"Cansei" sai da catedral após pressão da igreja

Arcebispo diz em nota que "não desautoriza movimento, mas não encabeça o protesto nem participa da sua organização"

Movimento solta nota após oposição da igreja, transfere ato do interior da catedral para Praça da Sé e reafirma ser apartidário e pró-Brasil



O ato de amanhã do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o "Cansei", não será dentro da Catedral da Sé. O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, reprovou o fato de o evento ter sido agendado na igreja sem sua autorização.
O "Cansei" é liderado pelo presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, e por empresários. Após tomar conhecimento da posição do arcebispo, o grupo transferiu o encontro para a Praça da Sé, em frente à igreja. O ato deve contar com representantes de várias religiões para lembrar o aniversário de um mês do acidente com o avião da TAM.

A mudança de local começou a ser desenhada no meio da tarde de ontem, quando a assessoria de comunicação da Arquidiocese de São Paulo disse que o ato não aconteceria dentro do templo católico.
Por volta de 19h30, o "Cansei" também publicou nota e comunicou a mudança de horário e lugar do evento. O encontro deve começar ao meio-dia, e não mais às 13h, como divulgado nos novos cartazes do grupo onde aparecem as apresentadoras Hebe Camargo, do SBT, e Ana Maria Braga, da Globo, a atriz Regina Duarte e a cantora Ivete Sangalo.
Embora a igreja não tenha usado a palavra "veto", o movimento justificou a transferência sob o argumento da "não autorização da Arquidiocese de São Paulo para realização dentro da igreja".

No começo da noite, pouca antes da nota do "Cansei", a igreja divulgou nota mais amena. Afirmou apenas que a "autorização do uso da Catedral da Sé não partiu do arcebispo dom Odilo Scherer". Por telefone, a assessoria afirmou que o arcebispo não vetaria o encontro, mas "não gostaria que ele fosse realizado dentro da catedral".
Em ambas as notas, a igreja argumenta: "A arquidiocese não desautoriza o movimento, mas deixa claro que não encabeça o protesto nem participa da sua organização".
A nota do "Cansei" termina dizendo: "Reiteramos que o movimento não se trata de um ato político, mas de uma manifestação cívica de cidadania e de amor ao Brasil".
Ontem, a Folha informou que a organização do grupo não consultara o arcebispo sobre a realização do ato dentro da catedral. A autorização teria partido do padre responsável pela administração da igreja.

O "Cansei" tomou forma dentro do escritório do empresário João Doria Jr, que promoveu almoços para arrecadar recursos para a campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência. Entre os slogans do movimento estão frases como "cansei do caos aéreo" e "de CPIs que não dão em nada".

Argumentos e pressão
A igreja justificou a não-adesão ao protesto do "Cansei" ao dizer que "a Arquidiocese de São Paulo já participou do ato inter-religioso pelas vítimas do acidente da TAM e celebrou missa pelos falecidos naquele trágico acidente. Renova sua solidariedade para com os familiares das vítimas, suas preces pelos que perderam suas vidas no acidente."
Ontem, ONGs como a "Educa São Paulo" protocolaram cartas pedindo o veto do arcebispo ao ato do "Cansei" sob o argumento de "uso político" do templo. Blogs governistas na internet pediam que simpatizantes do PT enchessem a caixa de e-mails da igreja protestando contra a cessão do templo.(Folha)

Grupo de Renan articula criação da "CPI da TVA

O grupo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), articula a criação de uma CPI para investigar a operação de venda da TVA para a espanhola Telefônica, em mais um ataque ao Grupo Abril, que edita a revista "Veja".
A intenção é começar a coleta de assinaturas pela Câmara. Se a estratégia funcionar e houver apoio no Senado, ela poderia ser transformada em CPI mista.
A dificuldade de Renan é que, até o momento, nenhum senador se dispôs a apadrinhar o requerimento da comissão.
Aliados de Renan avaliam que a operação é de alto risco. A proposta pode não atrair o apoio necessário, o que desgastaria ainda mais o senador, que por enquanto não assume oficialmente a estratégia. Na Câmara, líderes governistas já foram avisados da tentativa e avaliam que ela não deve prosperar.
O senador acusa o Grupo Abril de usar laranjas na operação de venda da TVA -uma forma de repassar a uma empresa estrangeira cotas acima do permitido pela legislação brasileira.
O Grupo Abril informou que não se manifestaria diante de novas acusações de Renan sobre as reportagens da "Veja" e a transação entre a TVA e a Telefônica. O grupo mantém a nota divulgada na semana passada, afirmando que a reação é "fruto do desespero do senador".
No último dia 18, a Anatel analisou a compra da TVA pela Telefônica, em 2006. A TVA fornece TV por assinatura por duas tecnologias: microondas e cabo. A Anatel aprovou a operação no que diz respeito aos serviços oferecidos por meio de microondas e cabo fora de São Paulo. As operações usando cabo no Estado não foram aprovadas.
A Comissão de Comunicação, Ciência e Tecnologia do Senado aprovou ontem a realização de uma audiência pública para discutir o caso. Foram convidados representantes da TVA, da Telefônica, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, e o conselheiro Plínio de Aguiar Júnior, da mesma agência.
Os requerimentos são do presidente da CPI, Wellington Salgado (PMDB-MG), aliado de Renan, e do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à TV Record.

