Bicheiros vieram assistir a audiências

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Os contraventores Rogério de Andrade e Fernando de Miranda Iggnácio, ícones em campos opostos da máfia dos caça-níqueis no Rio de Janeiro, tiveram a oportunidade, ontem, no fim da manhã, de ver de um ângulo especial os braços abertos do Cristo Redentor dois dias depois da coroação do monumento como uma das sete novas maravilhas do mundo. Estavam em um avião, chegando no Aeroporto Santos Dumont, gastando R$ 15 mil dos cofres públicos para assistirem a uma audiência no prédio da Justiça Federal, no Centro do Rio.

Eles vieram direto da penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso de Sul, onde estão presos em regime de isolamento desde 24 de maio, quando deixaram as celas do presídio de Bangu 1, na Zona Oeste do Rio. Uma decisão do juiz Flávio de Oliveira Lucas, da 4ª Vara Federal Criminal do Rio, tomada na semana passada, garantiu o direito dos bicheiros estarem presentes em todas as audiências do processo que eles respondem junto com mais de 30 réus.

Isto significa que a dupla já tem data para mais uma volta pelo Rio de Janeiro, escoltados por mais de 10 agentes da Polícia Federal (PF). É daqui a exatamente 13 dias, no próximo dia 23, quando serão ouvidas três testemunhas de defesa do jornalista José Messias Xavier, que também é acusado de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis. Basta que a defesa de Rogério e Fernando queiram que os dois venham ao Rio. Só de deslocamento aéreo serão mais R$ 15 mil de ida e volta.

Ontem, a defesa de Fernando Iggnácio pediu ao juiz Flávio de Oliveira a permanência do réu em um presídio no Rio de Janeiro. O pedido, no entanto, foi negado. Segundo o juiz, continuam valendo as condições que o fizeram decidir, com base em uma posição da Ordem dos Advogados do Brasil, pela transferência dos dois contraventores para o presídio federal em Campo Grande. Segundo a OAB, as condições de Bangu 1 eram "terríveis".

Antes de os chefões da máfia dos caça-níqueis começarem a desfrutar das viagens bancadas pelos cofres públicos para tribunais do Rio, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, amparado por uma decisão do STF, já esteve duas vezes no Rio desde o início do ano. As viagens do traficante, preso no Paraná, já custaram mais de R$ 70 mil ao erário.

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