Planalto otimista com Dilma

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Avaliação do governo é de que a ministra tem grandes chances de encarar adversários na disputa presidencial de 2010. Se escolhida pelo PT, ela terá um cabo eleitoral superpoderoso: Lula


O Palácio do Planalto analisou com muita atenção os resultados da pesquisa nacional divulgada na segunda-feira pelo instituto Sensus. O governo acredita que ela marca a consolidação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como candidata viável à Presidência da República em 2010. Não apenas pelo crescimento lento mas constante que ela apresenta desde o início do ano. Mas especialmente pelo poder de transferência de votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“É como o Márcio Lacerda, mas com dois anos de antecedência”, disse um auxiliar direto de Lula. Lacerda é o candidato do PSB à Prefeitura de Belo Horizonte. Ele começou a campanha em julho com menos de 5% nas pesquisas, mas com o apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT), que contam com altos índices de aprovação. Pouco mais de dois meses depois, tem chances de vencer no primeiro turno.

No início do ano, Dilma estava no mesmo limbo que outros ministros incluídos na lista de presidenciáveis. Seu desempenho nas pesquisas ficava em torno de 1%. José Serra (PSDB), governador de São Paulo, liderava com mais de 35% em todas as sondagens. Depois dele, apareciam o também tucano Aécio Neves, Ciro Gomes, do PSB, e Heloísa Helena, do PSol. No levantamento mais recente da Sensus, ela já apareceu com índices entre 8% e 12%, a depender dos adversários. “Nesse ritmo, ela vai chegar a 2010 num patamar muito próximo ao de Heloísa e Ciro”, projeta um ministro.

A pesquisa mostrou Lula como um poderoso cabo eleitoral, com seus 77,7% de aprovação. Numa das questões, 75,5% dos eleitores disseram-se dispostos a votar no candidato que garanta a manutenção dos programas sociais federais, como o Bolsa Família e o Prouni.

Conversas
Na avaliação do governo, isso faz com que o candidato oficial largue em vantagem e tenha garantido um lugar no primeiro turno. Em conversas reservadas, Lula já disse que fará campanha pesada para eleger seu sucessor. Especialmente num segundo turno que tenha Serra como opositor.

Outro ponto que entusiasmou o governo na pesquisa foi a indicação de que 48,9% dos entrevistados consideram que o item mais importante na escolha de um candidato é que ele seja “bom administrador”. A questão tinha como pano de fundo as eleições municipais, mas revela um campo fértil para a propaganda do estilo de Dilma como a grande gerente do governo.

Na direção do PT, a pesquisa provocou uma reação diferente. Os petistas gostaram do desempenho de Marta Suplicy. A ex-ministra, que disputa a Prefeitura de São Paulo, apareceu com cerca de 6% dos votos, dependendo dos cenários. Um número capaz de fazer sombra a Dilma. O comando petista está inquieto com a demora de Lula em iniciar a campanha por sua sucessão. Como Marta está longe de ser o nome preferido pelo presidente, sua boa colocação poderia pressioná-lo a antecipar o lançamento de Dilma.

Leia íntegra da pesquisa CNT

análise da notícia
Dois lados de uma pesquisa

Supostamente, não dá para discutir números. A menos que sejam os de pesquisas de opinião pública. Nesse caso, cada um pinça os índices que mais lhe agradam. O governo bate bumbo para os índices de popularidade de Lula. A oposição lembra que continua a liderar as pesquisas para 2010. Os governistas sorriem ao dizer que Dilma cresceu. Os adversários ironizam com a lembrança de que esse crescimento não a tirou do quarto lugar.

O discurso otimista faz parte do jogo. O perigo é quando os políticos começam a acreditar nele. A política não tem espaço para o pensamento mágico. A pesquisa Sensus mostra o quadro para a eleição de 2010, com dois anos de antecedência. É como ver o tabuleiro quando as peças ainda estão sendo colocadas. Ela mostra que governo e oposição terão dificuldades. Lula tem a difícil missão de transferir seu prestígio para uma candidata ainda desconhecida. E a oposição, o problema de fazer campanha contra um presidente cada vez mais popular.

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