Pagos para morar na capital

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O Senado Federal paga, por mês, R$ 3,8 mil brutos a 17 de seus 81 integrantes. O dinheiro é repassado ao grupo para o ressarcimento de despesas com moradia em Brasília. Quatro senadores, no entanto, embolsam a ajuda de custo para morar na própria casa. São eles Aloizio Mercadante (PT-SP), José Agripino Maia (DEM-RN), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Roseana Sarney (PMDB-MA). Todos são donos de mansões em endereços nobres da capital: os lagos Sul e Norte.

Outros dois beneficiários da verba, Edison Lobão Filho (sem partido-MA) e Renan Calheiros (PMDB-AL), têm imóveis residenciais no Distrito Federal, de acordo com as declarações de bens enviadas por eles à Justiça Eleitoral. Segundo esses documentos, Renan é dono de casa no Lago Sul e flat. Lobão Filho é proprietário de apartamento na 707 Norte e de flat no Setor Hoteleiro Norte.

O auxílio-moradia existe para cobrir as despesas com hospedagem de quem não conseguiu se instalar num dos 72 apartamentos do Senado, localizados na SQS 309 e com 240m² de área, três quartos, sendo uma suíte, e escritório. Somando-se esses imóveis e a residência oficial do presidente da Casa, no Lago Sul, chega-se a número suficiente para deixar sem casa apenas oito de Suas Excelências. Em tese, esse seria o tamanho da clientela apta ao auxílio-moradia. A lista de quem fez a opção pela ajuda de custo, porém, é bem maior.

A maioria dos beneficiários do auxílio optou por se hospedar em hotéis da cidade. É o caso do tucano Flexa Ribeiro (PA), que ocupa quarto de estabelecimento no centro da capital; Renato Casagrande (PSB-PE), que fica em flat às margens do Lago Paranoá, e João Vicente Claudino (PTB-PI). O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), utiliza a verba para pagar o aluguel de mansão na QL 16 do Lago Sul.

Quem presta conta das despesas com aluguel ou hotel, mediante a apresentação de nota fiscal, recebe o benefício na íntegra. Quem prefere receber o dinheiro direto na conta, sem prestação de contas, sofre o desconto do imposto de renda. Nesse caso, o valor líquido é de R$ 2,75 mil. Em 2008, se mantidos os atuais 17 beneficiários da verba, o gasto do Senado será de R$ 730 mil — sem contabilizar os custos de manutenção daquelas unidades que estão vazias por falta de interessados.

Além do auxílio-moradia, esse grupo de senadores recebe salário de R$ 16,5 mil, com direito a 13º, 14º e 15º — os dois últimos pagos no início e no final de cada sessão legislativa; e verba indenizatória de R$ 15 mil mensais para serem usados com aluguel de escritório político, gasolina e alimentação. Os parlamentares têm direito ainda a cotas postal (que varia de R$ 4 mil a R$ 60 mil) e telefônica (R$ 500), além de passagens aéreas.

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