A marolinha já era

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O pior da crise financeira global já ficou para trás e o Brasil tem condições de deslanchar apoiado no mercado interno robusto, afirmou o diretor-presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. "Chegou a hora do Brasil... A crise já começa a ser vista um pouco pelo retrovisor", disse o executivo, acrescentando que o gerenciamento da crise por parte dos governos tem sido feito "com muito talento". Trabuco observou que o País leva vantagem neste momento por conta de seu mercado interno e que a recente recuperação dos mercados financeiros não se trata de nova bolha.

"Os mercados de risco estão sempre olhando para o futuro" e as perspectivas são de recuperação, acrescentou Trabuco, ao participar do "Reuters Latin American Investment Summit", na última sexta-feira. Sua estimativa é de que o País registre estabilidade ou discreto crescimento neste ano e possa se expandir mais de 3% em 2010. Para a Selic, a previsão é de que chegue a dezembro entre 9% e 9,25% ao ano, frente ao nível atual de 10,25%.Trabuco também lembrou que, com a redução da taxa básica de juros e a consolidação da estabilidade de preços, o País terá que lidar com algumas questões como a rentabilidade da poupança e as metas atuariais dos fundos de pensão. "O importante (no caso da poupança) é ter prazo suficiente para o mercado ir se ajustando e não decepcionar os poupadores", disse. "Soluções mistas, como um pouco de taxação na poupança e redução de tributos em outros investimentos, por exemplo, são sempre melhores."

Internacionalização

O perfil cada vez mais internacional dos players do sistema financeiro não mudou o foco do Bradesco em centrar sua estratégia de expansão no País. "Não vamos dizer não à internacionalização, mas vamos fazer isso com um olhar diferente, para operações de atacado e de trade finance." Conforme disse, o processo de mobilidade social no Brasil nas próximas décadas, dentro de um ciclo ainda vigoroso de expansão demográfica, dará aos bancos a oportunidade de crescer explorando uma expansão gigantesca da classe média. "Vamos disputar cerca de 100 milhões de novos consumidores de serviços bancários."

Mesmo no País, Trabuco enfatizou ainda o foco do Bradesco no crescimento orgânico. "O sistema bancário no Brasil já está desenhado, com dois grandes bancos domésticos privados de varejo, dois estatais e dois internacionais. Temos escala para disputar o mercado com o nosso formato." No plano operacional, considerou que a recuperação da economia já está se refletindo no aumento da demanda das empresas por financiamentos.

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