A nova direita (e como derrotá-la)


Órgãos de imprensa que pregaram as ditaduras militares no continente, foram seus instrumentos de divulgação, se calaram diante dos crimes com que esses regimes se afirmaram no poder, se crêem no direito de julgar que governo é democrático ou não na América Latina. Eles são o centro da nova direita.

Existe uma nova esquerda na América Latina, de que o processo bolivariano de Hugo Chávez na Venezuela, o MAS e o governo de Evo Morales na Bolívia, o governo de Rafael Correa, a ALBA, são algumas das suas expressões mais desenvolvidas e significativas. O movimento que se agrupa em torno da candidatura de Fernando Lugo, no Paraguai, se candidata a incorporar-se a esse grupo. Há governos progressistas, que são igualmente vítimas dessa nova direita.

Sua fisionomia passa pela assunção dos valores liberais e neoliberais: livre comércio, modelo estadunidense de sociedade, elogio da empresa privada e do mercado, crítica do Estado como regulador, das políticas redistributivas, apologia da midia oligopólica como critério de liberdade e de democracia. Ataques furibundos, desqualificadores da esquerda, do socialismo, a qualquer papel regulador ao Estado, do igualitarismo, a políticas de afirmação de direitos, do Sul do mundo à América Latina em particular, dos partidos aos movimentos sociais.

Uma das catacterísticas dessa nova direita é que se apóia fortemente no monopólio privado dos meios de comunicação, que dá as pautas e a orientação ideológica. No Brasil, a Folha de São Paulo, O Globo, o Estado de São Paulo e a Veja são seus representantes mais evidentes. Todas empresas oligopólicas, de propriedade familiar, em que os filhos sucedem automaticamente aos pais na direção dos jornais, como se fossem fazendas ou heranças de casas. Todas comprometidas com o golpe militar de 1964, que destruiu a democracia e cometeu os maiores crimes contra o povo brasileiro.

Desqualificar ao que consideram governos ou candidatos que não se submeteriam a seus interesses –que podem ser um índio, um militar, uma mulher, um operário – é uma forma de defesa do seu lema fundamental: “civilização ou barbárie”, em que eles se apropriam do que consideram ser civilizado e rejeitam todos os outros como representantes da barbárie.

O instrumento mais reiterado na sua luta por impor seus interesses está na desqualificaçáo dos governos, da política, do Estado, dos partidos, de todas as formas de ação coletiva e organizada de caráter popular. Por isso apoiaram tão generalizadamente governos como os de Menem, Fujimori, FHC, entre outros, que faziam justamente isso: privatizavam para debilitar ao Estado, atacavam os movimentos sociais, desqualificavam os partidos, promoviam a dominação direta da economia sobre a política.

Comum à imprensa escrita, radial e televisiva dessa nova internacional da direita é o ataque desqualificador a governos como os de Evo Morales, de Hugo Chavez, de Rafael Correa, mas também aos de Lula, de Kirchner, com uma intolerância que beira ao golpismo. Tentam promover uma irritação, explorando expressões do tipo “basta”, “cansei” ou outras afins, que levam ao pedido de soluções autoritárias ao que seria uma crise moral, uma ferida, que deveria ser extirpada por intervenção cirúrgica – numa atualização da Doutrina de Segurança Nacional, que orientou as ditaduras do terror no continente -, que dispensaria vitória eleitoral, porque se apoiaria num sentimento de indignação supostamente majoritária da população.

Precisam de governos e parlamentos fracos, do enfraquecimento do sistema político, dos partidos, para impor os grandes interesses econômicos privados sobre o Estado.

Quando atacam aos governos, aos parlamentos eleitos pelo povo, desqualificam ao povo. Se dispõem do monopólio da mídia, tem que entender que a opinão média da população é fortamente influenciada pela mídia. Ou são incompetentes ou o povo não aceita a influência de seus programas informativos totalmente partidarizados, de seus comentaristas e programas de entrevistas que refletem suas visões elitistas do país, da sua programação – esta sim – populista, de baixissimo nível cultural e e educativo.

São minotirários, como eram – segundo as pesquisas de opinião só reveladas recentemente – no clima prévio ao golpe de 1964, em que estiverem envolvidos todos esses meios de comunicação. São minoritários, segundo a maior pesquisa nacional e a mais direta, que envolve não uma amostra, mas a totalidade dos cidadãos – a eleição presidencial feita há 8 meses.

No entanto, dá a impressão que nada disso aconteceu, nem que o povo se pronunciou contra a oposição, nem que o governo venceu. Que lições o governo tirou do longo processo de campanha opositora, que o desestabilizou profundamente, que quase levou a seu final, mas que terminou com uma recuperação eleitoral e com a reeleição de Lula?

A primeira lição deveria ser a de que, quando Lula assumiu uma atitude concreta de denunciar a direita e suas políticas – em que as privatizações estiveram no centro -, conseguiu o apoio popular que lhe delegou este segundo mandato. Ele soube reconhecer – ainda que contraditoriamente – ao dizer no discurso da vitória de que o seu é um governo para os pobres.

Contraditoriamente porque reconheceu que, paradoxalmente, nunca os ricos ganharam tanto. Se a economia cresceu pouco – e segue assim -, setores médios perderam para que os pobres ganhassem, ao invés da penalização dos mais ricos.

A segunda é a de que a nova direita, o centro da oposição, está no monopólio privado da mídia, cuja persistência impede a possibilidade de formação democrática da opinião pública. Que, sem democratização da mídia, não haverá democracia.

Em terceiro lugar, que foram principalmente as políticas de democratização social as que responderam pela vitória do governo e pela derrota da oposição. Mas essas imensas camadas populares estão submetidas a influência ideológica da maciça campanha da oposição atraves da mídia. Além de que esses setores populares majoritários não estão organizados, não tem condições de expressar politicamente sua opinião, nem de defender suas conquistas, caso atentem contra elas. A organização destes setores é responsabilidade fundamental do PT e do governo, se a esquerda quer evitar retrocessos e, ao contrário, consolidar os avanços e construir um Brasil pós-neoliberal.

Para isso é indispensável dar continuidade à vitória de novembro de 2006 e, ao contrário do que tem sido a atitude principal do governo até aqui, apontar os adversários fundamentais da democratização econômica, social, política e cultural, lutar contra eles e construir a força popular, política e ideológica para derrotar a direita e afirmar a hegemonia da esquerda.




Postado por Emir Sader às 09:16

Classe média é motivo de chacota no jornais

Classe média vai às ruas contra caos aéreo

João Luiz Rosa
Valor Econômico
30/7/2007

Margeando o lago do Ibirapuera, em São Paulo, sob uma temperatura de 11 graus e uma garoa fina e insistente, a pequena massa avançava. Muitos estavam de preto. Alguns traziam flores na mão. Outros, placas de protesto. Apesar de rigoroso, o frio parecia incomodar a poucos: não faltavam casacos bem cortados, botas de couro, cachecóis. Até óculos escuros apareciam, apesar do tempo encoberto. E havia cachorros. Muitos e de todos os tipos: pastor alemão, são bernardo, border collie, cocker, labrador...

O caos aéreo e o acidente com o avião da TAM, que provocou 199 mortes, motivaram as primeiras manifestações públicas de protesto da classe média paulistana contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu segundo mandato. Mais que as causas diretas do desastre - as investigações da caixa-preta agora apontam as principais suspeitas na direção da falha humana - os manifestantes extravasaram suas insatisfações generalizadas com a administração petista.

