Diretoria do Banco Rural está indiciada

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Banco Rural manteria a contabilidade da corrupção mineira, após 1983

Mostrando o quanto estão expostas e sem autonomia, as instituições federais, instaladas em Minas Gerais, o Banco Central tido como o todo e independente recebeu ordens expressas de Brasília, ao que tudo indica de seu próprio presidente, para que em hipótese alguma intervenha no Banco Rural, pois em sua contabilidade estaria o mapa da corrupção praticada pelos governantes mineiros após 1983.

Os métodos praticados sempre foram os mesmos, assim como o caminho percorrido pelo dinheiro, através do Banco Rural. Poucos dias atrás, agentes federais, remexendo na documentação da CPMI dos Correios, verificaram que na época uma das mais ativas instituições financeiras envolvida na remessa irregular de dinheiro, para o exterior para pagar despesas da campanha de 2002, foi o Banco de Boston, então, dirigido pelo atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Esclarecendo um pouco do porque uma gestão petista entregaria o Banco Central nas mãos de um então deputado federal do PSDB. O Novojornal teve aceso, com exclusividade, ao gráfico que demonstra a movimentação praticada pelo empresário mineiro, Marcos Valério.

A verdade é que o Ministério Público Federal mineiro, assim como a Justiça Federal, não tem aceitado qualquer tipo de ingerência, mesmo porque, comportamento idêntico tem sido adotado pelas instituições em Brasília.

Desde agosto de 2006, os diretores do Banco Rural Welerson Antônio da Rocha, Vinicius Samarane, Nélio Brant Magalhães, Walter Leite Azevedo, Leda Correa Rabello Carvalho, Luiz Francisco Cardoso Fernandes, Plauto Gouvêa, Guilherme Rocha Rabello, José Roberto Salgado, Kátia Rabello, Ayanna Tenório Torres de Jesus, Paulo Roberto Grossi e João Heraldo dos Santos Lima, estão indiciados por inclusos nos artigos, 4º,§ único, 6º e 10º da Lei 7.492/86, em função do Inquérito nº. 2873/2006-38, transformado em Representação Criminal em 07/08/2006. Depois de recebida a denúncia, a mesma, transformou-se no processo nº. 2006.38.00.0274043-8, que tramita na 4ª Vara Federal mineira.

Como demonstrado, o processo na Justiça Federal mineira. tem andado com a agilidade esperada pela sociedade. Inclusive com audiência designada para 26/02/2008. Porém, com a morosidade e interferência política adotada pelo Banco Central é bem possível que pouca diferença faça para a instituição financeira, pois o Banco Rural vem emitindo Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs) com lastro em crédito corporativo Document Actions. O banco havia captado, no ano passado, R$ 440 milhões em três diferentes FIDCs.

Dois fundos de consignado, de R$ 100 milhões cada um, foram vendidos aos bancos estrangeiros J.P. Morgan e Crédit Suisse. O Banco Rural, no início do ano, lançou um novo FIDC, lastreado em crédito para pequenas e médias empresas. A emissão do crédito corporativo será de R$ 240 milhões, dos quais R$ 30 milhões ficam com o banco para garantir cobertura de inadimplência (cota sênior de 12,5%).

O banco, na época, não comentou a emissão devido ao período de silêncio. Entretanto, segundo fontes de mercado, o FIDC deve ter rendimento acima de 110% do CDI.

O banco está vendendo aos correntistas na rede de agências cotas de seu FIDC Premium, lastreado em operações de crédito com recebíveis. O valor mínimo de aplicação é de R$ 25 mil. O rendimento, segundo relatório do banco, foi de 107,73% do CDI em 12 meses. O banco Rural vem usando os FIDCs como alternativa à captação por meio de instrumentos como CDBs.

O Rural é um dos poucos bancos médios que se manteve fora da efervescência de fusões e aquisições. Segundo um executivo da área de investimentos, os problemas de imagem da instituição estão envolvidos com o escândalo do mensalão.

No ano passado, a direção do Banco Rural teve que contestar a informação de que dez diretores e ex-diretores da instituição teriam sido denunciados por movimentação ilícita da conta do Trade Link Bank em Nova York. O então advogado do banco, Maurício Campos, confirmou que um dos diretores teria sido denunciado, mas o nome dele não foi revelado.

“O banco pretende apresentar como defesa, a informação de que o diretor trabalhou no Trade Link em 1995, antes do período investigado (1996 a 1999)”. Campos lamentou a divulgação das notícias em um processo que corre sob segredo de Justiça.

“Este processo corre em sigilo. É de se estranhar a divulgação da notícia. De qualquer maneira, a denúncia é contra dez pessoas, apenas uma delas é diretor do Grupo Rural. A informação não corresponde”, afirmara Costa.
Na verdade este processo é outro, contudo, as denúncias são iguais.

Pelo processo, que corre na 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba, a acusação é de gestão fraudulenta, operações de câmbio irregulares, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público (MP), o banco não declarou o fluxo de recursos movimentados para o exterior, que chegaria a U$ 4,8 bilhões. O advogado na época afirmou que todas as remessas para o exterior foram registradas no Banco Central.

A assessoria do Rural, igualmente, informou que os valores enviados pela Trade Link chegam a U$ 190 milhões e que a instituição nem sequer é uma das maiores contratadas pelo grupo.

Como demonstrado, o Banco Rural está movimentando com total desenvoltura, aumentando e ampliando cada dia mais o leque de irregularidades. Se o administrador público brasileiro fosse responsável agiria ao contrário, já teria tomado as medidas necessárias para guardar a contabilidade, toda corrupção praticada em um quarto de século em Minas Gerais.

Provocado, o Ministério Público Federal diz que já tem toda documentação necessária para desempenhar sua função. Entretanto, o comportamento do Banco Central, em relação ao Banco Rural, poderá render a seus diretores uma denúncia pelo MPF.



Leia também: Movimentação do Processo do Banco Rural.


Gráfico contendo o caminho percorrido pelo dinheiro remetido para o exterior, através do Banco Rural e Banco de Boston

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