A Justiça e o sistema de cotas


Embora tenham caráter liminar, as recentes decisões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) e do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, que suspenderam o regime de cotas para negros, índios e estudantes de escolas públicas em universidades estaduais e federais, são mais um exemplo das tensões e confusões jurídicas que essa demagógica política de "ação afirmativa" e de "justiça compensatória" vem causando em todo o País.

No Rio de Janeiro, o recurso judicial foi impetrado por um deputado estadual Jair Bolsonaro PP --defensor da ditadura--, que questionou a constitucionalidade de uma lei, aprovada no ano passado pela Assembleia Legislativa, que estabelece cotas para deficientes físicos e para filhos de bombeiros, policiais civis e militares e inspetores de segurança e administração carcerária mortos em serviço ou incapacitados em razão de serviço. Em 2002, a Assembleia fluminense já havia aprovado uma lei impondo as chamadas "cotas raciais e sociais" nas três universidades públicas estaduais.

Ao fundamentar a concessão da liminar, o desembargador Walmir de Oliveira e Silva criticou a legislação fluminense sobre cotas, alegando que, além de ferir o princípio da igualdade consagrado pela Constituição de 88, ela não prevê critérios objetivos para avaliar o conhecimento dos candidatos cotistas. Não se trata de um fato isolado no Estado. Só a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), que reserva 45% de suas vagas a alunos cotistas, responde anualmente a cerca de 400 processos judiciais, em média. Eles são impetrados por estudantes não cotistas que não conseguiram se matricular, apesar de terem obtido pontuação maior que a de cotistas aprovados nos vestibulares da instituição. Em 2006, um vestibulando de medicina obteve 91 pontos e não conseguiu ser aprovado - e um cotista ingressou no curso de relações públicas com apenas 50 pontos.

No TRF da 2ª Região, o recurso foi ajuizado por 15 estudantes que também obtiveram média para passar no vestibular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em 2007, mas não puderam se matricular, preteridos por cotistas. A instituição reserva 40% de suas vagas a alunos oriundos de escolas públicas e que tenham renda familiar mensal de até sete salários mínimos. Em seu voto, a relatora do processo, desembargadora Lúcia Lima, afirmou que as cotas comprometem o princípio do mérito no acesso ao ensino superior público. Para ela, o mais adequado para se promover justiça social seria conceder bolsas de estudo para estudantes carentes ou pobres, em vez de prejudicar "estudantes que, por circunstâncias de vida, tiveram oportunidade de estudar em uma instituição de ensino particular".

Na comunidade acadêmica e nos meios políticos, a reação às duas liminares foi a esperada. A Procuradoria-Geral do Estado do Rio prometeu entrar com embargo de declaração, assim que a decisão dos desembargadores for publicada. A Assembleia Legislativa também prometeu recorrer, alegando que a lei por ela aprovada é constitucional. O ministro da Igualdade Social, Edson Santos, afirmou que o Órgão Especial do TJ-RJ teria agido com inusitada rapidez no caso. "Estranhei a celeridade na votação. Uma questão como essa, com impacto social tão grande, não pode ser decidida por liminar", disse ele. Por sua vez, as três universidades estaduais fluminenses alegam que a decisão do TJ-RJ exigirá alterações no vestibular programado para novembro.

Como também já era esperado, a Ufes e as três universidades estaduais fluminenses agora têm de enfrentar tensões causadas pelo acirramento da discriminação racial. Os alunos cotistas são malvistos pelos não cotistas, enquanto os estudantes beneficiados por liminares são criticados pelos cotistas. Esse é o tipo de problema que, tendo começado pela equivocada tentativa de democratizar o acesso ao ensino superior com base em critérios como etnia, cor da pele e origem socioeconômica - quando o mais sensato era combater o péssimo nível do ensino fundamental e do ensino médio -, pode levar ao segregacionismo e à eclosão do ódio racial num país que, apesar de suas iniquidades, sempre se caracterizou pela miscigenação e pelo convívio harmonioso de pessoas de todas as nacionalidades, cores e religiões.

Gabrielli afirma que "CPI não tem foco"


Presidente da Petrobras diz que investigação é política e que oposição reclama de caixa-preta, mas usa dados de site da empresa

Gabrielli também acusa o TCU de ser "formado por pessoas politicamente comprometidas'; o órgão aponta problemas na estatal


A oposição reclama que a Petrobras é uma caixa-preta, mas a maior parte dos dados que usa para questionar sua administração vem do site da empresa na internet. A afirmação foi feita à Folha pelo presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que criticou a CPI criada para investigá-la, reclamou que a comissão não tem foco e que servirá exclusivamente a interesses políticos. Acusou o TCU (Tribunal de Contas da União), que apontou irregularidades na empresa, de ser um "órgão formado por pessoas politicamente comprometidas". José Sergio Gabrielli de Azevedo, 59, é presidente da estatal desde julho de 2005. A seguir, trechos da entrevista que ele concedeu à Folha, em seu escritório.



FOLHA - A Petrobras é uma caixa-preta?
JOSÉ SERGIO GABRIELLI - Uma parte substantiva das informações que estão sendo usadas nas denúncias é coletada de sites da Petrobras, de livre acesso. Isso contradiz que a Petrobras seja uma caixa-preta. A Petrobras sofre um processo permanente e contínuo de acompanhamento do TCU, da CGU [Controladoria Geral da União] e tem de estar de acordo com as regras da CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e da SEC [a CVM americana].

FOLHA - Mas é recorrente a crítica a uma autonomia excessiva.
GABRIELLI - Temos um processo de decisão para compras com várias etapas. Praticamente não há decisão isolada. Tem vários portões de decisão na escolha de projetos. Se não fosse assim, não seria possível fazer R$ 15 bilhões de investimento no primeiro trimestre. Não seria possível manter 55 mil contratos. Se isso aqui fosse uma caixa-preta cheia de ladrões e politiqueiros, não funcionaria. Essa empresa tem gestão, governança e profissionais técnicos dedicados. Dado o tamanho da companhia, não se pode dizer que não tem problema. Mas, se tiver, eles vão ser investigados. Mas não se pode generalizar. Fazer a ideia que a Petrobras é uma caixa-preta é ação política.

FOLHA - A Petrobras também não deveria franquear o acesso a informações de seus contratos?
GABRIELLI - Deveria ser repensado [o acesso] para evitar manipulação externa. Não vi em nenhum jornal até agora que a fonte original dessas informações foi o site da Petrobras. Que outra empresa tem isso?

FOLHA - A Petrobras é uma empresa com participação estatal.
GABRIELLI - Sim, mas 67% da Petrobras estão nas mãos de 700 mil acionistas. O governo tem um terço. No mercado concorrencial, não podemos passar informações [dos contratos]. Esse é um conflito que a Petrobras vive: é uma empresa controlada pelo governo, com acionistas privados. Aí um jornal diz que a Petrobras tem um sistema próprio [de licitações], como se a gente tivesse definido o sistema licitatório. Existe uma lei, que é a Lei do Petróleo. Não foi a Petrobras que fez. Essa lei remete ao presidente da República editar um decreto que vai definir as condições competitivas, porque a Petrobras, no mercado aberto, compete com muitas empresas. O presidente Fernando Henrique Cardoso fez o decreto 2.745 com base na lei. Esse decreto diz que tem uma série de condições para a contratação, seguidas rigorosamente pela Petrobras. A AGU diz que a Petrobras tem de cumprir o decreto. O TCU, que é um órgão do Legislativo formado por pessoas politicamente comprometidas, tem interpretação diferente, que nós temos de cumprir a lei 8.666 [que estabelece regras para licitações]. Recorremos ao Supremo Tribunal Federal em dez liminares julgadas, e prevaleceu o decreto. Não temos de cumprir a lei 8.666.

FOLHA - Se prevalecer o entendimento do TCU e agora dos proponentes da CPI, a Petrobras perde competitividade?
GABRIELLI - Vai dificultar muito. Não inviabiliza, mas fazer um processo competitivo com rapidez de decisões seguindo a lei 8. 666 não é possível.

FOLHA - Como o sr. justifica as contratações de ONGs ligadas ao PT?
GABRIELLI - Uma reportagem fala em 1.100 contratos e cita um ou dois com problemas, o que mostra que é um sistema eficiente. O volume de problemas é pequeno. Mas, se existem, vamos investigar. Se você pega os apoios da festa de São João, nos últimos quatro anos, vai ver que as prefeituras do PT são minoria. O critério não é ser PT ou não. É ter festa de São João.

FOLHA - A questão fundamental da Bahia é porque a ONG que recebeu dinheiro da Petrobras era de ex-dirigente regional do partido.
GABRIELLI - É uma ilação. Só queria dizer que não sou candidato ao Senado na Bahia. Isso é uma mentira deslavada, desmentida por mim sistematicamente. Não sou candidato. Mais, o Diretório Estadual do PT na Bahia tomou a posição de que o único cargo a que vai concorrer é o de governador.

FOLHA - O que motiva a CPI?
GABRIELLI - O uso político. Não precisa de uma CPI. Ela não tem foco.

FOLHA - O TCU constatou que, devido a aditivos, contratos da Petrobras chegam a dobrar de valor. Esse artifício não dá margem para todo tipo de acréscimo?
GABRIELLI - Existe uma coisa chamada mudança de escopo, adaptação das condições encontradas no local, mudanças no cronograma por fatores externos à Petrobras, como licenciamento ambiental, problemas no fornecimento. O decreto que seguimos, o 2.745, permite os aditivos e nós o seguimos estritamente.

FOLHA - Quanto, em média, aumentam os contratos?
GABRIELLI - Há aumento de 10%, de 25%, tem aditivo que só aumenta prazo, sem custo. São 55 mil contratos.

FOLHA - Não poderia haver um programa para melhorar a execução dos contratos?
GABRIELLI - Estamos tentando, acelerando nossas condições para que a gente vá para o mercado com o projeto mais detalhado. Isso significa que podemos atrasar os projetos.

FOLHA - Que projetos?
GABRIELLI - Na [refinaria] Abreu e Lima, estamos com 14 licitações. Dessas, 6 cancelamos por excesso de preço, 8 estão concluídas. O escândalo é em torno de um contrato de terraplanagem. O problema é que estamos falando aqui de um conjunto muito grande de coisas.

FOLHA - O Comperj (complexo petroquímico do Rio) foi orçado, em 2005, em US$ 6 bilhões de dólares e está em US$ 8,6 bi.
GABRIELLI - Não se pode dizer que teve aumento, ainda, por estar em processo de licitação.

Homem da lei se apaixona por criminosa


O promotor Eliseu José Berardo Gonçalves, da Vara de Execuções Penais de Ribeirão Preto (313 km de SP), está sendo investigado pela corregedoria do Ministério Público por assédio. Suzane von Richthofen, 25 anos, condenada em 2002 pelo assassinato dos pais, declarou a uma juíza que o promotor se apaixonou por ela.

De acordo com o depoimento de Suzane, o promotor teria se encontrado a sós com ela duas vezes em seu gabinete, enquanto ela estava na penitenciária de Ribeirão Preto.

A detenta contou que, na primeira vez que esteve sozinha com o promotor, ele teria perguntado do que ela precisava. A resposta, segundo a jovem, foi a de que ela queria ligar para uma amiga, e Gonçalves teria dito que ajudaria.

No segundo encontro, o promotor teria declarado seu amor, colocando inclusive uma trilha sonora romântica. Gonçalves nega as acusações e quer que Suzane prove na Justiça a veracidade do depoimento.