Igreja Católica compra rede de 19 retransmissoras de TV de Gugu

Pouco depois da visita do papa Bento 16 ao Brasil, em maio, a TV Aparecida, da Igreja Católica, comprou uma rede de 19 retransmissoras de televisão do apresentador Gugu Liberato. O negócio teria custado cerca de R$ 15 milhões. A igreja, no entanto, não informa o valor exato da transação, que foi confirmada pelo diretor da TV Aparecida, padre César Moreira.
Liberato havia obtido as licenças de retransmissão do Ministério das Comunicações, em 2002, quando também comprou uma emissora geradora em Cuiabá (MT) -fora do pacote comprado pela igreja.
As 19 retransmissoras estão registradas em nome da empresa Sistema de TV Paulista Ltda, constituída por Liberato. A TV Aparecida comprou a totalidade do capital da empresa.
Segundo padre César Moreira, a compra da empresa deu à TV Aparecida o direito de uso das retransmissoras. Treze delas estão em funcionamento e, antes de serem adquiridas pela igreja, retransmitiam programação evangélica. As demais estão em fase de implantação.
O consultor da TV Aparecida Alfonso Aurin, ex-superintendente de engenharia do SBT, disse que o Ministério das Comunicações e a Anatel foram apenas comunicados da mudança de controle da empresa Sistema de TV Paulista. Segundo ele, não há necessidade de aprovação prévia pelo Executivo, uma vez que as licenças continuam em nome da mesma pessoa jurídica.

Velocidade
Em abril, a Folha antecipou que a Igreja Católica caminhava para implantar sua terceira emissora nacional, a partir da TV Aparecida. Ela já possui duas redes de televisão com cobertura nacional em sinal aberto -Rede Vida e Canção Nova-, que foram implantadas em pouco mais de uma década, em reação ao avanço das igrejas evangélicas na mídia.
A velocidade de crescimento da Igreja Católica, na área televisiva, só tem similar com a da Igreja Universal, do bispo Edir Macedo, nos anos 90 -embora os investimentos da Universal nessa área sejam muito maiores. A Universal tem 22 emissoras geradoras, sendo 19 em nome da Rede Record.
As licenças de retransmissão de TV são concedidas gratuitamente pelos governos. Mas, como as freqüências estão praticamente esgotadas nas grandes cidades, elas adquirem alto valor no mercado. As licenças de retransmissão não têm prazo definido (como as concessões para geradoras, que são por 15 anos, renováveis) e podem ser canceladas pelo governo.
A diferença entre as retransmissoras e as geradoras é que as primeiras podem apenas propagar o sinal emitido pela geradora.
A TV Aparecida completa dois anos em setembro. Segundo seu diretor, foram investidos US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 6,8 milhões) apenas na implantação da geradora, em Aparecida (SP). A emissora é financiada pelo Santuário de Aparecida e por publicidade.
Com a compra da TV Paulista, a emissora católica garante a recepção em sinal aberto em 12 capitais (entre elas Porto Alegre, Belém, Fortaleza, Palmas e Florianópolis). No Rio de Janeiro, a emissora só chega em parte do dia, em acordo comercial com a TVA.
Os sinais da emissora chegam à cidade de São Paulo por um contrato comercial com o grupo OESP (que edita o jornal "O Estado de S. Paulo"). O grupo tem uma emissora de TV em Santa Inês (MA), adquirida da família Sarney, e obteve licença de retransmissão para a capital paulista e outras quatro cidades do interior de SP.

