BB volta a o maior banco do País em ativos

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O Banco do Brasil (BB) retomou sua posição de maior instituição financeira em ativos do País e do Hemisfério Sul, perdida após a fusão do Itaú Unibanco, em novembro passado. Ontem, o banco controlado pelo governo federal informou que atingiu ativos totais de R$ 591,92 bilhões em março, alta de 42,9% em um ano e de 13,6% sobre dezembro. Neste número, contudo, ainda não constam os 50% de participação adquiridos pelo BB do Banco Votorantim (BV) no início deste ano. Com essa fatia, passa a ter ativos de R$ 633,72 bilhões, cerca de R$ 15 bilhões acima dos R$ 618,94 bilhões anunciados pelo Itaú Unibanco no início do mês.

A incorporação dos ativos do BV depende só da autorização do Banco Central (BC) para a operação, diz Marco Geovanne Tobias, gerente de relações com investidores do BB, que obteve lucro líquido de R$ 1,66 bilhão no trimestre, com queda de 29,1% ante igual fase de 2008. Outras aquisições realizadas pelo BB do ano passado para cá (como a do Banco Nossa Caixa, do Banco do Estado de Santa Catarina e do Banco do Piauí) foram decisivas para o retorno à liderança, mas a arrancada no crédito nesse período de crise também foi fundamental.


BB retoma liderança de mercado perdida para Itaú Unibanco



O posto de maior banco do Brasil e do Hemisfério Sul em ativos conquistado pelo Itaú Unibanco após a fusão das operações em novembro passado durou aproximadamente seis meses. Ontem, ao divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2009, o Banco do Brasil (BB) reportou ativos totais de R$ 591,92 bilhões, uma alta de 42,9% em um ano. Entretanto, nesse número ainda não constam os 50% de participação adquiridos pelo BB do Banco Votorantim (BV) no início deste ano. Com essa fatia - em torno de R$ 41,8 bilhões do total de ativos de R$ 83,6 bilhões do BV - o Banco do Brasil passa a ter ativos de R$ 633,72 bilhões, cerca de R$ 15 bilhões acima dos R$ 618,94 bilhões anunciados pelo Itaú Unibanco no início do mês.

Marco Geovanne Tobias, gerente de relações com investidores do BB, explica que essa fatia ainda não foi contabilizada no balanço porque a instituição aguarda a autorização do Banco Central (BC) para a operação, o que deverá acontecer sem transtornos, mas ainda não há data definida. Outras aquisições que o BB realizou do ano passado para cá (como a do Banco Nossa Caixa, do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e do Banco do Piauí) foram decisivas para o retorno à liderança, mas a arrancada no crédito nesse período de crise também foi fundamental. Enquanto boa parte dos bancos privados fechou as torneiras do crédito, a instituição, controlada pelo governo federal, baseada em sua estratégia de crescimento também orgânico e pelas orientações do presidente Lula, disparou nesse mercado.

A carteira de crédito do BB, incluindo operações externas e prestação de garantias, cresceu 41,3% em doze meses e 7,3% ante dezembro, encerrando março com um volume de R$ 254,4 bilhões. A expansão ficou bem acima da média do mercado brasileiro, ressalta Tobias, de 1,1% no trimestre e em torno de 25% em um ano. "Certamente o crédito tem sido a mola do crescimento orgânico do BB, mas as aquisições que o banco fez já mostram a que vieram", diz o executivo, observando que a compra da Nossa Caixa contribuiu com cerca de 12% da expansão dos ativos e com parte expressiva da evolução no crédito - os ativos e o passivo da Nossa Caixa já foram contabilizados no balanço do BB.Sem a Nossa Caixa, as operações de crédito do BB cresceram 1,6% no trimestre e 29,8% em um ano, percentuais também acima do mercado e dos seus principais concorrentes privados: ante dezembro, o Itaú Unibanco teve leve alta de 0,3% e os bancos Bradesco e Grupo Santander apresentaram ligeira retração. Conforme Tobias, o desempenho apenas do BB no crédito foi impactado pela sazonalidade do agronegócio, em período de entressafra, além da crise, que reduziu o apetite dos tomadores.

No agronegócio, a carteira alcançou R$ 64,28 bilhões, crescimento de 13,7% em um ano e de 0,9% ante dezembro. As operações para pessoas físicas foram a R$ 61,13 bilhões, uma alta de 67% em doze meses e de 25,3% no trimestre. O destaque, afirma Tobias, foi o crescimento no segmento de crédito consignado, área de forte atuação da Nossa Caixa, de 94,5% em doze meses e de 40,9% no trimestre, para um estoque de R$ 24,4 bilhões - o que rendeu uma participação nesse mercado de 30,3% e uma carteira com menor risco. No financiamento a veículos, área que tem sido estratégica para o BB, a expansão foi de 97,7% em um ano, para R$ 7 bilhões em março.

A carteira de pessoa jurídica atingiu R$ 101,8 bilhões, com avanço de 47,2% em um ano e de 4,7% sobre dezembro. Tobias afirma que, para 2009, a instituição ainda mantém intactas as previsões anteriores, de evolução entre 13% e 17% para as suas operações de crédito, ante um avanço esperado de 10% a 15% para o mercado. A ênfase maior, diz, será na pessoa física, com expectativa de alta de 20% a 25%.

Os índices de inadimplência cresceram no BB, como em grande parte dos bancos, passando de 2,4% sobre o total da carteira em dezembro, para as operações com atraso acima de 90 dias, para 2,7%. Na pessoa jurídica subiu de 1,7% para 2,1% e na pessoa física ficou estável em 5,9%. Tobias ressalta que esses índices são todos abaixo da média do mercado. A provisão para créditos de liquidação duvidosa somou R$ 2,65 bilhões, alta de 65,5% em um ano, mas queda de 31,8% ante dezembro.

Queda no lucro

O Banco do Brasil encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,66 bilhão, queda de 29,1% comparativamente ao apurado em igual intervalo de 2008 e uma retração de 43,4% ante o apurado entre outubro e dezembro do ano passado. Sem eventos extraordinário, o banco teve um lucro de R$ 1,35 bilhão, com redução de 12,9% e 16,5%, respectivamente. Segundo o executivo, os ganhos foram impactados por eventos extraordinários, como aumento das provisões para crédito de liquidação duvidosa, reforço para provisões relativas a planos econômicos, além de outros para demandas trabalhistas e fiscais. Na lista de efeitos positivos, ele cita o reconhecimento de créditos tributários. No total, houve um impacto positivo pouco superior a R$ 300 milhões.

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