O povo está comendo mais e melhor


As vendas reais dos supermercados subiram 16,9% em abril deste ano, na comparação com igual mês de 2008, segundo divulgou ontem a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Em relação a março deste ano, as vendas subiram 6,6%, enquanto no acumulado do ano até abril a alta foi de 5,7%. Os números estão deflacionados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

As vendas de abril apresentaram alta acentuada na comparação com igual mês de 2008 porque este ano a Páscoa caiu nesse mês. No acumulado do ano, a entidade destaca a retomada do faturamento em nível mais alto, mesmo crescendo em ritmo inferior ao do ano passado. Segundo a Abras, trata-se de um bom desempenho, levando-se em conta o cenário econômico mundial.

O valor da cesta de 35 produtos de largo consumo subiu 0,4% em abril ante março, para R$ 258,78. Já em relação a abril de 2008, a alta foi de 8,6%. Os produtos com as maiores altas foram batata (18,75%), açúcar (5,12%) e leite longa vida (3,82%). Já as maiores quedas foram do feijão (11,15%), cebola (5,36%) e queijo mussarela (3,80%).

A Abras divulgou também o índice de volume de vendas, que cresceu 0,7% no primeiro quadrimestre. Nesse caso, as maiores altas foram bebidas alcoólicas (5,9%), não alcoólicas (3,8%), perecíveis (2%) e material de limpeza (1,3%).

Segundo o presidente da Abras, Sussumu Honda, o setor poderá manter ao longo do ano a taxa de crescimento dos quatro primeiros meses de 2009, de 5,7% nas vendas reais. "Temos de aguardar os resultados de maio e junho, mas é bem possível crescer próximo a 5% este ano", disse Honda, acrescentando que a percepção preliminar é de que as vendas se mantêm aquecidas em maio. A projeção oficial da instituição, informada em janeiro, é de alta de 2,5% no faturamento real dos supermercados em 2009, em relação ao ano passado.

De acordo com ele, as principais razões do otimismo encontram-se na manutenção do rendimento médio dos trabalhadores, o maior consumo das famílias nos lares e o processo de estabilização dos preços. "Um dos efeitos da crise foi que as pessoas deixaram de frequentar restaurantes e passaram a comprar mais nos supermercados para se alimentar em casa." O dirigente destacou também que houve crescimento no tíquete médio gasto nos supermercados, que subiu de R$ 19,60 para R$ 25, nos últimos 12 meses.

Entre as regiões do País, as vendas cresceram mais no Grande Rio, com alta de 4,5% no quadrimestre. Outro destaque do período é o Nordeste, com alta de 4% - creditado aos repasses governamentais e ao reajuste do salário mínimo. Na Grande São Paulo, as vendas avançaram 2,6%, enquanto no litoral e interior paulista recuaram 3,6%. Já no Espírito Santo, Minas Gerais e interior do Rio as vendas subiram 2%.

Tanure quebrou


A Companhia Brasileira de Multimídia (CBM), do empresário Nelson Tanure, concedeu ontem férias coletivas de 30 dias aos funcionários da "Gazeta Mercantil" e informou que o diário econômico não vai circular na segunda-feira.

A empresa reiterou que não vai mais editar o jornal, conforme decisão anunciada no início desta semana. A CBM rescindiu o contrato de licenciamento das marcas do grupo Gazeta Mercantil - que incluem o nome do próprio jornal e o serviço de informações on-line InvestNews.

Nesse contexto, o diário - que tem quase 90 anos de história - fica sem ter um grupo que responda pela continuidade de sua publicação a partir da próxima semana.

O empresário Luiz Fernando Levy, da família fundadora da "Gazeta", divulgou comunicado na terça-feira afirmando que buscaria "fórmulas negociadas" para preservar a publicação do jornal. No entanto, nenhum acordo havia sido anunciado até o fechamento desta edição.

Segundo a assessoria de imprensa da CBM, a companhia vai tentar realocar funcionários da "Gazeta Mercantil" para suas outras publicações. O grupo de Tanure também edita o "Jornal do Brasil" e alguns títulos da Editora Peixes. O jornal de economia tem cerca de cem empregados, dos quais aproximadamente 60 na redação.

Tanure assumiu a edição da "Gazeta Mercantil" no fim de 2003, quando assinou com Levy um contrato para usar a marca do jornal, que se encontrava em dificuldades financeiras por causa de dívidas trabalhistas. Conforme esse acordo, a CBM pagaria royalties que lhe dariam o usufruto por 60 anos.

Porém, a Justiça do Trabalho vinha entendendo que as empresas de Tanure eram solidárias nas dívidas da antiga "Gazeta" e começou a penhorar alguns de seus bens para quitar débitos com atuais e ex-funcionários. Na última quinta-feira, a 26ª Vara Federal do Trabalho de São Paulo penhorou o equivalente R$ 200 milhões em ações da Intelig. Tanure, controlador da operadora de telefonia, firmou acordo para vendê-la à TIM, negócio que ainda depende de aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Abrir mão do jornal seria uma tentativa do empresário de evitar a contaminação de seus outros negócios.

Mercado volta ao nível de setembro de 2008


Contrariando aqueles que acham que a bolsa já subiu tudo e mais um pouco do que deveria, esse movimento de valorização vai de vento em popa. Há alguns dias, o Índice Bovespa vem tentando superar a marca dos 53 mil pontos. Isso chegou a ocorrer, mas logo em seguida as compras perderam força e o índice voltou a ficar abaixo dessa marca. Ontem, a história mudou. A bolsa passou o dia inteiro em alta, que ganhou ainda mais força no fim dos negócios, fazendo com que o Ibovespa fechasse com valorização de 2,41%, aos 53.040 pontos. É muito pouco acima, mas, enfim, acima dos fatídicos 53 mil pontos. Essa é a maior pontuação do indicador desde 19 de setembro do ano passado, quatro dias depois da quebra do banco americano Lehman Brothers, no dia 15, uma data emblemática, considerada o grande divisor de águas da crise.


Após 15 de setembro, a crise piorou muito e os ativos do mundo inteiro entraram num longo e profundo processo de desvalorização que ocorreu até meados do mês passado. Voltando a fita dessa crise, no dia 12 de setembro, uma sexta-feira, o Ibovespa fechou aos 52.392 pontos. Na segunda-feira, dia 15, já com a notícia da solene quebra do banco americano, o índice fechou aos 48.416 pontos, despencando nada menos do que 7,59%. No dia seguinte, o governo americano, percebendo os estragos que a quebra de outras instituições financeiras poderiam causar, correu para anunciar o pacote gigantesco de ajuda à seguradora AIG. Com isso, o Ibovespa se recuperou um pouco, fechando aos 49.228 pontos.

No ano, o Ibovespa já acumula alta de 41,25% em real e de 63,87% em dólar. Ou seja, se a bolsa em 2009 já trouxe alegrias aos investidores brasileiros, para os estrangeiros então nem se fala. Mais uma explicação para o fluxo recorde de entrada de recursos internacionais no pregão local.

O ânimo do mercado nas últimas semanas tem surpreendido um grupo cada vez maior de analistas que se baseiam nos fundamentos da economia e das empresas para fazer suas projeções. Em alguns dias, os indicadores não só não melhoraram, como vieram abaixo do esperado. Mais um motivo para os profissionais ficarem céticos quanto ao desempenho positivo dos ativos.

Ontem, foi um desses dias. As vendas de casas novas nos Estados Unidos cresceram 0,3% em abril, para uma taxa anualizada sazonalmente ajustada de 352 mil unidades, enquanto os economistas esperavam um acréscimo de 365 mil unidades. Comparado com o mês de abril do ano passado, as vendas do último mês tiveram uma queda de 34%. O resultado de março foi revisado para baixo, de 356 mil casas para 351 mil unidades, mais um dado negativo.

Assim como outros profissionais, o chefe da área de renda variável da Fundação Cesp, Paulo de Sá Pereira, credita boa parte da recente valorização das ações ao fluxo de entrada de estrangeiros. "Quem entrou já ganhou mais de 60%; esse percentual deve animar ainda mais para que outros investidores desembarquem na bolsa", diz Sá Pereira. Ele afirma que ainda há uma grande quantidade de investidores institucionais estrangeiros com muito dinheiro em caixa.


Esperando Godot

Analistas e economistas acreditam que, mais dia menos dia, algum fator irá deflagrar um processo mais forte de realização de lucros dos mercados, reduzindo o tom exagerado de otimismo. Segundo Sá Pereira, alguns acreditam que esse catalisador será a economia da China, que deve começar a ratear a partir do terceiro trimestre. "O PIB chinês deve crescer bem neste semestre, impactado pelo pacote do governo de US$ 500 bilhões de estímulo ao crédito", diz Sá Pereira. "No entanto, percebendo que a economia passou a crescer muito, o governo já tirou o pé do estímulo ao crédito", explica ele. Outros profissionais acreditam que a volta da racionalidade virá junto com o verão nos EUA, que começa em agosto. Seja lá como for, muitos não acreditam nessa lua de mel do mercado.

Petrobras garante recursos para investimento até 2013



A Petrobras concluiu sua necessidade de captações pelos próximos cinco anos. Dos US$ 26 bilhões que a companhia projetava precisar entre 2009 e 2013 para complementar a sua geração de caixa, projetada em US$ 148,6 bilhões, ela já obteve US$ 30 bilhões. Ou seja, já está em situação folgada antes mesmo de receber um segundo financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de US$ 10 bilhões prometido para 2010. Com os US$ 30 bilhões que já captou a empresa garante os investimentos de US$ 174,4 bilhões nos próximos cinco anos mesmo se o petróleo permanecer nos atuais patamares de preço, em torno de US$ 60 o barril, o que não é o esperado em função da escassez de novos investimentos em produção e considerando que há uma queda natural da produtividade dos campos que hoje estão suprindo a demanda mundial.

"A preços correntes do petróleo nós já nos financiamos. Andavam dizendo que a Petrobras não pode explorar o pré-sal por problemas técnicos e carência financeira. E nada disso é verdade. Produzir petróleo leve naquela profundidade não é problema para essa companhia", diz o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa.

O plano de negócios da Petrobras até 2013 foi projetado tendo como referência o preço médio de US$ 42,4 por barril do petróleo Brent até 2013, sendo que o preço médio de "robustez" é de US$ 66,6 por barril. E cada US$ 1 adicional no preço do petróleo Brent aumenta em US$ 500 milhões o fluxo de caixa. Para 2009 o plano assume preços de US$ 58 por barril no cenário de robustez e de US$ 37 para a curva de referência. No momento os preços estão mais elevados do que a projeção mais otimista, já que em o barril do tipo Brent comercializado em Londres para entrega em julho fechou com alta de US$ 1,26, a US$ 62,50, valor que aumenta para US$ 63,19 nos contratos para entrega em agosto. Até 2013 a Petrobras planeja investir US$ 100 milhões por dia. É o maior orçamento de investimentos em andamento em todo o mundo, tendo sido considerado como "estonteante" pelo banco Goldman Sachs logo depois da divulgação.

O financiamento de US$ 10 bilhões assinado com o China Development Bank e a estatal chinesa Sinopec é o último de uma série de financiamentos que ela obteve desde o início do ano. O primeiro foi um empréstimo-ponte de US$ 6,5 bilhões de um "pool" de bancos (HSBC, Banco do Brasil, Santander, Société Générale, JPMorgan e Citibank), que tem prazo de dois anos para ser repassado ao mercado internacional, sendo que uma parte dele, no valor de US$ 1,5 bilhão, já foi colocada em fevereiro em operação que teve demanda por US$ 5 bilhões.