Folha

Uma senhora exploradora

Recebi alguns e-mails solicitando a publicação de matérias da Folha de São Paulo, restrita aos assinantes. Muitos leitores, tem usado o argumento de que a Folha, faz chamadas espetaculares nas manchetes de capa do jornal, mas o leitor ao clicar para ler, se depara com o aviso que só assinantes podem acessar. Assim sendo, eu vou publicar a entrevista da Ana Maria Braga à Folha no dia de hoje:


"Não tenho tempo para andar com a elite", afirma Ana Maria
DA REPORTAGEM LOCAL

Ana Maria Braga, apresentadora do programa "Mais Você", da TV Globo, aderiu ao Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o "Cansei", e disse que ficou muito "triste" com as críticas contra o grupo, especialmente de elitismo. "Pouco ando em rodas sociais de elite", disse Ana Maria à Folha. "A elite sai à noite. Pego no serviço às 5h30, não consigo ir a lugar nenhum."
A apresentadora se define como apartidária e afirma que os principais problemas do país são "segurança", "falta de honestidade" e "impunidade". Ana Maria elogia o presidente Lula, mas faz uma ressalva: não acha que os pobres estão vivendo melhor atualmente.
Faz também uma proposta. Segundo ela, o país pode melhorar se os investimentos em educação se concentrarem sobretudo nas meninas, "porque a base da família é a mãe". (LB)




FOLHA - Por que a sra. aderiu ao "Cansei"?

ANA MARIA - Sou absolutamente favorável a um movimento de cidadania, não me furto a fazer isso no meu programa.

FOLHA - Do que a sra. está mais cansada no país?

ANA MARIA - Segurança, porque qualquer cidadão não se sente seguro em lugar nenhum. A honestidade com relação às atitudes; parece que é uma febre nacional, todo mundo quer ser mais esperto e por isso levar vantagem em cima das outras pessoas. Acho que tem de acabar com a impunidade. Muitas coisas não começaram neste governo, e o Lula tem feito muitas coisas boas, mas algumas delas não chegam ao dia-a-dia das pessoas.
Ouvi, não sei citar o nome, uma tese: se qualquer país pegasse todas as meninas em uma faixa de 2 a 10 anos de idade e desse para elas educação, saúde, encaminhamento, e garantisse que essas meninas, daqui a 20 anos, fossem as mães, mudaria o país. Porque a base da família, da educação, é a mãe.

FOLHA - O que a sra. tem achado das críticas ao movimento?

ANA MARIA - Eu até me assustei. Sou absolutamente apolítica, apartidária. Fiquei muito triste quando vi a coisa sendo encaminhada dessa forma, porque é um sentimento geral. Não tem classe social, salarial. Eu pouco ando em rodas sociais de elite, não tenho tempo para isso. A elite sai à noite, e eu, à noite, durmo. Pego no serviço às 5h30, não consigo ir a lugar nenhum.

FOLHA - A sra. tem alguma proposta para o movimento?

ANA MARIA - Não participei de nenhuma reunião, dei o meu apoio por conta de um sentimento coletivo. Cada um de nós pode fazer, independentemente do valor do seu salário, da sua classe social, cada um pode ajudar o outro.

FOLHA - Analistas dizem que a aprovação ao presidente Lula é alta porque os pobres estão vivendo melhor neste governo. A sra. concorda?

ANA MARIA BRAGA - O pobre, o mais necessitado, não depende só da cesta básica para sobreviver, precisa também de saúde. Não acho que seja isso, porque falo com muita gente muito necessitada. Claro que não sirvo de parâmetro de pesquisa, só tenho o sentimento.

Mas que cara de pau heim dona! Merece um tipo top com louvor

Redução de desmatamento dá credibilidade

A redução de 25% na taxa de desmatamento na Amazônia, entre agosto de 2005 e julho de 2006, evitou a emissão de 410 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) e a destruição de 600 milhões de árvores. A informação foi dada ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu programa Café com o Presidente. "É plenamente possível crescer preservando a natureza. O desafio que está colocado para nós é como utilizar a floresta e a preservação ambiental como forma de fazer com que a vida das pessoas seja melhorada", ressaltou.

Para ele, a preservação do meio ambiente é "condição básica" para que o Brasil conquiste mais credibilidade no exterior. Lula disse ainda que é possível desenvolver a agricultura brasileira sem invadir a Amazônia. "Temos áreas enormes já degradadas que podem ser utilizadas para o plantio, sem precisar adentrar em áreas que nós precisamos preservar", afirmou.

