A lei não são feitas para eles. Vereadores dão um jeitinho para burlar rodízio de veículos

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Os vereadores de São Paulo resolveram dar um "jeitinho" para se livrar das restrições impostas pelo rodízio de veículos.
Uma norma do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) prevê que apenas os presidentes de Câmaras Municipais tenham direito ao uso de placas diferenciadas em seus veículos -que não têm três letras e quatro números como as placas normais, mas são pretas e trazem o número do gabinete.

Por isso, para escapar da restrição de circulação, a saída encontrada pelos outros 54 vereadores foi alocar todos os carros como sendo da presidência da Casa. Dessa forma, os veículos dos parlamentares, que são alugados, também ganham placas diferenciadas e passam a circular livremente.
"O parlamentar de São Paulo, a terceira maior Casa da América Latina, ficar podado de andar num dia de rodízio? O vereador todo dia tem uma solenidade, algum lugar para ir. Você, vereador, ficar parado? Isso perto dos 5,7 milhões de veículos é um pingo no oceano", argumenta o vereador Adilson Amadeu (PTB), indicado pela presidência da Casa para comentar o assunto.

As novas placas já estão em processo de compra, diz Amadeu, por meio de uma tomada de preço entre empresas cadastradas. "Espero que em 15 dias os veículos estejam emplacados." Ao todo, os parlamentares têm à disposição 61 veículos (modelo Astra, de cor preta).

O argumento jurídico usado pela Câmara é "questão de eqüidade", já que os veículos do Tribunal de Justiça e da Assembléia Legislativa também utilizam placas diferenciadas para seus representantes.
A Câmara consultou o escritório Cyro Vidal, que deu parecer favorável à medida.

Irregular

De acordo com normas do Contran, o "jeitinho" dado pelos vereadores é irregular, porque apenas o presidente da Câmara pode utilizar carros com essas placas de representação. "Isso é ilegal e imoral. As pessoas neste país, a cada dia, querem ter mais privilégios, mais direitos, esquecendo-se de dar a sua contribuição. Eles [vereadores] não podem contribuir com a sociedade, com o meio ambiente e com o trânsito?", questionou o advogado especialista em trânsito Gilberto Antonio Faria Dias.

Os três especialistas são unânimes também em afirmar que o uso das placas de representação serve para aumentar o número de infrações e a impunidade no trânsito, já que elas dificultam a fiscalização.

"Excesso de velocidade, farol vermelho, conversão irregular, tudo. E tanto pelo agente de trânsito quanto pelos radares fotográficos também. Esquece, ninguém multa", afirmou o presidente da ABPTRAN (Associação Brasileira de Profissionais do Trânsito), Julyver Modesto de Araújo.
O especialista em trânsito e transporte José Bernardes Felex vai mais além do uso dessas placas. "Eu não concordo nem com a utilização do carro. Por que utilizar um carro dentro do município? Ostentação?", questiona.

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