CPI da Alstom-PSDB


Partido aproveita investigação sobre Eletropaulo para apurar pagamento de propina

Secretário de Energia de Covas, David Zylberstajn, foi convocado pela CPI, que pode chamar ainda Andrea Matarazzo e Mauro Arce

O governador José Serra inaugura estação de tratamento de esgoto no município de Mococa

A bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo decidiu se valer de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) já instalada -a CPI da Eletropaulo- para investigar o possível envolvimento de tucanos em um esquema de pagamento de propinas pela multinacional francesa Alstom.

Como documentos enviados ao governo brasileiro pelo Ministério Público da Suíça indicam que um contrato realizado pela Eletropaulo, entre 1997 e 1998, está sob investigação, o PT vai aproveitar a existência dessa CPI para apurar possíveis irregularidades no processo de privatização da empresa. A Eletropaulo foi privatizada em 1998, na gestão de Mario Covas.

Presidida pelo petista Antônio Mentor, a CPI da Eletropaulo foi instalada no ano passado e tem funcionamento previsto até 30 de junho. Embora o PT seja minoria na comissão, o líder do partido na Assembléia, Roberto Felício, afirma que a convocação de David Zylberstajn, secretário de Energia do governo Covas, já foi aprovada.
"Vamos apresentar ainda o requerimento de convocação de Andrea Matarazzo e do Mauro Arce", avisou Felício.

Atual secretário municipal de Coordenação de Subprefeituras, Matarazzo ocupou a Secretaria de Energia de fevereiro a agosto de 1998, em meio ao processo de privatização da Eletropaulo. Foi sucedido por Arce, hoje secretário de Transportes de José Serra (PSDB).

Segundo os documentos enviados ao Brasil, empresas "offshore" teriam sido utilizadas para repassar, entre 1998 e 2001, até R$ 13,5 milhões em propinas para políticos e autoridades de SP, em valores atualizados. No período, o Estado foi governado pelos tucanos Mario Covas e Geraldo Alckmin. Segundo reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" publicada ontem, as comissões teriam sido pagas pela Alstom em troca da assinatura de contratos em São Paulo. As suspeitas são de que os pagamentos foram feitos por intermédio de serviços de consultoria que nunca existiram.
Segundo os documentos, essas "comissões" foram formalizadas por meio de contratos de consultoria de abril a outubro de 1998, período em que a Alstom e a Eletropaulo tratavam da expansão do metrô.

A obra seria de instalação de subestações para fornecimento de energia ao metrô. No período, foram secretários de Energia três nomes ligados ao PSDB. David Zylberstajn, que era genro do então presidente Fernando Henrique Cardoso, deixou a pasta em janeiro para assumir a Agência Nacional de Petróleo.

Além da convocação, o PT ameaça entrar na Justiça para obter, no TCE (Tribunal de Contas do Estado), acesso a um contrato do Metrô com a Alstom. O partido também enviará ao Ministério Público todos os processos do TCE referentes ao grupo Alstom.
Das seis "offshores", duas eram administradas por brasileiros, ainda segundo "O Estado de S. Paulo". A MCA Uruguay Ltda, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, teria recebido R$ 8,7 milhões. Quem administrava a empresa era Romeu Pinto Junior, segundo a documentação.

Outra empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a Taltos Ltda, teria recebido cerca de R$ 3 milhões, em valores atuais. José Geraldo Villas Boas é apontado como seu administrador. Pinto Junior e Villas Boas não foram localizados.
Villas Boas presidiu entre 1975 e 1977 a Aecesp (Associação dos Engenheiros das Companhias Energéticas no Estado de São Paulo). Funcionário de carreira, presidiu a Cesp (Companhia Energética de São Paulo) e foi diretor da Eletropaulo.
Outras "offshores" citadas tinham como administradores franco-brasileiros. São elas a Splendorey Associados, que teria uma sede fantasma em São Paulo, e a Andros Management, com sede nas Bahamas.
Segundo os papéis, a Splendorey seria do banqueiro aposentado Jean Marie Lannelongue. Outras duas "offshores" são a Janus holding e a Compania de Asesores de Energia S.A. Folha

Governo estuda corte de tarifas de importação


O governo federal poderá promover uma redução de alíquotas de importação como instrumento para conter a inflação. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, essa alternativa será discutida nos próximos dias com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O Ministério da Fazenda fará um mapeamento dos segmentos que estão registrando maior aumento de preços, para que a possível redução seja feita de maneira seletiva, explicou Miguel Jorge.

O ministro disse que um dos setores que poderá ter corte de alíquota é o aço. "Houve aumentos muito grandes em relação ao aço e se for comprovado o impacto inflacionário desses aumentos é possível que sejam zeradas as alíquotas de determinados tipos do produto." Na avaliação de Miguel Jorge, o Brasil tem uma escala de produção de aço muito grande, o que viabiliza importações, sobretudo em função da situação cambial atual, bastante favorável.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos ministros que o acompanham à viagem ao Haiti e El Salvador que é grande a preocupação com a inflação nos próximos meses e que o esforço de contenção não pode ficar apenas a cargo do Banco Central, por meio do controle da taxa de juros.

O presidente pediu então que cada ministério encontre políticas de contenção inflacionária. As instruções foram passadas no avião presidencial, durante a viagem entre os dois países. Na opinião do presidente , o aumento internacional do preço de commodities agrícolas é o principal fator de alta inflacionária.

Lula sinalizou, entretanto, que uma eventual redução de alíquotas terá limites. Ao discursar para empresários na abertura de um encontro entre investidores do Brasil e da América Central, o presidente disse que a redução não pode afetar o setor produtivo, ao comentar sobre as negociações da Rodada Doha.

"Todos sabem aonde o sapato está apertando. No G-20, precisamos flexibilizar as tarifas na indústria e nos serviços, mas não a ponto de ver a indústria decrescer por conta de uma enxurrada de produtos do Primeiro Mundo. No Brasil, faz pouco tempo que começamos a crescer e não podemos flexibilizar a ponto de impedir o crescimento. Não são poucas as reuniões que temos feito a respeito, mas ainda não chegamos a um ponto de consenso", afirmou Lula.

Sobre o grau de investimento concedido ao Brasil da agência de risco Fitch, o presidente Lula disse ter ficado "feliz" com "a notícia de que uma segunda agência reconheceu o Brasil como investment grade. Estamos colhendo aquilo que foi plantado pelo governo brasileiro. Quem trabalha com seriedade termina conquistando seus objetivos", afirmou.

Em Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou que o governo poderá baixar a alíquota de importação de produtos que estejam pressionando a inflação interna. Ele lembrou que o governo já adotou esse tipo de medida para o aço e para o trigo, itens que têm apresentado grande elevação de preços, ainda que influenciados por altas no mercado externo. "Já baixamos (a alíquota de importação) do aço e do trigo. Se houver outros produtos cuja redução da tarifa de importação possa reduzir o preço, nós faremos o mesmo", disse Mantega.

Infra-estrutura eleva vendas de seguro garantia


Um bom termômetro para medir o investimento em infra-estrutura é o seguro garantia. Trata-se de uma proteção que tem se tornado uma exigência dos financiadores do projeto e também dos investidores. As apólices servem para evitar que a obra seja suspensa por motivos cobertos pelo contrato, como falta de pagamento, acidentes entre outros, bem como para indenizar terceiros por danos causados em decorrência da execução do projeto.

Só a corretora de seguros Marsh, uma das maiores do mundo, está para fechar 26 projetos. Entre os beneficiários das apólices estão financiadores como BNDES(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Caixa Econômica Federal, BBA e Banco Mundial. Esse número supera os 22 fechados durante todo o ano de 2007. "Esses projetos totalizam R$ 6 bilhões em investimento na construção de PCHs (pequenas centrais hidrelétricas), termoelétricas, usinas de açúcar e álcool, além dos parques eólicos", conta Marcelo Elias, diretor de novos negócios da Marsh.

