Cesar Maia atribui desgaste ao Pan e mira o Senado

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Com a popularidade em baixa no fim de seu terceiro mandato, o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM) minimiza e atribui parte do desgaste político às obras dos Jogos Pan-americanos do ano passado. "Esse esforço produziu decréscimo na conservação (da cidade) e no volume de investimentos. Isso foi percebido pela população e gera desgaste", afirmou. Maia, porém, diz que ainda pode vir ser capaz de ter ganhos eleitorais com o Pan e vai se candidatar ao Senado em 2010. "Foi uma questão dentro da gestão que produziu sacrifícios. Para a cidade, produziu vantagens. Todo mundo achou o Pan-americano uma maravilha, é avaliado como evento importante por 80% dos eleitores", disse o prefeito, que tenta fazer como sucessora a deputada federal Solange Amaral (DEM) nas eleições deste ano.

A prefeitura, que tem capacidade de investimento anual de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões, precisou dobrar os investimentos durante os últimos dois anos para dar conta do gasto de R$ 1,2 bilhão do Pan. "Tive que cortar a conservação à metade para não parar todos os investimentos durante dois anos."

Para o pesquisador Carlos Eduardo Sarmento, do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, a imagem do bom gestor que Maia carregou nos dois primeiros mandatos (1993-1996 e 2001-2004) definhou com a crise na Saúde, evidenciada com a epidemia de dengue no início deste ano, e com as obras que decidiu fazer além do Pan, a Cidade do Samba e a Cidade da Música. "São obras cujos custos ultrapassaram os orçamentos previstos. Ele ainda ele passou por uma intervenção na saúde e depois pela epidemia de dengue. Há uma idéia de má gestão", diz Sarmento.

Há praticamente 16 anos no poder - entre 1997 e 2000, o prefeito era Luiz Paulo Conde, forte aliado na época -, Maia tornou-se agora o alvo preferido das críticas dos candidatos a prefeito da cidade . "Ele vai ser o Judas da eleição", prevê o pesquisador, que, no entanto, vê nele uma figura que pode dar voz ao eleitorado oposicionista ao governo Lula quando se candidatar ao Senado. "Hoje, no Senado, não há representação política importante. Ele poderia construir uma campanha contra Lula e deixar de ser a figura do administrador", disse Sarmento.

No Senado, Cesar Maia pretende voltar ao tema do parlamentarismo e resgatar o papel da casa de organizar a Federação. Quer tratar do Código Penal e da legislação sobre Segurança Pública. Entre as propostas, cita a de atribuir poder de polícia às guardas municipais para pequenos delitos em cidades com mais de 1 milhão de habitantes e discutir um novo sistema prisional. Também tem como objetivo aumentar a projeção do Estado na Petrobras, Eletrobrás, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Itamaraty, assim como nos consulados e organismos multilaterais, como Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Banco Mundial.

Até lá, o prefeito diz que precisa "arrumar emprego" a partir do ano que vem. Entre os planos, está o de comercializar o seu ex-blog, um informativo eletrônico diário que , segundo ele, conta com 30 mil assinantes. "Se cada um me der R$ 1, estou bem, já estou satisfeito", disse Maia. O ex-professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF) deve ainda elaborar estudos de conjuntura política para a Fundação Liberdade e Cidadania, do DEM.

"Quero levar a vida que tenho, que é uma vida de monge, mas que me dê mobilidade, não posso depender de um amigo para viajar. Não sei quanto é isso, estou fora dessa questão monetária. Preciso ter uma renda fixa até chegar o dia 5 de julho de 2010", afirmou o prefeito, que não descarta sair candidato a governador do Rio em 2010 caso a gestão Sérgio Cabral (PMDB) termine muito mal.

Maia acha natural o atual desgaste político com a população carioca depois de quatro governos, incluindo o de Luiz Paulo Conde. Na pesquisa mais recente do Datafolha, feita em 3 de julho, a sua administração obteve avaliação negativa (ruim/péssimo) por 29,4% dos entrevistados, taxa superior à avaliação positiva (ótimo/bom), de 25,7%. No auge da epidemia da dengue, no final de março, Maia chegou a ter 43% de reprovação e apenas 25% de aprovação. "Essas avaliações são naturais. Quem teve um período tão longo quanto eu tirando as ditaduras? O Helmut Kohl (ex-chanceler alemão). Até porque a eleição do Conde foi um mero desdobramento do meu governo", diz. "São muitos anos de governo, perde-se a capacidade de gerar surpresas para a população. Você mete a mão na cartola e é um coelho mesmo."

O prefeito, no entanto, diz que os adversários da candidata de seu partido para as eleições deste ano no Rio não terão bons resultados nas urnas se insistirem nas críticas contra a sua administração. "É um risco para eles. Porque é um governo de muitas realizações. Na hora que eles desqualificam o governo, eles terão que se qualificar. Caso contrário, vão gerar no eleitor uma insegurança muito grande", aposta

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