Brasil capta com prêmio "AAA"

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O Tesouro Nacional fez ontem sua primeira captação externa após o grau de investimento dado pela Standard & Poor's. Pagou rendimento de 140 pontos básicos sobre os títulos do Tesouro americano, compatível com emissores de classificação de risco de crédito "AAA", a melhor possível, dez degraus acima da nota do Brasil pela Standard & Poor's, que é "BBB-".

Obteve US$ 525 milhões por meio da segunda reabertura de emissão de títulos de vencimento em 17 de janeiro de 2017, o Global 2017, dos quais US$ 25 milhões no mercado asiático. O rendimento foi de 5,299% ao ano, o menor para esse papel.

O sucesso abre caminho para emissões de empresas brasileiras. O Frigorífico Independência saiu ontem mesmo com US$ 250 milhões, em operação de vencimento em sete anos e com rendimento sugerido de 10,25% ao ano, sob a liderança do Santander. O BMG vai lançar US$ 150 milhões, com vencimento em três anos, sob a liderança do UBS e do BES.

"A operação da República fechou em meia hora", diz Alexei Remizov, responsável pela área de mercado de capitais do HSBC, que, junto com o Deutsche Bank, liderou a transação. A demanda chegou a US$ 3,7 bilhões, segundo ele, o que possibilitou a redução dos prêmios de risco para 140 pontos básicos, na comparação com os 150 pontos sugeridos inicialmente. Como parâmetro de comparação, a GE, que tem classificação de risco de crédito "AAA", pagava rendimento de 152 pontos ontem no mercado secundário por títulos de vencimento em 2017.

"Os investidores procuram se antecipar ao segundo grau de investimento do Brasil, que deverá vir em breve e proporcionará mais compressão dos prêmios de risco", acredita o diretor da área internacional do Banco Itaú, Paulo Soares. De acordo com ele, após o país ter obtido seu primeiro grau de investimento, a liquidez já aumentou. "Nunca recebi tanto telefonema de gente querendo estruturar visita aos investidores externos e propondo emissão", diz ele. O Itaú, por enquanto, não pretende captar no mercado internacional, revela. "Mas, há algumas captações represadas que agora poderão vir a mercado", diz Soares.

É o caso da Braskem. A empresa já havia sondado o mercado no início deste ano para emitir títulos como parte da rolagem do empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, tomado em abril de 2007 para para adquirir os ativos petroquímicos da Ipiranga e fechar o capital da Copene. Agora, pensa em começar a rolar o empréstimo, sob a liderança do ABN AMRO, do Citigroup e do Calyon. "O ambiente hoje é muito mais favorável para refinanciar depois da conquista do grau de investimento", disse José Carlos Grubisich, presidente da Braskem, em encontro com a imprensa, segundo a agência "Reuters".

Além de uma emissão de bônus no mercado internacional de US$ 300 milhões a US$ 400 milhões de dólares, a Braskem também trabalha na busca de um empréstimo sindicalizado que tenha as exportações como garantia. Nesse caso, a operação envolve valores de US$ 700 milhões a US$ 800 milhões.


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