O investimento para acompanhar o crescimento do Brasil está tão intenso que a Marsh projeta que a carteira de seguro garantia crescerá 50% em prêmios em 2008. "Muitos projetos que estamos fazendo a colocação ainda aguardam o financiamento. Mas como os resseguradores fazem exigências de uma série de documentos, temos de começar a trabalhar no contrato bem antes de ter a certeza da liberação do financiamento para não perder prazos", explica Tatiana Moura, gerente da área de garantia e crédito da Marsh Brasil.

"Nunca trabalhei tanto na minha vida", comemora Solange Fernandes, gerente responsável por seguro garantia da Aon, uma das maiores corretoras de seguros do mundo e principal concorrente da Marsh. Segundo ela, o crescimento tem sido impressionante, principalmente em projetos de energia e telecomunicações. "A demanda por cotações cresceu 150% do ano passado até agora", diz. A Aon análise 45 projetos.
Solange explica que a apólice de performance bond garante a execução da obra e é a mais contratada por ser exigida nos contratos. Já as de completion bond envolvem valores maiores e acabam levando mais tempo para serem elaboradas e negociadas. Também tem como concorrentes a fiança bancária e garantias reais oferecidas pelo tomadores do empréstimo.

O faturamento das seguradoras com apólice de garantia no primeiro trimestre deste ano somou R$ 105 milhões, uma evolução de 118,5% sobre os R$ 48 milhões do mesmo período do ano anterior. A J. Malucelli, líder do setor, cresceu 90,7%, para prêmios de R$ 41,8 milhões. O interesse pelo setor vem crescendo a cada ano com a entrada de novas concorrentes, o que fez o market share da Malucelli cair de 50% no final de 2007 para 40% no primeiro trimestre deste ano. No entanto, o grupo é o único ressegurador local especializado em garantia, o que deverá lhe dar uma grande vantagem diante de suas concorrentes, uma vez que a maior parte de um risco de seguro garantia necessita de resseguro pelo valor ser muito elevado.

Entre os projetos mais importantes de infra-estrutura recentemente garantidos por apólices de seguro garantia estão a hidrelétrica Santo Antonio, do Projeto Madeira, com garantia de performance de R$ 650 milhões; o Rodoanel de São Paulo, também performance, por R$ 620 milhões. "Esta apólice foi emitida nesta semana e foi a segunda maior já emitida na J.Malucelli", conta João Gilberto Possiede, presidente da J.Malucelli. Tem também sete lotes de concessões rodoviárias federais, cujas apólices de performance totalizaram R$ 416 milhões. A Malucelli emitiu três: BR 153, Divisa MG/SP até a Divisa SP/PR; Curitiba/São Paulo; e Curitiba/Florianópolis).
Um dos principais negócios fechados pela Marsh e garantido pela ACE foi o de completion bond para a IMPSA, empresa argentina que vai construir três parques eólicos no Ceará. A obra está orçada em R$ 455 milhões e os três parques terão uma potência instalada de 100 MW.

Fundos de pensão avaliam investimento no Brasil


A segunda classificação de grau de investimento, obtida ontem pelo Brasil, vai apressar a entrada de novos investidores estrangeiros no País e deve promover uma nova onda de aberturas de capital quase tão grande quanto a registrada no ano passado, quando 64 empresas fizeram IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações), captando R$ 55,64 bilhões, dos quais de 70% a 80%, em recursos estrangeiros.

Segundo Roberto Gonzalez, professor da Trevisan Escola de Negócios, desde que o Brasil recebeu o primeiro grau de investimento (no dia 30 de abril último) cerca de 100 fundos de pensão dos Estados Unidos, Canadá e Europa estavam analisando o mercado de capitais brasileiro. A obtenção da segunda classificação de grau de investimento, em menos de um mês, deverá apressar os estudos, afirma. Muitos fundos de pensão têm restrições e só podem acessar mercados de países que tenham mais de uma classificação de grau de investimento.

Para o professor a entrada desses investidores de longo prazo, que hoje controlam o fluxo internacional de capitais, muda o perfil do investidor estrangeiro que atua no mercado brasileiro.

No curto prazo, o segundo grau de investimento vai alavancar as aplicações de estrangeiros que já estão no País, opina Roberto Cortese, responsável pela área de custódia internacional do HSBC.

Ele acredita que o volume de recursos que poderá vir para o Brasil é superior ao que já veio até agora. Segundo estatística da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) no final de abril o fluxo era de US$ 75,79 bilhões.

Manobra em texto de emenda pode retirar R$ 5 bi da Saúde


O projeto de lei complementar substitutivo à regulamentação da Emenda 29 que os governistas querem emplacar e que cria a Contribuição Social para a Saúde (CSS), nos moldes da extinta CPMF, perde força entre a base aliada porque esconde uma manobra que pode tirar recursos do setor. O texto, além de criar o novo tributo, muda a base de cálculo da verba para a Saúde estabelecido na Emenda e, em 2010, segundo dados da bancada da Saúde, pode tirar até R$ 5 bilhões em investimentos no setor.

Pela Emenda 29, aprovada no Senado, a União terá de destinar 10% de suas receitas brutas totais para a saúde. Hoje, esse percentual é de 7%. O aumento seria escalonado. Este ano, custaria mais R$ 10 bilhões. Em 2011, chegaria a R$ 23 bilhões extras. O texto do substitutivo retoma o atual cálculo de investimento para União, estados e municípios aplicarem em saúde. O substitutivo propõe que os recursos adicionais para a Saúde sejam determinados a partir da variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) mais a arrecadação da CSS, que prevê alíquota de 0,1% sobre movimentação financeira.

O relator da proposta da CSS, deputado Pepe Vargas (PT-MG), diz que a alternativa lançada por líderes alinhados com o Planalto é a fórmula ideal para garantir recursos adicionais para a saúde. "Desde 2000 este cálculo vem sendo colocado em prática e temos duplicado os investimentos no setor. Esta nossa proposta é melhor do que vincular à receita que é uma fonte flexível. Estamos garantindo um orçamento fixo, invariável", explicou.

Sem convencer

As explicações dos governistas que estão à frente da proposta ainda não convenceram os aliados. Na noite de quarta-feira, quando a proposta seria colocada em votação, o governo acreditava que teria entre 270 e 275 votos frente aos 257 necessários para aprovar a matéria. "Essa proposta é insuficiente. O PIB tem uma variação pequena diante das necessidades do País. Tem de vincular com as receitas correntes", afirma o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos coordenadores da Frente Parlamentar da Saúde, que reúne 243 deputados. "O governo precisa deixar claro esses números para que não nos reste dúvida na hora de votar. Agora, vincular a receita corrente é sempre a melhor opção", completa.

Na avaliação do relator, mesmo com resistência de governistas, não há mais espaço para mexer na proposta. Vargas lembra que o texto isenta 80 milhões de brasileiros da CSS. Estão livres aposentados ou pensionistas que recebem da Previdência e os trabalhadores que recebem até R$ 3.038,99.

A sedução governista para assegurar a ressurreição da CPMF prevê ainda que a CSS começa a ter validade a partir de 1º de janeiro de 2009 e que todos a arrecadação será destina à Saúde e que os recursos não podem fazer parte da Desvinculação da Receita da União (DRU). Uma das restrições estabelece, inclusive, que a arrecadação da CSS não pode ser aplicada para cobrir a folha de pagamento dos inativos. "Já fizemos todas as concessões possíveis. Vamos colocar este texto em votação. É preciso que a sociedade tenha consciência que não estamos apenas aumentando a carga tributária. Estamos fazendo um ato social. A CSS é uma contribuição solidária em que os mais ricos paguem pela saúde dos mais pobres", defende o relator.

Corregedor quer afastar presidente recém-eleito


Um dia após ser eleito presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), corre o risco de ter que se afastar do cargo. Ontem, o corregedor-geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PP-PE), entrou com uma representação na Mesa Diretora da Casa questionando os primeiros atos de Moraes à frente do conselho. Inocêncio argumenta que Moraes não cumpriu o regimento interno da Câmara, que obriga o presidente do Conselho de Ética a instalar imediatamente os processos que lhe chegam as mãos.

Ao tomar posse, Moraes pediu o prazo de 15 dias para abrir o processo por quebra de decoro contra o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP). Paulinho, que é acusado de envolvimento com um esquema de irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), teve seu pedido de cassação sustentado por Inocêncio.

