Empresas planejam elevar em 11% a capacidade produtiva

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A indústria da transformação planeja ampliar em 11% a capacidade instalada neste ano. Mas, mesmo com a maior taxa de expansão em cinco anos, 31% das empresas já admitem que existe o risco de capacidade produtiva ser insuficiente para atender ritmo atual de crescimento da demanda, segundo sondagem realizada em janeiro e fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Para 82% dessas companhias, a previsão de tempo para o esgotamento é de até um ano, o que representa um quarto do total.

Na avaliação do coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo, o levantamento não é conclusivo, só ressalta o risco de descasamento entre oferta e demanda, o que poderia levar a uma aceleração de preços. Segundo ele, o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) foi elevado no ano passado, mas já mostrava uma acomodação. A média de 2007 foi de 84,8%, ante 84,7% no mês passado, indicando que os investimentos já estavam surtindo efeito. "A pesquisa é um sinal de alerta. Mesmo com a expansão dos investimentos, há uma pressão na indústria", diz.
Campelo afirma ainda que a formação bruta de capital fixo (FBCF) em relação ao PIB, de 17,6%, ainda é muito baixa. Para ele, um crescimento de 6,2% como aconteceu no último trimestre do ano passado não seria sustentável. "A questão é saber se isso foi um comportamento cíclico", comenta.

Outra incógnita é a crise nos Estados Unidos. Com a desaceleração da economia norte-americana, pode ocorrer uma acomodação na capacidade produtiva. Nesse sentido, na opinião do economista, o Banco Central deveria aguardar até o último momento para avaliar as variáveis antes de decidir por um aperto monetário. "O dólar (desvalorizado) também ajuda muito", completa Campelo.
Segundo a sondagem, os empresários projetam aumento de 22% da capacidade de produção para o triênio 2008-2010.

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, o Brasil tem hoje instrumentos importantes para evitar problemas causados pela limitação dos níveis de utilização da capacidade. "As importações são fundamentais, especialmente com o câmbio favorável", explica. Além disso, ele afirma que a alta taxa de investimentos feitos ao longo do último ano já devem começar a maturar nos próximos meses. "Há investimentos importantes em curso e, se tivermos a desoneração desses investimentos com a reforma tributária ajudará ainda mais", acrescenta.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Albert Neto, frisa que essa desoneração é essencial para o desenvolvimento do País como um todo. "O Brasil é o único país que tributa investimento e isso é ruim para toda a nação", diz o representante da indústria de máquinas, lembrando que o País já foi o 8º maior fabricante de máquinas e hoje está em 14º lugar. "Perdemos espaço e um dos motivos foi a carga tributária excessiva", acrescenta.

Para a pesquisa, o Ibre entrevistou 381 empresas para as perguntas sobre investimentos em capacidade instalada entre 3 de janeiro e 28 de fevereiro. A última vez em que o instituto perguntou aos empresários sobre a possibilidade de esgotamento da capacidade produtiva foi em 2005. Não há, portanto, uma série histórica, ressalta Campelo.

Segundo o coordenador da pesquisa, neste ano, o segmento com maior incidência de empresas com "possibilidade de esgotamento" são o de material de trasnporte, o que inclui a cadeia automotiva. "Em 2005, o percentual era de 14%. Agora, chegou aos 53%", diz. O setor de metais não-metálicos também está sob pressão, passando de uma fatia de 22% para 40% no período.


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