O presidente destacou a redução anual na taxa de desmatamento. "A área desmatada, em 2004, foi de 27 mil quilômetros quadrados. Em 2005, foi de 18 mil quilômetros quadrados. E, em 2006, caiu para 14 mil quilômetros quadrados", ressaltou.

De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil libera na atmosfera cerca de 1 bilhão de toneladas por ano de gás carbônico - um dos principais gases que agravam o aquecimento global. Segundo o ministério, 75% desse total se deve à derrubada de árvores. Os dados sobre a redução de 25% na taxa de desmatamento na Amazônia foram divulgados por um grupo interministerial na sexta-feira.

Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a redução de 25% na taxa de desmatamento na Amazônia é "fruto de uma política corajosa e estruturante" do governo federal, em parceria com os governos estaduais e a sociedade civil. A queda corresponde ao período de agosto de 2005 a julho de 2006.

"Todos os setores reconhecem que, de fato, nós estamos conseguindo um processo de governança ambiental", afirmou a ministra no programa semanal de rádio do presidente Lula. Segundo Marina Silva, o presidente coordenou um plano de prevenção e controle do desmatamento, que foi uma "verdadeira força-tarefa", envolvendo 13 ministérios.

"Tivemos cerca de 400 operações do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), 20 grandes operações integradas da Polícia Federal, juntamente com o Exército, a apreensão de cerca de 1 milhão de metros cúbicos de madeira. Tivemos também o desmantelamento de 1.500 empresas criminosas que atuavam na Amazônia", ressaltou a ministra.

De acordo com ela, a segunda fase do plano refere-se às políticas estruturantes na Amazônia. "O Ministério da Agricultura está trabalhando o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura para Amazônia, o Ministério do Desenvolvimento Agrário está trabalhando uma nova lógica para os projetos de assentamento. E o Ministério do Meio Ambiente, juntamente com a Casa Civil, está agora fazendo a revisão do plano, para que possamos atacar os problemas que vão surgindo", disse. Ela destacou que a previsão é de que, em 2007, a taxa de redução seja de 30%, correspondendo a uma área desmatada de 9.600 quilômetros quadrados.

Ex-deputado preso com 108 acusações

Apontado como um dos precursores da Máfia dos Sanguessugas - esquema de liberação de recursos federais através de emendas parlamentares para a compra superfaturada de ambulâncias - o ex-deputado federal Lino Rossi (PP-MT) foi preso ontem em Brasília por ordem do juiz da 2ª Vara Federal do Mato Grosso, Jefferson Schneider. Rossi estava no Aeroporto de Brasília e se preparava para embarcar num avião da TAM com destino a São Paulo quando recebeu voz de prisão. Foi levado algemado para a Superintendência da Polícia Federal na capital.

Hoje, será transferido para Cuiabá, onde presta depoimento no processo envolvendo o empresário Darci Vedoin, dono da Planam - empresa que intermediava as vendas - e 26 prefeituras. Deflagrada no ano passado, a Operação Sanguessuga resultou na abertura de 84 inquéritos contra deputados federais, a grande maioria tramitando atualmente no Supremo Tribunal Federal (STF) por causa do foro especial. No Congresso, o escândalo gerou a abertura de 72 processos de cassação de mandato (69 deputados e três senadores). No final, 18 deputados e os três senadores foram absolvidos, e o restante nem chegou a ser julgado porque muitos não se reelegeram ano passado e a legislatura se encerrou.

Indiciado no inquérito da Polícia Federal e réu na Justiça Federal, Rossi é acusado 108 vezes por formação de quadrilha, corrupção passiva, fraude, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Foi preso porque estava obstruindo o trabalho da Justiça. Segundo o despacho do mandato de prisão preventiva assinado por Schneider, recusou-se a atender os oficiais de justiça e, em várias ocasiões, deixou de comparecer às audiências. Como não se reelegeu no ano passado, perdeu a imunidade parlamentar, e sua prisão acabou sendo decretada pelo juiz de primeira instância. Na lista de parlamentares mato-grossenses denunciados está também a ex-deputada Celcita Pinheiro, mulher do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT), atual secretária de Promoção Social da Prefeitura de Cuiabá.

