Assentados ganham peso político no Pontal

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Desde o início da década de 1990, o Pontal do Paranapanema tem concentrado a maior parte dos assentamentos da reforma agrária paulista. Das 10.200 famílias que já ganharam lotes em assentamentos rurais no Estado, 5.600 estão instalados naquela região. Em algumas cidades eles têm forte influência no comércio local e começam a ter peso na política.

Os sinais disso estão por toda parte. Em Teodoro Sampaio e Rosana, três dos nove vereadores de cada uma das Câmaras Municipais têm vínculos com a reforma agrária. Os eleitos pelos assentados detêm a presidência de quatro das sete Câmaras onde estão presentes.

O presidente da Câmara de Teodoro Sampaio, José Eduardo de Morais, filiado ao PV, já foi dono de um lote de terra num dos 20 assentamentos espalhados pela zona rural do município. Anos atrás, ao decidir se mudar para a capital, devolveu o lote ao Instituto de Terras de São Paulo (Itesp), como determina a lei. Mas não se desligou dos assentados e, na volta à região, mesmo morando na área urbana, obteve apoio na disputa por um lugar na câmara. Elegeu-se com 641 votos - 4% do total de 15.687 eleitores, segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP).

Na opinião de Morais, Teodoro Sampaio deve muito à reforma agrária. "Antigamente, tínhamos só grandes propriedades e pouca gente na zona rural. Com os assentamentos, que atraíram famílias do Paraná, a população voltou a crescer e o comércio melhorou", diz ele.

Na Câmara, Morais, assim como outros vereadores saídos de assentamentos, briga por melhorias nas estradas de acesso à zona rural, agroindústrias, escolas de mais qualidade, áreas esportivas para jovens.

Em Caiuá, o presidente da Câmara, Sebastião Alves da Silva, do PSDB, mora num assentamento a 30 quilômetros da cidade. Ele foi eleito com 460 votos, um estouro para o município de 3.939 eleitores. Antes de conseguir seu lote, ele passou dez anos acampado. "Meus três filhos nasceram debaixo da lona ", relembra.

Em Mirante do Paranapanema, na eleição passada o assentado Givaldo Ermenegildo Almeida, filiado ao DEM, foi eleito pela terceira vez. Teve 246 votos - bom número para um colégio de 13.780 eleitores.

A história das eleições recentes no Pontal tem duas curiosidades políticas. Uma delas é que o pessoal assentado mostra mais força política e maior grau de organização que os acampados. A segunda é que os assentados tendem a se afastar do MST e do PT. Em 2008, dos 12 vereadores eleitos com votos de assentados, apenas um era do PT. O restante se dividia entre PSDB, DEM e outras siglas.

Segundo explicações dos vereadores, nos pequenos municípios a sigla pesa menos que nos grandes centros. "Os eleitores votam nas pessoas que conhecem", diz José Eduardo de Morais, presidente da Câmara de Teodoro Sampaio, do PV.

Dos dez movimentos de luta pela terra que atuam no Estado de São Paulo, dois já decidiram lançar candidatos próprios às eleições de outubro. O grupo liderado por José Rainha Júnior, dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), anunciou a candidatura de Diolinda Alves de Souza, mulher dele, para a Assembleia Legislativa. Ela tem legenda garantida pelo PC do B. No oeste paulista, Diolinda fará dobradinha com o pré-candidato a deputado federal José Avelino Pereira, o Chinelo, do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), com legenda do PSB.

Diolinda e José Avelino já foram candidatos há quatro anos. Ela obteve 13,6 mil votos para a Assembleia; ele conseguiu 22 mil, na tentativa frustrada de chegar à Câmara. Chinelo se destacou pela atuação no sindicalismo rural e teve uma breve militância no MST, antes de participar da organização do Mast. Já Diolinda foi uma das principais lideranças femininas do MST.

De acordo com Rainha, as candidaturas atendem a reclamos da massa de seguidores. "O processo eleitoral faz parte da cultura do nosso povo", diz ele. "Eu não gosto de política partidária, mas a Diolinda se dispôs a participar e estamos trabalhando para elegê-la."

A presença direta de acampados e assentados da reforma agrária na cena política vem crescendo ano a ano. Ela é visível na região do Pontal do Paranapanema, que fica no extremo oeste do Estado, na divisa com o Paraná e Mato Grosso, e é o principal foco da reforma agrária paulista. Dos 32 municípios daquela região, 7 contam com vereadores eleitos com votos dos assentados e acampados. No total, são 13 vereadores.

A força dos assentamentos em Mirante do Paranapanema é tão forte que, nas eleições de 2008, a vereadora Maria Nazaré Montemor, do PSDB, cuja reeleição para um terceiro mandato era dada como certa, tentou voar mais alto: ser prefeita. Perdeu, mas não desistiu da política.

Mirante tem 32 assentamentos. Maria Nazaré, que vive em um deles com a família, pode voltar à política, disputando até uma vaga na Assembleia. Ela evita falar sobre o assunto, mas insiste: "É importante que o assentado tenha boa representação política."

SONHO ANTIGO

A vaga na Assembleia é um sonho antigo. Agora o projeto do grupo capitaneado por Rainha é eleger Diolinda, que, além de ter participado da consolidação do movimento no Espírito Santo, onde nasceu, e em regiões do Nordeste, liderou dezenas de invasões no Pontal. Por sua atuação na linha de frente da militância, foi presa duas vezes. Em uma delas ficou detida no Carandiru, na capital.

Na eleição anterior, ela concorreu pelo PT. Mas, como o outro grupo do MST passou a controlar o partido em Teodoro Sampaio, cidade onde mora o casal, Diolinda migrou para o PC do B. "O partido é da base de apoio do Lula e vai estar com a Dilma para a Presidência", justifica Rainha.

Em relação à campanha passada, ele diz que agora terá mais força porque conta com o apoio do movimento sindical no campo. "O trabalhador da cana está com ela", afirma.

O presidente nacional do Mast, Lino de Macedo, também afirma que a meta é eleger a dobradinha Chinelo-Diolinda. "Estamos fazendo um trabalho de base nos acampamentos, mostrando que temos de defender, em São Paulo e em Brasília, os interesses dos sem-terra."

A direção do MST proíbe seus dirigentes de se candidatarem a cargos eletivos, mas isso não impede o constante assédio dos partidos políticos. Gilmar Mauro, um dos principais líderes nacionais do movimento, foi convidado pelo PSOL para ser candidato à Câmara. Ele recusou, mas não deixou de manifestar sua simpatia pelo partido. Segundo a assessoria de imprensa do MST, quem se candidata deve se afastar das instâncias de coordenação.Estadão

3 Opinaram:

Anônimo disse...

Na minha opinião o Chinelo deveria escolher melhor os cabos eleitorais que trabalham para ele pois o Lider do MAST na eleição passada foi o maior fiasco em votos, e nesta eleição a tendencia é piorar pois ele está mais desacreditado ainda.

Anônimo disse...

Eu acho que a liderança MST são uns tontos por não dei char sua militância se candidatar a câmera conto isso o latifúndio só aumenta os seus para brigar contra nos Diolinda vc esta serta estamos com vc

Paulo Fajolli disse...

Oi, td bem? Gostaria de saber se existe assentamentos coletivos no Pontal tipo o COPAVI em Paranacity e aonde eu posso me informar sobre vagas para médico da família na região pois estou me formando em medicina esse ano e pretendo trabalhar com assentamentos e acampamentos! Valeu!

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