Na crise, BB foi um dos mais agressivos no corte dos juros

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A pressão do governo para que o Banco do Brasil (BB) reduza os juros cobrados dos clientes e, por tabela, induza o resto do mercado a seguir o movimento se intensificou com o agravamento da crise global. Em novembro, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) divulgou um levantamento que mostrava que as taxas do BB estavam entre as maiores do mercado em algumas modalidades de crédito, como os Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC).


De lá para cá, a situação mudou substancialmente. Segundo outro levantamento da Fiesp obtido pelo Estado, o banco controlado pela União foi um dos mais agressivos na redução dos juros entre outubro (auge da crise de crédito) e março. A taxa para desconto de duplicatas, por exemplo, ficou 38,9% menor no BB entre os dias 21 de outubro e 20 de março. Na Caixa, a queda no período foi de 4,5%. No Santander, de 10,7%, no ABN Real, de 18,9%, no HSBC, de 11,6%, e no Bradesco, de 10%. No Itaú, subiu 0,7%.

No crédito pessoal, os juros do BB recuaram 18,9% no mesmo período. Na Caixa, a queda foi de 24,8%, no Santander, de 11,9%, no HSBC, de 10,7%, no Bradesco, de 15,9%, e no Itaú, de 5,2%. Entre os maiores bancos, o único que elevou a taxa nesse intervalo foi o ABN Real, 30,3%.

Ainda assim, o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, critica o BB por ter tido uma visão de "curto prazo" durante a crise. "É um momento para ganhar mais clientes, sair mais fortalecido", disse. Para ele, a instituição poderia ter tido papel mais atuante na queda do spread (diferença entre as taxas de captação e de empréstimo dos bancos) e nos próprios juros.

Segundo dados do site do Banco Central (BC), a taxa do BB no cheque especial entre os dias 20 e 26 de março era de 7,98% ao mês. Entre os grandes bancos, era a 8ª menor. No crédito pessoal à pessoa física, a taxa do BB (2,35% ao mês) superava apenas a da Caixa Econômica Federal (2,14%).

A taxa de capital de giro das empresas estava em 1,37% ao mês no BB, ante 1,23% da Caixa, que praticava o juro mais baixo. O primeiro desse ranking era o Citibank, com 1,99% ao mês.

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