A Petrobras obteve em seguida o polêmico financiamento do BNDES, que está prestes a liberar os R$ 25 bilhões, equivalentes a US$ 11,9 bilhões pelo câmbio atual. Na sequência vieram US$ 2 bilhões do Banco de Crédito à Exportação e Importação dos Estados Unidos (Eximbank) e este mês assinou o contrato de financiamento de US$ 10 bilhões com o China Development Bank (CDB) banco estatal da China. Esse contrato, segundo Barbassa, tem 10 anos de prazo, sendo cinco anos de carência e cinco de amortização. Também ficou acertado que os chineses poderão se tornar sócios da Petrobras em blocos exploratórios que a estatal já tem sob concessão no norte do Brasil.

Barbassa, que voltou da China recentemente, explicou que o contrato assinado com a Sinopec já está em vigor e não depende de qualquer incremento na atual produção de petróleo da companhia e nem do início do pré-sal. O plano de negócios prevê saltos na produção - que hoje está em 2 milhões de barris de óleo diários no Brasil e exterior - para 2,680 milhões de barris por dia em 2013. Esse volume vai saltar para 3,34 milhões de barris em 2015 e 3,9 milhões de barris diários em 2020.

Mas a Petrobras não depende desse petróleo para cumprir o contrato com a China e vai apenas desviar parte da sua atual exportação para o país asiático, que já é grande importador do petróleo nacional. No primeiro trimestre deste ano a companhia exportou 666 mil barris de petróleo e derivados por dia. Desse total, foram exportados uma média diária de 415 mil barris de petróleo pesado, exatamente o tipo que a China compra. O contrato com a Sinopec prevê a oferta preferencial para os chineses de 150 mil barris diários no primeiro ano e 200 mil barris/dia a partir do segundo ano e até o décimo.

Barbassa ressalta que a novidade nesse contrato é que ele não tem uma estrutura tradicional, sem a complexa estrutura contratual de uma securitização, sendo um acordo de fornecimento estratégico. "Temos a obrigação de oferecer para a Sinopec 200 mil barris por dia a preços de mercado. Eles têm a primeira opção de comprar ou recusar e não há nenhuma contrapartida de compra de material chinês", explicou o executivo da Petrobras.

Com US$ 2 trilhões em reservas, dos quais cerca de US$ 1 trilhão depositados em títulos do Tesouro americano, a China pode perder recursos de US$ 60 bilhões se os Estados Unidos registrarem inflação de 6% ao ano. Isso explica por que é conveniente para a China diversificar aplicações. Em 2007 a China produzia 3,7 milhões de barris de petróleo por dia. Isso é mais que a produção brasileira, mas insuficiente para atender seu consumo naquele ano, que foi de 7,8 milhões de barris/dia, segundo dados da "BP Statistal Review of World Energy", os últimos disponíveis.

Justiça Federal determina afastamento de Cassol do governo de Rondônia por 90 dias


O juiz federal substituto Flávio da Silva Andrade, da 2ª Vara Federal de Rondônia, determinou o afastamento cautelar, por 90 dias, do governador Ivo Cassol(PSDB) e de quatro delegados da Polícia Civil de Rondônia.

Eles respondem a uma ação civil movida pelo Ministério Público Federal. O governador teria ordenado aos delegados da Polícia Civil que coagissem testemunhas e obstruíssem as investigações da Polícia Federal no processo que responde por compra de votos nas eleições de 2006.

O determinação de ontem (28) deu prazo de 48 horas para que o vice-governador João Aparecido Cahula assuma o governo de Rondônia.

O juiz estabeleceu ainda que o secretário de Segurança Pública recolha em 48 horas as credenciais e as armas utilizadas pelos delegados Renato Eduardo de Souza, Hélio Teixeira Lopes Filho, Gilwelkison Pedrish de Castro e Nilton Vieira Cavalcante, sob pena de multa diária e pessoal.

PCS de PMs e Bombeiros já está nas mãos de Lula


O texto entregue pelo GDF ao Governo Federal, responsável pelo custeio da área de segurança, instituir a gratificação por risco de morte, o documento prevê a promoção de 6.595 policiais militares ainda este ano, a exigência de curso superior para ingresso na corporação e estabelece critérios para a ascensão profissional com base, principalmente, no tempo de serviço. A proposta estabelece que a partir deste ano, policiais e bombeiros militares passam a receber R$ 250 mensais a título de gratificação por risco. A cada ano serão adicionais R$ 150 mensais até que se atinja o patamar de R$ 1 mil, por mês, estabelecido no Plano de Cargos e Salários. Depois de alcançado este limite o valor será definitivamente incorporado ao salário do policial.


No intuito de dirimir dúvidas e preocupações dos policiais militares e bombeiros do Distrito Federal sobre o andamento do processo do plano de cargos e salários da categoria, o comando da Polícia Militar divulgou um novo boletim de acompanhamento da matéria e informa que o PCS não está parado. A proposta de medida provisória que estava no Ministério do Planejamento, após sofrer algumas alterações, foi encaminhada à Presidência da República onde será submetida à apreciação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, posteriormente, encaminhada ao Congresso Nacional. As mudanças foram feitas no capítulo que trata da organização da corporação.


Ìmpacto de R$ 2,5 bilhões


Segundo os cálculos do GDF, o impacto será de 3% na folha de pagamento, atualmente estimada em R$ 2,5 bilhões. Além disso, o novo PCS define que os quadros de oficiais e de praças serão regidos pelos mesmos princípios, critérios de promoções, prazos, interstícios e proporcionalidade. Também cria um incentivo à permanência no serviço ativo após a transferência para a reserva, mediante adicional de soldo pró-labore, incorporado em cinco anos na proporção de um quinto por ano. Esses policiais exercerão atividades de polícia comunitária, formação e capacitação, visando o aproveitamento da experiência profissional.

Minc "discute a relação" com o Planalto


O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reuniu-se ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reclamar da atuação de outros ministérios e da falta de apoio em relação a sua pasta, mas disse ter recebido apoio do presidente, que se comprometeu a fortalecer a área ambiental.

"Eu coloquei para o presidente Lula que o ministério está embaixo de pancada", afirmou Minc, que na véspera completou um ano à frente do ministério e disse que foi o dia de "discutir a relação".

Minc se queixou da falta de cumprimento das decisões acertadas entre diferentes áreas do governo e pediu um gesto concreto e "sinais claros" do Executivo, em um momento de "crise com representantes do setor ruralista, que trabalham pelo desmantelamento da política ambiental".

"Ele (Lula) vai chamar os ministros, os nossos líderes e falar que devemos conversar aqui e não no Congresso", disse o ministro.


Bate boca
Os desentendimentos entre ruralistas e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, antes restritos às questões ambientais, descambaram ontem para agressões e ofensas entre as duas partes. Num ato de agricultores familiares em frente ao órgão que dirige, Minc defendeu tratamento diferenciado para eles no Código Florestal.

E sugeriu que ficassem longe dos ruralistas, porque estes, segundo ele, não são confiáveis. Os ruralistas reagiram imediatamente. Com um boné da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), uma das entidades que organizaram o Grito da Terra e promoveram manifestações, em Brasília, Minc afirmou que a boa aliança é com o meio ambiente e não com os ruralistas.

E atacou os representantes do agronegócio. "Os ruralistas encolheram o rabinho de capeta e agora fingem defender a agricultura familiar. É conversa para boi dormir. Não se deixem enganar. São vigaristas. Não é a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) que fala em nome da agricultura familiar, é a Contag e outros movimentos sociais", disse Minc.

Em seguida, o líder do DEM na Câmara e um dos defensores da bandeira dos ruralistas, Ronaldo Caiado (GO), foi à tribuna rebater Minc. "Esse ministro não tem moral para criticar os ruralistas. Ele tem ligação com o tráfico da Rocinha e do Morro do Borel, tanto para se manter financeiramente quanto para o consumo", atacou Caiado. Minc não quis responder a Caiado.

Para Mendes, só Fernando Henrique pode


O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, pronunciou-se contrário à ideia de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que possibilite ao presidente da República disputar, de modo consecutivo, um terceiro mandato - a re-reeleição. Interpretando o que considera ser a opinião dominante dos integrantes da mais alta Corte de Justiça do País, que dá a última palavra sobre a constitucionalidade das regras legais, inclusive as destinadas a mudar a Constituição, disse Mendes que "o terceiro mandato não passa no STF".

Para o presidente do Supremo a permissão legal para a disputa de um terceiro mandato presidencial ou a ampliação do atual para seis anos seria um casuísmo. "As duas medidas têm muitas características de casuísmo. Vejo que dificilmente isso seria aprovado no STF", afirmou o ministro, para quem essas propostas representariam um prejuízo aos princípios republicanos. "Democracia constitucional é mais do que eleição. É eleição sob determinadas condições estabelecidas na Constituição, inclusive o respeito às regras do jogo", observou Gilmar Mendes, reiterando que "a eleição continuada seria uma lesão ao princípio republicano". Ele também fez a diferenciação entre a mudança da regra que permitiu a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso e a ideia, agora, de um terceiro mandato presidencial: é que uma reeleição é uso já consagrado em muitas democracias contemporâneas, enquanto a terceira eleição seguida - ou a quarta ou a quinta - significa uma quebra real do princípio democrático da alternância do poder.

Lula cria linha de crédito do PAC


O Presidente Lula deve lançar em breve uma nova medida para injetar crédito na economia e tentar evitar atrasos em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), disse ontem que o governo praticamente já fechou a criação de uma nova linha de financiamento para o capital de giro de empreiteiras que executam obras do PAC.

A linha servirá para dar fôlego às empresas para que elas consigam concluir os serviços e receber por eles. Uma construtora que presta serviço para o governo só recebe depois de entregar uma determinada etapa da obra. "No meu Estado, por exemplo, a principal obra do PAC é a duplicação da BR-101, e temos várias empreiteiras que tocam a obra e recebem pelo trecho executado em 10 ou 15 dias. Mas, como elas estão com dificuldades para conseguir capital de giro, também têm dificuldades para executar a obra."

Ideli disse que conversou no último dia 18 com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ele havia afirmado que os estudos para a criação dessa linha estavam na reta final.

"Hoje houve uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vários ministros e foi batido o martelo. Faltam apenas pequenos ajustes", afirmou. Ela acrescentou que todas as empresas que têm contratos de obras do PAC poderão acessar esse empréstimo.

A senadora disse não saber o valor total que será disponibilizado para essa linha de crédito, mas disse que já ouviu, em momento anterior, que seria algo na casa dos R$ 5 bilhões. "Mas não tenho confirmação", ponderou. Segundo ela, provavelmente os recursos serão desembolsados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o prazo para o pagamento deverá ser de até 36 meses. O valor de cada operação será de até 20% do contrato ou até 20% da receita anual da empresa.

A garantia, segundo Ideli, será o próprio recebível do PAC. Ela disse que a solução deverá ser anunciada rapidamente. "O presidente está que nem um siri na lata para resolver esse assunto", disse Ideli, classificando a nova medida como um "PAC do Financiamento".

Farsa em 2010


É muito difícil que algum brasileiro - a não ser a bandalha do Partido DEM e PSDB- tire proveito do funcionamento da comissão parlamentar de inquérito (CPI)da maior estatal brasileira, a Petrobrás, instalada para levar ao palanque José Serra do PSDB..

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e o Democratas (DEM), que não conseguem se entender internamente, e muito menos entre eles, para fazer uma oposição minimamente atuante (são incapazes até de apresentar uma estratégia para a disputa de cargos na própria CPI), cantaram vitória de início. Mas não demoraram muito para "arrecuar os arfe" (como se diz na gíria futebolística de preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) quando as tropas governistas apresentaram suas armas.