Pelo regulamento do conselho o presidente do colegiado ao receber um processo deve fazer o registro e a autuação da representação, designa um relator ou uma subcomissão de três membros para analisar o processo e notificar o deputado acusado para que ele apresente defesa escrita no prazo de cinco sessões. Pesa sob Moraes, parlamentar de primeiro mandato, a suspeita de que ele estaria intercedendo a favor Paulinho.

"Ficou claro que ele (Moraes) não cumpriu sua função. Até o procurador-geral (da República, Antonio Fernando de Souza) já abriu uma investigação por que ele (Moraes) quer esperar 15 dias?", questionou Inocêncio.

O presidente do Conselho de Ética rebate a acusação e diz que a palavra "imediatamente" pode ser interpretada de várias formas. "O que é imediatamente? Eu disse que ia trabalhar com cautela e prudência. Não vou aceitar pressão."

O embate entre Inocêncio e Moraes foi parar no plenário. Inocêncio subiu na tribuna para criticar a demora de Moraes e informar sobre a representação. O presidente do Conselho de Ética pediu a palavra e se justificou dizendo que o corregedor estava sendo precipitado e cometendo uma injustiça com ele. "Sou um homem sério e cauteloso. Não vou trabalhar no canetaço, na ditadura. Eu não preciso de mídia e não gosto de holofotes", disse Moraes.

O clima ficou tenso e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), teve que intervir para evitar um bate boca maior. Se a representação de Inocêncio for aceita, Moraes pode ter que se afastar do cargo. De acordo com o regimento interno da Câmara, integrantes do Conselho de Ética quando representados devem ser afastados de suas funções. O deputado Wladimir Moka (PMDB-MS), corregedor-geral substituto da Câmara, deve ser indicado para analisar o caso. Depois da troca de acusações, Moraes afirmou que pode analisar o processo contra Paulinho na próxima terça-feira, quando o conselho volta a se reunir.

Chinaglia minimizou a discussão e destacou que vai analisar com cautela a representação. "Ouvi as duas opiniões e vamos trabalhar com tranqüilidade. Temos que estar calçados pelo regimento", disse.

O desentendimento com Inocêncio é o segundo mal-estar que o petebista causa nesta semana. Ao assumir o cargo, o deputado foi criticado porque responde a três processos na Justiça, frutos da época em que foi prefeito em Santa Cruz do Sul.

STF permite uso de célula-tronco


O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou ontem, por seis votos a cinco e sem restrições, o uso para fins de pesquisa e terapia de células-tronco embrionárias consideradas cientificamente inviáveis A ação de inconstitucionalidade contra o artigo 5 da Lei de Biossegurança foi proposta pela Procuradoria-Geral da República em 2005, com a alegação de que violaria os princípios fundamentais do direito à vida e à dignidade humana. Para os que defendem o uso das células-tronco, a decisão mantém a esperança de cura para pacientes com doenças degenerativas ou portadores de deficiência, a partir do resultado dos estudos. Em seu voto, o ministro Marco Aurélio de Mello disse que a Lei de Biossegurança permite pesquisas com células-tronco embrionárias produzidas in vitro "consideradas inviáveis para a reprodução humana e, portanto, descartáveis".

Fitch confirma Brasil como seguro e dólar cai


O Brasil conseguiu ontem mais um selo de segurança para o investidor estrangeiro. Um mês após a Standard & Poor’s elevar a nota da dívida brasileira em moeda estrangeira de BB+ para BBB-, no menor nível do grau de investimento, a Fitch seguiu o mesmo caminho e elevou a classificação do País, que agora é considerado especulativo apenas pela Moody’s, com nota Ba1. A expectativa de mais ingresso de recursos externos no Brasil com essa nova classificação aumentou a pressão sobre o dólar, que fechou em queda de 1,09%, para R$ 1,636, a menor desde 18 de janeiro de 1999.

A diretora-sênior da área de soberania da Fitch, Shelly Shetty, justificou a decisão da agência, lembrando a queda da vulnerabilidade externa do País. "O upgrade reflete fatores como crescimento do PIB, estabilidade econômica e, claro, a forte queda da vulnerabilidade externa."

A confirmação do rating brasileiro, com a classificação da Fitch deve elevar ainda mais os recursos estrangeiros disponíveis a empresas e bancos nacionais. A superintendente da área de mercado de capitais do Banco Votorantim, Silvia Benvenuti, lembra da limitação que instituições estrangeiras têm ao destinar recursos a países com apenas um grau de investimento. "A provisão que um banco tem de fazer ao emprestar recursos a empresas de um país reconhecido como grau de investimento por apenas uma agência de risco é maior", afirma Silvia, lembrando que a limitação consta do acordo de Basiléia. "Com o segundo grau de investimento, a provisão diminui e o custo do empréstimo cai."

Lula quer mais debate antes de decidir sobre o fundo soberano


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer mais debate antes de decidir a criação do fundo soberano. Portanto, é muito provável que o tema seja mais amadurecido, ao contrário das previsões que apontam para uma definição na semana que vem, com o envio do projeto ao Congresso. Fontes próximas do presidente também revelam que Lula considera um erro político mandar ao Legislativo um projeto que trata do uso do excedente do superávit primário ao mesmo tempo em que se trava uma batalha pela aprovação de um novo imposto sobre movimentação financeira para substituir a CPMF, há pouco mais de 5 meses.

Ontem, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) revelou que ouviu de Mantega que um projeto de lei sobre o Fundo Soberano do Brasil (FSB) será mandado ao Congresso "na semana que vem ou nos próximos dias".

No Palácio do Planalto, não há tanta pressa. Lula já determinou ao ministro da Fazenda que a polêmica proposta seja levada ao Conselho Político antes de ser enviada ao Congresso. A reunião desta semana foi adiada para terça-feira, exatamente por causa da votação da nova CPMF, mas é muito provável que seja postergada novamente. Na terça-feira, os deputados devem votar a criação da nova CPMF, agora chamada de Contribuição Social para a Saúde (CSS), com alíquota de 0,1% sobre movimentações financeiras.

Os sinais do governo são claros no sentido de a CSS ser a prioridade, o que deixa o fundo soberano para o segundo plano. Lula quer uma fonte de receita permanente para não ser obrigado a vetar a regulamentação da Emenda 29. Se tiver de fazer isso, entra em choque com a numerosa bancada da saúde e com boa parte da base aliada.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez apenas um breve comentário em meio ao desencontro de opiniões de integrantes do governo sobre o FSB. Disse que o fato de a agência Fitch ter dado grau de investimento ao Brasil não influencia as discussões sobre o fundo. Na sua visão, a decisão de criar o fundo soberano já estava tomada. "Os países que têm grau de investimento apresentam mais condições de ter o fundo soberano. Falo disso amanhã."

Um graduado conselheiro de Mantega garante que o ministro não faz nada sem que Lula não tenha dado prévio consentimento e o presidente quer o fundo soberano. Portanto, está "tranquilo", apesar das "marolas" e do "fogo amigo". Para essa fonte, o projeto do FSB "enxerga muito mais longe" ao considerar as perspectivas do custo de carregamento das reservas internacionais e uma conjuntura na qual o Brasil será um grande produtor de petróleo.

Em meio a tudo isso, o Palácio do Planalto julga que houve "precipitação" do ministro da Fazenda ao ter dado, em 13 de maio, entrevista para anunciar os principais eixos do fundo soberano. Lula e alguns dos seus mais próximos conselheiros ainda têm muita dúvida sobre o impacto que a função cambial pode provocar na inflação.

Investimento direto cresce e dólar deve cair para o nível de R$ 1,60


A confirmação pela Fitch Ratings do grau de investimento dado ao governo do Brasil pela Standard & Poor"s vai ajudar ainda mais a atrair o investimento direto para o país, segundo James B. Quigley , responsável pelos negócios de mercados globais e banco de investimento da Merrill Lynch na América Latina e Canadá. Segundo ele, agora os investidores no setor imobiliário e de fundos de private equity tiveram a confirmação de que o Brasil é um país seguro e estável. "Isso vai ajudar a atrair todo o tipo de investimento externo ao país", diz.

