Tupi é o novo marco para o setor petrolífero

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O início de operação do campo de Tupi, a partir de amanhã, Dia do Trabalho, marcará um novo divisor de águas para o setor petrolífero brasileiro. "Com Tupi, a Petrobras vai mostrar que conseguiu superar os desafios tecnológicos de atuar em tanta profundidade", afirma o geólogo Giuseppe Bacoccolli, referindo-se à extração marítima de petróleo a mais de 6 mil metros.

Campo de Tupi marcará novo divisor de águas para setor

- Quando a Petrobras realizou descobertas a seis mil metros abaixo da superfície, mudou o modelo de exploração no Brasil. Neste ano, as empresas do setor comunicaram à Agência Nacional do Petróleo (ANP) 58 perfurações com mais de quatro mil metros de profundidade. Nem todas miram o pré-sal, mas a estratégia de aproveitar as sondas para tentar a sorte grande abaixo da camada de sal é óbvia para a maioria delas, segundo geológicos e executivos consultados pela Gazeta Mercantil. O campo de Tupi, que começa a produzir petróleo amanhã, no feriado de 1º de maio, o dia do trabalhador, também promete transformar as técnicas de produção.

A presença do presidente Lula na plataforma de Tupi foi cancelada por questões de segurança, mas o chefe da República participará de cerimônia paralela no Rio (ver matéria na pág. C2). Hoje, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, darão entrevista junto ao presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, e o diretor de exploração e produção, Guilherme Estrella, sobre o início da produção no até agora campo mais badalado do pré-sal.

A plataforma de produção de Tupi - o FPSO BW (Bergesen Worldwide Offshore do Brasil) Cidade de São Vicente - está ancorada a cerca de 290 quilômetros da costa, em frente à cidade do Rio. O primeiro poço vai produzir por seis meses. Em seguida, o segundo poço de Tupi fará o mesmo em igual prazo. E mais três meses estão previstos para outros testes. A capacidade de produção será de 30 mil barris de óleo por dia.

Um dos maiores objetivos da Petrobras é analisar o potencial de produção e a velocidade de extração do petróleo. Dessa análise dependem decisões importantes, como o posicionamento dos poços (se serão verticais, horizontais ou desviados). A pressão 400 vezes maior que a normal é o maior desafio do pré-sal, para o professor Oscar Rosa Mattos, coordenador do Laboratório DE Ensaios Não Destrutivos, Corresão er Soldagem (LNDC). O laboratório vai desenvolver materiais resistentes às condições adversas. Será um marco para as técnicas de desenvolvimento e produção que servirão como base para vários outros campos descobertos no pré-sal. A Petrobras e a americana Exxon Mobil, com outras empresas parceiras tais como BG, Galp, Hess, dependem dessas informações para desenvolver as áreas que já possuem: onze descobertas no cluster de Santos. Parati (BM-S-10); Tupi e Iara (BM-S11); Carioca, Guará e Iguaçu (BM-S-9); Júpiter (BM-S-24); Bem-te-vi (BM-S-8); Corcovado (BM-S-52) e Azulão (BM-S-22) são os campos anunciados na região promissora até então. Essas áreas têm potencial para mais que quadruplicar as reservas atuais de petróleo no País, juntamente com a região que ainda não foi licitada.De acordo com a Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo (ABGP), com os novos campos localizados abaixo da camada de sal na bacia, que vai de Santa Catarina ao norte do Rio de Janeiro, as jazidas brasileiras passam dos 13 bilhões de barris (provados) para cerca de 55 bilhões de barris. A ANP citou números semelhantes em algumas palestras. As petroleiras estão indo mais fundo fora do cluster de Santos.

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