Fernando Portaro ocupava um lugar nas primeiras fileiras do grupo. "Estou aqui por indignação", dizia o empresário, enfático. Nas próximas três horas, ele não pouparia a voz ao acompanhar palavras de ordem como "fora, Lula" e "relaxe e saia", repetidas com entusiasmo pela multidão, que aos poucos se avolumava.

A indignação a que Portaro se refere tem um catalisador: o acidente com o avião da TAM que matou 199 pessoas, no pior desastre aéreo da história do país. É esse o motivo imediato que levou milhares de pessoas, ontem, a caminhar cerca de seis quilômetros, do Parque do Ibirapuera ao aeroporto de Congonhas, até a frente do prédio destruído pelo choque com o avião.

Como Portaro - que nos últimos 30 dias fez sete viagens de avião -, o público da marcha é o mais atingido pelo caos aéreo. Para muitos, Congonhas passou a ser um nome quase maldito. "Na empresa, já exigi voar apenas por Guarulhos", diz Ricardo Lima, um executivo do mercado financeiro que andava ao lado de sua bicicleta, trajando um uniforme de ciclista com críticas à figura de Lula.

Mais à frente, uma senhora, que preferiu não se identificar, confessava nunca ter sentido tanto medo. "Ontem (sábado), ao voltar de Florianópolis, eu precisei descer em Congonhas. Rezei a viagem inteira."

Orações também fizeram parte do encerramento da marcha, quando o público rezou em frente ao prédio destruído. Mas em que pese o caos aéreo e a solidariedade às famílias das vítimas, a maioria dos participantes, calculados em 6,5 mil pessoas, demonstrou que esses não foram os únicos motivos para ir às ruas.

"É muito mais que o acidente", disse Ana Cavalcante, que cumpriu o percurso ao lado de seu labrador, batizado de Whisky. Também executiva do mercado financeiro, Ana disse achar que o povo brasileiro está sendo desrespeitado e chamava o governo de passivo. Ela não é eleitora de Lula, assim como a maioria dos participantes da marcha. "Não votei e não votaria no Lula nem que me pedissem para escolher entre ele e o fim do mundo", afirmava Portaro. Vestida de preto dos pés à cabeça, Cléia Carvalho, uma pensionista que trabalhou 32 anos em companhias aéreas, fazia coro: "Os governantes são os verdadeiros responsáveis".

O carro de som que conduzia a passeata dava o tom: em cima dele, o cantor Seu Jorge às vezes cantava "Prá não dizer que não falei de flores", o velho hino contra de Geraldo Vandré, usado contra o regime militar nos anos 60.

Os motivos da insatisfação variavam bastante: enquanto uns reclamavam dos impostos, outros citavam a falta de segurança, os problemas na educação ou na saúde pública. "(O acidente) foi a gota d"água", resumiu a ortodontista Maria Edith Campos Cruz, que perdeu dois ex-pacientes no acidente.

Da mesma forma, não era fácil identificar entre os manifestantes uma pauta de medidas práticas contra os problemas levantados. E, novamente, o carro de som refletia isso. Além das críticas ao governo, houve várias homenagens a corporações como os bombeiros e pedidos de palmas até a Jesus. A passeata conseguiu, no entanto, tirar a classe média de casa - e a classe média se sentiu confortável na rua. "Estão dizendo que essa é a marcha da burguesia. Que problema há nisso?", perguntava uma amiga de Ricardo Lima.

Ana Cavalcante disse que sempre achou passeata coisa de "gente que gosta de fazer bagunça", mas mudou de idéia. Antonio Tonini, que caminhava ao lado da mulher, Marialva, também não tinha dificuldades em expressar esse sentimento: "Chegou o momento de todos nós, da classe média, colocarmos o pé nas ruas e reivindicarmos melhorias", afirmava.

O que alguns manifestantes lamentavam é adesão menor que a de suas previsões pessoais. "Quantas pessoas a marcha reuniu? Cinco mil? Deveriam ter comparecido cinco milhões", dizia Giulia Ferro, criadora do blog EducaForum, destinado a pais com filhos que estudam na escola pública. "A parada gay, por exemplo, reuniu dois milhões de participantes."

Para os organizadores do movimento, a marcha cumpriu seus objetivos. A proposta da passeata, encampada por várias entidades, nasceu no CriaBrasil (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante), um grupo informal que se reúne na casa do empresário Marcio Neubauer. "O movimento é apartidário, mas altamente político", reconhece ele. "Estamos fazendo política? Estamos, mas de bom senso."

Neubauer reconhece que há um risco de que eventuais ganhos de imagem com esse tipo de ação sejam encampados, indevidamente, por grupos partidários, mas afirma que até agora isso não ocorreu. No começo da manifestação, ainda no Ibirapuera, um grupo apareceu com bandeiras do PSDB, mas enfrentou a reação do resto do público e acabou se retirando.

Que tipo de resultado será obtido divide as opiniões. Ana Cavalcante disse achar difícil que a passeata tenha efeitos práticos, mas mesmo assim insistia na necessidade de ir à rua. Muitos, porém, viam na marcha uma chance de multiplicar a ação. "Espero que esta seja a primeira de uma série de manifestações e que o governo se sensibilize", disse Flávia Papa Caltabiano, viúva do empresário Pedro Caltabiano, que morreu no acidente junto com o irmão João Francisco, e deixou três filhos. "Até agora, ninguém nos deu apoio: nem o governo, nem a TAM."

Marca TAM tem histórico de instabilidade

Apesar de uma agressiva estratégia de marketing, que inclui tapete vermelho estendido aos passageiros no embarque e desembarque, sala vip nos aeroportos mais movimentados do país, distribuição de balas e outros mimos ao longo dos vôos, a TAM não conseguiu consolidar sua marca ao longo da última década e o grau de admiração por parte dos consumidores tem oscilado. Esta é a conclusão do presidente da InterScience Informação e Tecnologia Aplicada, Paulo Secches, que, desde 1999 realiza o levantamento das marcas mais admiradas do Brasil.

Naquele ano, a TAM era a segunda marca mais admirada em levantamento que ouve todos os anos 1.280 executivos. Já em 2000, a TAM caiu para a sexta posição e passou a ocupar o primeiro lugar em 2001, ano da morte do fundador da empresa, Rolim Amaro. Passada a comoção, a TAM voltou para a sexta colocação e em 2004 foi para a 24ª posição. No ranking de 2006 a companhia aérea está em 11º lugar entre as marcas mais admiradas, mas Secches lembra que o levantamento é feito entre junho e julho - o que exclui os reflexos da crise aérea.

Preocupada com sua imagem, a empresa, que foi uma das principais implicadas no caos que pára os aeroportos brasileiros desde setembro do ano passado, encomendou à própria InterScience um levantamento que indicasse a quantas andava, em abril, a percepção do consumidor sobre sua marca. Por questões contratuais, Secches não pode revelar o teor da pesquisa, mas diz que neste último levantamento já havia sido detectado "um nível de desgaste muito grande" para a imagem da companhia.

Na avaliação do executivo, depois do acidente de terça-feira, a perspectiva para a TAM, em termos de marca e imagem não é nada animadora. Secches pondera que os consumidores têm demandado cada vez mais transparência das empresas, "até como forma de compensar a falta de credibilidade dos políticos". Num dia, o presidente da companhia (Marco Bologna) vai à televisão dizer que não havia qualquer problema com o avião e no dia seguinte diz o contrário. "Este pode ter sido o golpe de misericórdia na imagem da TAM. Até esse episódio, a companhia era vítima. Depois dessa contradição, ficou parecida com os políticos", conclui Secches. Na verdade, a empresa falou rapidamente do problema durante a coletiva, mas em termos muito técnicos e sem nenhuma explicação.