Segundo ele, agora, com os dois graus de investimento, o Brasil deixa de ser visto apenas como um país produtor de commodities, mas também como um país com um mercado interno forte, que permite uma diversificação. De acordo com ele, hoje, mesmo que os preços dos commodities caiam, o Brasil está menos vulnerável.

Ele citou como exemplo a emissão de bônus da Dasa (Diagnósticos da América), fechada na semana passada. "Um laboratório farmacêutico brasileiro e não uma empresa de commodities foi pela primeira vez ao mercado para vender US$ 250 milhões e conseguiu demanda total de US$ 1,8 bilhão", afirmou Quigley, que desde ontem passou a cuidar do atendimento não apenas aos investidores institucionais do banco, mas às pessoas físicas da área de private banking.

"Isso já é um exemplo claro do impacto do grau de investimento no país", afirma ele. Desde que o Brasil virou grau de investimento, ele já captou US$ 3,230 bilhões no exterior. Considerando-se apenas os títulos e excluídos os empréstimos, é o maior valor desde janeiro de 2007, segundo o Valor Data.

Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB, calcula que o grau de investimento vai atrair ao país nos próximos três anos investimentos diretos estrangeiros de US$ 125 bilhões. "Ainda que boa parte deste movimento já tenha sido antecipado pelos mercados financeiros e pela economia como um todo, o fato é que a explicitação deste rating pelas agências de risco é especial e tende a promover ingressos adicionais", comenta, em relatório.

Octavio de Barros, diretor do departamento de economia do Bradesco, acredita que o ingresso de recursos extra poderá puxar o dólar para níveis de R$ 1,60. Ontem, fechou a R$ 1,638, queda de 1,08%. Ele não acredita em valorizações maiores no real, no entanto, por causa do déficit em conta corrente do país, que pode chegar a US$ 23 bilhões neste ano. Segundo banqueiros de investimento, ninguém acredita em uma enxurrada de recursos ingressando no país.

O mercado aposta que a Moody"s ainda deve demorar para dar o grau de investimento ao Brasil, provavelmente só no ano que vem. Ontem, a agência divulgou relatório dizendo que o governo precisa reduzir gastos e melhorar o perfil da dívida para ter sua nota elevada.

País pode se tornar um dos líderes globais, diz Fiori


A instabilidade econômica americana jogou luz sobre o novo cenário geopolítico que se desenha no mercado global desde o fim da Guerra Fria, em 1991. Nesse cenário, os Estados Unidos ainda têm condições de retomar a liderança, mas terão agora de concorrer com atores que ganham peso na economia global: China e Rússia. Na América do Sul, apenas um país tem potencial para entrar nessa briga: Brasil. Mas, para isso, terá de rever os acordos políticos que mantém, sobretudo com os vizinhos sul-americanos. A avaliação é de José Luís Fiori, professor de economia política na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

"Falta ao Brasil coordenação para desenvolver uma estratégia expansiva que integre a América do Sul. Hoje o país é o único da região com condições de desempenhar esse papel de locomotiva da expansão sul-americana", avalia Fiori. Ele observa que o país possui o maior mercado interno, disponibilidade de alimentos, reservas de minério, auto-suficiência energética e potencial para expandir a produção de petróleo, fatores que tornam os outros atores capazes de concorrer pela hegemonia geopolítica no século XXI.

Para tirar melhor proveito desse potencial, porém, o país deveria desenvolver a economia doméstica a ritmo mais acelerado, com crescimentos superiores à média de 5% dos últimos anos. E precisa desenvolver uma política econômica regional - Fiori sugere que os recursos do fundo soberano sejam utilizados, por exemplo, para financiar a expansão econômica dos países vizinhos. "Essa é uma hipótese, mas tenho consciência de que a cultura política de integração não existe na América do Sul", afirma. Além disso, diz, assumir a posição de "locomotiva" significa colocar-se na posição de concorrente dos EUA. "Os governantes atuais não parecem estar dispostos a isso."

Contrariando a visão de alguns economistas, Fiori não vê uma derrocada dos Estados Unidos enquanto ator político com o agravamento da crise imobiliária. "Não considero que exista um colapso do poder americano, mas uma crise de liderança na segunda gestão Bush, que vai provocar um realinhamento, como ocorreu na década de 70 após a guerra do Vietnã", afirma. Ele observa que foi durante a guerra do Vietnã que os EUA reafirmaram a parceria comercial com a China e outros países da Ásia. "O fim da Guerra Fria, que foi uma vitória americana, também trouxe de volta uma Alemanha inteira, que ganha força na Europa."

Outro ator político que se recupera a passos largos e pode disputar uma nova corrida imperialista, segundo Fiori, é a Rússia. O país perdeu regiões de produção de alimentos e de produção de minérios com a desintegração do território após a Guerra Fria, o que gerou uma forte crise interna. Mas desde 2001, multiplicou em seis vezes o seu Produto Interno Bruto (PIB), tendo superando o PIB da Itália, e já detém a terceira maior reserva de moeda estrangeira, depois de China e Japão. Além disso, mantém o segundo maior arsenal atômico do mundo. "O (John) McCain (candidato republicano à sucessão de Bush) já negocia acordo nuclear com a Rússia", lembra.

Na avaliação do economista, a disputa entre esses países estimulou o aquecimento acelerado de suas economias nos últimos anos e provocou recentemente a alta generalizada nos preços de alimentos, petróleo e de commodities minerais. "A pressão competitiva desses gigantes já começa a mostrar seus efeitos na economia global", alerta. Fiori participou do seminário Desenvolvimento: Relações Econômicas Internacionais, realizado pela Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap).

MP quer investigar Paulinho


O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para investigar as irregularidades atribuídas ao deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. O parlamentar é acusado de envolvimento com esquema de fraudes em financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desbaratado no mês passado, pela Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. A investigação no Supremo tramitará sob segredo de Justiça.

Além de inquérito no STF, Paulinho é alvo de duas representações na Câmara. O corregedor da Casa, Inocêncio Oliveira (PR-PE), já havia recomendado a abertura de processo no Conselho de Ética contra o deputado do PDT paulista por quebra de decoro. Ontem, foi a vez do PSol pedir apuração no colegiado. A abertura de processo depende agora do novo presidente do Conselho de Ética, deputado Sérgio Moraes, do PTB-RS (leia reportagem nesta página).

Congresso
A Operação Santa Tereza foi deflagrada em 24 de abril. Desde então, Paulinho se tornou alvo de graves denúncias, que incluem suposto recebimento de mais de R$ 300 mil em propina para intermediar um empréstimo do BNDES de R$ 124 milhões à Prefeitura de Praia Grande (SP). Apesar das acusações, foi preciso mais de um mês para que algum partido no Congresso Nacional tomasse a iniciativa de levá-lo ao Conselho de Ética por quebra de decoro.

Para o Psol, há fortes indícios de que o sindicalista tenha cometido crimes de corrupção passiva, improbidade administrativa, formação de quadrilha, tráfico de influência e concussão (delito praticado por agente público que consiste em exigir, para si ou terceiros, vantagem ilícita). “As denúncias apresentam indícios de tráfico de influência, intermediação de interesses privados, exploração de prestígio. Portanto, crimes contra a administração pública que atentam contra o decoro e ética parlamentar”, afirmou a presidente do partido, Heloísa Helena.

Informações
O partido pede que sejam ouvidas, entre outras pessoas, a mulher do parlamentar, Elza de Fátima Costa Pereira, presidente da ONG Centro de Atendimento Biopsicossocial Meu Guri, entidade que teria sido usada para desviar dinheiro do esquema; e João Pedro de Moura, ex-assessor do deputado, ex-conselheiro do BNDES e consultor da Força Sindical.

No caso do STF, o procurador-geral Antonio Fernando de Souza analisou informações remetidas a ele, na última sexta-feira, pelo presidente da Corte, Gilmar Mendes. Compunha o material mais de 2 mil páginas digitalizadas da investigação realizada pela PF em São Paulo. Na última terça-feira, o chefe do Ministério Público Federal abriu um procedimento interno para avaliar o caso. Mas Souza não precisou de muito tempo para se convencer da necessidade de abertura de inquérito no STF, anunciada ontem. O Correio procurou o gabinete de Paulinho na Câmara, que pediu que fosse contatada a assessoria de imprensa do parlamentar na capital paulista, mas ninguém foi localizado.

