PSDB prepara evento para Serra anunciar candidatura em 2 semanas

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O PSDB prepara um grande encontro nacional para o anúncio oficial da candidatura do governador de São Paulo, José Serra, à Presidência da República. Serão convidados para a "pré-convenção", que deve ocorrer provavelmente na semana do dia 22, candidatos a governador do partido em outros Estados, parlamentares e políticos aliados. O objetivo é dar a largada extraoficial da candidatura de oposição ao governo federal - a formalização do nome de Serra só ocorrerá em junho, mês das convenções partidárias, segundo determina a Lei Eleitoral.

Parlamentares já receberam avisos do núcleo próximo ao governador de que a data mais provável é dia 22. A ideia é criar um evento que dê repercussão e sirva de contraponto ao lançamento, há pouco mais de duas semanas, da pré-candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Para os tucanos, o crescimento de Dilma nas pesquisas está relacionado a sua exposição nos últimos dias. No evento, será feito um balanço da gestão tucana em São Paulo e será apresentado ao público o discurso que balizará a campanha do PSDB.

Uma das maiores preocupações de Serra hoje, afirmam aliados, é com o discurso que servirá de carro-chefe para a disputa. O núcleo mais próximo do governador tem se reunido com frequência para discutir e formatar a espinha dorsal da campanha. Participam do grupo, que se reúne semanalmente na casa de Andrea Matarazzo, nomes que atuaram durante o governo FHC, como Eduardo Graeff e Eduardo Jorge Caldas Pereira, que ocuparam a Secretaria-Geral da Presidência.

Na reta final do prazo de desincompatibilização, dia 3 de abril, os tucanos resolveram esvaziar encontro de ontem com 47 coordenadores estaduais do PSDB e parlamentares paulistas. A reunião discutiria estratégias para a campanha eleitoral em São Paulo. De acordo com integrantes do partido, o próprio governador interveio para que o encontro fosse esvaziado. Avaliou-se que a reunião daria a impressão de que Serra está sendo pressionado pelos próprios tucanos a assumir publicamente a candidatura a presidente.

"Ficou a impressão de que era uma reunião para definir estratégia, e não é isso. O partido não cuida da campanha dos candidatos, mas da infantaria", afirmou o presidente paulista do PSDB, Mendes Thame, que negou ter conversado com o governador sobre o assunto. A reunião de ontem contou com apenas 7 coordenadores. "Da nossa parte, não haverá pressão. É uma opção dele governar o Estado em tempo integral. Tem um ônus porque fica 100% do tempo governando e não faz campanha", disse.

Para o deputado José Aníbal, a estratégia é correta. "Você não pode fazer ao mesmo tempo campanha e ação de governo." Sobre a ansiedade de parte da legenda por um anúncio oficial, afirmou: "É uma ansiedade que vem de fora para dentro."

Um novo encontro com os coordenadores foi marcado para 22 de março, mas é provável que também seja esvaziado em razão do encontro nacional do PSDB. Após o lançamento de Serra, os tucanos pretendem confirmar a candidatura de Geraldo Alckmin ao governo do Estado. A ideia é criar outro ato de repercussão na imprensa.

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