País terá novo perfil de investidor

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"Os caubóis estão indo embora e os fazendeiros estão chegando". Pedro Luiz Guerra, diretor executivo de serviços de custódia e mercado de capitais do Citibank, diz que essa metáfora se aplica bem à mudança do perfil do investidor estrangeiro no Brasil, a partir da obtenção do seu grau investimento por duas das maiores agências internacionais de classificação de risco, a S&P (Standard & Poor’s) e Fitch Rating. Guerra chama de caubói aquele investidor que procura janelas de oportunidades para ganhar dinheiro no curto prazo. Esses estão deixando o país em busca de novos desafios. Já os fazendeiros são os investidores de longo prazo, os grandes fundos de pensão americanos, canadenses e europeus, que atualmente controlam o fluxo internacional de capitais, que vão entrar ou aumentar seus investimentos.

"Os fundos de pensão costumam ter restrições para investir em países que não tenham um ou mais de um grau de investimento. Alguns, porém, têm restrições apenas com relação ao montante que podem investir em países sem grau de investimento e já estavam no Brasil. Esses poderão aumentar suas aplicações aqui."

Pelo seu próprio perfil, os caubóis deverão ser mais rápidos no gatilho com maior impacto no movimento do mercado de ações do que a vinda dos fazendeiros. A volatilidade da Bovespa na última semana já é uma reflexo desse movimento. A queda da bolsa na quinta-feira (quando foi anunciado o segundo grau de investimento) foi puxada por realização de lucros de caubóis, que vieram na janela de oportunidade criada pela perspectiva do Brasil ser grau de investimento. De abril de 2006 até um dia antes do Brasil receber seu primeiro grau de investimento, no dia 30 de abril último, a Bovespa acumulou uma valorização de 68%.

A entrada dos fundos de pensão, por sua vez, será mais lenta, mas constante. "Não haverá um boom de investimentos de fundos de pensão por causa do grau de investimentos. Isso também não aconteceu nos outros emergentes que ganharam seu grau de investimento, acrescenta Guerra.

A troca de personagens no mercado de capitais não inverterá a curva ascendente do fluxo de recursos para o País, que está no seu nível recorde histórico. Em maio, o saldo de entrada e saída de investimentos de estrangeiros registrado pela custódia do Citibank ficou positivo em US$ 1 bilhão. De acordo com dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o Citibank é o maior custodiante de estrangeiros que vem para o Brasil. Em abril, o Citi detinha 49,70% dos US$ 224,69 bilhões (R$ 386,61 bilhões) que estavam aplicados no Brasil e o saldo de todo o mercado era de US$ 6,13 bilhões.

Na opinião de Guerra, o segundo grau de investimento também vai promover uma retomada do movimento de IPOs (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações). Mas, diferente do que ocorreu em 2007, haverá mais seletividade nas operações. No ano passado, 64 companhias fizeram IPO, captando R$ 55,64 bilhões, dos quais entre 70% e 80% em recursos estrangeiros.

Para a economia, a troca do perfil de investidor é bastante saudável porque aumenta o capital de longo prazo disponível para o financiamento, além de contribuir para alongar o perfil da dívida do País.

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