Consumo das famílias atinge R$ 1,557 trilhão

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Estabilidade da economia faz brasileiros perderem o medo de se endividar. Oferta de crédito cresce 28,8% e despesas chegam a 6,5% do PIB

Responsável por quase 60% do Produto Interno Bruto (PIB), o consumo das famílias registrou incremento de 6,5% em 2007, o maior aumento em 11 anos. Os consumidores despejaram na economia a cifra recorde de R$ 1,557 trilhão, o que foi possível graças à elevação de 3,6% da massa salarial e do crescimento de 28,8% na oferta de crédito. “Com a estabilidade da economia, as pessoas perderam o medo de se endividar, pois sabem que os riscos de ficarem desempregadas estão menores. Portanto, passaram a gastar mais, a satisfazerem as necessidades que estavam reprimidas pelos anos seguidos de inflação alta”, afirmou o economista Fábio Fonseca, professor do Ibmec Business School.

A esteticista Lucy Oliveira, 34 anos, moradora da Colônia Agrícola Vicente Pires, é o exemplo real da transformação pela qual passou o país nos últimos anos. “Eu e meu marido compramos uma casa, trocamos de carro e financiamos uma moto. A facilidade para comprar hoje é maior e podemos planejar melhor o futuro”, ressaltou. O empenho que Lucy e o marido, o administrador Cassius Marcelo Braga, 36, fizeram para adquirir os tão desejados bens teve início em 2004, quando a família arrematou a casa onde mora. “Vendemos um carro por R$ 30 mil e usamos o dinheiro que estava depositado na poupança. Só precisamos financiar o restante”, contou.

No ano passado, a esteticista trocou de carro — pagou R$ 15 mil à vista — e comprou uma motocicleta, financiada em 48 vezes. O segredo de tais feitos, destacou ela, foi planejamento, algo impensável em economias contaminadas pela inflação. “Não ganhamos muito. Temos uma renda mensal familiar próxima de R$ 7 mil”, ressaltou. “Acredito que a estabilidade que estamos vendo hoje vai durar bastante e temos de tirar proveito dela”, emendou.

O vigilante Orlian Oliveira Frota, 38, não fez por menos. Com renda familiar mensal de R$ 8 mil, ele encarou um financiamento de 60 meses para comprar um carro avaliado em R$ 40,9 mil. “Fechei o negócio de forma consciente, pois sei que darei conta de pagar”, destacou. Além da prestação do carro, de R$ 830, o vigilante gasta R$ 300 com alimentação, R$ 500 com água, luz e telefone, R$ 500 com mensalidade da faculdade e banca as despesas dos dois filhos. “Somente com o meu salário (R$ 1,3 mil) não daria para vivermos bem, mas a maior parte das despesas é paga com o salário da minha mulher, de R$ 6,7 mil”, assinalou.

Para o presidente do Banco Fator, Manoel Horácio da Silva, não se verá, em 2008, crescimento tão forte do crédito. “O mercado está mais seletivo, por causa do aumento da inadimplência”, frisou. “Isso fará com que a economia avance um pouco menos, em torno de 4,5%”, acrescentou.

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