A CPI é um instrumento desmoralizado. Dificilmente a CPI dos tucanos produzirá efeitos. O máximo que pode ocorrer nas iniciativas deste gênero é, DEM e PSDB, provocarem os meios de comunicação a buscar informações sobre seus lucros e, de outro, expor seus membros à luminosidade dos holofotes, o que facilita uma futura vitória eleitoral e economiza recursos para a propaganda de suas candidaturas.

No primeiro caso, o efeito já foi produzido: antes de a CPI começar a funcionar, a imprensa já começou a dar conta da prodigalidade com que a direção da Petrobrás, sob controle do Partido dos Trabalhadores (PT), desembolsa em projetos de ONGs .

Por mais lustrada que seja a imagem da Petrobrás, surgida na luta ideológica do "petróleo é nosso" dos tempos de Getúlio Vargas, e por mais desacreditada que esteja a honra dos congressistas, estes têm mandato para devassar a Petrobrás e qualquer outra empresa pública em nome da cidadania.

O abraço da sede da empresa no Rio e os discursos da cúpula do governo e do PT no Parlamento é a tentativa de impedir que a oposição privatize a Petrobrás.

PSDB e DEM querem privatizar a empresa o Banco do Brasil. Primeiramente, porque podem ter maioria para impor emendas constitucionais no Congresso.

Contas mostram superávit após 18 meses


O Brasil registrou o primeiro superávit em transações correntes depois de 18 meses, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central. O saldo positivo de abril é praticamente simbólico, apenas US$ 146 milhões, mas reflete uma melhoria das contas externas, principalmente da balança comercial, que em abril apresentou superávit de US$ 3,7 bilhões.

Em 12 meses, a conta corrente do governo ainda apresenta um déficit de US$ 19,8 bilhões ou 1,41% do Produto Interno Bruto (PIB), o que ainda é alto, mas significativamente menor do que o patamar registrado em dezembro. O déficit acumulado em 2008 chegou ao pico de US$ 28,2 bilhões.

"É um resultado bom, mas não significa uma mudança de tendência", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, o país deve alternar nos próximos meses saldos negativos e positivos em transações correntes. Para o final do ano, o BC ainda prevê déficit de US$ 16 bilhões, mas é provável que esse número seja revisado para baixo no próximo mês.

No lado comercial, a queda das importações tem sido o principal fator responsável pelo ajuste nas contas externas, enquanto no lado das rendas e serviços a contribuição principal vem das menores remessas de lucros e dividendos. Em ambos os casos, a melhoria foi originada, contraditoriamente, pela piora da situação econômica do país no início deste ano.

Entre janeiro e abril do ano passado, no auge do crescimento econômico, as empresas multinacionais estavam desfrutando de altos lucros e aproveitaram o real valorizado para remeter US$ 12,4 bilhões ao exterior. No primeiro quadrimestre deste ano, com os lucros em baixa e o real desvalorizado, as remessas caíram para US$ 5,3 bilhões.

Na prática, 81% da redução no déficit em transações correntes é explicado pelas menores remessas. E um dos fatores de incerteza sobre o comportamento futuro das contas externas provém justamente desse tipo de transação. Com a revalorização do real, a alta na bolsa de valores e a lenta recuperação da economia real, muitas empresas estrangeiras podem aproveitar novamente para transferir dólares das subsidiárias às matrizes.

Até o dia 22 de maio, por exemplo, as remessas já somavam US$ 2,4 bilhões no mês, o maior valor mensal registrado até agora no ano. A incógnita passa a ser, nesse caso, o comportamento das exportações e das importações.

As importações vêm caindo mais acentuadamente do que as exportações por dois motivos: a queda nos investimentos, que leva as empresas brasileiras a importarem menos máquinas e equipamentos, e a alta no preço de commodities, que torna as exportações mais rentáveis, compensando parcialmente o menor volume vendido.

Do início do ano até a terceira semana de maio, as importações registram queda de 25% em relação ao mesmo período de 2008.

Já as exportações apresentaram uma redução de 20% do começo do ano até a terceira semana de maio ante o mesmo período do ano passado. (Da Helena http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/)

Lula deve mediar atrito entre Renan e Mercadante

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve intervir para diminuir o atrito entre o líderes do PT, Aloizio Mercadante (SP), e do PMDB, Renan Calheiros (AL), no Senado. Parte dos senadores aliados afirmam que a interferência de Lula é necessária, pois a relação entre os líderes está péssima e existe o temor de que isto contamine ainda mais o já conturbado clima político na Casa. Mas também existem aqueles que estão céticos em relação aos efeitos desta ação presidencial, lembrando que há o risco de Lula "lavar as mãos", a exemplo do que fez na eleição para a presidência do Senado, em fevereiro.

Na segunda-feira, Renan encontrou-se com o presidente antes do embarque de Lula para Salvador. Queixou-se que Mercadante estava tumultuando o ambiente político no Senado. Criticou o fato de o petista ter organizado um encontro do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, com os tucanos, estratégia que foi insuficiente para evitar a CPI da estatal. Por fim, acusou o petista de ter vazado para a imprensa que o PMDB "fazia corpo mole para evitar a CPI porque quer mais cargos na estatal".

Mercadante nega que tenha feito isto. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) entrou no circuito e tentou mostrar a Renan que o líder petista nada tinha a ver com a notícia. Atitude que acabou envolvendo Jucá também nas confusões que se multiplicam na Casa. "A comunicação entre os três tem ruídos há semanas", confirmou um petista.

Mercadante adotou o estilo diplomático. À tarde, confirmou que esperava o retorno do presidente a Brasília para uma conversa, a convite do próprio Lula. Mas o embarque do presidente em Salvador atrasou e a conversa teve que ser telefônica. Existe a expectativa de um encontro hoje de manhã. O petista circunscreveu suas divergências com Renan ao embate de ideias no Parlamento.

"O Renan é líder de um partido, eu sou líder de outro. Divergências políticas são naturais e é assim que as coisas devem ser tratadas", disse, ao defender a busca do equilíbrio nas relações para evitar que o governo seja prejudicado. "Estamos há sete anos em uma coalizão que envolve onze partidos, todos com o objetivo de dar sustentação ao governo Lula", completou.

Um líder aliado afirmou que será preciso gastar "muita saliva" para que a paz volte a reinar no Senado. "Renan e Mercadante são bicudos demais, eles precisam se desarmar e voltar a conversar", defendeu um senador da base governista. O problema é que o elo de ligação mais próximo, o líder do governo na Casa, Romero Jucá, acabou jogado de roldão nesta briga.

Dentro da bancada, Jucá é visto como um senador que defende mais os interesses do governo do que os da legenda. Em uma das mais recentes reuniões dos pemedebistas, chegou a ser cobrado por um dos colegas de partido. "Você está aqui como um senador do PMDB ou como um emissário do Planalto?" Renan também não gostou nada dos movimentos de Jucá, em parceria com Mercadante, nas negociações para a indicação dos integrantes da CPI da Petrobras.

Mas Jucá também discorda do Executivo, ao deixar claro que não concorda em ficar o governo com a presidência e a relatoria da CPI da Petrobras. "Ele sabe que isto só vai gerar mais tensão com a oposição, o que emperra ainda mais os trabalhos da Casa", confirmou um senador próximo de Jucá.

A despreparada Ellen


Ellen Gracie sofreu uma derrota em disputa por cargo internacional. A ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi derrotada pelo candidato do México para ocupar a vaga de juiz do Órgão de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ao receber a notícia, por telefone, de Genebra, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, telefonou a Ellen Gracie, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, com quem teve uma "conversa dura", segundo um assessor do ministro. Em nota, o Itamaraty informou ontem sobre a decisão e sobre o telefonema. "Tendo em vista as altas qualificações da ministra Ellen Gracie e o empenho do Brasil no fortalecimento do sistema multilateral de comércio, o ministro Celso Amorim telefonou (... ) para manifestar a decepção do Brasil com os resultados do processo de seleção", diz a nota.

Há indicações de que a candidata apresentada pelo Brasil tinha apoio importante entre os países, mas o comitê de seleção, de seis membros, incluindo Lamy, decidiu contra Ellen por causa de seu pouco conhecimento dos temas cobertos pelos acordos da OMC. O Órgão de Apelação é uma espécie de corte suprema do comércio internacional. Decide disputas envolvendo bilhões de dólares e acredita-se que será mais acionado no ambiente protecionista gerado em meio a pior crise econômica mundial dos ultimos tempos.

A disputa na OMC ocorreu porque o advogado brasileiro Luiz Olavo Baptista se demitiu do Órgão de Apelação por razões de saúde, deixando aberta a vaga que, a rigor, era destinada à América Latina. Ao apresentar a candidatura de Ellen Gracie, o Itamaraty destacou que ela refletia a importância atribuída pelo governo brasileiro ao Órgão de Apelação e a sua atuação, tanto na observância das normas do sistema multilateral de comércio, como na promoção de sua segurança e previsibilidade.

A diplomacia brasileira foi acionada para defender a candidatura, mas desde o começo ficou claro, mesmo para ela, que não dava para "tapar o sol com a peneira". Ou seja, ela não era uma especialista de comércio internacional, não tinha um só artigo sobre os temas da OMC para apresentar aos países.

Assim, a diplomacia brasileira preferiu insistir na sua importância hierárquica e na possibilidade de chegar sem ideias preconcebidas sobre as regras do comércio internacional, justamente quando os Estados Unidos acusavam o Órgão de Apelação de ser formado por burocratas.

Nas numerosas conversas com delegações em Genebra, as perguntas a Ellen foram genéricas e previsíveis, com algumas imprecisões nas respostas sem maior gravidade. Já os concorrentes, da Argentina, Costa Rica e México, eram todos especialistas da OMC.

Na reta final, os países podiam manifestar apoio a dois candidatos e Ellen estava bem posicionada. A decisão assim não foi baseada em contabilidade de apoio. O Comitê de Seleção, formado por Lamy e os presidentes dos vários conselhos da OMC teria resolvido com base no conhecimento especifico das regras da OMC.

O fato de que a escolha final tenha sido praticamente entre o candidato mexicano e Ellen Gracie foi apontado pelos diplomatas brasileiros como sinal de que eram fortes as chances da ministra, e sua candidatura poderia ter sido bem sucedida. Mas acredita-se, em Brasília, que pesou também contra a ministra o fato de que o Brasil, com Baptista, ocupou a vaga destinada à América Latina, no Órgão por oito anos seguidos.

O escolhido, o advogado Ricardo Ramirez, foi panelista em várias disputas comerciais e tem centenas de artigos publicados sobre comércio internacional. Uma segunda vaga será ocupada pelo belga Peter van der Bossche, em substituição ao italiano Giorgio Sacerdote. A troca de um italiano por um belga era lembrada ontem, no Itamaraty, como outra demonstração de que o comitê deu preferência a candidatos que também representassem uma rotatividade de países nos assentos do Órgão de Solução de Controvérsias.

No governo, certas fontes dizem que quem impulsionou a candidatura de Ellen Gracie foi ela própria, interessada em novos desafios depois de 20 anos de carreira em tribunais federais em Brasilia. O Itamaraty assumiu a candidatura, porém, e Amorim estava convencido de sua viabilidade. Imaginava que a alta hierarquia de Ellen Gracie compensaria a falta de atuação na área de comércio internacional.

