Desunido como sempre, PMDB corre para garantir prefeituras

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O início da montagem do quebra-cabeça eleitoral de outubro expôs, mais uma vez, o eterno estigma do PMDB: a falta de unidade. Conhecido como um partido de diversos caciques sem hierarquia, o PMDB mostra que para se manter como o partido com maior número de prefeituras conquistadas - em 2004 foram 1.045 municípios - o que mais pesa é a situação regional de cada liderança. Os acordos costurados também deixam claro que as articulações giram em torno do pleito de 2010.

O primeiro sinal do salve-se quem puder peemedebista surgiu em São Paulo. Sem se importar com o plano nacional, a fatia da legenda ligada ao ex-governador Orestes Quércia se uniu ao DEM, principal adversário político do governo Lula. O encaixe fortalece a reeleição do prefeito Gilberto Kassab diante da ainda não oficializada candidatura da ministra do Turismo, a petista Marta Suplicy. Pesou na decisão de Quércia um interesse pessoal: a vaga ao Senado em 2010, a que ele pretendia concorrer com o apoio petista. O PT paulista, por outro lado, preferiu não amarrar nada, uma vez que o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) pode tentar manter sua cadeira.

Para incomodar ainda mais os petistas, Quércia já fala até em trabalhar pelo governador José Serra na sucessão de Lula em 2010 se o PMDB não tiver candidatura própria, como tem defendido o presidente do partido, deputado Michel Temer (SP).

Salvador, Bahia

Há quem ainda sustente que o cenário que se forma em Salvador levou em consideração vontades pessoais para 2010. O PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, tentou arrancar o apoio do PT à reeleição do atual prefeito João Henrique. Por lá, o PT foi quem não quis, mas Geddel, que trabalhou para a eleição do governador Jaques Wagner (PT), não fez tanta questão assim da manutenção dos petistas na base de João Henrique. Nos bastidores, Geddel começa a articular sua candidatura a governador do estado em 2010.

Diante do individualismo dos caciques regionais, Temer minimiza a situação. "Nós não interferimos nos diretórios locais e os diretórios locais não interferem nas decisões nacionais. O PMDB local faz a aliança que quiser", desconversa Temer.
Apesar da liberação dos diretórios regionais e do claro recado a Quércia, a Executiva do partido tem se empenhado para amarrar a situação e evitar transtornos na relação com o governo Lula.

Temer e outros líderes do partido foram ao Planalto entregar um levantamento nas mãos do presidente Lula que mostra o vôo solo do PT nas eleições de outubro. Os petistas só pretendem apoiar o PMDB em Goiânia, na campanha de Íris Rezende, enquanto os peemedebistas estariam mais generosos, garantindo aliança em nove capitais. Os dados destacam que o PT abandonou o PMDB na busca pela a reeleição lançando candidatura própria em Campo Grande, Porto Alegre e Salvador.

Para estreitar os laços entre os dois partidos e evitar uma nova rota de colisão, agora, fala-se até em conselho permanente do PMDB para garantir uma mesa de debates entre a cúpula do governo e os líderes do partido. A idéia é apontada como uma precaução para evitar qualquer desencaixe que possa atrapalhar uma aliança em 2010 e a governabilidade de Lula no Congresso.

Afinal, foi o PMDB que deu fôlego ao governo Lula no Congresso e em contrapartida recebeu seis ministérios, cargos nos segundo e terceiro escalões, as lideranças do governo no Senado, entre outras vantagens. Para o líder do governo no Senado, Valdir Raupp (RO), as chances de um rompimento são quase nula. " É legítimo cada partido buscar seu caminho. Agora, é preciso cuidado para nenhuma ação gerar mal-estar e isso a direção do partido tem demonstrado", afirma Raupp. O motivo para tanta confiança os peemedebistas não fazem segredo. "Hoje, sem o PMDB ninguém governa", diz Temer.

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