''Brasil continua auto-suficiente''

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O diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, contestou ontem dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre exportações e importações de petróleo e disse que, pelas contas da estatal, o Brasil continua auto-suficiente na produção da commodity. O executivo citou, porém, apenas dados referentes às operações da estatal, sem contar com as importações feitas por outras empresas.

"O saldo comercial, em volumes, continua positivo", afirmou Costa, sem citar valores. Mais tarde, a companhia divulgou nota informando que a empresa vendeu 91 mil barris por dia a mais do que comprou entre janeiro e maio deste ano. Dados da ANP, compilados junto à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontam um déficit de 185 mil barris por dia entre janeiro e abril.

Especialistas lembram que há hoje empresas privadas atuando no comércio exterior de petróleo e derivados. Cerca de 70% da nafta consumida no País, por exemplo, é importada diretamente pelas centrais petroquímicas. "Os dados da Petrobrás nunca batem com os da Secex, que usamos em nossas análises. Não dá para trabalhar com números de empresas", diz Bruno Rezende, analista especializado em balança comercial da consultoria Tendências.

Na nota, a Petrobrás distribuiu uma cartilha explicando seu cálculo da balança, na qual reconhece não contabilizar dados de outras empresas e alega que as estatísticas da Secex só são compiladas após certificação pela Receita Federal, com atraso de até 60 dias.

Segundo os dados da ANP, houve grande crescimento das importações entre janeiro e abril deste ano. O movimento acompanha um ritmo de aumento no consumo de combustíveis que coloca em risco, este ano, a auto-suficiência conquistada em 2006, conforme admitiu em entrevista ao Estado o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

"O que vem puxando as importações é o diesel. O consumo cresce muito e a produção cresce pouco", comenta Rezende. De fato, as importações do combustível praticamente dobraram entre janeiro e abril em relação a igual período de 2007.

Costa afirmou que a Petrobrás trabalha para frear o crescimento das importações de diesel. Ele diz que a empresa investiu em uma nova unidade da Refinaria Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, para transformar óleo combustível em diesel.Além disso, o aumento da mistura de biodiesel para 3%, em vigor desde julho, pode contribuir para conter o aumento da demanda interna pelo derivado de petróleo. Segundo o executivo, a empresa projeta fechar o ano com um saldo comercial em torno dos US$ 500 milhões.

Segundo a ANP, entre janeiro e abril, o déficit financeiro na balança de petróleo e derivados foi de US$ 2,753 bilhões, número 682% superior ao registrado no mesmo período de 2007. "No médio prazo, a balança do setor tende a continuar deficitária e só será reduzida à medida em que as metas de produção sejam efetivadas." A Tendências projeta um déficit entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões em 2008, incluindo os gastos com importação de gás boliviano.

Embora nunca tenha deixado de importar petróleo leve para suas refinarias, o Brasil conseguiu fechar os últimos dois anos com volume de importações maior do que as exportações. Em 2006, o saldo foi de 57 mil barris por dia. Em 2007, caiu para 13 mil barris por dia.


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