O professor de marketing da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Adalberto Belluomini - também engenheiro aeronáutico formado pelo ITA - vai além e diz que o desempenho da companhia, e não só a imagem, pode estar seriamente comprometido, caso se confirme que a causa do acidente foi mesmo um problema com o sistema de reversão na turbina do Airbus A-320. "A TAM vai ter de se desbobrar em ações de marketing muito efetivas para reverter o impacto desse acidente", diz ele acrescentando que o mesmo se aplica à Airbus. "Como engenheiro aeronáutico acho inadmissível a Airbus colocar em seu manual que um problema desta dimensão pode esperar até dez dias por manutenção. Como professor de marketing, digo que as duas empresas desrespeitaram a regra máxima do marketing que afirma que a segurança do consumidor está sempre em primeiro lugar."


Já o diretor-geral da Interbrand, Alejandro Pinedo, acredita que o desgaste para a marca da TAM é passageiro e que no médio e longo prazos, o consumidor não deixará de utilizar os serviços da empresa devido ao acidente. "Uma marca é construída ao longo de vários anos e é composta por vários fatores", disse Pinedo.

O diretor da consultoria francesa Chetochine, Marcelo Angeletti, lembra o acidente com um avião da Linhas Aéreas Privadas Argentinas (LAPA) que matou 60 pessoas num acidente em Buenos Aires. "Ali ficou provado que havia negligência das autoridades que não fiscalizavam as companhias - o piloto daquele avião estava com o brevê vencido, para se ter uma idéia. E também ficou provado que a companhia aérea não dava a devida atenção à questão da segurança e manutenção das aeronaves. O resultado é que a empresa faliu."

Em 2006 a TAM investiu R$ 875 milhões em marketing, aumento de 12% sobre o investido no ano anterior - de R$ 854,6 milhões. A Gol investiu a metade desse montante em 2006 - R$ 415 milhões, ante R$ 336 milhões em 2005.

BRA teve incidente na Europa. E se tivesse sido no Brasil?

Um avião da companhia aérea BRA, com 225 pessoas a bordo, que viajava com destino a São Paulo, fez um pouso de emergência ontem no aeroporto de Portela, em Lisboa, devido a um problema na turbina. Segundo a assessoria de imprensa da BRA, o vôo 7557 da aeronave Boeing 767 saiu de Lisboa e fez uma escala em Madri. Após decolar para seguir o percurso até o Brasil, a turbina sugou um objeto e ficou danificada. A BRA não soube informar qual era esse objeto. Por conta da avaria, o avião voltou para Lisboa, e fez o pouso de emergência.

Apólice de seguro prevê até US$ 1,5 bi em indenizações

A TAM pagou US$ 20 milhões para fazer na Unibanco AIG o seguro de sua frota de aviões. A apólice, que vence em dezembro, prevê cobertura de até US$ 1,5 bilhão para os danos que cada aeronave possa causar a terceiros. Além disso, cobre mais US$ 40 milhões do casco do avião.


O risco está praticamente todo no exterior. As resseguradoras internacionais, lideradas pela americana AIG, ficaram com 95% do risco. Os 5% restantes foram colocados no Brasil e divididos entre a Unibanco AIG (4,8%) e a Bradesco Seguros (0,2%).


Segundo Gustavo Mello, sócio da Correcta Seguros, especializada no setor aeronáutico, o alto valor da cobertura é comum em companhias aéreas que voam para Estados Unidos e Europa. Os próprios governos destes países exigem estes valores. Já em países da América Latina, o mínimo exigido está na casa dos US$ 500 milhões.


A Unibanco AIG não comenta os detalhes da apólice. Na sexta-feira, executivos da seguradora se reuniram com as famílias das vítimas do acidente para discutir o pagamento das indenizações. A seguradora criou um 0800 para esclarecimentos.

Sobre as especulações do que causou a tragédia, se seria devido a um defeito na aeronave, ou na pista do aeroporto, a Unibanco AIG informa que esta discussão não interfere em nada no pagamento das indenizações.

A seguradora cita como exemplo o acidente do Metrô, em janeiro. A Unibanco AIG tinha a apólice da obra. As investigações ainda não apontaram um responsável pelo afundamento da obra, mas mesmo assim as indenizações foram pagas.

No mercado segurador, a expectativa é que os prêmios pagos pelas companhias aéreas brasileiras para fazer seguro subam em até 10% em decorrência do "apagão aéreo". O país teve dois grandes acidentes em menos de 10 meses.

PT tem bancada mais influente do Congresso

O PT apresenta o maior número de senadores e deputados influentes no Congresso Nacional, de acordo com um estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O levantamento "100 cabeças do Congresso Nacional" mostra também que os parlamentares eleitos em São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco têm maior preponderância no Congresso.

O PT, com a segunda maior bancada na Câmara e a quarta maior no Senado, lidera com 25 nomes a lista dos partidos de base de sustentação do governo. O PMDB, que tem a maior bancada tanto na Câmara quanto no Senado, aparece em segundo, com 17 parlamentares. Os dois partidos, somados com as demais legendas da base de sustentação do governo - PT, PMDB, PP, PTB, PR, PCdoB e PSB - reúnem 62% da elite do Congresso. O PSDB, uma das maiores siglas da oposição, está em terceiro, com 16 parlamentares, seguido pelo DEM, com 15 congressistas.

Já na divisão dos congressistas pelos Estados, São Paul está em primeiro lugar na lista, com 20 parlamentares. Na seqüência estão estão congressistas os 11 congressistas do Rio Grande do Sul e os 10 de Pernambuco.

O Distrito Federal ficou no sétimo lugar, com 4 parlamentares, empatado com Minas Gerais e Santa Catarina. No fim da lista aparecem quatro Estados da região Norte e um do Nordeste: Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Alagoas. Todos eles com apenas 1 representante.

A lista completa do Diap tem 73 deputados e 27 senadores "operadores-chave do processo legislativo" e será publicada em agosto, apesar de os números terem sido divulgados. O ranking por Estado pode ser acessado no no site www.diap.org.br


Ciro aposta em vantagem do PSDB para viabilizar candidatura por frente lulista

Aparentemente submerso, na prática Ciro Gomes (PSB-CE) repete a estratégia que tornou competitiva sua primeira candidatura a presidente, em 1998: o deputado reserva a cada semana alguns dias para atender compromissos partidários ou fazer palestras, nas mais diferentes regiões. De Rio Branco, no Acre, a Navegantes, em Santa Catarina, passando por Palmas, no Centro-Oeste. Nos últimos cinco meses e meio, foram 36, sendo que apenas 12 delas no Ceará.

Ciro Gomes diz que estaria mentindo se falasse que não será eventualmente candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na eleição de 2010. Mas defende que todos no campo que hoje apóia o presidente devem abrir mão de projetos pessoais, "legítimos e justos", para viabilizar a criação de uma frente liderada por Lula para uma disputa à qual, vista de hoje, julga o PSDB favorito.

Uma frente configurada a partir da atual coalizão de governo, mas com molde mais orgânico. "É preciso balizar uma hegemonia moral e intelectual clara, para relativizar as contradições", diz. Uma frente formada a partir da atual coalizão de o governo, na qual teriam lugar o PT e os partidos que atualmente integram o Bloco de Esquerda, mas na qual não caberiam legendas como o PP, PTB e PR (o antigo PL). Para Ciro, do jeito que está hoje moldada a coalizão não se sustenta.