Em um sinal da prioridade conferida à candidatura de Ellen Gracie, Amorim chegou a citar a disputa na OMC quando criticado, em audiência na Câmara dos deputados, pelo apoio brasileiro à candidatura de um egípcio, Farouk Hosny, acusado de antissemitismo, em detrimento de candidatos brasileiros. Amorim argumentou que era a vez dos árabes na eleição para a direção da Unesco, e que atendia melhor aos interesses do Brasil concentrar esforços em disputas como a da OMC.

A decisão foi anunciada ontem aos países por fax. Agora, resta ao governo Lula apenas a disputa para o Brasil sediar os Jogos Olímpicos de 2016. A diplomacia brasileira está em peso atuando pela candidatura do Rio de Janeiro, contra Chicago, Tóquio e Madri.

A rejeição de Ellen Gracie trará outro problema ao governo.

Já estava praticamente acertado que o advogado-geral da União, José Antônio Toffoli, assumiria a vaga da ministra no STF. Agora ele terá de esperar até 2010, quando o ministro Eros Grau se aposenta. Só que essa vaga também é pleiteada pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, Cesar Asfor Rocha.

Embraer entrega o 100º Super Tucano


A Embraer entrega hoje a centésima aeronave Super Tucano fabricada desde 2003. O avião será utilizado pela Força Aérea Brasileira (FAB), atualmente o principal operador do Super Tucano no mundo, com 72 unidades do modelo. O contrato com a FAB, avaliado em R$ 449,7 milhões, contempla a produção de 99 Super Tucano, sendo 66 do modelo biposto (para dois tripulantes) e 33 monoposto (para um ocupante).

Concebido para atender aos requisitos operacionais da FAB, especialmente na região Amazônica, o Super Tucano é considerado uma referência mundial na área de treinamento avançado e ataque leve. A Embraer estima mercado potencial de 700 unidades para o Super Tucano nos próximos 10 anos.

O custo da versão básica é da ordem de US$ 10 milhões. Em 2008, a aeronave foi responsável por mais da metade das exportações da área de defesa da Embraer, que totalizaram US$ 504 milhões. Este ano o modelo foi comprado pela República Dominicana (8) e Equador (24).

"O Super Tucano é o único no mercado que atende às necessidades de treinamento avançado e missões de contrainsurgência, já comprovado em combate, e capaz de operar em várias configurações armadas, tanto durante o dia quanto à noite e com extraordinária confiabilidade operacional", informou a Embraer.

A empresa possui o domínio total sobre o software de missão da aeronave, o que permite que o país tenha autonomia e flexibilidade para fazer as modificações necessárias na aeronave caso seja necessário, atendendo aos requisitos operacionais dos diversos clientes.

Bem que ele poderia ficar por lá


A 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo alterou o cronograma de depoimento de algumas testemunhas no processo que investiga o chamado mensalão.

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que seria ouvido nesta sexta-feira, prestará depoimento somente no dia 4 de junho. Na mesma data acontecerá o depoimento do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega e, no dia 3 de junho, a vez do exdeputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).

O processo tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e as testemunhas estão sendo ouvidas por Carta de Ordem. Os interrogatórios de 96 testemunhas começaram ontem e serão realizados em várias estapas pela juíza Sílvia Maria Rocha
Calendário

Veja abaixo as datas e os nomes das testemunhas de defesa do réus do mensalão em São Paulo.


25 de maio

Roberto Britto, Marcelo José Ferreira e Silva, Eduardo Oineg Fulfaro, Maria Tereza Fonseca Bitar Barbosa, Marcelo Elauy, Jorge Gurgel, José Ramom Portela, Luiz Henrique de Oliveira, Sérgio Luis Silva e Luis Carlos Casante;

26 de maio

Francisco Fernandez, Najun Azario Flato Turner, Luis Eduardo Rodrigues Greenhalgh, Luiz Tedesco Filho, Marcelo Sepúlveda, José Aparecido Costa de França, Ubirajara dos Santos Macieira, Fabiana Rodriguez Calzado, Miguel Jurno Neto e Dalton Pastore;


27 de maio

Luiz de Alencar Lara, Nelson Biondi, Carlos Alberto Libanio, Ivan Gonçalves Ribeiro Guimarães, Ricardo Baldassarini, Márcio Thomas Bastos, Aldo Rabelo, Bernardo Appy, Ivan Guimarães e Roberto Marques;

28 de maio

Andréia Luiza da Silva, Ricardo Zaratini, Ângela Saragoça, Willian Hotds, Francisco Luzon, Nizan Guanaes, Luiz Lara, Armando Ferrentini, Ricardo Kotsho e Rita Iziane Souto;

29 de maio

Jaider Cruz Gama, Sérgio Honório Guerisoli de Carvalho, Geuza Ferreira Selin, Daniela Farah Antunes, Valter Pomar, João Felício, Denise Paraná, Paulo Frateschi, Paulo Ferreira e Fernando Henrique Cardoso;

1º de junho

Sílvio Pereira, Flávio Amaral, Arthur Fontes, José Manoel Caccia Gouvêa, Annuar Ali, Ranulfo Zanetti Sayao, Luiz Nelson de Carvalho, Maílson da Nóbrega, Vanderlei São Felício e Álvaro Gonçalves de Oliveira;

2 de junho

João Roberto Vieira da Costa, Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho, Antônio Henrique da Cunha Bueno, Eduardo Ficher, Sérgio Amado, Paulo de Tarso, Hiran Castelo Branco, Antônio Fadiga, Petrônio Corrêa e Anna Karen Moraes;

3 de junho

Antônio Luiz Rios da Silva, Antônio de Azevedo Castilho Neto, Luiz Antônio Fleury Filho, Ricardo Espírito Santo, Luiz Barros de Ulhôa Cintra Filho, Maurício Moscardi Grillo, Aloysio Nunes Ferreira, José Mentor, Luiz Gonzaga e Ângela Chavez;

4 de junho

Renato Silvestre, Gilmar Roberto Meneccioli, Enzo Barone, Alexandre Senra, Geraldo Alckmin, Irineu Casemiro Pereira, Petter Glazier, Gelsu Aparecido de Lima, Lázaro de Mello Brandão e Emídio de Souza;

5 de junho

Eliseo Santiago Eris Fernandez, Maurício Ceschin, Antônio Carlos de Campos Machado, Maria Beatriz Azevedo Bahia, Rodrigo Padron Franco e Augusto Rocha Coelho.

Como a Petrobras, de vitrine, virou vidraça


A instalação de uma CPI para investir a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) transforma, na prática, a vitrine do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva em vidraça. A intenção da oposição ao criar CPI utilizando como justificativa desentendimento entre a Petrobras e a Receita sobre tributos parece ser, na prática, a de apagar a "estrela" do PT.

Sob o PT, a estatal lançou o programa Petrobras Fome Zero, com orçamento de R$ 303 milhões.

Com Lula a Petrobras também se tornou ponta-de-lança do programa de biocombustíveis do governo. A Petrobras que detém a completa tecnologia para exploração e produção de petróleo em águas ultraprofundas é a mesma que assina contratos de assistência técnica agrícola para incentivar programas de agricultura familiar do Ceará e Piauí. A Petrobras Combustíveis é hoje comandada pelo ex-ministro de Desenvolvimento Agrário Miguel Rossetto, um dos fundadores do PT.

Quando o PAC foi lançado, 183 projetos da companhia foram incluídos ali, alguns já em andamento ou previstos há mais tempo. Dos R$ 70 milhões do orçamento do PAC para 2009, R$ 47 milhões (67%) cabem à Petrobras. A empresa é, de longe, a maior contribuinte da Receita Federal. "O objetivo dessa CPI é segurar a maior alavanca de investimentos desse país", afirma um experiente político.

Foi uma instrumentalização anunciada. Um dos programas mais marcantes do horário eleitoral gratuito da campanha presidencial de 2002 foi aquele em que Lula prometia a trabalhadores do estaleiro Verolme, em Angra dos Reis, que se fosse eleito todas as encomendas de navios da Petrobras seriam feitas no país.

A Petrobras vivia um processo de expansão dos investimentos num momento em que a indústria naval tentava sair de uma (de suas muitas) fases de baixa produção e quase insolvência por meio de arrendamentos das instalações para grupos estrangeiros. O próprio Verolme, em Angra, tinha voltado a operar dois anos antes (em 2000, era FHC) depois de quatro anos desativado.

Em 1997 a Petrobras teve inclusive que emprestar dinheiro para quitar dívidas do Verolme com o FGTS. Uma delas, de R$ 13,4 milhões, foi paga para interromper uma greve que ameaçava atrasar a entrega de uma plataforma que estava sendo construída lá. A Petrobras também teve que emprestar R$ 5 milhões para que o estaleiro pagasse as rescisões de funcionários demitidos. O estaleiro não podia sequer ser vendido na época porque o dinheiro teria que ser usado para abater R$ 80 milhões da dívida com o INSS.

No front interno, a Petrobras enfrentava pela primeira vez a concorrência privada em seu quintal. A Lei do Petróleo (9.478) tinha sido sancionada em 1997 e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi criada um ano depois para organizar o mercado. Foi nesse contexto que o decreto liberando a empresa de seguir a Lei de Licitações foi saudado pela empresa, que estava praticamente refém de um cartel de estaleiros ineficientes.

Entre os que ocuparam essas gerências iniciais estão o atual diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa.Naquela gestão, no segundo governo de FHC, o único diretor com indicação política na Petrobras foi o atual senador Delcídio Amaral (PT-MS), que, à época fazia parte da cota do PMDB, mas também exibia um currículo técnico considerado impecável.

No governo Lula, a empresa está sob o comando de quadros técnicos indicados pelo PT, muitos deles oriundos do movimento sindical, e por partidos aliados do governo. Um dos mais representativos é Wilson Santarosa, gerente executivo de Comunicação Institucional da Petrobras, ex-diretor das Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa) e ex-secretário-geral da CUT, que tem a mulher, Geide Miguel, como ouvidora da BR Distribuidora.

A Diretoria de Exploração e Produção, uma das mais importantes da estatal e a que tem o maior orçamento de investimento - US$ 104,6 bilhões, o equivalente a 59% do plano estratégico até 2013, que soma US$ 174,4 bilhões - é dirigida pelo petista histórico Guilherme Estrella, um geólogo aposentado da Petrobras, onde teve uma prolífera carreira, incluindo uma passagem pelo Iraque quando estava na Braspetro. O bom currículo era obscurecido, na época, pela informação de que tinha fundado um diretório do PT em Nova Friburgo e por algumas opiniões nacionalistas consideradas excessivas depois da abertura do setor.

A de Gás e Energia é ocupada por Maria das Graças Foster, engenheira de carreira da empresa, que trabalhou como braço direito da ministra Dilma Rousseff no Ministério das Minas e Energia e mantém grande proximidade com a pré-candidata governista à Presidência. A área de Abastecimento é comandada por Paulo Roberto Costa, indicado pelo PP mas que tem trânsito entre todos os partidos, incluindo PMDB e oposição.

Jorge Zelada, da área internacional, é indicado pelo PMDB da Câmara que, contudo, estaria insatisfeito com o "esvaziamento" da área. Para analistas do mercado financeiro que cobrem a empresa, uma possível redução dos interesses da companhia no exterior, ainda não efetivada, é uma decisão acertada, já que ela precisa fazer frente aos pesados investimentos que o pré-sal brasileiro vai exigir.

