Suape investirá R$ 1 bi para receber indústrias

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Depois de receber ao longo de 2007 a confirmação da construção do estaleiro Atlântico Sul, da refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica Suape, o complexo industrial portuário de Suape prepara-se para realizar as obras de infra-estrutura que darão suporte à chegada desses novos empreendimentos.

Cálculos da secretaria de desenvolvimento econômico de Pernambuco estimam que o porto demandará cerca de R$ 1 bilhão em obras até 2010 para receber as indústrias. Em 2007, passaram por Suape 7 milhões de toneladas de carga, montante 30% superior ao total de 2006.

Para 2008, quando a refinaria já estiver em operação, estudos do governo pernambucano apontam que a movimentação deve subir para 40 milhões de toneladas por ano. O volume é superior àquele que passou pelo porto de Paranaguá, sexto maior do país segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários, que movimentou em 2007 38,2 milhões de toneladas.

"Daqui a três ou quatro anos, Suape será um porto de importância nacional", avalia Fernando Bezerra Coelho, secretário de desenvolvimento econômico de Pernambuco e presidente do porto.

Nem todos os recursos para a ampliação e obras de melhoria de Suape, entretanto, já estão assegurados. Para este ano, o orçamento estadual separou R$ 140 milhões para o porto, mas o Estado pretende aplicar R$ 324,6 milhões por ano até 2010.

A expectativa de Coelho é que parte disso venha de operações financeiras de antecipação de receitas portuárias pagas pelas empresas. Na programação de obras está, por exemplo, a construção de mais seis cais para o porto até 2009, que hoje opera com quatro cais.

As duas principais obras em andamento no porto são o estaleiro Atlântico Sul, da Camargo Corrêa e da Queiroz Galvão, e a refinaria Abreu e Lima, da Petrobras. Também estão em implantação a Petroquímica Suape e a Citepe, fábrica de POY, matéria-prima do poliéster. Juntos, esses projetos demandam investimentos privados de US$ 5,6 bilhões e devem gerar 8 mil empregos diretos. São volumes de investimento e de empregos que superam o que foi movimentado nos 30 anos de existência de Suape. Hoje há 6 mil empregados no complexo, que recebeu cerca de US$ 2,2 bilhões de recursos privados. Outros 13 projetos também estão em andamento, como o moinho de trigo da Bunge e a fábrica de bebidas da Campari.

Para projetar os novos rumos de Suape - que agora batalha pela vinda de uma montadora - o governo está em fase de contratação de novo plano diretor para o complexo. O objetivo é que ele norteie o crescimento do porto até 2030.

O complexo industrial portuário de Suape encerrou 2007 com lucro líquido de R$ 2,2 milhões ante prejuízo de R$ 3,4 milhões no ano anterior. A reversão do resultado negativo se deveu à combinação de aumento da receita e redução das despesas. Com maior movimentação de cargas, o faturamento líquido cresceu 20%, para R$ 33 milhões em 2007. De outro lado, as despesas operacionais foram de R$ 30,3 milhões, uma queda de cerca de 7% na comparação com 2006.

A chegada de novos empreendimentos a Suape deve mudar a paisagem de cinco cidades ao redor do porto: Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão dos Guararapes, Moreno e Escada. Segundo estimativas do governo de Pernambuco, o desenvolvimento industrial deverá atrair 110 mil moradores para a região até 2015, o que representa um crescimento de mais 11% na população atual.

"Calculamos a necessidade de 25 mil novas casas numa região que já tem déficit de 40 mil moradias e nem aterro sanitário possui", diz Luiz Quental Coutinho, presidente da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco.

O pólo industrial que se desenvolveu em Suape fez da região uma das mais ricas do Estado. Enquanto a renda per capita dos pernambucanos é de R$ 5.931, para quem vive nos cinco municípios em volta do porto a média é de R$ 10.881.

Mas isso não significou, até agora, mais qualidade de vida para a população. Cerca de 37% dos moradores de Ipojuca - cidade onde fica a maior parte do porto de Suape - com 25 anos ou mais é analfabeta.

"Temos um município rico com uma população pobre", diz Simone Osias, secretária de desenvolvimento econômico de Ipojuca. "O desafio é conseguir inserir as pessoas com baixa taxa de escolaridade nos empregos que estão surgindo", explica.

Para absorver parcela dos moradores da região, o estaleiro Atlântico Sul investiu R$ 3,6 milhões em dois centros de treinamento, que estão formando os primeiros funcionários. Agora avalia a construção de 2 mil casas e um hospital.



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