Sem alarde, partidos mapeiam políticos que têm ligação com Dantas

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Ao mesmo tempo em que dão declarações públicas de que não há motivos para se preocupar com a prisão de Daniel Dantas pela Polícia Federal, os dirigentes dos principais partidos vêm mapeando, entre correligionários, quem tem contato com o investidor ou pessoas próximas a ele, como o diretor do Opportunity, Carlos Rodenburg ou o publicitário Guilherme Sodré, o Guiga.

O DEM e o PSDB realizaram reuniões informais. O PMDB é evasivo em relação ao tema, porque, segundo um pemedebista, "ninguém vai se expor agora, quando se sabe pouco sobre o que está sendo investigado".

Na quarta-feira, um dia depois de deflagrada a Operação Satiagraha, tucanos e integrantes do DEM reuniram-se separadamente, quase no mesmo horário. Dantas é apontado como sendo próximo, por exemplo, de Heráclito Fortes, do DEM, e ganhou notoriedade ao vencer leilões de privatização de concessões de telefonia no governo Fernando Henrique, do PSDB.

O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), convidou o líder do partido na Câmara, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), e os deputados Paulo Bornhausen (SC) e Ronaldo Caiado (GO) para uma conversa no gabinete do senador Heráclito Fortes (PI). Fortes havia sido citado como dono de uma conta em paraíso fiscal e alvo de um grampo no qual teria sido flagrado conversando com Dantas sobre negócios do investidor com um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Quando eles chegaram aqui, me perguntaram qual seria a estratégia. Eu respondi que não havia como responder, já que ninguém sabe ao certo o que está sendo investigado", admitiu Heráclito, pouco depois de um enfático discurso na tribuna em que assumiu ser amigo de Dantas. "Não sou amigo de petistas com dólares na cueca, mensaleiros ou aloprados."

No DEM, afirma-se que parlamentares como Paulo Bornhausen e seu pai, o ex-presidente da legenda Jorge Bornhausen, o senador Marco Maciel (PE) e o deputado Ronaldo Caiado (GO) têm contatos com Rodenburg, que chegou a ser um dos foragidos da Operação Satiagraha. Dantas era muito próximo do ex-senador Antônio Carlos Magalhães, morto em 2007.

Praticamente no mesmo horário em que os membros do DEM conversavam, senadores do PSDB encontraram-se no gabinete do senador Tasso Jereissati (CE). O grupo foi ampliado pelos pemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE) e Geraldo Mesquita (AC).

"Foi uma conversa normal, nos reunimos sempre, semanalmente", disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Guerra defendeu a operação, mas ressalvou ser preciso assegurar "o Estado de Direito" a todos os acusados.

Na terça, assim que o caso veio à tona, Guerra ligou para o ministro da Justiça, Tarso Genro, para pedir detalhes da operação. No dia seguinte, tratou de ligar para alguns senadores do PSDB para saber quais deles teriam contato com Dantas. "Todos me relataram que não havia razões para preocupações", disse Guerra. O senador pernambucano admitiu conhecer Carlos Rodenburg há quase 30 anos. "Temos uma paixão em comum, a criação de cavalos."

No PMDB, o presidente Michel Temer (SP) afirmou que "não passou pela cabeça perguntar aos parlamentares da legenda se alguém conhecia Daniel Dantas". Ele acha, no entanto, que seria informado se alguém fosse ligado ao investidor. "Nesse momento, a operação da PF está centrada na parte empresarial. Mas há a suspeita de ser um desdobramento do mensalão", disse um integrante do partido, preocupado.

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