Parlamentares brigam por gabinetes

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Nem só da briga pela cadeira de presidente das duas Casas Legislativas vivem as contendas internas no Parlamento. Longe das batalhas por postos na Mesa Diretora ou nas comissões parlamentares, as alterações provocadas pelas eleições municipais - com a renúncia de deputados eleitos para o comando de prefeituras e a chegada de novos deputados - movimentam mais uma disputa entre pares, dessa vez pelos gabinetes mais privilegiados da Câmara.

O burburinho nos bastidores pela distribuição dos gabinetes é praticamente uma tradição no Congresso que se repete a cada nova legislatura. O ato normativo n 80, criado para por fim às brigas por espaço físico na Câmara, institucionalizou a lei do mais forte na questão: Os primeiros a escolher seus gabinetes são os ex-presidentes da Casa. Depois vêm deficientes físicos, mulheres, suplentes e ex-deputados. Todos os demais participam de sorteio para conseguir seu espaço. E a troca de gabinetes obedece a uma fila definida pelos critérios da Casa.

Foi assim, por exemplo, que o deputado Laerte Bessa (PMDB-DF) conseguiu um upgrade em suas instalações. Seu gabinete antigo tinha apenas 32 m. O banheiro era coletivo e ficava do outro lado do corredor. Bessa mudou-se para o gabinete que era do deputado Frank Aguiar (PTB-SP), eleito vice-prefeito de São Bernardo do Campo (SP). Tem agora mais espaço e banheiro privativo.

"Eu estava doido para sair do outro gabinete, aquilo era muito ruim, não tinha condições", conta um aliviado Bessa, que diz ter ficado de olho nas oportunidades abertas com as eleições municipais. Suplente do cantor, que renunciou ao cargo para assumir a vice-prefeitura de São Bernardo, o deputado Roberto Alves (PTB-SP) foi preterido na fila. Teve de se contentar com um gabinete pequeno e sem banheiro. "Eu gostei, mas só vai dar para ter cinco funcionários porque não tem espaço para mais nada", conforma-se Alves, que diz não ter intenção de fazer nenhuma reforma para melhorar o ambiente.

Feira de vaidades

Ex-presidentes da Câmara, os deputados João Paulo Cunha (PT-SP), Michel Temer (PMDB-SP) e Inocêncio Oliveria (PR-PE) têm direito a gabinetes amplos e próximos ao plenário no Anexo II da Casa. Quem não conta com o peso político dos caciques pode apelar para uma remodelagem, para demarcar território. O deputado Clodovil Hernandez (PR-SP), por exemplo, gastou R$ 200 mil na reforma de seu gabinete, no Anexo IV. A opulência deu fama ao espaço, mas também irritou arquitetos da Casa, quando o deputado instalou um enorme enfeite natalino na porta de seu gabinete, decorado com as iniciais de seu nome em dourado.

No Senado, a disputa que acontece nos bastidores obedece também a ato normativo, mas sobretudo ao jogo do "quem pode mais". Os gabinetes do Anexo I são os mais cobiçados pelos inquilinos da Casa. Lá ficam nomes de peso, como o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) e sua filha, Roseana Sarney (PMDB-MA), o presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati (CE) e o ex-vice-presidente Marco Maciel. A briga pelo anexo costuma ser grande.

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