Encomenda de 146 embarcações terá investimento de US$ 5 bilhões e vai gerar novos empregos

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem, em Niterói, o Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras. Com um investimento inicial de US$ 5 bilhões, o plano prevê a construção de 146 navios de apoio às atividades de exploração e produção marítima de petróleo da Transpetro, subsidiária da estatal. Esta é a maior contratação de embarcações construídas no país e beneficiará estaleiros do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, com contratos de aproximadamente 15 anos. A previsão é de que cada embarcação construída gere cerca de 500 postos de trabalho. Hoje, o país gera aproximadamente 40 mil empregos no setor.

Lula afirmou que este é mais um passo da expansão da indústria naval e offshore do país, uma de suas promessas de campanha. Segundo o presidente, a meta é tornar a indústria brasileira do segmento competitiva com o mercado internacional e, possivelmente, uma das maiores exportadoras do mundo.

– Expandir a indústria naval e offshore é gerar empregos e renda através do aumento da produção, o que se refletirá no aquecimento da economia brasileira. Tivemos três décadas de estagnação da indústria naval e offshore, sobretudo as últimas. Era a política do prato feito: comprar tudo pronto. Acreditavam que era mais vantajoso comprar embarcações de outros países, mas se esqueciam que a produção nacional é geradora de empregos e renda, além do crescimento da nossa economia – discursou o presidente Lula.

Ainda de acordo com o presidente, para suprir a demanda da Petrobras será preciso abrir novos estaleiros. A criação de políticas de incentivo ao setor e o bom entendimento com o empresariado é uma das apostas do governo para tornar o Brasil uma das maiores potências do segmento.

– Temos capacidade de competir com o mercado internacional, possuímos mão-de-obra qualificada e já temos tecnologia para isso. Vamos alavancar a indústria naval e nos tornar um gerador de oportunidades – acredita.

Mercado nacional

O primeiro lote do investimento começa com 44 embarcações e outras 70 encomendas, ainda não licitadas. A estimativa é que esta contratação esteja com a frota toda pronta até 2014. Segundo o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, parte das embarcações será usada para afretamento. A estatal gasta em média US$ 10 bilhões por ano com o afretamento de embarcações internacionais.

– Seria mais fácil buscar fornecedores no mercado internacional, mas a orientação do presidente é inversa. Não podemos contar com frotas internacionais se podemos fabricar nossa própria. Temos que fortalecer o conteúdo da nossa produção para atender à demanda – reforça o presidente da Petrobras, sexta maior empresa do mundo e terceira das Américas.

As embarcações serão afretadas à Petrobras e poderão elevar a participação nacional a uma escala de 70% a 80% da frota da empresa, dependendo do tipo de embarcação. É esperada a criação de 3.800 empregos com o funcionamento de toda a frota.

Outra novidade anunciada durante a solenidade é a construção de 40 navios-sondas, plataformas de perfuração semi-submersíveis e dois petroleiros de grande porte. Será a primeira vez que o Brasil fabricará petroleiros de grande porte, de acordo com o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. O lote deve suprir a atual demanda da Petrobras, principalmente referente às pesquisas dos novos poços de petróleo na Bacia de Santos.

– Temos que pensar na atual demanda, mas também futuramente. A idéia é que o país tenha sua própria frota e equipamentos tecnológicos para pesquisas de produção e exploração do petróleo.

Matéria-prima

O aço foi pauta das discussões sobre a competitividade entre o mercado nacional e internacional. Responsável por comprometer de 20% a 30% do custo total da embarcação, a matéria-prima será licitada pela estatal. Embora o Brasil exporte 20% do aço produzido aqui, ainda apresenta preços internos superiores aos de outros países.

– Queremos dar oportunidade para o mercado nacional, mas com preços competitivos – frisa Sérgio Machado.

Os governadores do Rio, Sérgio Cabral, e da Bahia, Jaques Wagner, além de outras autoridades, estiveram presentes ao evento.

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