Promoções vão até o dia 12

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O comércio ainda contabiliza o melhor Natal dos últimos 10 anos. E para não perder o bom momento, tem início hoje o Liquida DF, a maior liquidação do comércio local que se estende até o dia 12. A expectativa da sexta edição é de um aumento nas vendas de 15%, percentual menor do que os 20% da edição anterior, em fevereiro de 2007. O evento comercial organizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-DF) deve contar com adesão de mais de 8 mil estabelecimentos em todas as cidades do Distrito Federal, número igual à última campanha. “Todas as grandes redes entram em liquidação nesta época com bons resultados, por isso escolhemos janeiro. Creio que o retorno será maravilhoso”, diz o vice-presidente do CDL-DF, Geraldo Araújo.

Foram investidos R$ 1,2 milhão, incluindo mídia, produção de kits, treinamento, material de divulgação, organização, apoios e parcerias. Mais de 30 segmentos comerciais garantiram a participação, o que inclui vestuário, calçados, materiais de construção, pet shops, supermercados, pneus e cabeleireiros.

Esta que é considerada a terceira melhor época de vendas do ano — ficando atrás somente do Dia das Mães e do Natal — teve adesão de 1,6 mil lojas instaladas em shoppings. No Taguatinga Shopping são 80 lojas que oferecem descontos de 10% a 50%. De acordo com a superintendente do centro comercial, Eliza Ferreira, o movimento deve crescer 10%, em relação ao ano passado, e as vendas devem ser 12% maiores. Um catálogo com mais de 50 ofertas foi preparado para a ocasião.

No Conjunto Nacional a adesão é de 70%. O gerente de marketing, João Marcos Mesquita, acredita que essa iniciativa da CDL, que ocorre em outras 12 capitais e em mais de 130 cidades do país, tem auxiliado na consolidação do mercado varejista da capital. Ele espera que o volume de clientes nos corredores cresça 15% e as vendas sejam 10% melhores que na edição passada. “O número de participantes cresce a cada edição e atrai mais clientes”, garante. Também participam o Brasília Shopping, Terraço Shopping, Alameda Shopping, Pátio Brasil, Sobradinho Shopping e Gama Shopping.

Otimismo
O gerente de marketing do supermercado SuperC, Afonso Wanderley Junior, está confiante de que, mais uma vez, a campanha representará um acréscimo de 5% na comercialização de produtos. A empresa, que tem 15 lojas comprou 30 kits da CDL. “O índice de 5% a mais nas vendas é muito bom para o setor. Já participamos de todas as edições”, diz Afonso.

Para ele é um bom momento para manter o mercado aquecido. “Sou consumidor, deixei de comprar alguns presentes no Natal para aproveitar agora”, confessa. Como estratégia, o supermercado investiu R$ 10 mil em mídia complementar e promete liquidar produtos de primeira necessidade. “Não temos muita margem para negociar descontos, mas a cesta básica ficará mais barata aqui”, garante. O desconto médio lá será de 10%, já incluso nos preços das mercadorias nas prateleiras.

Quem também está otimista é a gerente Shirlene Alves de Oliveira, da Micheline Jóias. Parte dos funcionários participou da palestra sobre otimismo nas vendas da CDL e a loja trabalhará com novidades nos estoques e descontos que chegam a 50%. “O Natal foi excelente, o estoque acabou. Pedimos mais e vamos ter novidades para a liquidação”, conta.

Guerra de preços no varejo
Logo após o melhor Natal da década para o comércio, pelo menos sete grandes redes varejistas começaram o ano com uma verdadeira guerra de liquidações. Além dos descontos, que chegam a 70% sobre o preço de etiqueta de móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e artigos de vestuário, são oferecidas facilidades de pagamento, como a entrada só para depois do carnaval.

Diante dos resultados do varejo obtidos em dezembro e dos estoques enxutos nas lojas, as liquidações podem parecer um contra-senso neste momento. Mas, na prática, elas são apenas um chamariz para o comércio impulsionar as vendas em janeiro, um mês que até pouco tempo atrás era o pior do ano para as lojas. Em algumas redes, janeiro ocupa a terceira posição no ranking de vendas do ano, atrás de dezembro e maio, por causa do Dia das Mães.