Um prazo longo de análise
A estréia do novo presidente do Conselho de Ética da Câmara não poderia ter sido mais polêmica. Eleito com os votos de 12 dos 15 titulares do colegiado, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) declarou que precisaria de 15 dias para analisar as representações contra o deputado Paulinho da Força por quebra de decoro. “Não vamos obedecer a regras da imprensa.”

A repercussão entre colegas de Casa foi imediata. O deputado Chico Alencar (PSol-RJ) disse que “seria muito ruim” para o novo presidente do conselho gastar duas semanas para definir a matéria — no caso, notificar o deputado do PDT paulista e designar um relator para o caso. “Sem trocadilho de palavras, o caso do Paulinho está com muita força no Congresso.”

O corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira (PR-PE), também endereçou críticas ao novo presidente do conselho. “Não se pode procrastinar. Talvez, ele (Moraes) esteja desinformado sobre o que determina o Código de Ética da Câmara”, afirmou. Segundo a norma, de acordo com Inocêncio, a instauração de processo por quebra de decoro em caso de recomendação da Corregedoria deve ser imediata.

Moraes sentiu o golpe e poucas horas depois refez as declarações. Ele anunciou que pretende definir o encaminhamento do processo de Paulinho no início da próxima semana. Na terça-feira, ele pretende escolher o relator e notificar o acusado. O Conselho de Ética terá 90 dias, a partir da notificação, para recolher provas e concluir o processo. O prazo pode ser prorrogado por mais 90 dias.

Na primeira entrevista que concedeu após a posse, o petebista teve que dar explicações sobre os três processos que responde no STF — uma por contratar enfermeiras sem concurso público; outro por isentar multas de veículos da prefeitura; e o terceiro por colocar um telefone público na casa do pai dele. Todos eles são relativos ao período em que foi prefeito na cidade de Santa Cruz do Sul (RS). Moraes negou as acusações e acredita que será absolvido.

DECORO
Além de mirar em Paulinho da Força, o PSol pediu a abertura de processo por quebra de decoro contra o senador Marconi Perillo (PSDB-GO). O tucano é acusado de crimes de formação de quadrilha, peculato, caixa 2, exploração da máquina pública na campanha de 2006 e uso de notas frias e laranjas para fraudar a prestação de contas. Pelos delitos, o parlamentar é investigado no STF, em processo que corre em segredo de Justiça. Perillo nega as irregularidades e diz que são fruto de perseguição.

Passo a passo
Todo processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, composto por 15 titulares, tem prazo regulamentar de 90 dias, passível de prorrogação. Confira o trâmite da representação:


A representação protocolada no Conselho de Ética é enviada à Mesa Diretora da Câmara para numeração e publicação no Diário Oficial da Casa. A Mesa devolve o documento ao conselho logo em seguida, o que pode ocorrer no intervalo de apenas 24 horas

O presidente do Conselho de Ética analisa o documento e anuncia a instauração de processo por quebra de decoro, designando relator e notificando o representado para que ele apresente defesa prévia. Não existe um prazo fixado para a providência, mas ele é fundamental. A partir dessa notificação, o parlamentar acusado não pode mais renunciar

A notificação deve ser pessoal. Se o deputado não for encontrado após três tentativas, o conselho tenta realizá-la por intermédio de funcionário lotado no gabinete.

A partir da notificação, é concedido um prazo de cinco sessões ordinárias da Câmara para que o representado entregue documentos e defina testemunhas de defesa

Decorrido o prazo para defesa prévia, o deputado encarregado de cuidar da matéria inicia a fase de produção de provas, com a realização de interrogatórios e outras diligências. As normas atuais do conselho não definem em que prazo deve ocorrer essa fase, mas o relator tem que ter em mente que o prazo do processo é de 90 dias

O relator acerta com o presidente da Conselho de Ética uma data para a leitura e votação de seu parecer. Se for pela cassação, e uma vez aprovado — bastando para isso, maioria simples —, o relatório segue para o plenário da Câmara, onde será analisado pelos 513 deputados. Cabe recurso da decisão do conselho na CCJ

Faltam dois votos para liberar pesquisas


Julgamento recomeça hoje empatado: quatro ministros defenderam a liberação integral dos estudos com material de embriões e quatro a adoção de restrições. Tendência é aprovação sem novas regras

Depois de um intenso debate que envolveu o Congresso, grupos religiosos, juristas, cientistas e portadores de doenças degenerativas, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá rejeitar hoje a ação impetrada pela Procuradoria Geral da República e considerar constitucional o artigo 5º da Lei de Biossegurança. Na prática, isso significará a autorização para que cientistas continuem as pesquisas com células-tronco embrionárias, interrompidas desde 2005 quando a ação do Ministério Público foi apresentada. Ontem, na segunda sessão de julgamento, os próprios ministros já contabilizavam votos suficientes para o STF confirmar a decisão — sem restrições.

Além dos quatro magistrados que já votaram formalmente a favor dos estudos — o relator, Carlos Ayres Britto, Ellen Gracie, Carmen Lúcia e Joaquim Barbosa —, os ministros Celso de Mello, decano do tribunal, e Marco Aurélio Mello, ex-presidente da Corte, já se manifestaram informalmente contra a ação impetrada em 2005 e devem formalizar suas posições na sessão de hoje. Com seis votos garantidos, as pesquisas com células-tronco estarão liberadas sem restrições. A decisão final deveria ter saído ontem. Mas foi adiada por falta de tempo para as discussões. Também deve votar o presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, que não antecipou o que pensa sobre o assunto.

O grupo contrário ao dispositivo da Lei de Biossegurança, formado pelos ministros Menezes Direito, Ricardo Lewandowski e Eros Grau, tentou ontem estabelecer uma série de limites para as pesquisas. Eles consideram a lei defeituosa e querem impor restrições para evitar que os embriões sejam manipulados livremente pelos cientistas. As sugestões debatidas depois da sessão eram para que o tribunal recomendasse a criação de um conselho no âmbito do Poder Executivo, com representação da sociedade, para fiscalizar a atuação dos cientistas. As exigências feitas por esses ministros podem inviabilizar os estudos, segundo os pesquisadores. Mesmo que as restrições sejam brandas, assustam os pesquisadores, que temem a paralisação, na prática, por vários anos se o Congresso Nacional ou o governo forem acionados para estabelecer uma nova regulamentação da lei.

A comunidade científica se assusta com a possibilidade de que o Supremo adote um meio-termo entre as duas correntes. O assunto será debatido na sessão de hoje à tarde, quando os ministros vão definir os termos finais da decisão. Pelo menos dois ministros do grupo que votou contra a liberação do artigo 5º da Lei de Biossegurança pretendem conversar com o presidente Gilmar Mendes para solicitar que, mesmo com a vitória da tese pela liberação total, o plenário do tribunal discuta algumas normas que devem ser cumpridas pelos pesquisadores, evitando influências econômicas na ciência e criando mecanismos de fiscalização do desenvolvimento dos projetos. As restrições pedidas pelo ministro Cezar Peluso, segundo os cientistas, não impedem a continuidade das pesquisas. O magistrado considerou a Lei de Biossegurança constitucional, mas pediu uma fiscalização mais rigorosa de parte do governo junto às clínicas onde os embriões estão congelados.

Falhas dos legisladores
Independentemente da posição dos ministros sobre o tema, quase todos concordam que o Congresso deixou um vácuo na legislação ao aprovar a Lei de Biossegurança sem detalhar as regras e os limites para o uso de embriões. Segundo o ministro Menezes Direito, a ausência de normas fez com que a decisão do Supremo precise ser ampliada. “Na minha compreensão, não é preciso dizer simplesmente se é constitucional uma lei que desafia a ciência e diz diretamente sobre o futuro da humanidade. Será que não se há de impor limites?”, questionou o ministro.

