Dois milhões de empregos em um ano

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O mercado de trabalho brasileiro ainda parece ignorar os sobressaltos da economia mundial e registrou em agosto novos recordes na geração de empregos com carteira assinada. No mês, a diferença entre contratados e demitidos foi de 239,1 mil — resultado 79% acima de agosto de 2007 — e consolidou a marca de 1,8 milhão de postos formais nos oito primeiros meses do ano. Também inédito foi o desempenho acumulado em 12 meses, que pela primeira vez ultrapassou os dois milhões de empregos.

“O resultado de agosto reforça que vamos sim bater a marca de dois milhões de pessoas com carteira assinada em 2008”, comemorou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que chegou a fazer graça com a crise iniciada nos Estados Unidos. “Os americanos, por exemplo, estão tendo saldo negativo e o Brasil está olhando para eles e dizendo: vem aprender com a gente a gerar emprego.”
Nem mesmo as dispensas com o fim do período de safra no centro-sul do país, que levaram a um saldo negativo de 4,9 mil postos na agricultura, azedaram o resultado. Com 266,9 mil postos em oito meses, o setor é ainda o mais dinâmico, com alta de 17,81% sobre o mesmo período do ano passado, taxa quase três vezes superior à média (6,3%). A construção civil (268,1 mil empregos em 2008, alta de 17,52%) segue logo atrás.

A grande massa de novos trabalhadores, porém, concentra-se nas atividades de serviços e da indústria de transformação. Só o setor de serviços agregou 95,1 mil postos no mês e manteve a liderança geral com 585 mil novos empregados entre janeiro e agosto. Também é serviços o ramo que mais abriu vagas este ano — a área de comércio e administração de imóveis, que acumula saldo positivo de 202,6 mil empregos formais.

Já a indústria de transformação, que registrou crescimento em todos os 12 setores considerados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), somou outros 54,5 mil empregos no mês, e 409 mil no ano — desempenho aquém somente de 2004, o melhor do setor no período recente, quando totalizou 455 mil novos trabalhadores no acumulado até agosto.

Praticamente dois terços do saldo de empregos formais deve-se ao ritmo de abertura de vagas no Sudeste (alta de 7,14% sobre janeiro-agosto de 2007), região que concentra 1,1 milhão do 1,8 milhão acumulado no ano. E desses, metade (725,4 mil) foi criada em São Paulo, seguido por Minas Gerais (270.103), Rio de Janeiro (119.707) e Espírito Santo (36.448). No Centro-Oeste o melhor desempenho é de estados mais ligados ao agronegócio como Goiás (76,6 mil) e Mato Grosso (43 mil). O Distrito Federal acumula este ano 25,4 mil novos empregos com carteira.

A queda nos postos de trabalho agrícola no centro-sul, devido à sazonalidade da produção, teve outro efeito no Caged de agosto. Pela primeira vez no ano, o número de vagas criadas nas regiões metropolitanas do país (97,2 mil) foi maior que as do interior (77,1 mil). Na soma dois oito meses, porém, os 855,9 mil empregos formais gerados no interior ainda superam aquelas oferecidos nas nove maiores capitais, que juntas abriram 609,7 mil postos.

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