Além da autoridade

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Ao estilo dos velhos jagunços, o delegado Celízio da Silva Espíndola, da Polícia Civil do DF, montou um arsenal e uma equipe de capangas e passou a pressionar posseiros pobres remanescentes de quilombos baianos. Na casa de uma fazenda, no município de Cotegipe, a Polícia Militar da Bahia encontrou cinco pistolas, duas espingardas, quatro granadas, 500 cartuchos de diversos calibres e 14 bombas caseiras, no dia 20 de dezembro. Celízio e sete sequazes foram presos no dia 20 de dezembro e em seguida liberados.

É difícil acreditar que a Polícia Civil da capital da República abrigue em seus quadros alguém com um perfil desses. Ele quebrou todos os códigos de honra e humanos da corporação. Valeu-se do cargo que ocupa para intimidar famílias pobres do interior da Bahia. E o mais grave: algumas das armas encontradas pela polícia baiana pertencem à Polícia Civil do DF.

São profissionais desse tipo que põem por terra a fama de termos uma das mais bem preparadas polícias civis do Brasil. Talvez isso seja coisa do passado, lenda, conversa pra boi dormir. Afinal, a polícia é feita de humanos e, portanto, de pessoas boas e más. Como em qualquer profissão — numa análise precipitada do gesto do delegado. Mas não deveria ser assim, considerando-se os princípios legais e morais que regem a conduta dos policiais no mundo inteiro.

Doutor Celízio deveria dar exemplo aos jovens agentes e delegados sobre como deve agir um verdadeiro tira. E não sair por aí a semear o medo e o terror em terras alheias. Com que propósito? Ainda paira sobre o caso uma densa nuvem de mistério. Mas a Polícia Civil e o Ministério Público da Bahia estão investigando as atividades do delegado e seus asseclas.

O comando da PCDF também quer saber o que se esconde por trás da máscara do delegado, exonerado ontem pelo governador José Roberto Arruda. Aos seus superiores da polícia, Celízio deu resposta hilariante sobre o episódio: estaria na fazenda como procurador do proprietário e teria ido lá resolver questões trabalhistas. Com um arsenal daqueles localizado pelos policiais baianos, é como se alguém fosse caçar passarinhos com uma bazuca. Questões trabalhistas são resolvidas nos tribunais e não ao estilo dos velhos jagunços do passado.

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