Lino Rossi foi o primeiro parlamentar a se associar ao esquema de desvio de recursos organizado pela Planam. Teria recebido R$ 3 milhões em propina e por pouco não acabou arrastando com ele o senador Magno Malta (DEM-ES), que chegou a ser investigado no Conselho de Ética pela suspeita, nunca provada, de que teria recebido uma van dos Vedoin em troca de emendas que apresentaria para sustentar a compra de ambulâncias. Durante as investigações, num depoimento recheado de contradições, Lino Rossi chamou para si a responsabilidade do caso e disse que emprestara o veículo por amizade ao senador Magno Malta. Ficaram dúvidas, mas o relator do processo, Demóstenes Torres (DEM-GO) achou melhor pedir a absolvição do colega de partido.

Depois do fracasso, os cansados começam a se explicar.

Leia a entrevista do cansado de ganhar dinheiro, dono da Philips do Brasil... E aproveitem para boicotar os produtos fabricados por essa empresa...que afinal nem é de boa qualidade..assim...assim, vamos dizer..meia boca!!

ENTREVISTA
PAULO ZOTTOLO

Ricos não são menos brasileiros que pobres, diz o líder do "Cansei"
Empresário afirma que não é menos brasileiro por ter dinheiro e nega que movimento pretenda depor o governo Lula

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA
No dia 27, a Philips do Brasil publicou anúncio nos principais jornais manifestando seu apoio ao "Cansei". A carta da Philips foi alvo de muitas críticas, inclusive do governo. O presidente da Philips, Paulo Zottolo, 51, nega que o movimento tenha qualquer motivação política ou que vise derrubar o governo -e sugere que o presidente Lula se engaje no movimento.
"Eu posso ter minhas diferenças com o PT, isso é uma coisa, mas o que eu não concordo é achar que qualquer movimento que se faça de cidadania neste país ou é de oposição ou é de elite", diz Zottolo. Ele afirma que vai continuar a apoiar o movimento, apesar das críticas. "Não preciso me sentir culpado porque sou rico", afirma.



FOLHA - Como nasceu o "Cansei"?
PAULO ZOTTOLO - O Jesus Sangalo me ligou dizendo-se indignado com a situação no país e me perguntou se poderia contar com o meu apoio na criação de um movimento de indignação contra isso. Eu indiquei o João Dória Jr, que seria a melhor pessoa para canalizar o movimento. O João Dória me ligou logo depois de ter conversado com o Jesus: "O cara está bravo". Eu disse para o João Dória que o melhor era segurar o cara porque ele estava querendo fazer um movimento que não seria benéfico para ninguém. Dória marcou então uma reunião.

FOLHA - O que foi decidido?
ZOTTOLO - O João Dória disse, na reunião, que esse movimento não poderia ser partidário.

FOLHA - Mas ele apoiou Alckmin.
ZOTTOLO - O que eu estou contando foi o que aconteceu. Ele disse que não poderia ser um movimento político nem um movimento para derrubar presidente ou para provocar o impeachment, o que tinha de ser é um movimento de indignação. Assim começou a história. Nessa reunião eu também dei a idéia de trazer a África [do Nizan Guanaes] para nos ajudar.

FOLHA - O sr. procurou o Nizan?
ZOTTOLO - Nizan estava em férias, eu falei com o Sérgio Gordilho. E ele disse que não poderia ajudar como África, mas sim como amigo. Fizemos uma nova reunião para elaborarmos a campanha e eu dei a idéia de darmos o nome de "Cansei" ao movimento. Todos gostaram.
Para a campanha ter realmente uma razão apartidária, os cansamos têm que ser de atitudes que não são ligadas ao governo, mas ligadas a nós mesmos. Se você pegar a campanha vai ver que os primeiros cartazes são de "cansamos de empresários corruptores", "cansamos de balas perdidas". Não é uma campanha que diz cansei de governo ou coisa parecida. Achamos que não deveria ser liderada por mim ou pelo João Dória, e consultamos a OAB, que se engajou.

FOLHA - Qual é o mote?
ZOTTOLO - O marasmo hoje é do cidadão brasileiro, não é do governo. Como cidadão brasileiro nós estamos aceitando uma tragédia atrás da outra e paramos de nos indignar. E por que paramos de nos indignar? Por que nós como brasileiros não ligamos para o próximo? Não é isso. É porque a sucessão de tragédias é tão grande que você passa de uma indignação para outra. Você passa do dólar na cueca para o buraco do metrô, para o acidente com o avião da Gol, para o acidente com outro avião, para uma notícia que você está voando no espaço aéreo com um buraco negro e que você pode bater com contrabandista, com bala na favela, com garoto sendo arrastado no cinto de segurança de um carro no Rio... Portanto, "Cansei".

