Lula trata de sucessão na volta a Brasília

| |


O presidente Lula foi praticamente forçado a tratar oficialmente da candidatura da ministra Dilma Rousseff à sua sucessão, ontem, durante vôo de São Paulo para Brasília. Diante da própria ministra chefe da Casa Civil, a candidata, e do ministro Franklin Martins, da Comunicação Social, o senador Eduardo Suplicy, que pegava uma carona no avião presidencial, informou ao presidente o que já dissera à ministra na véspera do Natal: não pretende disputar uma prévia no PT para indicação do candidato a presidente da República e vai apoiar Dilma.


Suplicy informou ao grupo que havia pensado muito a respeito do assunto, lembrou sua votação nas prévias que disputou com Lula em 2002, quando teve 15% dos votos e compareceram às urnas 120 mil filiados. Depois, quando perdeu, convidou todos os seus eleitores a se reunirem em torno de Lula, contou. Revelou, em seguida, que compreendia muito bem, agora, "as razões de mérito" que levaram o presidente a ungir a ministra como sua candidata.


Lula tentou cortar rápido a conversa com uma brincadeira que, segundo seus assessores, é a mais pura verdade: "Ainda não disse a ela nada sobre isso..." Candidata presente, todos riram e o senador continuou a falar, explicando sua posição.


Ao informar que não repetiria o projeto da prévia de 2002, Suplicy agradeceu à ministra Dilma Rousseff por tê-lo recebido, em junho passado, e conversado durante 1h35min sobre "os fundamentos da proposta de renda básica da cidadania". Segundo argumentou o senador, ele não precisa ser o presidente para implementar este projeto. Como a ministra demonstrou simpatia à causa, seguiria, então, com sua candidatura. Dilma detectou, inclusive, um canal de ligação entre o projeto de Suplicy e o pré-sal, pelos percentuais de arrecadação da exploração de recursos naturais que comporão o fundo de financiamento, e marcou reuniões do senador com os grupos do governo que estudam o assunto.


O presidente Lula, na conversa, argumentou com os problemas que as prévias eleitorais causam ao PT. Lembrou as disputas entre Olívio Dutra e Tarso Genro, no Rio Grande do Sul, e a recente disputa em Santo André, para assinalar que, neste partido, aquele que perde não colabora com a campanha eleitoral do que vence. "Na medida do possível o PT deve buscar a união interna para conseguir o apoio dos aliados", concluiu o presidente. Os partidos afins, segundo Lula, não têm razões para aliar-se a um partido dividido.


Na roda do avião o presidente Lula comentou que está gostando muito da minissérie "Maysa", exibida pela Rede Globo. Suplicy, sobrinho de André Matarazzo, marido da cantora e pai do diretor Jayme Monjardim, disse a Lula que correria a contar a avaliação do presidente para o "Jayminho".

0 Opinaram:

Postar um comentário