Setor de alimentos fatura R$ 230,6 bi

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Enquanto o crescimento nominal do faturamento das indústrias de alimentos e bebidas em 2007 cresceu 10,6%, para R$ 230,6 bilhões, as vendas reais tiveram alta de 2,92%, abaixo da projeção da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), que ficava entre 3% e 4% no início do ano passado. A vilã do ano foi a inflação, que alcançou 12,3% no setor de alimentação e 7,3% entre os industrializados, segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Os dados definitivos do ano passado foram divulgados ontem.

Para 2008, segundo Denis Ribeiro, coordenador do departamento de economia da Abia, o índice inflacionário já apresenta sinais de desaceleração, o que deve contribuir para alta do crescimento real das vendas de alimentos industrializados este ano. "Se a inflação não ficar fora de controle devemos ter um crescimento de até 3,5%", afirmou. No ano passado, os problemas enfrentados em relação a importação do trigo, que foi restrita pelo maior fornecedor, a Argentina, e com as safras de milho e feijão, que foram impactadas pela seca, são alguns dos fatores que afetaram os preços dos alimentos ao longo do ano. O alta no preço do leite também contribuiu com o aumento dos preços dos industrializados.

Segundo Ribeiro, o aumento do crédito, do emprego formal e da renda média mensal dos brasileiros impulsionaram a alta nas vendas do setor. "Isso gerou condições de crescimento apesar da valorização do câmbio."

A valorização cambial afetou a importância das exportações para as indústrias. Em 2006, os embarques representaram 25,7% do faturamento total. Em 2007 esse número caiu para 22,5%. Ribeiro afirmou que esse índice deve se manter. "Esse problema da carne com a União Européia pode segurar um pouco, mas o Brasil é um grande fornecedor mundial", minimizou.

Nordeste

Apesar do crescimento de 5,2% do Produto Interno Bruto no penúltimo trimestre do ano, o economista acredita que o PIB deve fechar 2007 com alta de 4,7%. "Vai depender da conjuntura internacional", disse, em relação a probabilidade de recessão nos Estados Unidos. Segundo Ribeiro, é notado um crescimento mais forte na região Nordeste do Brasil. "O Nordeste está se modernizando muito, tem um foco no turismo que contribui muito. E tem o Bolsa Família, que privilegia muito aquela região", disse.

Em 2007, as indústrias investiram cerca de 6% do faturamento nominal do setor - o que representa aproximadamente R$13 bilhões - em máquinas, expansões, marketing e aquisições. Segundo Ribeiro, o índice de investimento das indústrias deve se manter ao longo de 2008. Para ele, a série de fusões e aquisições que dominou o setor no ano passado deve ser desacelerada este ano. "Não vai ser no mesmo ritmo do ano passado."

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