Na opinião de Ciro, a viabilização da frente é prioritária. "A gente não deve planejar um movimento de dois turnos. Planejar, idealizar isso é um erro", diz o deputado, sem mencionar a tese corrente no PT segundo a qual o partido, como sempre fez, deve lançar um candidato no primeiro turno das eleições, e deixar eventuais composições para o segundo momento. "Podemos até ser obrigados pela realidade a não fazer assim, mas idealizar (os dois turnos), está errado", diz.

Ciro se queixa de que os jornalistas costumam simplificar seu raciocínio, como destacar a frase de que não veta nenhuma candidatura mas também não aceita ser vetado. Ele é o seguinte: "Ao contrário da visão dominante hoje dos analistas políticos" Ciro diz "que o outro lado tem potencialmente o favoritismo para a sucessão de 2010". Ele se refere aos dois potenciais candidatos do PSDB, os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves.

"Uma aliança Aécio-Serra - não sei se é fácil fazer, me cabe analisar potencialmente - o Serra sendo candidato à reeleição em São Paulo e lançando o Aécio, unifica o PSDB. O Aécio tem mais de 70% em Minas. Desgraçadamente o Serra dá metade em São Paulo para o Aécio, e o Rio de Janeiro tende imediatamente a vir, o mundo político do Rio, a encostar nisso aqui. O povão da Zona Sul. O Rio tem uma tradição progressista, talvez não acompanhe tão fortemente, mas esses são o primeiro, o segundo e o terceiro maior colégio eleitoral. Um homem de Minas entra no Nordeste, sem restrições".

Antigo adversário do governador de São Paulo, cuja capital visitou seis vezes neste semestre, Ciro Gomes lança pontes em direção a Aécio (esteve em Belo Horizonte por duas vezes) e trata de estimular a divisão entre os adversários. O contrário - Serra candidato do PSDB - não é verdadeiro, pois o deputado avalia que o governador paulista não tem entrada no Nordeste. Mas no cenário que vislumbra, raciocina que o favoritismo dos tucanos só pode ser compensado "numa circunstância e não duas: se o presidente, naquela data (a eleição), estiver pilotando um incontrastável êxito".

Para este sucesso incontrastável não bastarão o aumento do salário mínimo, o Bolsa Família, o ProUni. "Essas coisas estarão incorporadas à rotina das pessoas e não serão o plus necessário para que aquele incontrastável êxito, como tal, seja percebido pelo conjunto da população brasileira, ou pelo menos pela maioria".

Resta ao "lado" do governo fazer duas coisas: "Primeiro, tudo o que estiver ao nosso alcance dos nossos coletivos para que este êxito se construa", diz. Em segundo lugar, na política, "todos temos que dar um passo atrás nas nossas justas, legítimas postulações pessoais, de grupos, de partidos, para, tendo muito juízo, perceber a necessidade de construir a unidade dessas forças". O que quer dizer que, se "eu não posso ser candidato, também não posso aceitar imposições. Em outras letras: eu não tenho nenhuma razão para aceitar veto como também não me atribuo a faculdade de vetar ninguém. Esse é o raciocínio".

O que difere o Bloco de Esquerda (PSB, PCdoB e PDT), pelo qual Ciro Gomes é o candidato em potencial, do PT? "Eu diria que nada e tudo". Nada, segundo Ciro, "na dimensão em que o PT funda de forma relevante a possibilidade de um movimento progressista de esquerda no Brasil vir ao poder e exercitá-lo sem que isso fuja da normalidade do círculo democrático. Nisso nós somos beneficiários da obra extraordinária que o PT, com o presidente Lula, realizou".

O "tudo", pelo que Ciro diz ter sido "um sacrifício grave que o momento da história impôs ao PT", que conjunturalmente precisou " se acertar com outros grupos políticos bastante distintos daquilo que nós pensamos sob o ponto de vista ideológico, daquilo que nos é premissa de comportamento ético, moral. Isso é um sacrifício que se está cobrando do PT. Nós, nesse sentido, somos livres para não pactuar tão profundamente dessa contradição".

Ciro nega uma versão corrente em Brasília: de que o presidente tenha lhe pedido para não aprofundar o contraditório com PT, como fez o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) na eleição para a presidência da Câmara, pois poderá precisar mais tarde do partido. Mas diz, por exemplo, que não tem queixas, como percebe existir "entre meus companheiros de bloco", com o que se chama de exclusivismo ou a hegemonia que o PT procura manter na esquerda.

"Eu já tenho maturidade suficiente para saber que o destino de todo grupo partidário é buscar a hegemonia", diz. "E o PT não tomou essa hegemonia de ninguém. Vamos ser justos e humildes. Ele foi buscá-la na rua, junto ao que há de melhor na organização do povo brasileiro. Ele não usurpou nada de ninguém"

São palavras que em quase nada lembram o candidato a presidente em 2002, que a certa altura chegou a ser considerado favorito na eleição, mas depois despencou nas pesquisas, segundo se avalia, por reações destemperadas na campanha. "(A Câmara) está sendo uma escola muito rica para mim, e hoje eu percebo o quanto isso me fez falta no passado", diz, referindo-se à convivência com os contrários. "Eu saltei direto de um itinerário de executivo para a política nacional, e boa parte dos erros que cometi derivaram de uma certa imaturidade, de idade mesmo. Uma certa inexperiência."


Bois, bezerras e senadores milionários

Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega os senadores que encheram a maleta.” Líder do PSol, o deputado Chico Alencar (RJ) começa a percorrer o país com esta cantilena, impressa num folheto que escreveu e que anda distribuindo a quem vê pela frente, como parte de uma campanha contra a corrupção. A “obra” chama-se Fazenda Brasil e tem por subtítulo “Uma fábula sobre os que juntam fabulosa riqueza pecuniária com pecuária”. Mas, por se tratar de referência explícita aos dois últimos grandes escândalos do Senado, bem poderia ser “Uma gozação sobre as desculpas esfarrapadas dos políticos fazendeiros e suas vacas milagrosas”.

O texto de Chico Alencar é ácido e provocativo. Começa assim: “É vida de gado… Enquanto você estava pensando na morte da bezerra, donos de enormes currais eleitorais aumentavam seu pecúlio com aberrantes negócios pecuários”. E seguem-se quatro parágrafos de deslavada paródia política. Para escrevê-la, o deputado colheu palavras e expressões populares brasileiras. Costurou-as como se faz com os retalhos de tecido que, unidos à linha e agulha, formam tapetes e colchas no interior.

“Não fique chorando o leite derramado”, aconselha. “Vamos dar nome aos bois: não é vaca Estrela e boi Fubá, é Roriz, o boi piranha, é Renan, Quintanilha, Gim, Jucá…” E segue: “Algumas Excelências estão mais enroladas que novilha atolada até o chifre, mas quem não se sente como rês desgarrada nessa multidão-boiada caminhando a esmo”, provoca, servindo-se, no último verso, da frase antológica de Lamento Sertanejo, música de Dominguinhos e Gilberto Gil.

O folheto escrito por Alencar é apenas uma das peças da campanha do PSol pela ética na política, bandeira defendida no passado pelo PT. Junto a ele, o partido colhe assinaturas pelo país inteiro para um manifesto contra a corrupção e já preparou novas representações para apresentar ao Conselho de Ética na Câmara.