A disputa para ampliar as vendas este mês está acirrada. O Magazine Luiza, a terceira maior rede varejista de eletrodomésticos e móveis, abre hoje as portas de 392 lojas às 6 horas na expectativa de vender R$ 60 milhões em um único dia. O recorde da empresa foi alcançado na liquidação do ano passado, quando o faturamento atingiu R$ 50 milhões.

“O mercado está aquecido e temos novas lojas. Por isso, acreditamos que vamos manter neste mês o ritmo de crescimento de vendas atingido no último trimestre, que foi de 25% sobre o ano anterior”, afirma o diretor de vendas e marketing da rede, Frederico Trajano. Ele conta que metade do volume de mercadorias que estarão à venda na 15ª edição da Liquidação Fantástica foi negociada diretamente com a indústria, em condições especiais. A outra parte se refere à renovação de mostruário ou sobras do Natal.

Trajano observa que, de dois anos para cá, as vendas de janeiro na rede já se equiparam com as de maio, mês muito forte. “Fomos o primeiro varejista a acreditar no potencial de negócios do começo do ano. Quebramos um paradigma.”

O Ponto Frio, vice-líder do varejo de eletrodomésticos, também quer fisgar o consumidor no começo do ano. Para contra-atacar a concorrência, a rede fará hoje uma liquidação de um dia nas suas 389 lojas, que serão abertas três horas mais cedo que o horário habitual. A expectativa é de ampliar de 15% a 20% as vendas na liquidação deste ano em relação ao mesmo evento realizado num único dia em janeiro de 2007.

“Nos últimos três anos, as vendas em janeiro têm sido crescentes”, diz o diretor regional da rede, Marcelo Bazzali. Ele ilustra com números o potencial de negócios do período após o Natal. Em 2006, as vendas entre os dias 26 e 31 de dezembro responderam por 8% a 9% do desempenho do mês. Em 2007, o movimento após o Natal quase dobrou em relação ao ano anterior e correspondeu a 18% a 20% do faturamento de dezembro.

Bazzali diz que, além do desconto de 70% no preço, a empresa oferece facilidade de pagamento, como a primeira parcela depois do carnaval. A intenção, observa, é facilitar a vida do consumidor, que normalmente começa janeiro tendo que pagar impostos pesados, como o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

Outra rede que inicia amanhã uma megaliquidação é as Lojas Cem. As 164 lojas da rede começam a funcionar duas horas mais cedo hoje e sábado na expectativa de vender cerca de 1,3 mil itens. O superintendente-geral, Valdemir Colleone, prevê que o desempenho da liquidação de dois dias será 50% maior que o de 2007.

Antecipação
As Casas Bahia, líder no mercado de móveis e eletrodomésticos, e as Lojas Insinuante, com forte presença no Nordeste, se anteciparam e começaram ontem a liquidar os estoques. “Já estamos em liquidação e iremos até sábado”, diz o diretor das Lojas Insinuante, Rodolfo França Jr.

Com descontos de até 50%, a expectativa da rede, de 250 lojas, é ampliar as vendas em 10% na comparação com a liquidação do ano passado. Assim como Colleone, das Lojas Cem, o diretor da Insinuante diz que, por causa da concorrência, tornou-se quase obrigatório fazer liquidação neste período. Uma parte das mercadorias já foi negociada com a indústria para isso. “Janeiro era um mês morto e a indústria e o comércio resolveram fazer desse período um bom negócio.”

O Extra, do Grupo Pão de Açúcar, iniciou ontem uma liquidação de confecções e artigos de cama, mesa e banho que vai até a metade do mês. “Estamos antecipando a liquidação de verão numa época em que há predisposição para compras por causa das viagens de férias”, diz a gerente da área têxtil, Wanderléa Capelini. Com descontos de até 50%, a expectativa é vender 30% mais.

Nos últimos três anos, as vendas em janeiro têm sido crescentes
Marcelo Bazzali, diretor da rede Ponto Frio

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