Concedida a extradição do ex-banqueiro Cacciola

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O ministro da Justiça, Tarso Genro, acredita que o governo conseguirá trazer o ex-banqueiro italiano Salvatore Cacciola de volta ao Brasil num prazo de 48 horas após a confirmação da concessão da extradição pelo príncipe Albert II, de Mônaco.

A extradição de Cacciola foi concedida ontem pela Justiça monegasca. Mas, a decisão ainda precisa ser confirmada pelo príncipe. "A extradição foi extremamente importante do ponto de vista simbólico", afirmou Genro. Segundo ele, a decisão de Mônaco "sinaliza para a sociedade que existe uma disposição de lutar contra a impunidade". "Esse símbolo é importante para a sociedade brasileira", discursou o ministro da Justiça, que esteve pessoalmente em Mônaco para defender a extradição.

Agora, a expectativa do governo é que o príncipe Albert II confirme a decisão judicial num prazo de 20 a 30 dias. Não há notícia de nenhum caso em que o príncipe foi contrário a uma decisão judicial pela extradição. Mas, os advogados do banqueiro ainda pretendem ingressar com algum tipo de recurso contra essa concessão.

Cacciola foi preso num hotel em Monte Carlo, no Principado de Mônaco, em 15 de setembro do ano passado e, desde então, o governo brasileiro se envolveu numa disputa pela sua extradição. O ex-banqueiro é acusado de gestão fraudulenta, peculato e corrupção passiva. Ele possuía um banco no Brasil, o Marka, que, em virtude do fim da paridade do real frente ao dólar, determinada pelo Banco Central em janeiro de 1999, ficou ameaçado de falência. Cacciola recorreu ao então presidente do BC, Francisco Lopes, que teria vendido dólares ao seu banco por um preço mais barato do que o de mercado. O Ministério Público acusou essa suposta operação de auxílio aos bancos Marka e FonteCindam de provocar um prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.

Cacciola fugiu para a Itália após obter um "habeas corpus" do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, para que respondesse ao processo em liberdade. Em 2005, a Justiça do Rio o condenou a 13 anos de prisão. Assim que chegar ao Brasil, terá de responder a este processo e será encaminhado à prisão. O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, disse que, se o príncipe confirmar a decisão, será um "golpe duro contra a impunidade".

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