Os processos miram nos deputados Olavo Calheiros (PMDB-AL) — irmão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) —, João Magalhães (PMDB-MG) e Maurício Quintella Lessa (PR-AL). Todos envolvidos com denúncias de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público pela Operação Navalha, da Polícia Federal. O PSol pedirá a cassação do mandato dos três no dia 1º de agosto.

Ministério Público de São Paulo vai investigar Bragato

O Ministério Público Estadual abriu inquérito ontem sobre suposto envolvimento do deputado Mauro Bragato - líder do PSDB na Assembléia Legislativa -, com a máfia das obras da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) na região de Presidente Prudente. A apuração ficará a cargo do promotor Antonio Celso Faria, que atua na Promotoria de Justiça da Cidadania - braço do Ministério Público que esmiúça casos de improbidade e corrupção na administração.


O promotor vai rastrear as denúncias sobre pagamentos de propinas que teriam sido realizados pela FT Construções - apontada como empreiteira-mãe do esquema das obras -, em favor de Bragato, entre 2003 e 2005. Nesse período, ocupou o cargo de secretário da Habitação no governo Geraldo Alckmin (PSDB).


Esse argumento chegou a ser usado por aliados de Bragato na Assembléia para obstruir investigação sobre a conduta a ele atribuída.Os defensores alegaram que a Casa não poderia investigá-lo porque ele não ocupava cadeira de deputado na ocasião dos fatos sob suspeita. Entretanto, os supostos pagamentos teriam continuado nos primeiros meses de 2005, quando ele já era deputado.

Renan ironiza oposição e alfineta Agripino

O presidente do senado, Renan Calheiros, deixou há pouco a Casa negando que tenha adiado a reunião da Mesa Diretora para protelar as investigações em curso contra ele. Repetindo o tom de confronto adotado nos últimos dias, Renan fez uma provocação ao líder dos Democratas, José Agripino (RN), sem citá-lo nominalmente. "Alguns setores precisam entender que não se convoca reunião da mesa com 28 votos", afirmou. Agripino disputou em fevereiro a presidência da Casa com Renan e recebeu na ocasião 28 votos. Renan prosseguiu: "Só se convoca eleição da Mesa quem ganha a eleição".


Minutos antes, Agripino dissera no plenário que Renan passa para o País a impressão de que está armando alguma "chicana jurídica" ao adiar a reunião da Mesa Diretora do Senado para terça-feira, véspera do início do recesso do Congresso. Na avaliação de Agripino, Calheiros estaria tentando atrasar o processo de levantamento de provas e evidências e a realização de perícias, "para que alguma instância jurídica possa impedir aquilo que foi pactuado no plenário, que era de encaminhar a perícia e fazer a reunião da Mesa ainda hoje".


Agripino perguntou: "Será que ele (Calheiros) não compreende que, com essa atitude, na qual não vejo nenhuma conseqüência prática, ele está desautorizando os integrantes da Mesa, que estão aqui dispostos a se reunirem? Será que ele não entende que a sua atitude passa para o País a idéia de que ele está tentando tutelar as investigações?"


O presidente do Senado disse ainda que a reunião da mesa diretora foi marcada para terça-feira porque os três documentos enviados pelo Conselho de Ética ao órgão chegaram às 16h32. "Ninguém tem interesse em acabar com isso (com o processo de investigação) mais rápido do que eu. O terceiro documento só chegou às 16h32. Então marquei a reunião da Mesa para o próximo dia que tem sessão, que é terça-feira", justificou Renan.


Ontem a oposição e o governo haviam fechado acordo para que a votação da LDO transcorresse normalmente mas desde que a Mesa do Senado se reunisse hoje para acatar ou não o pedido do Conselho de Ética para que a Polícia Federal aprofunde a perícia nos documentos de defesa apresentados por Renan. O presidente do Senado deixou o Congresso e foi para Casa no momento em que ocorre um debate no plenário do Senado em torno de sua atitude nas investigações no Conselho de Ética.

Assembléia de MG aprova restrição da atuação do MP

A Assembléia Legislativa de Minas Gerais (AL-MG) aprovou hoje, em segundo turno, um projeto de lei complementar (PLC) com modificações que restringem a atuação de promotores, cerceia o trabalho do Ministério Público Estadual (MPE) e impõem punições aos seus integrantes. O texto aprovado, com 53 votos favoráveis e sete contrários, restabelece uma espécie de "blindagem" de quase duas mil autoridades, ampliando para deputados, secretários, magistrados e conselheiros do Tribunal de Contas, vice-governador e advogado geral do Estado, a prerrogativa de competência exclusiva do procurador-geral de Justiça para instaurar procedimento investigatório e promover inquérito civil.


Pela atual legislação, somente o governador e os presidentes do Tribunal de Justiça (TJ) e da Assembléia se valem desta prerrogativa. Uma emenda anterior, incluída num projeto do Executivo, foi vetada pelo governador Aécio Neves (PSDB). Em meio a uma verdadeira guerra entre parlamentares - envolvendo toda a base governista - e o MPE, Aécio terá novamente de decidir pelo veto ou sanção das modificações. O governador tirou férias de 10 dias e só deve reassumir o Palácio da Liberdade no dia 23.


Ao chegar ao plenário, o PLC 17, de autoria do próprio procurador geral, Jarbas Soares Júnior - que trata de gratificação a integrantes do MPE -, foi enxertado com cerca de 70 emendas, numa clara ofensiva dos deputados contra o órgão. Na tramitação, as emendas foram aglutinadas em um substitutivo. Foram aprovadas propostas como a que proíbe a fiscalização de finanças e contabilidade de empresas privadas que não recebam recursos públicos. Prevê, por exemplo, que o promotor perca o cargo em caso de revelação de assunto de "caráter sigiloso" e outros motivos. Segundo a Assembléia, o texto determina que o MPE pague as custas processuais nas causas em que for derrotado e, em caso de "dolo (má-fé) ou culpa (negligência ou imperícia)", o promotor responderá pessoalmente pelas despesas.


Determina também, além de outras alterações orgânicas, que os inquéritos civis e investigações só terão início após a publicação, no órgão oficial do Estado, de uma portaria, contendo o número, data de abertura e nome do promotor responsável.


Cabeça erguida


O procurador-geral reagiu à ação, classificada como "sem precedentes na história" do MPE. Jarbas Soares disse que os parlamentares agiram com motivos próprios. "A instituição não vai se envergar a essa situação e, dentro do regime democrático, defender as nossas prerrogativas e direitos. O Ministério Público está de cabeça erguida", disse. O procurador-geral afirmou ainda que os promotores continuarão trabalhando e que foi instituído um grupo de estudos para "rapidamente" definir as ações que serão tomadas.


O presidente da Assembléia, Alberto Pinto Coelho (PP), por sua vez, afirmou que o Legislativo cumpriu seu "dever constitucional" e defendeu o projeto, principalmente a ampliação da prerrogativa. "Estamos buscando, com esta hierarquia, é dar tratamento de membros de poder e não somente ao presidente. Porque o presidente do poder nada mais é do que um membro de poder".

Pai de Deborah Secco é preso no Rio

O pai da atriz Deborah Secco, o empresário Ricardo Tindó Secco, foi preso nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, acusado de participar de um esquema criminoso de fraudes em licitações da Petrobras, envolvendo contratos de pelo menos R$ 200 milhões.

O empresário tem ligação com o desvio de recursos repassados pelo governo do Estado do Rio, sem licitação, por convênios para ONGs.

