de Zuleido Soares Veras, sócio majoritário da empresa Gautama. Na gestão do ex-governador Ronaldo Lessa, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberação de recursos para obras realizadas pela empreiteira em Maceió (AL).

"Você pode ter amizade, mas não quer dizer que se é amigo de práticas criminosas", disse Renan, ao chegar ao Senado no final da tarde. Passou a maior parte do dia em casa, em contato com o governador Teotonio Vilela de quem é o maior aliado político - buscando informações sobre a operação. O dono da Gautama, que foi executivo da construtora OAS, é conhecido de outros senadores, como Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA).

As informações sobre a operação surpreenderam o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e outros integrantes da Executiva Nacional que estavam reunidos na sede do partido. "O que esperamos é que tudo tenha sido feito dentro da legalidade. Vamos aguardar os desdobramentos", disse o líder do Senado, Arthur Virgílio (AM).

No Senado, o constrangimento tinha um terceiro motivo. Um dos presos é João Alves Neto, filho do ex-governador de Sergipe João Alves (DEM) e da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE). O presidente e o líder do partido no Senado, deputado Rodrigo Maia (RJ) e senador José Agripino (RN), mostraram apreensão com a ação da PF. "A Polícia Federal tem que cumprir seu papel. O que acho errado é a pirotecnia", disse Maia. Afirmou que João Alves, o pai, é "um homem de bem, sério" e terá solidariedade do partido.

Agripino levantou suspeitas de que a PF tenha deflagrado a operação para desviar a atenção da opinião pública para a CPI do Apagão Aéreo do Senado, que foi instalada ontem. "É uma sucessão de curiosas coincidências", disse o líder. Ele também falou com João Alves, que se disse "chocado, revoltado" e sem informações sobre a investigação.

No plenário do Senado, o assunto não foi tocado nos discursos. Nos bastidores, senadores mostravam dúvidas quanto a desdobramentos. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que a operação surpreendeu pelas prisões suprapartidárias. Não houve comemorações nem entre governistas nem entre oposicionistas.

Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, defenderam a ação da PF. "A Polícia vai continuar mostrando que não aceitaremos propinas", frisou Genro. Para Walfrido, o fato de os desvios envolverem recursos do PAC e do Programa Luz para Todos não enfraquece os programas. "Não é porque houve problemas em um caminhão de areia que vamos colocar em dúvida um prédio de 30 andares", comparou Walfrido, frisando que não estão obsoletos os mecanismos de triagem do Executivo. "Ninguém assume cargo de quarto escalão para cima, sem que haja análise do currículo, mas você não tem como prever que uma pessoa não possa cometer um ilícito", disse.

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