Investimento direto cresce e dólar deve cair para o nível de R$ 1,60

| |


A confirmação pela Fitch Ratings do grau de investimento dado ao governo do Brasil pela Standard & Poor"s vai ajudar ainda mais a atrair o investimento direto para o país, segundo James B. Quigley , responsável pelos negócios de mercados globais e banco de investimento da Merrill Lynch na América Latina e Canadá. Segundo ele, agora os investidores no setor imobiliário e de fundos de private equity tiveram a confirmação de que o Brasil é um país seguro e estável. "Isso vai ajudar a atrair todo o tipo de investimento externo ao país", diz.

Segundo ele, agora, com os dois graus de investimento, o Brasil deixa de ser visto apenas como um país produtor de commodities, mas também como um país com um mercado interno forte, que permite uma diversificação. De acordo com ele, hoje, mesmo que os preços dos commodities caiam, o Brasil está menos vulnerável.

Ele citou como exemplo a emissão de bônus da Dasa (Diagnósticos da América), fechada na semana passada. "Um laboratório farmacêutico brasileiro e não uma empresa de commodities foi pela primeira vez ao mercado para vender US$ 250 milhões e conseguiu demanda total de US$ 1,8 bilhão", afirmou Quigley, que desde ontem passou a cuidar do atendimento não apenas aos investidores institucionais do banco, mas às pessoas físicas da área de private banking.

"Isso já é um exemplo claro do impacto do grau de investimento no país", afirma ele. Desde que o Brasil virou grau de investimento, ele já captou US$ 3,230 bilhões no exterior. Considerando-se apenas os títulos e excluídos os empréstimos, é o maior valor desde janeiro de 2007, segundo o Valor Data.

Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB, calcula que o grau de investimento vai atrair ao país nos próximos três anos investimentos diretos estrangeiros de US$ 125 bilhões. "Ainda que boa parte deste movimento já tenha sido antecipado pelos mercados financeiros e pela economia como um todo, o fato é que a explicitação deste rating pelas agências de risco é especial e tende a promover ingressos adicionais", comenta, em relatório.

Octavio de Barros, diretor do departamento de economia do Bradesco, acredita que o ingresso de recursos extra poderá puxar o dólar para níveis de R$ 1,60. Ontem, fechou a R$ 1,638, queda de 1,08%. Ele não acredita em valorizações maiores no real, no entanto, por causa do déficit em conta corrente do país, que pode chegar a US$ 23 bilhões neste ano. Segundo banqueiros de investimento, ninguém acredita em uma enxurrada de recursos ingressando no país.

O mercado aposta que a Moody"s ainda deve demorar para dar o grau de investimento ao Brasil, provavelmente só no ano que vem. Ontem, a agência divulgou relatório dizendo que o governo precisa reduzir gastos e melhorar o perfil da dívida para ter sua nota elevada.

0 Opinaram:

Postar um comentário