Ricardo Secco foi um dos 13 suspeitos presos pela Polícia Federal na Operação Águas Profundas. Ele teria envolvimento nos negócios do empresário Ruy Castanheira, apontado como um dos líderes das fraudes nas licitações. Na operação, ele prestava contas do dinheiro repassado às ONGs e procurava Castanheira, que providenciaria os documentos fraudados.

A Operação Águas Profundas mostrou ainda suspeitas em torno de ONGs ligadas a dois ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, do PMDB. Além disso, um assessor do deputado federal Carlos Santana (PT-RJ) também está entre os suspeitos de ligação com o chefe do esquema.

CDHU: documentos podem reforçar suspeitas

A Polícia Civil e o Ministério Público apreenderam no município de Dracena, na Alta Paulista, documentos que podem reforçar suspeitas de superfaturamento em mais um contrato da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) - construção de 280 apartamentos populares no município de Regente Feijó (SP) ao preço de R$ 4,13 milhões. Delegados e promotores cumpriram quatro mandados de buscas em duas empresas, um escritório de contabilidade e na residência do prefeito de Dracena, Elzio Stelato Júnior (PSDB).


Auditor fiscal da Receita, licenciado desde de 2001, o prefeito não é alvo da apuração. Segundo o Ministério Público, Stelato não é investigado, mas sua casa foi revistada porque um filho dele, Wagner, que mora com o prefeito, foi sócio de uma empresa, a Vesato Construções, supostamente envolvida em irregularidades no contrato de Regente Feijó.

Advogada de Sílvia Pfeiffer bate boca na CPI do Senado


A advogada Andréia Damasceno, que defende a empresária paranaense Sílvia Pfeiffer, roubou a cena hoje na CPI do Apagão Aéreo do Senado, ao protestar sobre qualquer pergunta referente à "vida pessoal" de sua cliente pelos senadores da Comissão. Andréia reagiu a perguntas feitas pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO) sobre indiciamentos da empresária no Paraná por estelionato e calúnia e difamação. A advogada de Silvia disse que não deveriam ser feitas perguntas que fugissem do objeto da CPI.


O clima chegou a esquentar quando ele deu exemplos. "Se fossem investigar todo mundo que passa cheque sem fundo...". "Eu não passo", respondeu Demóstenes. "Mas ela não tinha mensalão", retrucou a advogada. "Nem nós", replicou o senador. Depois, mais calma, ela disse seu embate "não era pessoal" com nenhum senador. Silvia Pfeiffer completa hoje seu depoimento à CPI sobre um suposto esquema de corrupção na Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), interrompido no último dia 21 de junho, quando ela passou mal.

Rivais de Argello ameaçam entregar dossiê a Tuma

A ponto de ocupar uma vaga no Senado, o corretor de imóveis Gim Argello (PTB-DF), suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), nunca esqueceu as origens profissionais nos oito anos de vida pública. Como deputado distrital por dois mandatos, apresentou 278 projetos de lei para alterar as regras do Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal e acabou envolvido em uma série de escândalos de venda e compra de lotes em áreas públicas. Argello conseguiu aprovar 25 dessas propostas - que acabaram beneficiando amigos e aliados, segundo seus rivais.


Adversários de Argello afirma que têm um dossiê de 37 páginas com acusações e vão entregá-lo ao corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), caso ele decida mesmo tomar posse no lugar de Roriz, que renunciou na semana passada. Argello está na mira do Ministério Público desde 1999, quando teria começado um esquema envolvendo parlamentares, funcionários do Executivo, empreiteiros e donos de postos de gasolina para aprovar o uso de áreas públicas da capital pela iniciativa privada. O esquema teria durado até o fim de 2002.


A máfia conseguiu, segundo denúncias de procuradores, transformar áreas destinadas a parques em postos de gasolina, lojas comerciais e igrejas evangélicas. O suplente também foi citado no relatório de uma CPI instalada há cinco anos na Câmara Distrital para investigar denúncia de pagamento de propinas a deputados e assessores de Roriz em troca de regularização de condomínios.


Advogado de Argello, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Maurício Corrêa diz que os processos na Justiça não impedem que seu cliente assuma a vaga no Senado. Para Corrêa, não há provas contra Argello. O ex-ministro explicou que o suplente só não assumiu ainda a vaga no Senado por problemas de saúde

Brasil cobra vaga no Conselho de Segurança da ONU

O Itamaraty espera que a Organização das Nações Unidas (ONU) retome ainda este ano a negociação para a reforma do seu Conselho de Segurança que permita o acesso do Brasil a uma vaga de membro permanente. A nova representante do Brasil na ONU, embaixadora Maria Luiza Viotti, vai assumir o posto dia 16 e três dias depois já enfrentará um debate sobre o polêmico tema na Assembléia-Geral. “A fase dos debates já se esgotou. Para nós, é importante criar um espaço de negociação”, afirmou ontem a embaixadora.


As discussões estarão concentradas no relatório preparado por um grupo de facilitadores. O texto recomenda a adoção de um “caminho intermediário” entre a maioria dos países da ONU, que quer ampliar o número de vagas permanentes do conselho, e dos que preferem aumentar as que não são permanentes.


Segundo Maria Luiza, isso já foi proposto pelo G-4, o grupo de apoio recíproco ao ingresso no conselho, formado por Brasil, Alemanha, Índia e Japão. Em 2005, o G-4 defendeu a criação de seis vagas permanentes, para seus quatro integrantes e dois países africanos.


A idéia nem foi debatida, porque a União Africana retirou seu apoio. Desta vez, a embaixadora acredita que o cenário é mais favorável. “Até os Estados Unidos deixaram a resistência anterior e incluíram o tema nas discussões com o Brasil em nível presidencial

Serra compra votos para 2010

De olho na eleição presidencial, José Serra saiu na frente dos seus adversários.O governador de São Paulo, sancionará hoje pela manhã, no Palácio dos Bandeirantes, a lei que institui o Piso Salarial Regional no Estado de São Paulo. A proposta, aprovada pela Assembléia Legislativa no dia 28 de junho, estabelece no Estado três faixas para o piso salarial: R$ 410, R$ 450 e R$ 490.


Superior ao mínimo nacional de R$ 380, o piso regional de São Paulo contemplará 62 ocupações exercidas por trabalhadores do setor privado que não são atendidos por acordos trabalhistas. Sancionada, a lei passa a valer a partir de 1o de agosto. Cerca de 1 milhão de profissionais serão beneficiados pelo novo piso salarial. Isso nada mais é que comprar votos daqueles trabalhadores que futuramente poderão dar seus votos no Zé Serra.

Conselho de Ética rejeita processo contra Bragato em SP

O Conselho de Ética da Assembléia Legislativa de São Paulo rejeitou ontem as duas denúncias, feitas por PT e PSOL, contra o deputado Mauro Bragato (PSDB), suspeito de receber propina de empreiteira envolvida com a máfia da CDHU. Após manobra da base governista, o colegiado decidiu devolver o processo à Mesa Diretora, que deverá requisitar documentos à Procuradoria-Geral de Justiça.


A estratégia visa retardar a abertura de apuração sobre eventual quebra de decoro parlamentar. O Conselho de Ética é formado por 9 deputados, mas somente 1 - o presidente, Hamilton Pereira (PT) - é da oposição. Com maioria, os governistas conseguiram mudar a pauta da reunião de ontem.


Bragato é suspeito de ter recebido, entre 2003 e 2005, pelo menos R$ 104 mil da FT Construções, empresa-mãe de uma organização criminosa denunciada por fraude em licitações e superfaturamento de obras de casas populares na região de Presidente Prudente, reduto eleitoral do deputado. Por ter foro privilegiado, o caso foi remetido à Procuradoria-Geral de Justiça.


