Estudo revela que só 15% vivem de esmola

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Na maioria homens, que sabem ler e escrever, trabalham para se sustentar, mas se afastaram de casa por problemas de álcool, drogas, desemprego ou desavenças familiares. É esse o perfil, traçado por uma pesquisa inédita divulgada ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), das pessoas adultas que vivem em calçadas, praças, viadutos, avenidas, lixões, praias e obras abandonadas do país. De acordo com o estudo, feito em 71 municípios brasileiros, os moradores de rua representam, em média, 0,061% da população que habita essas cidades. Foram identificadas no levantamento 31.922 pessoas, das quais 27% pernoitam em instituições de abrigos. O restante fica nos espaços públicos em tempo integral.

Dos 71 municípios pesquisados, 23 são capitais de grandes cidades. Não entraram no estudo São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. As três primeiras cidades ficaram de fora por já terem pesquisas semelhantes, com resultados qualitativos muito parecidos. Porto Alegre pediu sua exclusão da amostra porque está realizando atualmente um levantamento com o mesmo objetivo. Apesar de não ter coberto o país inteiro, o estudo, na avaliação de Ana Lígia Gomes, secretária nacional de Assistência Social do MDS, é fundamental para a elaboração de ações públicas voltadas para os moradores de rua.

Ela destaca que o levantamento derrubou mitos a respeito das pessoas que moram na rua, como o de que a maioria vive de esmola — caso de apenas 15%, de acordo com a pesquisa — e de que teriam origem rural. O levantamento mostrou que 70%, entre os que se encontram fora de sua cidade natal, vieram de zonas urbanas. “Isso é importante para mostrar o verdadeiro perfil dessa população que precisa ser atingida por programas sociais”, diz Samuel Rodrigues, integrante do Movimento Nacional de População em Situação de Rua.

O sustento de 27,5% dos moradores de rua, conforme a pesquisa, vem da coleta de material reciclável. A atividade de flanelinha é exercida por 14,1%. Valfrido Cristovão, baiano de 37 anos, uniu as duas tarefas. Desde que chegou de Salvador com a esposa e uma filha na esperança de ganhar um lote no Distrito Federal, há oito anos, ele mora na rua. Com o dinheiro de quatro meses de trabalho como flanelinha, conseguiu comprar um cavalo e uma carroça para catar material reciclado. Vende o resultado da coleta quinzenalmente para uma fábrica de papel, pelo preço médio de R$ 500.

“Até que conseguimos um dinheirinho bom. Muita gente ajuda. Agora há pouco mesmo passou um carro deixando marmitas. Recebemos cesta básica. Se a gente tivesse uma casa, dava até para montar um armazém”, diz Valfrido, que se fixou há menos de dois meses em um gramado na Asa Norte. O anseio dele, atualmente, é juntar recursos para comprar um terreno barato em alguma cidade próxima ao DF. “Acho que dentro de mais uns meses, quem sabe, conseguiremos”, prevê o morador de rua, entre panelas, copos, uma mesa com menos de um metro de altura e um fogão a lenha improvisado.



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QUEM SÃO

Confira o perfil dos moradores de rua no Brasil
82% são homens
52,6% recebem entre R$ 20 e R$ 80 por semana
35,5% se afastaram de casa por problemas com álcool e drogas, 29,8% por desemprego e 29,1% por desavença com a família
27,5% trabalham catando material reciclável e 14,1% são flanelinhas
15,7% têm na esmola seu principal sustento
45,8% sempre viveram no município onde se encontram
Dos 54,2% que já passaram por outras cidades, 72% são provenientes de zonas urbanas
74% sabem ler e escrever, 17,1% não sabem escrever e 8,3% apenas assinam o próprio nome . -Do Correio Braziliense-

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