Brasil está entre os 10 maiores exportadores

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Pelo segundo mês consecutivo, a balança comercial do arroz foi superavitária. Em julho, o País comercializou com o exterior 95,5 mil toneladas (crescimento de 197% em relação a 2007) ante à importação de 32,1 mil toneladas (queda de 77%, na mesma comparação). No acumulado do ano, as remessas totalizaram 338 mil toneladas - 120% a mais que no mesmo período de 2007 - e a internalização, 363,1 mil toneladas (26,9% menos). Diante dos volumes embarcados até agora, a estimativa é que o Brasil termine 2008 como 10º maior exportador do grão, fato inédito para este produto. Aliado a isso, houve uma mudança no perfil, com predominância do arroz inteiro e não do quebrado. Diante deste cenário, a capacidade ociosa da indústria caiu.

A falta do produto no mercado internacional - por quebra de safra em alguns importantes produtores - e os preços mais altos estimularam as vendas do cereal e, ao mesmo tempo, fizeram com que as importações caíssem - também pelo segundo mês consecutivo. Analistas e representantes do setor não temem que o aumento das exportações de arroz venham a afetar a oferta interna do produto. De acordo com dados do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), em julho, as compras do produto somaram 32,1 mil toneladas no mês passado ante a 97,2 mil toneladas no mesmo período de 2007 e 35 mil toneladas no mês passado. O assessor-comercial do Irga, Camilo Oliveira, explica que o mercado ficou mais atrativo para os outros países do Mercosul, o que ocasionou a queda nas compras. Mas, segundo ele, com o dólar em baixo e a tendência de queda nas cotações internacionais por causa da safra em importantes produtores, as importações podem voltar a crescer. Ele acrescenta ainda que, tradicionalmente, o arroz dos países vizinhos entra no Brasil a preços mais competitivos.

Mudança de perfil

"Se o ritmo de escoamento externo for mantido, o Brasil deve encerrar o ano comercial com equilíbrio entre importações e exportações, ajustando o quadro de oferta e demanda do cereal", acredito o analista Élcio Bento, da Safras & Mercado. Ele destaca a mudança no perfil exportador. De acordo com os dados do Irga, em julho, 81,3% dos embarques foram de arroz inteiro ou parboilizado - produto de maior valor agregado. No acumulado do ano, o índice é de 66,6%. Na comparação com 2007, a diferença é grande: naquela ocasião, apenas 16% do que o Brasil comercializava com o exterior era inteiro ou parboilizado. O resultado isso é uma receita cambial maior: US$ 117,3 milhões, no acumulado do ano frente a US$ 24.2 milhões no mesmo período de 2007 -384% a mais.

Oliveira acrescenta que, do total exportado, 38,9% foram parboilizados. "Paga-se mais por este produto, que tem a matéria-prima mais barata", diz. Segundo ele, para fazer um parboilizado usa-se menos arroz inteiro. Ele destacou que, no arroz quebrado, o Brasil já tem um mercado estável, por volta de 100 mil a 150 mil toneladas e que, por isso, cresce mais nos outros segmentos.

De acordo com Oliveira, teoricamente, o Brasil está ocupando a 10º colocação no lugar da Austrália, que praticamente não vai exportar porque teve problemas climáticos. Mas, na prática, aquele país atendia ao Japão e, neste mercado, o Brasil ainda não chegou. Ou seja, outro exportador está vendendo para os japoneses e o Brasil assumindo o mercado deste.

"Sempre tem gente lá de fora procurando arroz, mas nós temos de filtrar as propostas", afira César Gazzaneo, diretor-executivo do Sindicato da Indústria Arrozeira do Rio Grande do Sul (Sindarroz). O assessor-comercial do Irga acrescenta que, por conta desta maior procura pelo arroz industrializado, tem indústria precisando arrendar área de outra para beneficiar o produto. Segundo Gazzaneo, o pool de empresas é o que de mais comum tem ocorrido neste setor. Ele acrescenta ainda que a capacidade industrial do estado tem aumentando ano a ano: a taxas de 1,5% e 4% nos últimos dois anos. O resultado é uma queda na ociosidade, que hoje estaria girando entre 15% e 20%.

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