FOLHA - O movimento vai apresentar alguma proposta?
ZOTTOLO - Se tivesse proposta seria um movimento partidário. Como não é partidário não pode ter proposta. Para mim, o "Cansei" é um convite à meditação. Isso é uma ajuda que o povo brasileiro deve dar ao governo. Eu quero que o governo se dê bem, não quero que o governo se dê mal. Eu posso ter minhas diferenças com o PT, isso é uma coisa.
Eu posso não concordar com as atitudes do PT, mas o que eu não concordo é achar que qualquer movimento que se faça de cidadania neste país ou é de oposição ou é de elite. Este país tem que parar de ser visto como país: precisa ser visto como nação. Qualquer situação, qualquer movimento, qualquer opinião rapidamente é dividido entre a elite e os pobres. Para se tornar uma nação, o objetivo tem de ser comum.
É esse tipo de reflexão que esse movimento "Cansei" deveria estar fazendo. Quando eu emito uma opinião dizendo "cansei de empresário corruptor" ou "cansei de bala perdida", não quero ser visto como elite branca ou elite branca de Campos do Jordão. Para que isso? Para que essa ofensa toda? Eu quero ser visto como brasileiro que chegou lá. Não preciso me sentir culpado porque eu sou rico. Não roubei ninguém.
Não sei por que ainda se mantém essa distância entre a classe trabalhadora e a classe empresarial, como se fôssemos inimigos, e não somos. Essa é a diferença entre país e nação. O "Cansei" deveria ser um motivo de reflexão para tudo isso.

FOLHA - O que acha dessa reação tão inflamada do governo Lula?
ZOTTOLO - Porque ele acha que é uma coisa partidária. Porque neste país, e não nesta nação ainda, qualquer coisa é vista como partidária, é vista como um movimento de alguns segmentos, e não é. É um movimento puramente nacional. O governo tem que aderir ao movimento. O presidente Lula deveria unir forças, e não dividir cada um para um lado.

FOLHA - O que acha da crítica de que esse movimento está sendo feito por endinheirados?
ZOTTOLO - É uma situação para reflexão. Todo mundo tem o direito de se manifestar.

FOLHA - Qual a responsabilidade do governo para essa situação?
ZOTTOLO - Eu não acho que a situação do Brasil esteja assim por causa do governo do PT. O Brasil está mal por várias outras histórias. Eu não sou petista, mas tem várias atitudes do PT que eu aplaudo, como tem outras que eu absolutamente não aplaudo, como tem várias atitudes do PSDB como oposição que eu rejeito, como outras eu aplaudo. O que eu não aplaudo mais é a oposição. A oposição neste país é destrutiva. A oposição que o PT fez ao governo do PSDB atrapalhou o país. A oposição que os partidos de oposição fazem hoje ao governo atrapalha o país. No final, como nação, o objetivo é um só.
Não existe mais pauta de direita ou de esquerda, não existe mais pauta de elite ou pauta dos pobres, o que existe são alguns movimentos que são comuns que têm que ser realizados por qualquer partido, só que quando um está no poder o outro atrapalha sabendo o que é necessário. A oposição, seja no momento atual ou na época do PT, não pensa no Brasil, e sim no poder. Isso atrasa o país. Nós temos que virar nação.

FOLHA - Apesar disso tudo, os números da economia são positivos.
ZOTTOLO - Os números da economia estão bons, mas não sei se mede-se um país pelos números da economia. Eu tenho salários aqui que são 100 vezes maiores do que qualquer pai dessas famílias ali [e ele aponta para a parede em frente a sua mesa onde estão dispostas 16 molduras em preto e branco com cenas de favelas em diversas cidades brasileiras].
Por que eu mantenho esse quadro? Para toda hora eu estar pensando na realidade que é o meu país. Para não viver num mundo cor-de-rosa de sair daqui, pegar um helicóptero, pegar o meu motorista de carro blindado e andar no meu iate [ele tem um barco a vela]. Isso [as fotos na parede] é a realidade do meu país. Se a economia vai bem e isso continua existindo, o país não vai bem. O que mais me toca nessas fotos é que pela pior situação que essas pessoas vivem todas elas tem um ar de otimismo e de alegria. O grande mérito do PT foi não ter mexido muito na economia, de não ter inventado muita novidade. Nesse ponto, o Lula teve uma cabeça fabulosa.
Sabe por quê? E ninguém está pensando nesse assunto. As pessoas discutem o conceito de esquerda-direita, de rico-pobre, mas se esquecem que o Lula está cercado da elite. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, é o quê? Ele faz parte da elite ou dos movimentos populares? O senhor Mercadante faz parte da elite ou dos movimentos populares? Marta Suplicy veio de onde? Agora, para que essa divisão? Para mim, são brasileiros que estão trabalhando. Se um tem dinheiro a mais ou tem dinheiro a menos, não lhe dá mais ou menos direito de ser brasileiro. Ou será que quanto mais pobre eu for mais brasileiro eu sou?