Com a CPI, voltaram as pressões para a saída de Estrella. De novo, o PMDB cobiça o cargo, cobrando a transferência do diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, para o lugar de Estrella. Na sexta-feira, Dilma Rousseff, de volta a Brasília depois da internação hospitalar, descartou qualquer mudança nas diretorias da estatal. E refutou a denominação de "caixa-preta" para a empresa: "A Petrobras segue leis rígidas de demonstrações contábeis, cumpre sistematicamente a Sarbanes-Oxley (lei americana contra fraudes contábeis criada em 2002). A empresa pode ter sido uma caixa preta em 1997, 1998, 1999, 2000, mas hoje é uma empresa com nível de contabilidade dos mais apurados do mundo".

Não é a primeira vez que Estrella se torna alvo da oposição. O ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcanti pediu a diretoria "que fura poço e acha petróleo" quando José Eduardo Dutra presidia a Petrobras. Mais tarde Estrella só não saiu junto com o ex-diretor de Gás e Energia e professor da USP, Ildo Sauer, porque o pré-sal tinha acabado de ser anunciado. A opção é sempre a troca de Estrella por Costa porque esse seria um nome "com livre trânsito" entre os diversos partidos, inclusive da oposição, e não apenas no PP que o indicou.

A companhia continua uma estrela do mercado acionário, grandemente fundamentada pela alta qualificação de seu corpo funcional. Bateu recordes de produção nos últimos anos e descobriu os maiores reservatórios de petróleo do mundo nos últimos 30 anos. Agora pode ter seu futuro alterado pelo novo marco regulatório que o governo está preparando em um processo que até agora teve pouca transparência e discussão com a sociedade, apesar de afetar profundamente a fonte de receita de alguns Estados e municípios e colocar em compasso de espera novos investimentos de companhias de petróleo estrangeiras no país.

O economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura, acha que o atual governo acredita ter o que ele chama de "monopólio do bem-querer da Petrobras", ao acusar a oposição de querer privatizar a companhia. Mas acha que a partidarização da estatal é em grande parte responsável pela situação atual. Lula nunca escondeu ter forçado a Petrobras a acelerar investimentos para evitar os efeitos da crise no país. Durante a inauguração de uma estação de tratamento de gás no Espírito Santo, chamou Gabrielli e disse: "Não tem chororô, meu filho. Não vamos deixar para 2017. Vamos gastar cada centavo que pudermos gastar. Vamos investir para dinamizar a economia brasileira".

Até o momento, é incerto o impacto da CPI nas atividades da companhia, que tem um estrutura funcional com uma disciplina quase militar herdada dos generais que passaram pela sua presidência. O professor Edmilson Santos, da USP, não se mostra surpreendido com a investida da oposição, lembrando que o petróleo sempre foi um assunto que desperta paixão e interesse no país. Já Pires vê a iniciativa da CPI como uma resposta à monopolização pelo PT de uma discussão estratégica para o país, como a exploração das reservas do pré-sal.

Maior presença do governo reduz efeitos da crise, revela estudo do BC


Estudo do Banco Central mostra que, onde a presença do governo é mais forte, a economia sofreu menor retração na atual crise financeira internacional. É o caso das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, em que gastos públicos representam fatia maior do Produto Interno Bruto (PIB) local. Outra característica que distingue essas áreas é a baixa dependência de crédito e de exportações para alavancar a demanda por seus produtos.

As conclusões fazem parte do relatório de economia regional do BC, cujo conteúdo vem sendo aprimorado para que, no futuro, possa formar, juntamente com o relatório de inflação, uma espécie de "livro bege" brasileiro, o documento mensal do Fed, o BC americano, que faz um amplo diagnóstico da economia dos EUA.

Uma das preocupações do BC é saber mais sobre como os choques sofridos pela economia, como a atual crise mundial, se propagam nas diversas regiões do país, afetando variáveis como atividade, emprego e inflação. Os dados da produção industrial divulgados pelo IBGE mostram que, nas turbulências atuais, a crise atingiu as diferentes regiões com intensidades bastante diferentes.

Num extremo, está a região Sudeste, que registrou o período mais agudo na crise entre setembro e dezembro, com retração acumulada da produção industrial de 22,2%. No Sul, foi muito próximo disso, com retração de 17,2%. O movimento mais suave foi no Centro-Oeste, em que o ápice foi no período setembro a fevereiro, com retração acumulada de 3,6%.

No Centro-Oeste, a presença do governo é mais forte. As despesas com administração, saúde e educação representaram, em média, 31% do PIB regional no período entre 2002 e 2006, o maior percentual do país. É mais do que duas vezes e meia a participação do governo, de 12%, na economia do Sudeste.

A produção industrial do Nordeste e do Norte sofreram, respectivamente, retrações de 12,9% e de 13,6%, nos períodos em que a crise teve sua repercussão mais aguda nessas regiões. A presença do governo nessas regiões é relativamente alta, de 22% no Norte e de 21% no Nordeste.

A face mais importante do governo nessas regiões, porém, é nas transferências governamentais. Os pagamentos do Bolsa Família e benefícios pagos pela Previdência foram de R$ 99 per capita no Norte e de R$ 170 no Nordeste. É bem mais do que no Sudeste, com R$ 76, e no Sul, com apenas R$ 54 per capita.

O Norte e o Nordeste têm peso relativamente alto em outro grupo de despesas do governos: os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As somas desembolsadas e previstas entre 2007 e 2010 representam 36% do PIB do Norte e 24% do Nordeste, bem acima dos 15% do Sudeste e do Centro-Oeste e dos 11% do Sul.

Além da menor presença do governo, diz o estudo do BC, a atividade industrial no Sul e no Sudeste foi mais atingida, porque são regiões mais dependentes do crédito e das exportações, dois dos canais mais importantes no contágio da crise financeira mundial sobre o Brasil. No Sul, as exportações equivalem a 18% do PIB, e no Sudeste, a 14%, numa métrica que considera os valores médios de PIB e exportações entre 2002 e 2006. No Nordeste, é de 9%, e, no Norte, 16%.

O estudo do BC reuniu um grupo de atividades consideradas vulneráveis à crise, porque são mais dependentes ao crédito e respondem menos à variação de renda. Entre eles, estão bens de consumo duráveis, bens de capital e construção civil. Esse conjunto de atividades responde por 14% do PIB do Sudeste e 10% do Sul. O percentual mais alto do país, porém, é o do Norte, com 20%. Ficam bem atrás Nordeste (4%) e Centro-Oeste (3%).

Da mesma forma que setores dependentes de exportações e crédito são mais afetados nas crises, observa o estudo do BC, eles respondem mais rapidamente quando há reativação da economia. Isso ajuda a entender porque, após forte queda até dezembro, a produção industrial do Sudeste e do Sul começou a reagir em janeiro.

Unidos

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) escolheu o Assentamento do Contestado (PR), dirigido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), para realizar sua plenária em 2 de junho. A parceria, segundo a FUP, “fortalece a classe dos petroleiros com os trabalhadores rurais, que sempre estiveram nas principais lutas da categoria”. É, sabe como é… se a terra não der para plantar, dá para tentar furar um poço.

Ela vai escapar


A deputada Luciana Genro (PSol-RS) pode respirar tranquila. A Mesa Diretora da Câmara quer arquivar a representação contra ela feito pelo PSDB por causa das acusações feitas aos tucanos em plenário. Mas é bom os congressistas começarem a moderar a linguagem na hora de acusar algum colega de crime sem provas na tribuna. A ideia é impor algum limite num outro pedido em curso na Casa.

Ganha-se bem, mas não fazem nada


Desvirtua-se de forma deplorável o trabalho dos legisladores. Já não dá conta a pensar. Parlamentares eleitos vêm a Brasília e se sujeitam aos vencimentos de R$ 12,8 mil. Isso é o fixo. Somam-se as vantagens, que são muitas. Viagens aéreas, auxílio residência, direito a nomear até tantos mil reais o número que desejar de assessores. Excesso de pessoal vai forçar a construção do novo anexo.

Certa vez um legislador inglês visitando Brasília passou o dia conhecendo o Congresso. Do alto do restaurante para parlamentares, não teve outra palavra de exaltação: “O Brasil tem um confortável parlamento. Resta saber que leis aprovam”.

Isso foi dito por um singelo parlamentar da Inglaterra, onde as coisas não mudam, faz séculos. Mas nossos parlamentares exaurem os cofres da viúva. A cada dia nova possibilidade de bem ser atendido. A última é do deputado Nelson Marquezelli.

Prefere usar carros “de confiança”. São dirigidos por motoristas particulares e blindados contra assaltos. Tanto a mesa da Câmara quanto a do Senado se sentem represadas. Não negam mais os pedidos dos parlamentares. Isso nos leva a um caminho. Parlamentar não é profissão para dar lucros. É para o exercício profissional de quem deseja trabalhar pelo país para satisfazer à pátria, e não ao seu patrimônio particular.

Sócio de Constantino é beneficiado pela Justiça


O homem acusado de subornar testemunhas durante investigação contra o empresário Constantino de Oliveira se beneficiou com um habeas corpus na Justiça de Brasília. Preso desde a última quinta-feira, Victor Foresti está solto por decisão da desembargadora Sandra de Santis, da 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF. Ele é genro e sócio do fundador da Gol Linhas Aéreas no grupo Planeta e vice-presidente do Setransp, o sindicato das empresas de transportes urbanos do DF. Deixou o cárcere do Departamento de Polícia Especializada (DPE) por volta de 13h30.

Na decisão, tomada na manhã de ontem, a desembargadora reconheceu o direito do réu de aguardar o julgamento em liberdade. Admitiu a interferência de Foresti no caso, mas entendeu que não havia necessidade de mantê-lo preso. “A liminar em habeas corpus fica reservada àqueles casos em que é evidente o constrangimento ilegal. (…) Embora nocivo às investigações, não foi imputado ao paciente crime praticado com violência ou grave ameaça contra a pessoa”, afirmou.

Além de Foresti, a Polícia Civil do DF prendeu no fim da semana os motoristas aposentados João Alcides Miranda, 61, e Vanderlei Batista Silva, 67. Os dois continuam presos por força de mandados de prisão preventiva. Trabalhavam para Constantino e, de acordo com a Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), receberam ordens dele para executar dois moradores que resistiam em sair de propriedade da Planeta em Taguatinga. Os crimes ocorreram em 2001. Os pistoleiros contratados para assassiná-los também acabaram mortos.

Constantino continua livre. Os advogados de defesa recorreram à prisão domiciliar depois de negado pedido de habeas corpus. A desembargadora Sandra de Santis atendeu o pedido às 20h de sexta-feira. Mas o empresário ainda não se apresentou. Os defensores disseram que ele passa por tratamento médico em São Paulo e “se apresentará à Justiça espontaneamente tão logo tenha condições de saúde para tal”.

Independentemente da prisão do fundador da Gol, o processo continua na Justiça brasiliense. O juiz Almir Andrade Freitas, do Tribunal do Júri de Taguatinga e responsável pela ordem para prender os acusados, determinou a instauração da primeira fase do julgamento no despacho assinado às 12h36 de segunda-feira. Assim, devem ser marcados para logo os primeiros interrogatórios dos acusados e das testemunhas do caso.

Crimes
O indiciamento de Constantino ocorreu em 10 de dezembro de 2008 por conta da morte de Márcio Leonardo de Sousa Brito, 27 anos. A vítima morreu em 12 de outubro de 2001, no terreno da antiga garagem da Viação Pioneira, na QI 25 de Taguatinga. Era líder dos cerca de 100 moradores do lugar. Levou três tiros ao ser atraído para uma emboscada. Na manhã seguinte, advogados do fundador da Gol retiraram os moradores do local. Os chefes de cada família receberam R$ 500.

