Em apenas 3 anos 18,5 milhões de brasileiros sairm da pobreza

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Em apenas três anos (2005 a 2008), 18,5 milhões de brasileiros tiveram elevação real em seus rendimentos individuais superior ao crescimento da renda per capita e à inflação. Com isso, subiram na pirâmide social brasileira. Esta é uma das conclusões de estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que se baseou nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2008), do IBGE. O documento, divulgado ontem, mostra que sete milhões de pessoas deixaram o segmento de baixa renda e ascenderam à classe média e 11,5 milhões passaram a fazer parte da camada de mais alta renda do país.

- Por este estudo é possível perceber que a sociedade brasileira voltou a ter mobilidade. É um quadro de ascensão social que deriva das melhoras ocorridas no mercado de trabalho em termos de ampliação do emprego e, sobretudo, melhora da renda - disse Marcio Pochmann, presidente do Ipea.

O estudo do Ipea considera como classe média rendimentos mensais entre R$ 188 e R$ 465; alta acima de R$ 465; e, abaixo de R$ 188, são classificados como baixa renda. Essa rápida ascensão aos níveis mais altos de renda, segundo a pesquisa, se deu com mais intensidade nas regiões Sudeste e Nordeste, e atingiu uma parcela maior de indivíduos negros e do sexo feminino.

Além disso, essa população deixou de se concentrar nas grandes cidades e foi para cidades do interior.

- Na base da estrutura social brasileira percebemos que a mobilidade social está fortemente associada ao sexo feminino e também à população negra que melhorou a sua condição no segmento da renda intermediária.

Já temos hoje uma elite negra no país - disse Pochmann.

País caminha para 'figura de um barril', diz Pochmann O Ipea, órgão ligado ao governo federal, também verificou a representação de cada uma das classes sociais nas camadas de renda da população brasileira entre 1995 e 2008, chegando à conclusão que houve uma redução da participação do segmento de renda mais baixa. Em 1997, as pessoas que ganhavam menos representavam 34% da população economicamente ativa.

No ano passado, essa participação caiu para 26%, o menor nível desde 1995. Já a classe média que respondia por 21,8%, cresceu para 37,4% no mesmo período. Já os de renda mais alta subiram de 35,8% para 36,6%.

Segundo Pochmann, com esses resultados a ideia de pirâmide social no Brasil precisa ser reconfigurada, porque o país está caminhando para a "figura de um barril", que passará a representar a redução da presença da população de menor renda e a ampliação da de renda intermediária, acompanhada da melhora do estrato superior de renda dos brasileiros. Outro dado revelado no estudo foi a descentralização do desenvolvimento, das empresas e do emprego que estão saindo dos grandes centros urbanos rumo ao interior do país.

- Não dá mais para dizer que o interior do Brasil é a parte mais pobre e as grandes cidades são as regiões mais ricas - afirmou Pochmann.

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