Na sexta-feira, ficara decidido que ontem seria nomeada subcomissão para apurar preliminarmente o caso. Esse grupo ficaria responsável por solicitar todos os documentos com indícios contra o tucano à Procuradoria. Agora, isso ficará a cargo da Mesa Diretora.

Alemães visitarão canavial orgânico no Brasil

A usina São Francisco, em Sertãozinho (SP), a maior produtora de açúcar orgânico do país, que pertence ao grupo Balbo, vai receber na sexta-feira uma comissão formada por membros do governo alemão para conhecer a unidade. O grupo Balbo, que tem duas usinas em operação e é detentor da marca Native, também é o maior produtor de cana-de-açúcar orgânica do mundo.

A missão alemã chegou ao Brasil no domingo passado e deverá ficar até o próximo dia 14. Na agenda, estão incluídas visitas à Embrapa, Bayer CropScience, à Cooplana (cooperativa de cana). Os alemães, que são importadores de açúcar orgânico do Brasil , também querem discutir oportunidades de cooperação entre os dois países para a produção de biocombustíveis.

Televisor entra na lista de compras

Artigos de vestuário ainda lideram (15,75%), mas aparelhos de televisão (14,54%), geladeiras (12,03%), móveis (11,53%) e computadores (9,77%) ganharam destaque na lista de preferência dos consumidores de Fortaleza dispostos a gastar em julho. Destacam-se os televisores, em função dos jogos Pan-Americanos, que começam dia 13, no Rio de Janeiro, avalia Alex Araújo, superintendente da Federação do Comércio do Estado do Ceará.
Nas classes D e E , onde 48,84% dos consumidores sinalizam a intenção de gastar, conforme apurou o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio (IPDC), aumenta a preferência por aparelhos de televisão (26,98%), geladeiras (17,46%) e móveis (14,29%).
Pesquisa sobre as intenções de consumo para o mês revela que 45,19% dos entrevistados têm interesse na aquisição de pelo menos um dos 17 produtos da lista elaborada pelo IPDC, quando em julho de 2006 a participação era de 39,08% e no mês anterior, de 40,3%. Mais da metade dos entrevistados (54,81%) respondeu que não pretendia comprar em julho.
Na avaliação de técnicos do instituto, o aumento no índice de intenções de compra do consumidor estaria relacionado à estabilidade econômica e maiores facilidades de pagamento. Em julho, os mais propensos a consumir os produtos da lista foram homens com idade igual ou superior a 35 anos e renda familiar mensal acima de 5 salário mínimos.
Com 50,38% das indicações, o cartão de crédito lidera a preferência como forma de pagamento dos consumidores dispostos a adquirir bens duráveis e semiduráveis. A seguir, vem o pagamento com cheque, dinheiro e cartão de débito, com 33,33%; carnês e boletos bancários, com 20,8%; e cheques pré-datados, com 2,01%.
O percentual de mulheres que pretendem utilizar cartão de crédito atingiu 57,35%, diante de 42,55% dos homens. Nas classes D e E, 36,51% indicam pagamento à vista e 31,75% preferem cartão de crédito e outras modalidades.
A Sondagem Conjuntural, segunda pesquisa que compõe o Índice de Expectativa do Consumidor, revela aumento no percentual de consumidores que consideram o período ideal para a compra de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. No mês anterior foram 68,65% e neste, 71,3%.
O Índice de Expectativa atual, por sua vez, atingiu 63,3 pontos, numa evolução de 3% com sobre o mês anterior e de 7,18% em relação a julho do ano passado. No acumulado de janeiro a julho, as expectativas de consumo superaram em 4,09% a média obtida durante mesmo período de 2006. O levantamento do IPDC foi realizado na última semana de junho e envolveu uma amostra de 900 pessoas.

Indústria cresce

Os dados do IBGE mostram claramente que a produção industrial está crescendo de forma irreversível. O melhor indicador é a expansão da indústria de máquinas e equipamentos. No primeiro semestre, cresceu 18% em relação a igual período do ano passado. As empresas estão investindo maciçamente, aproveitando a taxa de câmbio baixa. A importação de máquinas e equipamentos também está crescendo aceleradamente. No primeiro semestre, aumentou 15%.

Alemanha incentiva Brasil a retomar negociações de Doha

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, propôs ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por telefone, um encontro entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e negociadores europeus para retomar as discussões da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

De acordo com o porta-voz Marcelo Baumbach, Lula aceitou a proposta, mas acredita que o impasse deveria ser resolvido entre chefes de Estado - como declarara recentemente, após a última reunião do G-4, em que negociadores do Brasil, Índia, Estados Unidos e União Européia mais uma vez não chegaram a um acordo.

A reunião deve ocorrer na próxima semana em local ainda não definido, mas a previsão é que seja na Europa. Questionado sobre a participação americana, o porta-voz afirmou que não está prevista. Ele também não mencionou a participação dos indianos.

Na conversa com Merkel, o presidente voltou a afirmar que o Brasil está disposto a negociar, se a União Européia também estiver interessada em rever as taxas para importação de produtos agrícolas.

O presidente Lula reiterou seu ponto de vista de que a boa vontade das várias partes na negociação não se tem traduzido em resultados concretos, porque os números das propostas não têm correspondido à realidade - afirmou o porta-voz.

Ele acrescentou que Lula citou os subsídios do governo norte-americano aos seus agricultores, os cortes "insatisfatórios" da União Européia para as taxas de importação de produtos agrícolas das nações pobres e a expectativa "elevada" quanto ao coeficiente do corte de tarifas industriais dos países em desenvolvimento.

Conforme Baumbach, Lula afirmou que "o Brasil continua inteiramente disposto a seguir nas negociações e demonstrará flexibilidade se as demais partes também estiverem dispostas a flexibilizar suas posições".

O presidente sublinhou que, segundo seu entender, já manifestado em diversas oportunidades, a solução para o impasse requer reunião política em nível de chefes de Estado - revelou Baumbach .

Segundo o porta-voz, Merkel disse não ser contra a negociação em alto nível, porém defendeu que "todas as oportunidades de entendimento devem ser aproveitadas" e que "o prosseguimento das conversações em outros níveis melhoraria as chances de obtenção de bons resultados".

Ontem, em seu programa semanal Café com o Presidente mais uma vez Lula defendeu os biocombustíveis, dizendo que o Brasil deve estar preparado para enfrentar "calúnias" de nações contrárias ao desenvolvimento dessa matriz energética no país.

Nós não vamos aceitar outra vez o cartel dos poderosos do mundo tentando impedir que o Brasil se desenvolva e se transforme numa grande nação- declarou o presidente.

Garotinho e Rosinha inelegíveis

Cinco dos seis juízes do colegiado do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro decidiram, numa longa sessão na noite de ontem, pela inelegibilidade dos ex-governadores Anthony Garotinho e sua mulher, Rosinha. Os magistrados também determinaram a cassação do mandato do deputado federal Geraldo Pudim (PMDB-RJ), que responde ao processo por crime eleitoral.

Pudim foi o candidato à Câmara mais votado do Estado nas eleições de 2006, com cerca de 274 mil eleitores.

O ex-presidente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) Henrique Ribeiro também se torna inelegível, de acordo com o voto dos juízes. A decisão prevê multa de 100 mil Ufirs aos quatro acusados.