FOLHA - O "Cansei" vai continuar?
ZOTTOLO - Vou continuar até a hora em que perceber que virou uma coisa partidária. A Philips está nisso desde que movimento seja apartidário. Não estou aqui para derrubar o governo. Mas se eu puder usar a força da Philips e a minha força para derrubar esses conceitos de direita-esquerda, pobre-rico, de elite branca, de elite de campos de Jordão, de movimento Oscar Freire, vou usar. Pelo amor de Deus, nós já passamos por esta fase. O pior é que eu nunca passeei na Oscar Freire.

Link da Folha só para quem assina

E ai demagogo Serra? Como que fica? Por culpa do IML, família enterra corpo errado

Parentes de vítima do acidente com o Airbus da TAM receberam caixão de outra pessoa; corpo foi trocado ontem

Erro na leitura dos números de identificação dos mortos fez família sepultar corpo que não havia sido identificado até ontem

O IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo revelou ontem que entregou um corpo errado para uma das famílias das vítimas do Airbus da TAM. O corpo passou pelo menos duas semanas enterrado e foi trocado pelo correto ontem. O erro aconteceu na hora em que o corpo saiu para o enterro, segundo o IML. O serviço funerário é feito dentro do próprio instituto, e cada caixão tem um número de quatro dígitos que o identifica. O número do caixão com o corpo que foi enterrado era semelhante ao que continha o corpo certo -só o segundo dígito era diferente. O corpo entregue primeiro não havia sido identificado até ontem. O IML percebeu o erro ontem, durante uma rechecagem dos prontuários. Na ficha do corpo enterrado por engano, faltava o raio-X. Quando os funcionários foram verificar por que o procedimento não tinha sido feito, viram que o cadáver não estava mais no instituto.

Segundo a assessoria da Secretaria da Segurança Pública, a rechecagem de sacolas com restos mortais e caixões é um procedimento rotineiro. No entanto, a assessoria não soube dizer por que o erro não foi percebido durante as outras vezes em que houve verificação.

A família -que pediu sigilo do nome da vítima- foi avisada da confusão ontem à tarde. A troca do caixão foi feita ontem, na presença de parentes. O primeiro corpo que foi sepultado voltou para o IML. Segundo o instituto, a identificação será possível mesmo depois de ter ficado enterrado por ao menos duas semanas.

Um dos diretores do IML, Carlos Alberto de Souza Coelho, disse que a "situação inusitada" pode ter acontecido por causa da "grande quantidade de vítimas e do trabalho sobrecarregado" dos legistas. A secretaria abriu uma sindicância para apurar o caso.

Brigadeiro constrangido e deputados afoitos

De um lado, emburrado, estava o brigadeiro Jorge Kersul Filho; de outro, deputados afoitos pelo segredo da degravação da caixa-preta do Airbus 320 da TAM. Conhecer os dados antes dos senadores, que também têm uma CPI, e são notórios em vazar todas as informações que chegam, havia se tornado questão de honra para os deputados.

Nas reuniões anteriores com a CPI, o brigadeiro Kersul havia sido muito resistente à divulgação dos dados da caixa-preta. Mas não conseguiu convencer os deputados a desistir de conhecê-los. Sem ter o que fazer, porque, segundo ele mesmo, tinha 48 horas para entregar o conteúdo das caixas, sob pena de ser intimado por um oficial de Justiça, encontrou uma fórmula de criar dificuldades para os deputados.

A gravação da caixa-preta de voz do A320 foi entregue, mas não é possível ouvir o som, porque seguiu sem o software que permite isso. Os deputados ficaram irados com o brigadeiro. Mais: a transcrição feita nos Estados Unidos, que a CPI logo deliberou entregar para os meios de comunicação, estava em inglês. Como nem todos os deputados lêem em inglês, foi preciso improvisar dois intérpretes, Rocha Lores (PMDB-PR) e Luciana Genro (PSOL-RS). Termos técnicos foram traduzidos pelo brigadeiro, numa aparente má vontade. O deputado Carlos Willian (PTC-MG) tornou-se o porta-voz dos descontentes. "A Aeronáutica fez a CPI de palhaço", bradou ele. "Entregou-se um disquete de ET (extraterrestre). Só uma máquina multinacional pode lê-lo."