Para a ministra Cármen Lúcia, que votou pela total liberação da lei, não há como fechar os olhos para a deficiência da lei e a incapacidade do governo federal de fiscalizar as pesquisas cientificas. A ministra lembrou que dorme no Congresso um projeto de lei de autoria do deputado Dr. Pinotti (DEM/SP) que exige dos pesquisadores com células-tronco uma autorização prévia de uma entidade a ser criada, a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

Direito faz lista de restrições
Considerado o magistrado mais conservador do Supremo Tribunal Federal, o ministro Carlos Alberto Menezes Direito tentou, ontem, criar um emaranhado de exigências para que as pesquisas com células-tronco embrionárias possam continuar. As limitações foram sugeridas pelo magistrado durante o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade impetrada em 2005 pela Procuradoria Geral da República para tentar barrar a aplicação do artigo 5º da Lei de Biossegurança. Entre as recomendações do ministro está a exigência de que pesquisadores retirem apenas uma ou duas células para as experiências, desde que não destruam os embriões. Menezes Direito tinha pedido vista do processo em 5 de março, interrompendo o julgamento retomado ontem.

Num extenso voto de três horas, em que revelou ter feito uma profunda pesquisa e realizado estudos científicos sobre o assunto, Menezes Direito pediu a criação de um órgão federal para ser o responsável pela autorização, acompanhamento e fiscalização das pesquisas com as células-tronco. O magistrado também vê necessidade da apresentação de plano de trabalho para a aprovação ou não das pesquisas pelo Ministério da Saúde.

Além disso, ele sugeriu a instituição de um novo tipo penal para enquadrar, como criminosos, profissionais que, ao manipular embriões, os destruam ou retirem uma quantidade maior de células para tratamento das doenças degenerativas. “O embrião é mais do que o conjunto de suas células”, argumentou. Ele também recomendou a criação de um conselho com a participação de especialistas de diversas áreas de conhecimento para fiscalizar a permissão e o andamento das pesquisas.

A proposta de limitar a aplicação da lei defendida por Menezes Direito, que acatou parcialmente as argumentações da Procuradoria, recebeu o apoio de outros dois magistrados — os ministros Ricardo Lewandowsky e Eros Grau, que também admitem restrições. Ressaltando que considera a lei constitucional, mas enfatizando a necessidade de ajustes, Lewandowsky terminou concordando com a espinha dorsal da tese de Menezes Direito e também exigiu que, para permitir as pesquisas, o pesquisador não possa destruir o embrião. A exigência, segundo os cientistas, inviabiliza as pesquisas — que, hoje, não podem ser feitas sem a destruição do embrião.

Em um voto sintético com a ressalva de que considera a Lei de Biossegurança constitucional, Eros Grau ressaltou que entende ser uma atentado ao direito à vida a destruição de embriões em pesquisas científicas. Por isso, sua única exigência — a de que os embriões não sejam descartados pelos pesquisadores após as experiências — se encaixa nas mesmas recomendações defendidas por Menezes Direito e Ricardo Lewandowsky. O voto do ministro Cezar Peluso foi pela liberação da lei. Mas assim como Menezes Direito e Eros Grau, ele também receia a falta de fiscalização governamental das pesquisas. A exigência de criação de uma estrutura de fiscalização nos moldes defendidos pelos ministros adiaria a retomada das pesquisas.

“os tios, primos e avós” do PAC


A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, assumiu ontem o título de “mãe” do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e cobrou dos ministros, governadores e prefeitos que sejam “os tios, primos e avós” para que ele efetivamente funcione e cumpra seu papel de acabar com “os gargalos existentes no País no setor de infra-estrutura”.

Em uma entrevista de 35 minutos no Programa do Jô, que iria ao ar na madrugada de hoje, exaltou realizações do governo Lula, voltou a negar que tenha sido autora do dossiê contra tucanos, comentou a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e lembrou momentos de sua militância política durante a ditadura militar.

Depois de falar sobre o casamento da filha, Dilma foi questionada, logo no início do programa, se o nascimento de seu segundo “filho”, o PAC, não havia gerado ciúmes dentro do governo. “Em que pese eu ser uma mãe cuidadosa, o PAC tem uma família grande, tios, primos, primas, avós, e todos muito zelosos. Quem são eles? São os ministros, mas também são os governadores e os prefeitos”, respondeu a ministra.

Questionada pelo apresentador se nessa família não havia tios rebeldes, ela voltou a cobrar a responsabilidade dos colegas de Planalto. “É impossível executar um projeto nessas dimensões sem a grande cooperação dos ministros. Quem executa são eles.”

A ministra citou o programa de instalação de banda larga nas escolas, o crescimento da Petrobrás e outras conquistas que atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sobre a saída de Marina Silva do governo, tendo o PAC como um dos motivadores, Dilma disse que a colega tinha prestado um serviço importante para o País. “Ela deixou o governo, mas vai desempenhar um papel importante no Senado”, disse.

A ministra afirmou que a elaboração do levantamento atendeu a um pedido feito em 2005 pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) sobre gastos de dois ministros, de 1995 a 2002. “Naquela época falamos para ele que estávamos fazendo o banco de dados e fizemos isso para passar ao Tribunal de Contas”, explicou.

“Nunca aceitamos e não aceitaremos que fizemos um dossiê, fizemos um banco de dados. Se tiraram informações desse banco de dados, é outra questão”, afirmou.

A ministra, que chegou aos estúdios da Rede Globo com um atraso de duas horas, foi aplaudida quando o programa reproduziu o depoimento no Senado em que ela rebateu o senador José Agripino Maia (DEM-RN), dizendo que, na ditadura, “quem tem coragem fala mentira”.

Alterando questões políticas atuais com relatos da vida pessoal, a ministra lembrou que parou de fumar há 29 anos e que cozinhou com Carlos Lamarca,e enalteceu a figura de Leonel Brizola.

A TV Brasil explica que apenas o site da TV Brasil Integración, canal dMulheres no poder


Margareth Thatcher, conhecida como a "dama de ferro", que chefiou o governo inglês entre 1979 e 1990, foi a precursora das políticas liberais adotadas internacionalmente durante os anos 80. Transcorridos 18 anos, novos espaços foram se abrindo para as mulheres na política.

Herdeiras de Margareth Thatcher, a primeira a liderar uma nação no Ocidente, as mulheres, menos de um século depois de terem adquirido o direito de votar, vem sendo eleitas para os mais altos cargos.

Pela lista da revista Forbes, Angela Merkel, primeira-ministra da Alemanha, é a mulher mais poderosa do mundo. Merkel, que já ocupou a presidência rotativa da União Européia, tem papel proeminente nas discussões sobre o futuro do velho continente.

A vice-primeira-ministra da China, Wu Yi, é a segunda colocada, devido ao seu papel de liderança no governo que administra a quarta economia do mundo. Condoleezza Rice – secretária de Estado americana ocupa a quarta colocação.

Sonia Gandhi, líder do Partido do Congresso da Índia, ocupa a sexta posição. As outras mulheres que fazem parte da lista são executivas de grandes conglomerados econômicos.

A senadora Hillary Clinton, que disputa a indicação do Partido Democrático para candidatar-se à Presidência dos Estados Unidos, tenta uma chance de ser eleita chefe da nação mais importante do mundo.

A ministra Dilma Rousseff, se efetivamente tiver o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos partidos que apóiam o governo, também tem possibilidade de se eleger. Será presidente de um país de 186 milhões de habitantes, população três a quatro vezes maior que a da França, Inglaterra, Espanha e Itália.

Na América do Sul, duas mulheres foram eleitas presidentes de seus países: Michelle Bachelet, eleita em 2006, no Chile e Cristina Kirchner, em 2007, na Argentina.

Bachelet, primeira mulher a governar um país de costumes conservadores, escolheu 10 homens e 10 mulheres para integrarem o seu gabinete ministerial. É a primeira vez que a metade dos ministérios é ocupada por mulheres.

Atualmente também são governadas por mulheres a Irlanda, a Finlândia, as Filipinas e a Nova Zelândia, entre outros países. Em 2006 nove mulheres eram chefes de Estado.

Repetem a França, onde até pouco tempo a ministra da Defesa era uma mulher; na Espanha, a catalã Carme Chacón, de 37 anos, grávida, comanda os militares .