O grupo ocupava a área desde 1990. Constantino brigava na Justiça para retirá-los — as disputas começaram depois que um ex-empregado do grupo Planeta vendeu lotes fracionados no terreno. O fundador da Gol acabou indiciado novamente em 30 de dezembro último. Dessa vez, pela morte do caminhoneiro Tarcísio Ferreira, 42, assassinado em 9 de fevereiro de 2001. Um pistoleiro o atacou nas proximidades da garagem da Pioneira. É o mesmo local onde, oito meses depois, Márcio morreria. Correio Braziliense - 24/05/2009

Só criticas de um ex e atual invejoso

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) não sossega o facho mesmo. Ele tem aproveitado por onde passa, para criticar o presidente Lula. Isso, dentro e fora do país. É direito dele e é democrático criticar qualquer administração. Mas, politicamente, as criticas acabam favorecendo Lula. Por alguns motivos: Lula tem uma ótima avaliação pessoal e de governo; FHC não. Lula tem o poder, a caneta e os meios para conseguir amplos espaços na mídia. FHC não tem mais. Se ao Lula fosse permitido, poderia se rereeleger. FHC, hoje, não teria a mínima chance.

A CPI da Petrobras, por exemplo, se constatar irregularidades e mexer com a opinião pública, pode favorecer em muito a oposição. Caso contrário, se a CPI da Petrobras não trouxer resultados escandalosos à oposição vai ficar mal, principalmente o PSDB. Não é tarefa difícil para os governistas "adesivar" os tucanos como privatistas e entreguistas, como ocorreu na eleição presidencial de 2006

Ordem na sucessão presidencial


Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em viagem ao exterior, o cenário político nacional virou um pandemônio que nem mesmo os mais atinados analistas conseguem entender. Primeiro, voltou à tona o famigerado terceiro mandato e as perguntas que ele suscita: afinal, embora tenha dito que nem pensa nisso, Lula ainda não colocou um ponto final nessa discussão. Por isso, todos ficaram aguardando seu retorno para por ordem na casa.

É verdade que os defensores do terceiro mandato são parlamentares sem nenhuma expressão, que integram o chamado "baixo clero". Mas é o suficiente para incendiar o discurso da oposição, porque somente a ela interessa o desgaste do governo nessa área. E a discussão do assunto é um prato cheio para os oportunistas. Afinal, porque Lula iria manchar sua imagem construída a duras penas durante os últimos oito anos, dando uma de Hugo Chavez?

Talvez, até por sinalização do presidente, o PT encomendou uma pesquisa ao Vox Populi que dá 20% de intenção de votos à ministra Dilma Rousseff, pré-candidata ungida pelo presidente Lula. É a maneira de dizer: "Vai ser Dilma". E estão chegando outras pesquisas por aí, do Instituto Sensus e do Ibope, na mesma linha e com índices aproximados do Vox Populi. É só esperar.

TSE e TCU fazem convênio para auditar campanhas


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Tribunal de Contas da União (TCU) assinaram ontem um convênio para a realização de auditorias em contas de campanhas eleitorais. Pelo protocolo assinado pelos presidentes dos tribunais, ministros Carlos Ayres Britto e Ubiratan Aguiar, os dois órgãos deverão realizar intercâmbio de informações para aperfeiçoar a análise do conteúdo e da veracidade de documentos referentes a doações de recursos a partidos políticos, a comitês financeiros de campanha e aos próprios candidatos.

Caberá ao TSE selecionar as contas eleitorais a serem auditadas, bem como abrir seu banco de dados de empresas, partidos e candidatos envolvidos no processo eleitoral para que os técnicos do TCU possam auditá-los. Para tanto, o tribunal de contas irá ceder seu servidores para que isso seja feito, além de dar treinamento a técnicos do TSE sobre auditagem de contas eleitorais. O TCU também deverá dar acesso a sua base de dados ao TSE.

"É assim que o tribunal de contas vive: procurando se articular. Não podemos ficar vendo o Ministério Público afogado de papel porque ele tem mais facilidades por ter acesso a dados sigilosos. Nós temos expertise em auditoria de contas e queremos compartilhá-la com outros órgãos", afirmou o presidente do TCU, Ubiratan Aguiar.

O presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, afirmou que o acordo já começa a valer não só para as contas das eleições de 2010, mas também para as contas de campanhas passadas, em especial as de 2006 e de 2008. "Não se trata de caça às bruxas, mas de um aprimoramento no combate à corrupção no país", disse.

O ponto de partida do acordo foi o interesse do TSE em importar o conhecimento do tribunal de contas na fiscalização de obras e programas que envolvem recursos públicos federais, com fornecimento de tecnologia de softwares especializados nessas auditorias, de pessoal para treinamento em auditorias

Em contrapartida, o TCU queria acesso pleno ao banco de dados do TSE, como declaração de bens dos candidatos, doadores de campanha e endereços, uma vez que um dos principais problemas do tribunal é a localização dos envolvidos nos seus processos. Como a cada dois anos há eleições, o cadastro de pessoal do TSE acaba sendo permanentemente atualizado, pelo menos no que diz respeito às candidaturas.

Não é a primeira vez em que os tribunais se propõem a trocar informações. Na auditoria que o TCU fez no programa Bolsa Família neste mês, por exemplo, houve ajuda mútua dos dois órgãos. A diferença é que agora a cooperação foi oficializada.

A iniciativa decorre do protocolo de intenções assinado em março entre TCU, TSE e ministérios da Fazenda, Justiça, Planejamento, Previdência e Controladoria-Geral da União para formar uma Rede de Controle da Gestão Pública. A rede prevê o estabelecimento de parcerias estratégicas para o combate a corrupção.

Garotinho, pelo PR, e Crivella, pelo PRB, montam chapa para governo e Senado


Em sua quinta mudança partidária, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho vai trocar o PMDB pelo PR com o objetivo de candidatar-se ao governo do Estado no ano que vem. O PR foi criado com a dissolução do PL depois do envolvimento de alguns de seus parlamentares, como Valdemar Costa Neto e Sandro Mabel, no escândalo do mensalão na Câmara, em 2005.

Nesta semana, o PR convidou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), para a legenda e concorrer à Presidência da República. Aécio, que ter "convergência de pontos de vista" com o partido, já teve como vice em seu primeiro mandato o empresário Clésio Andrade, filiado na época ao PL e hoje no PR.

A filiação de Garotinho está marcada para a primeira semana de junho. O ex-governador estava com dificuldades para ganhar espaço no PMDB do Rio, onde dividia forças com o governador Sérgio Cabral, que vai tentar a reeleição no ano que vem. Apesar das divergências com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a candidatura de Garotinho seria mais um palanque para o candidato do PT à Presidência. O PR é da base do governo federal, tem a pasta dos Transportes com o senador Alfredo Nascimento e possui bancada considerável na Câmara, de 42 parlamentares.

Segundo a presidente estadual do PR no Rio, a vereadora Liliam Sá, Garotinho teria naturalmente o apoio do senador e bispo da Igreja Universal Marcelo Crivella, filiado ao PRB, partido também originado do extinto PL e do vice-presidente José Alencar. Os dois partidos têm fortes ligações evangélicas no Rio. O PR agrega políticos ligados à Assembleia de Deus, enquanto o PRB agrupa representantes da Igreja Universal. Os dois partidos lançariam Garotinho a governador e Crivella a nova candidatura ao Senado.

Os líderes do PR apostam que o partido vai crescer com a chegada do ex-governador. "Sua entrada significa crescimento extraordinário no partido local e nacionalmente. O Rio de Janeiro tem peso político no país e o nome de Garotinho extrapola as fronteiras do Estado, ele já foi candidato a presidente com 15 milhões de votos", disse o presidente do PR, Sérgio Tamer, que assumiu nesta semana a secretaria de Direitos Humanos do Maranhão, na recente gestão de Roseana Sarney (PMDB).

Fundador do PL nos anos 80, Tamer concorreu duas vezes para deputado federal pelo Maranhão sem sucesso. Diz que Garotinho terá "total autonomia" para fechar alianças. A estratégia da legenda é lançar candidatos próprios para governador nos estados do Mato Grosso, Amazonas, Espírito Santo, Rondônia, Tocantins e Bahia e aumentar a bancada em oito a dez deputados. As composições seguirão lógicas regionais, diz Tamer.

No Estado do Rio, o PR não vê problemas em romper com o governador Cabral. "Não temos compromisso nenhum com Sérgio Cabral. Ele já havia rompido conosco. Demos tempo de TV no segundo turno das eleições, mas não participamos do governo depois dele ter vencido. O mesmo ocorreu com a prefeitura de Eduardo Paes, mas em termos nacionais, continuamos a caminhar com o governo Lula", disse a vereadora Liliam Sá.

Garotinho já passou pelo PT, PDT e PSB. Está inelegível por abuso de poder econômico (compra de votos) nas eleições de 2006. A decisão do Tribunal regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) é válida por três anos a contar das eleições de 2006 e a legislação permite nova eleição até que o processo esteja transitado em julgado.

A saída de Garotinho do PMDB pode dificultar as pretensões eleitorais de Sérgio Cabral, cujo governo tem sofrido queda de aprovação, segundo pesquisas recentes. Aliado do presidente Lula, Cabral já havia trocado farpas com o prefeito de Nova Iguaçu (RJ), Lindberg Farias (PT), que queria lançar-se ao governo do Estado em 2010. Segundo políticos envolvidos nas negociações, Lindberg estaria, com esse movimento, forçando sua candidatura ao Senado.

Por trás da briga, está o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Jorge Picciani (PMDB), com influência na administração Cabral. Picciani quer uma vaga no Senado e trabalha para que a aliança PMDB-PT no Rio não se restrinja às eleições majoritárias e se estenda nas candidaturas às duas vagas do Rio para limitar o número de concorrentes. O PT, entretanto, tem como possível candidata, além de Lindberg, a ex-governadora do Rio Benedita da Silva (PT), atualmente secretária de Direitos Humanos do governo Cabral.

Desperdício de dinheiro público


Instalada pelos ruralistas para discutir a "crise na agricultura", a comissão especial está às moscas. Não apareceu um deputado sequer ontem para discutir o assunto, e os três convidados discursaram ao vento, para um plenário vazio. Ao lado dos palestrantes, na mesa, estavam só os deputados Abelardo Lupion (DEM-PR) e Zonta (PP-SC). Passagens e estadia dos oradores foram pagas pela Câmara.

Que mentira


Ao depor no Conselho de Ética da Câmara, o deputado Edmar Moreira (sem partido-MG) se fez de vítima e disse que nem ele nem a família podem sair às ruas porque todos só o relacionam com o seu castelo (avaliado em R$25 milhões e declarado por valor inferior à Receita). Disse que está sendo condenado previamente e partiu para o ataque a seu antigo partido, o DEM, e ao corregedor, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), afirmando que todos estão sob suspeição e não podem participar de seu julgamento.

Edmar insistiu que seu castelo foi adquirido antes de se tornar parlamentar. Mas pouco tratou das irregularidades no uso da verba indenizatória detectados pela comissão de sindicância da Corregedoria, que sustenta o processo por quebra de decoro contra ele no conselho.

- Qual foi o erro em levar para minha cidade um empreendimento que poderá dar emprego e renda? Quis o destino que o formato fosse um castelo, que caiu no imaginário popular. Poderia ser um iglu, ser piramidal. Foi um castelo, assim decidiram os arquitetos - disse Edmar, que, ao depor, ficou com a voz embargada.