O presidente do TRE, desembargador Roberto Wider, vai anunciar quinta-feira o resultado do processo, já que o juiz Rudi Loewenkron pediu vistas, sem anunciar seu voto - o que, no entanto, não mudará o resultado do julgamento.

O relator do processo, juiz Márcio Costa, argumentou que, durante reunião, dia 12 de setembro de 2006 - em plena campanha - na fazenda do médico José Carlos Araújo, em Sapucaia, Garotinho prometeu asfaltar ruas em troca de votos para Pudim.

Os magistrados Jacqueline Montenegro, Rodrigo Oliveira, Luiz Serra e Maria Cisne Cid votaram a favor da punição, acompanhando a posição do relator.

O advogado do casal Garotinho, Sérgio Mazzillo, alegou que o julgamento não terminou, por causa do pedido de vistas.

No final da noite, Garotinho distribuiu a seguinte nota:

""Eu e a governadora Rosinha temos a clareza de que as obras realizadas para o povo de Sapucaia não tiveram interesse eleitoral. Beneficiaram a população. Este é mais um ato de injustiça. temos fé que vamos recorrer e vencer, para que possa prevalecer a justiça"".

Cristo é alvo de protestos do Ibama

Dois dias depois de ter sido eleito um das novas sete maravilhas do mundo e às vésperas do Pan, o Cristo foi alvo de um protesto. Parados há quase dois meses, os funcionários do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) escalaram o monumento antes de ser aberto à visitação e colocaram, na altura do peito da estátua, uma faixa com o nome do órgão federal, em protesto a uma medida provisória que entregaria a administração de reservas naturais a uma nova autarquia, a Fundação Chico Mendes. O protesto, que contou com a simpatia da superintendência do Ibama, provocou a fúria da Arquidiocese do Rio e das secretarias municipal e estadual de Turismo.

Por causa das aventuras ao redor da nova maravilha mundial, que contaram até com um helicóptero, a abertura do Cristo ao público atrasou cerca de uma hora e meia. O superintendente do Ibama, Rogério Rocco, anunciou que vai abrir uma sindicância para apurar se houve alguma "violação administrativa" durante a manifestação.

A greve é um movimento legítimo - defendeu. - Quem subiu o Cristo não provocou danos ao patrimônio, só manifestou um posicionamento democrático.

Integrante do comando de greve do órgão, Roberto Huet tem discurso semelhante:

É uma postura patriótica. Denunciamos a falta de verbas e como pioraria a fiscalização se a divisão do Ibama for aprovada. As manifestações contrárias são naturais, até porque, agora, todo mundo quer assumir a parte boa do Corcovado - alfinetou.

O destino da greve será decidido quinta-feira no Senado, quando a medida provisória deve ser votada. Se a matéria for rejeitada ou sair da pauta - voltando apenas depois do recesso do Legislativo - os servidores devem voltar ao trabalho.

Em nota, o secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, afirmou que "afixar uma faixa de caráter político no peito do nosso Cristo Redentor é um desrespeito com a cidade, com os cariocas e com a Arquidiocese do Rio, legítima proprietária do monumento, que inspirou e financiou a sua construção".

A instituição católica também se manifestou. Em texto assinado pelo monsenhor Abílio Ferreira da Nova, vigário episcopal para administração dos bens, repudiou o "ato de vandalismo orquestrado pelos grevistas do Ibama", que revelaria "desrespeito ao local sagrado que é o Cristo Redentor do Corcovado".

Outro que não poupou os organizadores da manifestação foi o secretário estadual de Turismo, Eduardo Paes:

Foi um ato patético, planejado por aproveitadores deste bom momento vivido pelo Rio - disparou. - Reclamar é justo; criar transtornos, jamais.

Protestos à parte, o superintendente Rocco garante que os quase 60 dias de paralisação não prejudicaram os serviços do Ibama. Além de continuar prestando serviços emergenciais, o órgão ganhou uma nova função desde que seus funcionários cruzaram os braços. Em maio, passou a ser responsável pela bilheteria do Cristo Redentor, depois que a Polícia Federal prendeu funcionários da empresa terceirizada responsável pelo serviço.

Mal assumiu a tarefa, o Ibama já se prepara para deixá-la. Rocco espera anunciar ainda este mês o resultado da licitação que escolherá a nova operadora da bilheteria, que terá de repassar ao órgão federal R$ 5 por cada visitante que vá ao Cristo Redentor.

O anúncio da licitação ressuscitou a briga entre Ibama e prefeitura pela posse do monumento. No fim do mês passado, Cesar Maia, em seu ex-blog, disse que "excomunhão é pouco" para quem cobra entrada em um santuário como o Cristo Redentor. Rocco classificou o comentário como "provocativo e rancoroso". O poder municipal não recuou - desde a vitória do Cristo na eleição das sete novas maravilhas, passou a reivindicar a volta do monumento aos seus domínios.

O Cristo foi entregue à União pelo governo militar - lembrou o secretário Rubem Medina. - Hoje não há mais sentido em não devolvê-lo ao município.

Para facilitar o acesso ao monumento, Medina promete inaugurar nos próximos dias, junto à secretaria de Transportes, uma linha regular de microônibus do Largo do Machado ao ponto turístico.


Bicheiros vieram assistir a audiências

Os contraventores Rogério de Andrade e Fernando de Miranda Iggnácio, ícones em campos opostos da máfia dos caça-níqueis no Rio de Janeiro, tiveram a oportunidade, ontem, no fim da manhã, de ver de um ângulo especial os braços abertos do Cristo Redentor dois dias depois da coroação do monumento como uma das sete novas maravilhas do mundo. Estavam em um avião, chegando no Aeroporto Santos Dumont, gastando R$ 15 mil dos cofres públicos para assistirem a uma audiência no prédio da Justiça Federal, no Centro do Rio.

Eles vieram direto da penitenciária federal de Campo Grande, no Mato Grosso de Sul, onde estão presos em regime de isolamento desde 24 de maio, quando deixaram as celas do presídio de Bangu 1, na Zona Oeste do Rio. Uma decisão do juiz Flávio de Oliveira Lucas, da 4ª Vara Federal Criminal do Rio, tomada na semana passada, garantiu o direito dos bicheiros estarem presentes em todas as audiências do processo que eles respondem junto com mais de 30 réus.

Isto significa que a dupla já tem data para mais uma volta pelo Rio de Janeiro, escoltados por mais de 10 agentes da Polícia Federal (PF). É daqui a exatamente 13 dias, no próximo dia 23, quando serão ouvidas três testemunhas de defesa do jornalista José Messias Xavier, que também é acusado de envolvimento com a máfia dos caça-níqueis. Basta que a defesa de Rogério e Fernando queiram que os dois venham ao Rio. Só de deslocamento aéreo serão mais R$ 15 mil de ida e volta.

Ontem, a defesa de Fernando Iggnácio pediu ao juiz Flávio de Oliveira a permanência do réu em um presídio no Rio de Janeiro. O pedido, no entanto, foi negado. Segundo o juiz, continuam valendo as condições que o fizeram decidir, com base em uma posição da Ordem dos Advogados do Brasil, pela transferência dos dois contraventores para o presídio federal em Campo Grande. Segundo a OAB, as condições de Bangu 1 eram "terríveis".

Antes de os chefões da máfia dos caça-níqueis começarem a desfrutar das viagens bancadas pelos cofres públicos para tribunais do Rio, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, amparado por uma decisão do STF, já esteve duas vezes no Rio desde o início do ano. As viagens do traficante, preso no Paraná, já custaram mais de R$ 70 mil ao erário.


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