Discretamente – e com muita competência – uma nova geração de mulheres está chegando ao poder em sociedades nas quais isso era impensável até pouco tempo atrás.

O que vem mudando radicalmente é a variedade de carreiras e caminhos das mulheres que atingem o primeiro escalão nos cinco continentes. Cada vez prevalece menos a eleição clássica da herdeira política por viuvez ou laços familiares.

Apesar desses exemplos, ainda há um longo caminho de futuras conquistas, já que as mulheres são minoria no mundo político, econômico e acadêmico.

Em quase todos os países do mundo, a mulher representa aproximadamente a metade da população, sendo que em muitos, mais da metade.

A sua presença nos parlamentos é extremamente reduzida. Não ultrapassa a média de 10 a 20% e não chega à 50% em nenhum país do mundo. O que significa que a participação feminina está, ainda, muito aquém do que as mulheres devem e têm o direito de representar na sociedade.

a Radiobras, agora EBC, para a América do Sul, é em espanhol.

Organização Mundial de Saúde Animal, em Paris, reconhece qualidade de produto brasileiro


A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) suspendeu ontem, em Paris, o bloqueio contra a carne brasileira produzida para exportação. Deverão ser reconhecidos como livres de febre aftosa com vacinação os Estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal. O desembargo, no entanto, não vale para o Mato Grosso do Sul.

Segundo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, o bloqueio não foi suspenso no MS por falta de informações adicionais científicas. No entanto, disse ele, o comércio desse Estado deve ser liberado em 60 dias. O MS tem o segundo maior rebanho do país.

As informações foram divulgadas pelo ministro, que acrescentou que o Brasil volta a ser um país com status de exportador de carne livre de aftosa com vacinação. O bloqueio à carne brasileira havia sido decidido pela OIE em 2005.

Segundo o ministro, este é o reconhecimento de um trabalho do produtor brasileiro.

– O Brasil está investindo muito nesta área de defesa sanitária animal e vegetal, não só na questão da febre aftosa, que acabou sendo simbólico. Neste caso, eliminamos todos os focos, adotamos todas as medidas da OIE e agora o Brasil retorna a posição de país livre da aftosa com vacinação – afirmou.

Stephanes evitou falar sobre os possíveis ganhos financeiros com a medida.

– Não tem ganhos financeiros no momento, por uma razão muito simples: a demanda está tão aquecida em nível mundial que, daqui a pouco, não teremos mais boi para exportar. Mas isso nos dá perspectivas a médio e longo prazo, porque a nossa produção de carne está aumentando – completou.

O anúncio oficial é aguardado para hoje, em Paris, durante a 76ª Sessão Geral plenária da OIE. A informação foi divulgada por membros da Comissão Científica para Doenças dos Animais da Organização.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, que está em Paris, trata-se do retorno de reconhecimento vigente até outubro de 2005, anterior aos eventos sanitários que envolveram os Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná.

Cana-de-açúcar

O governo federal está estudando formas de estimular a produção de feijão e de outros grãos com desoneração tributária e garantia de preço mínimo, segundo informou ontem o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.

As medidas devem ser anunciadas ao fim de junho, no lançamento do plano de safra.

– Teremos algumas medidas diferentes das normais no sentido de manter o estímulo e o crescimento da produção agrícola – disse o ministro, ressaltando que o feijão "precisa de preço garantia", com um valor mínimo entre R$ 80 e R$ 90 por saca.

Para o ministro, a alta no preço do alimentos deve-se ao aumento do consumo, mas é preciso ter controle sobre os aumentos. No entanto, Stephanes acha que a pressão dos alimentos no Brasil é menor da registrada em outros países.

– A inflação que está batendo no Brasil também está batendo no mundo todo. No Brasil é com menor intensidade – arrematou.

Especialistas destacam forte dinamismo econômico brasileiro


O prêmio Nobel de Economia de 2006, o professor Edmund Phelps, reafirmou, ontem, que a política de dinamismo, inclusão social e desenvolvimento são os três pilares básicos para a construção de uma sociedade justa, e que o Brasil, hoje, tem bastante dinamismo econômico e deve aproveitar o momento com forte demanda mundial pelas commodities para crescer.

Segundo Phelps, que participou ontem do 20º Fórum Nacional no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), o que mede o dinamismo econômico não é o crescimento do PIB, e sim os avanços de produtividade, que permitem a inovação nas empresas e a um maior nível de satisfação dos trabalhadores.

Para Roger Cohen, colunista do New York Times, o Brasil dispõe dos quatro elementos necessários a uma alquimia econômica. Segundo Cohen, o futuro do país é agora, pois centenas de milhões de pessoas saíram da linha da pobreza. "Muita gente está experimentando carne e café", disse.

O colunista ressaltou, também, a abundância de recursos naturais do Brasil, que é um ativo valorizado e beneficiará a demanda mundial: "um mundo faminto por alimentos e energia", destacou.

Para Cohen, o etanol é a única alternativa viável para substituir os combustíveis derivados do petróleo nos próximos 20, 30 anos.

Japão e educação

Um século depois da chegada dos primeiros imigrantes japoneses no porto de Santos, o embaixador do Japão no Brasil, Ken Shimanouchi, destacou o aumento da economia bilateral entre as duas nações.

Segundo Ken, o Brasil ampliou sua presença no mercado global. O PIB brasileiro, hoje, ocupa 10º lugar no ranking mundial, e o país está entre as quatro economias mais importantes do mundo até 2050.

– A vulnerabilidade externa foi suplantada quando o país passou a ser credor – relembrou o embaixador. – O grau de investimento recebido há poucas semanas também exemplifica os bons resultados brasileiros.

Para Ken, o Japão teve de rever a posição em relação ao Brasil, que já adotou a tecnologia japonesa para a TV digital e que quer fazer negócios relacionados aos biocombustíveis.

O professor da Universidade de Columbia (EUA), Albert Fishlow, também considerou que o Brasil está no caminho certo. Antes, o "B" dos Bric era descartado. Hoje, isto não ocorre mais. Mas ressaltou a premente mudança no sistema educacional, fruto do sucesso asiático.

A taxa de investimento do PIB destes países, contudo, está acima dos 25%. O Brasil, timidamente, investe em torno de 18%", disse.

Encomenda de 146 embarcações terá investimento de US$ 5 bilhões e vai gerar novos empregos


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem, em Niterói, o Programa de Modernização e Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da Petrobras. Com um investimento inicial de US$ 5 bilhões, o plano prevê a construção de 146 navios de apoio às atividades de exploração e produção marítima de petróleo da Transpetro, subsidiária da estatal. Esta é a maior contratação de embarcações construídas no país e beneficiará estaleiros do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, com contratos de aproximadamente 15 anos. A previsão é de que cada embarcação construída gere cerca de 500 postos de trabalho. Hoje, o país gera aproximadamente 40 mil empregos no setor.

Lula afirmou que este é mais um passo da expansão da indústria naval e offshore do país, uma de suas promessas de campanha. Segundo o presidente, a meta é tornar a indústria brasileira do segmento competitiva com o mercado internacional e, possivelmente, uma das maiores exportadoras do mundo.

– Expandir a indústria naval e offshore é gerar empregos e renda através do aumento da produção, o que se refletirá no aquecimento da economia brasileira. Tivemos três décadas de estagnação da indústria naval e offshore, sobretudo as últimas. Era a política do prato feito: comprar tudo pronto. Acreditavam que era mais vantajoso comprar embarcações de outros países, mas se esqueciam que a produção nacional é geradora de empregos e renda, além do crescimento da nossa economia – discursou o presidente Lula.

Ainda de acordo com o presidente, para suprir a demanda da Petrobras será preciso abrir novos estaleiros. A criação de políticas de incentivo ao setor e o bom entendimento com o empresariado é uma das apostas do governo para tornar o Brasil uma das maiores potências do segmento.

– Temos capacidade de competir com o mercado internacional, possuímos mão-de-obra qualificada e já temos tecnologia para isso. Vamos alavancar a indústria naval e nos tornar um gerador de oportunidades – acredita.