Outra dificuldade foi fazer uma cópia do texto do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) em inglês - o material tinha uma série de proteções contra cópias e impressões. O relator Marco Maia até fez uma projeção dos dados para jornalistas, antes que se conseguisse uma saída que permitisse a cópia.


Juros menores para a compra da casa própria com recursos do FGTS

Em decisão inédita, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou ontem a redução em 0,5% da taxa de juros para financiamentos da casa própria com recursos do fundo. Segundo informações do Ministério do Trabalho e Emprego, os titulares de conta no FGTS serão beneficiados pela decisão. Atualmente, os trabalhadores pagam taxa de juros anual de 6% mais 2,16% referentes à Taxa Referencial (TR), com acréscimo dos custos bancários.

O Conselho Curador do FGTS anunciou ainda outras mudanças nas regras de empréstimos para casa própria com recursos do fundo. Uma delas é a ampliação da faixa de renda bruta familiar nas capitais e regiões metropolitanas, que subiu de R$ 3,9 mil para R$ 4,9 mil, e a ampliação no valor dos imóveis financiados pelo fundo.

Os valores dos imóveis também foram reajustados nas capitais e regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. O valor do imóvel financiado passou de R$ 100 mil para R$ 130 mil. O valor passou de R$ 80 mil para R$ 100 mil nas demais capitais. Nas outras localidades do país passou de R$ 72 mil para R$ 80 mil.

De acordo com o Ministério, essa decisão deve beneficiar aproximadamente 80 mil trabalhadores. Os recursos poderão ser utilizados para aquisição de imóveis localizados em zonas urbanas residenciais ou para a construção de imóveis residenciais que tenham as mesmas características.

Estrangeiros condenam vazamento de informações

O vazamento de informações da caixa-preta do Airbus A-320 da TAM que se acidentou é preocupante porque viola uma convenção internacional que protege esse tipo de informação, disse ontem um diretor técnico da Flight Safety Foundation (FSF), fundação internacional para segurança de vôo. A gravação do diálogo entre os pilotos do vôo 3054 tornou-se pública ontem na CPI da Câmara que investiga a crise aérea, depois de ter vazado para a imprensa.

Isso é preocupante porque viola o anexo 13 da Convenção de Chicago, que dita as regras para a investigação de acidentes e protege especificamente esse tipo de informação - disse Jim Burin, diretor de programas técnicos da FSF, nos Estados Unidos. - As pessoas têm questionado isso nas últimas semanas, sobre o sistema brasileiro. Como puderam deixar essas informações vazar.

O diretor da FSF disse que as únicas pessoas que normalmente têm acesso a essas informações são as autoridades de aviação. E sabem que tudo deve ser mantido em sigilo:

Se foram as autoridades que liberaram as informações, é ruim. Se foram outras pessoas, é ainda pior. Indica que alguma coisa não está bem.

Burin contou que vários países, incluindo os Estados Unidos, são favoráveis à liberação de informações de caixas-pretas de acidentes aéreos, mas somente depois que as investigações são concluídas. No caso do acidente da TAM, deve levar cerca de 10 meses, segundo a Aeronáutica.

O diretor acrescentou que não existem penalidades para países que violam essa convenção, mas em lugares como a Nova Zelândia a legislação local garante a confidencialidade dos dados. No Brasil, o Centro de Comunicação da Aeronáutica confirma que não há advertência prevista na convenção no caso de descumprimento de regras, mas a credibilidade internacional das investigações pode ser afetada com a divulgação dos diálogos.

A Aeronáutica deixou claro que é contra a divulgação dos dados, a não ser por pedido judicial, e nega que tenha passado informações à imprensa.

No caso da CPI, a sessão com a apresentação das informações seria fechada, mas os deputados optaram por abrir a reunião para a mídia depois que um jornal publicou a gravação dos diálogos gravados na caixa-preta.

A Convenção de Chicago foi estabelecida pela ICAO, a agência da ONU encarregada de coordenar e regular a aviação internacional, em 1944, e é assinada por 52 países. Estabelece regras para o tráfego aéreo, o registro de aeronaves e normas de segurança, entre outras orientações.




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