Edmar reagiu porque, no depoimento a portas fechadas à comissão de sindicância, deu declarações comprometedoras. Admitiu ser o único cliente de sua empresa de segurança Ronda, falida, e que não registrava os funcionários.

Relator retira cota racial para TV e publicidade


O deputado Antônio Roberto (PV-MG) decidiu retirar do relatório do Estatuto da Igualdade Racial trechos de um artigo que prevê a criação de cotas de 20% para negros em programas de televisão e peças publicitárias veiculadas na TV e em salas de cinema. A reserva de mercado para atores, figurantes e técnicos negros sofria forte resistência de parlamentares do DEM, da bancada evangélica e de setores da sociedade civil.


A votação do relatório na comissão especial encarregada de analisar o assunto estava marcada para ontem, mas foi adiada, sem previsão de data.

- Estou ouvindo pessoas. Essa é uma questão importantíssima. Quanto mais conversar, melhor - disse Roberto.

O relatório original, que seria votado semana passada, previa a criação de cotas de 20% para atores, figurantes e técnicos negros. O texto também autorizava a criação de cotas para negros de escolas públicas em universidades federais, entre outras medidas. Depois de ouvir representantes da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), o deputado chegou à conclusão de que a criação de reserva de emprego para negros na TV e na publicidade é inviável.

PMDB fala em mais quatro anos para Lula


Maior partido do Congresso, o PMDB engajou-se ontem à noite no cordão do terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um jantar oferecido à cúpula pelo líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), apressou a tomada de posição. O anfitrião é também o advogado da tese segundo a qual é preciso “partir para cima, para o terceiro mandato do Lula”, nas palavras dele mesmo, reproduzidas ao Correio por um dos comensais.

Embora não falem por questão de pudor, os caciques do PMDB estão incomodados com a doença da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Escolhida por Lula para representar o PT na eleição presidencial do ano que vem, ela descobriu um tumor maligno no sistema linfático. Já o removeu. Mas sofre com a quimioterapia. Pragmáticos, os políticos duvidam que ela vá ter saúde para enfrentar a campanha eleitoral. Acham que, sem ela, não há tempo hábil para forjar outro candidato. A solução mais fácil para todos manterem ou ampliarem o poder, dizem quando não há jornalistas por perto, é mudar a Constituição e permitir uma segunda reeleição ao presidente da República, aos governadores e aos prefeitos.

Uma primeira e sigilosa conversa sobre o assunto aconteceu há 15 dias, na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (SP), também peemedebista, também presente ao jantar de ontem. Nela, Henrique Eduardo Alves apresentou pela primeira vez e com entusiasmo a ideia de pôr o gigantismo do PMDB a favor do terceiro mandato. Desde então, o grupo de deputados que controla a sigla — nele incluído o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima — vem amadurecendo a ideia em conversas sussurradas entre si, embora mantivesse outra posição de público.

Em princípio, o jantar na casa de Eduardo Alves reuniria somente essa espécie de núcleo duro do terceiro mandato. Mas um movimento de bastidor ainda não identificado ampliou a reunião. Foram chamados então o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), o ministro Hélio Costa e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Barreto redigiu uma proposta de emenda constitucional (PEC) abrindo a brecha da rerreeleição. Diz ter 188 assinaturas de apoio — 17 a mais do que o necessário — e promete protocolar o documento na Secretaria-Geral da Câmara até o fim da próxima semana. “Será bom para todo mundo, para o governo e para a oposição”, defende.

No jantar, o papel designado a Barreto era esmiuçar sua proposta para a plateia. Antes, porém, o grupo tratou de mapear a situação política nos estados para levar a Lula uma espécie de lista de sacrifícios, onde quer que o PT abra espaço para peemedebistas (veja quadro).

Quanto aos sacrifícios para o PT, é algo factível. Tal política vem sendo defendida pelo próprio Lula e pelo ex-ministro José Dirceu, ainda hoje uma eminência parda entre os petistas. Lula está mais preocupado em não rifar Dilma do que em articular a seu próprio favor. Em visita oficial a Pequim, declarou não discutir a hipótese do terceiro mandato. “Primeiro porque não tem terceiro mandato. Segundo, porque a Dilma está bem”, insistiu.

DESCRÉDITO
O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), afirmou ontem não acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha a intenção de partir para um terceiro mandato. O mineiro disse que, em todas as conversas sobre o assunto que teve com o petista, sentiu que ele descarta essa possibilidade. “Seria uma violência com a sua própria biografia”, afirmou. Ainda segundo Aécio, a hipótese também significaria uma violência contra a democracia e não haveria tempo hábil para aprovação de norma neste sentido no Congresso. Para o governador, a possibilidade parte de “setores do PT que sempre tiveram muitas dúvidas sobre as possibilidades reais de vitória do PT na sucessão do presidente Lula”.

OBSTÁCULOS
Peemedebistas querem sacrifícios do PT em pelo menos quatro estados

Rio Grande do Sul
O deputado Eliseu Padilha é candidato ao Senado e quer o apoio dos petistas

Minas Gerais
O ministro Hélio Costa é candidato ao governo e conta com o apoio dos petistas

Paraná
O governador Roberto Requião é candidato ao Senado e quer que os petistas o apoiem e não lancem Gleisi Hoffmann para a vaga

Bahia
O ministro Geddel Vieira Lima quer apoio do PT para lançar-se como candidato único de uma grande frente de partidos ao Senado

Em Brasilía 19 horas

O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) acaba de dar início à reunião de hoje da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) quando poderão ser votadas quase cinquenta propostas legislativas. Entre elas, um conjunto de seis projetos da Câmara e do Senado que propõem alterações na sistemática de transmissão do programa de rádio Voz do Brasil. O relator das matérias é o senador Antônio Carlos Junior (DEM-BA), que já ofereceu parecer adotando apenas um dos projetos. Também fazem parte do rol de matérias cerca de trinta projetos com pedidos de funcionamento de emissoras de rádios e televisão.

Aécio está vendendo a Cemig


Cemig negocia 49% da CEB por R$ 500 milhões

Os governos de Minas Gerais e do Distrito Federal negociam 49% da Cia Energética de Brasília. Os governadores Aécio Neves (PSDB) e José Roberto Arruda (DEM) cuidam pessoalmente da transação: a Cemig (Cia Energética de Minas) pagaria R$ 500 milhões pela participação acionária na CEB, dos quais R$ 200 milhões seriam usados para saldar dívidas e o restante investido na rede de energia no DF, uma das piores do País.

Abertas as inscrições do Projovem


Começaram nesta segunda-feira (18/05), em todas as agências do trabalhador, as inscrições para os programas Projovem Trabalhador e Jovem Empreendedor. O projeto busca qualificação profissional para jovens de 18 a 29 anos, desempregados, que concluíram ou estejam cursando o ensino fundamental ou médio e que comprovem renda familiar de até um salário mínimo.

O projeto terá duração de seis meses com carga horária de 350h. Cada aluno receberá um kit aluno (camiseta, mochila e material didático), transporte, lanche, seguro de vida durante o programa e uma bolsa de R$ 100. Este valor poderá ser sacado com o Cartão Cidadão nas agências do Banco do Brasil. Terá direito a este benefício e ao certificado de conclusão, os alunos que tiverem no mínimo 75% de freqüência. As aulas serão de segunda a sexta-feira, nos turnos manhã, tarde e noite em Sobradinho II, Riacho Fundo II, Samambaia, Paranoá, Ceilândia Sul, Ceilândia Norte, São Sebastião e Gama.


O Jovem empreendedor é um projeto de qualificação social e profissional à distância, de empreendedorismo para estudantes do curso de administração e funcionários das Associações Comerciais do DF. O curso terá duração de seis meses e será estruturado em duas etapas: curso e estágio. Participarão da etapa de estágio os 136 alunos que obtiverem melhor desempenho durante o curso. O estágio será desenvolvido nas agências do trabalhador.

A meta do Projovem Trabalhador é qualificar 6 mil jovens e inserir 1.800 mil destes no mercado de trabalho e preparar 949 estudantes do curso de administração e funcionários das Associações Comerciais do DF no projeto Jovem empreendedor.

Os cursos serão nas seguintes áreas:
- Alimentação (chapista, cozinheiro auxiliar, vendedor ambulante de alimentos e repositor de mercadorias).
-Vestuário (costureiro, montador de artefato de couro, costureira de reparação de roupas e vendedor do comércio varejista).
-Turismo e hospitalidade (organização de eventos, auxiliar de garçom, recepcionista de hotéis e guia turístico local).
-Serviços pessoais (cabeleireiro, manicure e pedicure, depilação e maquiagem).

Documentação para Inscrição
-CTPS;
-RG;
-CPF;
-Comprovante de residência;
-Comprovante de escolaridade;
-2 fotos 3x4 (atual de 2009);
-Comprovante de renda familiar de até 01(um) salário mínimo.

Documentação para inscrição
-RG;
-CPF;
-Comprovante de residência;
-Declaração de matrícula no curso de Administração da rede de ensino superior do DF, credenciada no MEC (Somente para estudantes;)
-Declaração funcional que comprove vínculo com a associação. (somente funcionários das associações comerciais do DF).

Mais informações ligar no 156.

Governistas temem que propagação da tese do 3º mandato enfraqueça ministra


As propostas e manifestações de parlamentares da base aliada do Palácio do Planalto em defesa de um terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são vistas com preocupação por lideranças governistas, pelo potencial de enfraquecimento da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à sucessão presidencial.

A iniciativa mais recente é do deputado Jackson Barreto (PMDB-SE), que circula pelos corredores da Câmara com uma proposta de emenda constitucional (PEC) que permite que presidente, governadores e prefeitos disputem uma segunda reeleição. A promulgação da Emenda ficaria sujeita a referendo popular, que tem até data: segundo domingo de setembro de 2009. Ele afirma ter conseguido 178 assinaturas - sete a mais do que o mínimo necessário -, mas aguarda momento mais oportuno para protocolar a PEC.

Embora Lula já tenha manifestado publicamente rejeição à possibilidade de disputar novo mandato, quando a iniciativa estava com o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), o deputado pemedebista diz que sua PEC manifesta "a vontade do povo nordestino", citando as políticas públicas do presidente para a região. "Um candidato de Lula no Nordeste é forte, mas não será mesma coisa. Ele nunca conseguirá transferir todo apoio que tem a outro", afirma Jackson.

Barreto disse estar adiando a formalização da PEC por se sentir "constrangido" pelo fato de a ministra Dilma Rousseff estar passando por um momento delicado, sofrendo em consequências do tratamento quimioterápico para combater um câncer no sistema linfático. Na próxima semana, o pemedebista pretende fazer uma "avaliação do quadro da ministra" para definir a data em que a PEC será protocolada.

Na segunda-feira, foi a vez do deputado Fernando Marroni (PT-RS) discursar na tribuna em defesa da realização de um plebiscito para que a população decida sobre a tese do terceiro mandato de Lula. "Não posso me conformar que as leis brasileiras impeçam que tenha continuidade a liderança desse homem. São poucos os líderes no mundo. De vez em quando surge um gênio. Esse é um gênio brasileiro", afirmou.

Ontem o assunto foi discutido na reunião da coordenação da bancada do PT na Câmara. Marroni estava presente e defendeu sua tese. Recebeu críticas das lideranças do partido, sob o argumento de que, se o PT discute o terceiro mandato para Lula, é porque não acredita em sua opção - a candidatura de Dilma. Os petistas saíram da reunião dizendo que o lema, agora, é dizer que a ministra representa o terceiro mandato. "Não há razão para ficar especulando sobre algo que não existe", diz o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).


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