Com Lula, petistas esperam ampliar número de prefeituras

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Observando a disputa pelas prefeituras instalado em confortáveis 73% de aprovação de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz de sua presença nos palanques de aliados não só uma arma para alavancar o número de prefeituras petistas pelo País como também o ponto de partida para o planejamento de sua sucessão, em 2010. Nesse cenário, a decisão já anunciada a ministros mais próximos de pedir votos a aliados apenas no segundo turno - exceção feita a São Paulo e São Bernardo do Campo (SP) - pretende evitar conflitos na base, mas sobretudo evitar que eventuais derrotas manchem o capital eleitoral do presidente.

Nessa lógica, o exemplo mais forte é o da capital paulista. Candidata petista à prefeitura de São Paulo, uma das cidades mais estratégicas no mapa de prioridades desenhado pelo PT nas eleições de 2008, a ex-prefeita Marta Suplicy só deverá contar com a presença do presidente em seu palanque a partir da largada do horário eleitoral gratuito de Rádio e TV, no próximo dia 19.

A idéia é, segundo o coordenador da campanha de Marta, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), explorar melhor a imagem da candidata colada à de Lula. Para o coordenador, a presença do presidente no palanque de Marta terá mais eficácia se veiculado pela propaganda eleitoral do que pelo noticiário. "É um elemento muito forte a aparição do presidente ao lado da candidata e a repercussão dessa imagem no horário eleitoral é incomparável", afirma Zarattini. Ao lado de São Bernardo do Campo (SP), berço do movimento sindical que levou o presidente Lula ao poder, em 2002, a reconquista da prefeitura paulistana é prioridade zero do PT nas eleições deste ano.

Tanto que vale o desrespeito à principal regra imposta pelo presidente Lula a sua própria participação nas eleições: a de evitar participar de disputas onde dois partidos de sua base de apoio estiverem em campos opostos. A presença de Alda Marco Antônio (PMDB) como vice na chapa de Gilberto Kassab (DEM) à reeleição já seria suficiente para manter Lula afastado do palanque de Marta.

"Foi escolha do PMDB participar dessa chapa com o DEM, isso não impede de forma alguma a participação do presidente na campanha petista pela prefeitura", argumenta Zarattini. Pesa, na exceção feita à regra presidencial, a posição de Marta nas pesquisas. A chance real da petista voltar à prefeitura de São Paulo impondo uma derrota ao DEM e ao PSDB supera o problema do embate com uma candidatura de oposição costurada com uma ala do PMDB que tem, sim, assento no governo Lula. Miguel Colassuono, diretor administrativo de Furnas, foi indicado para o cargo pelo ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB).

Distância

A política de afastamento adotada pelo presidente visa protelar o que muitos dentro do próprio governo consideram inevitável no período 2008-2009: o racha na base de apoio de Lula no Congresso. Segundo um parlamentar próximo ao presidente, esse elemento deve manter o presidente distante de disputas acirradas mesmo durante o segundo turno, em casos de um só candidato da base.

Uma dessas possibilidades está materializada na disputa pela prefeitura de Salvador, onde se engalfinham três candidatos que apoiam o governador Jaques Wagner (PT). Tanto o peemedebista João Henrique, que tenta a reeleição, quanto o petista Walter Pinheiro pretendem usar a imagem do presidente. Seguindo as regras, dificilmente Lula ou Wagner subirão no palanque de qualquer um deles.

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