Chamado de "banqueiro", investidor não consta como sócio do Opportunity

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A estrutura societária das empresas ligadas a Daniel Dantas é pouco conhecida. Mesmo para quem trabalhou ou ainda está no banco, é difícil saber o que é de Dantas, de sua irmã Verônica ou de Dorio Ferman. Um ex-funcionário fica surpreso quando se pergunta porquê Verônica aparece como sócia de uma empresa e Daniel não. "Verônica e Daniel são uma coisa só, um é procurador do outro. Só eles sabem como é a divisão", responde.

Sempre tratado como o banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, na realidade, não é dono de banco. Como dono aparece seu amigo e parceiro nos negócios Dorio Ferman. Dantas, polêmico, levou a fama. Segundo o Banco Central, apenas três nomes figuram no grupo de controle do Banco Opportunity: Ferman, Cima Esther Ferman e Sérgio Boliqvar.

Ferman é o presidente do banco. Dantas não aparece nem mesmo como diretor. A única participação acionária de Dantas no grupo se dá na Opportunity Asset Management, da qual está afastado desde 1998, quando assumiu a gestão do fundos de participações CVC e da Brasil Telecom. Até 2005, Dantas era o gestor do fundo CVC e o Banco Opportunity, o administrador formal. No site do banco, o texto institucional diz, porém, que o Opportunity foi criado por Dantas em 1994.

No grupo Opportunity convivem a administradora e a gestora de recursos, além de uma distribuidora de valores e o banco. Este último na verdade tem uma estrutura muito pequena, embora tenha ficado conhecido como um banco. O Opportunity é, de fato, muito mais uma administradora de recursos, com um braço de gestora de fundos de investimentos mistos e de ações, e outro braço focado em carteiras de participações. Nesse braço estava, por exemplo, o fundo Citigroup Venture Capital (CVC), criado com investimento inicial de aproximadamente US$ 700 milhões do Citigroup e que reunia as participações dos fundos de pensão. Há ainda alguns fundos imobiliários e de recebíveis.

O que se sabe no mercado é que Dorio Ferman cuidava da gestora de fundos líquidos e Daniel Dantas fazia a gestão do CVC e do braço de participações.

Um interlocutor que acompanhou de perto todo o processo de negociação da Brasil Telecom disse que não se lembra de ter visto Dantas na assinatura de nenhum dos documentos da operação, somente os executivos do Opportunity que o representam, como Arthur Joaquim Carvalho, Daniele Silbergleid e Verônica Dantas.

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