Mercado nacional

O primeiro lote do investimento começa com 44 embarcações e outras 70 encomendas, ainda não licitadas. A estimativa é que esta contratação esteja com a frota toda pronta até 2014. Segundo o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, parte das embarcações será usada para afretamento. A estatal gasta em média US$ 10 bilhões por ano com o afretamento de embarcações internacionais.

– Seria mais fácil buscar fornecedores no mercado internacional, mas a orientação do presidente é inversa. Não podemos contar com frotas internacionais se podemos fabricar nossa própria. Temos que fortalecer o conteúdo da nossa produção para atender à demanda – reforça o presidente da Petrobras, sexta maior empresa do mundo e terceira das Américas.

As embarcações serão afretadas à Petrobras e poderão elevar a participação nacional a uma escala de 70% a 80% da frota da empresa, dependendo do tipo de embarcação. É esperada a criação de 3.800 empregos com o funcionamento de toda a frota.

Outra novidade anunciada durante a solenidade é a construção de 40 navios-sondas, plataformas de perfuração semi-submersíveis e dois petroleiros de grande porte. Será a primeira vez que o Brasil fabricará petroleiros de grande porte, de acordo com o presidente da Transpetro, Sérgio Machado. O lote deve suprir a atual demanda da Petrobras, principalmente referente às pesquisas dos novos poços de petróleo na Bacia de Santos.

– Temos que pensar na atual demanda, mas também futuramente. A idéia é que o país tenha sua própria frota e equipamentos tecnológicos para pesquisas de produção e exploração do petróleo.

Matéria-prima

O aço foi pauta das discussões sobre a competitividade entre o mercado nacional e internacional. Responsável por comprometer de 20% a 30% do custo total da embarcação, a matéria-prima será licitada pela estatal. Embora o Brasil exporte 20% do aço produzido aqui, ainda apresenta preços internos superiores aos de outros países.

– Queremos dar oportunidade para o mercado nacional, mas com preços competitivos – frisa Sérgio Machado.

Os governadores do Rio, Sérgio Cabral, e da Bahia, Jaques Wagner, além de outras autoridades, estiveram presentes ao evento.

"A Amazônia já tem dono", diz presidente sob aplausos


Falando para uma platéia de empresários, professores, o prêmio Nobel de economia Edmund Phelps e dois governadores – Jaques Wagner, da Bahia, e Sérgio Cabral, do Rio – Lula foi enfático na defesa da soberania do país sobre a Amazônia.

– A Amazônia tem dono – frisou o presidente no único momento em que arrancou aplausos da platéia.

Aludia aos países que, segundo ele, são responsáveis por "70% da poluição mundial e agora ficam de olho na região" devido ao desmatamento.

Lula voltou a falar em defesa do etanol brasileiro. O argumento é a importância da contribuição do combustível alternativo diante de um mercado fragilizado pelos fortes desequilíbrios de oferta e demanda.

Defendeu também o papel do país na nova ordem mundial, em que vários países em desenvolvimento estão crescendo a um ritmo mais vigoroso do que as economias tradicionais e manifestou sua crença no sucesso da reunião de cúpula da Unidade das Nações Sul-Americanas (Unasul), realizada ao final da semana passada. Em mais de 40 minutos, seu discurso comportou, ainda, críticas dirigidas a economistas pessimistas que erraram projeções, à imprensa, à política ambiental de alguns países desenvolvidos e a empresários.

Falência

Para Lula, o protocolo de Kyoto faliu: "Quem teria algo a fazer, nem chegou a referendar o acordo multilateral. Nós já retiramos 800 milhões de CO2 do ar e oferecemos ao mundo um combustível não poluente, que é o etanol de cana-de-açúcar", provocou.

Segundo o presidente, os donos da Amazônia são os índios, os seringueiros e o povo que tem consciência da importância da diminuição do desmatamento. Lula frisou, ainda, que a região tem 25 milhões de habitantes que têm direito a acessar os bens de que outros brasileiros já dispõem. "Por que eles teriam de ficar segregados do desenvolvimento?", perguntou.

O etanol foi objeto de várias considerações no discurso. "O Brasil oferece ao mundo o etanol", afirmou, ressaltando suas qualidades em eficiência energética, custo e produtividade:" Vamos convencer o mundo de que esse biocombustível pode ajudar a diminuir a crise energética, a poluição e também a inflação", declarou.

Sem força para marcar novo depoimento da ministra, deputados vão ao Ministério Público


Sem conseguir avançar na ofensiva contra a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Cartões, a oposição partiu para o Ministério Público Federal. Ontem, o sub-relator de sistematização da CPI, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), protocolou na Procuradoria da República no Distrito Federal representação contra a ministra e outras 15 pessoas .. A acusação de Sampaio contra a ministra é de improbidade administrativa.

Sindicância pronta

As últimas informações do Palácio do Planalto dão conta de que o relatório da sindicância interna sobre o caso já está pronto na Assessoria Jurídica da Casa Civil e pode ser entregue ainda hoje à ministra. A comissão foi criada em 25 de março e teve o prazo inicial de 30 dias prorrogáveis pelo mesmo período.

O Ministério Público ainda vai definir o procurador que vai analisar a representação. Esse procurador vai abrir uma investigação interna para verificar se há necessidade de propor uma ação à Justiça Federal do DF. A representação também pode ser arquivada. Não há prazo para a decisão.

Uma ação por improbidade administrativa pode resultar em sanções que vão desde o pagamento de multa até a perda de função pública, incluindo suspensão dos direitos políticos, devolução de dinheiro aos cofres públicos e proibição de firmar contratos com o poder público.

STF conclui o embate entre religião e ciência


O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma, amanhã, o polêmico julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pelo ex-procurador-geral da República Cláudio Fonteles contra o artigo 5º da Lei de Biossegurança.

A ação questiona a autorização do uso de células-tronco embrionárias para pesquisas científicas. A corte suprema caminha para aprovar a constitucionalidade da lei. Dos 11 ministros do tribunal, três já declararam entender que a autorização da pesquisa em território nacional não fere direito fundamental à inviolabilidade da vida. Ao menos outros dois votos favoráveis ao avanço científicos são tido como certos.

A ação havia sido proposta pela procuradoria ainda em 2005. O caso chegou ao plenário do STF no começo de março deste ano. O relator, ministro Carlos Ayres Britto, votou pela manutenção do artigo 5º. A então presidente do STF, ministra Ellen Gracie, decidiu antecipar seu voto e também se posicionou favoravelmente à matéria. O ministro Carlos Alberto Menezes Direito, católico fervoroso, pediu então vistas do processo e com isso ganhou tempo para preparar seu voto. Mas não antes que outro ministro, Celso de Mello, fizesse elogios rasgados ao voto do relator Ayres Britto.

Sistema nervoso

O longo voto de Britto foi baseado na argumentação de cientistas de que a vida só surge com a formação do sistema nervoso, o que não é o caso dos embriões em questão. O ministro também ressaltou o fato de que os embriões futuramente utilizados, caso a Adin seja derrubada, jamais se tornariam pessoas humanas, estas sim protegidas pela Constituição Federal do nascimento à morte cerebral.

Ao comentar o voto de Britto, Celso de Mello assinalou que tratava-se de um voto "antológico, digno de constar nos anais da história" do tribunal. A "aurora de um novo tempo impregnado de esperança para os abatidos com a angústia e a incerteza". Mesmo elogiando Britto, o ministro Menezes Direito pediu vistas alegando que a matéria era "extremamente controvertida e de alta complexidade", sendo necessário mais tempo para avaliá-la.

Posicionamentos

O julgamento foi marcado também pelos posicionamentos do atual procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, e de advogados da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), alegando que os embriões já constituem vida humana e que as pesquisas com células-tronco adultas em todo o mundo apresentaram muito mais resultado do que as envolvendo células embrionárias.

Por outro lado, advogados de organizações não-governamentais e do Congresso Nacional defenderam que as células-tronco embrionárias, em tese, podem ser utilizadas para reconstituir qualquer tipo de tecido, ao contrário das adultas. Observaram, também, que uma eventual proibição do STF não impediria brasileiros de obter tratamentos vinculados à pesquisas deste tipo no exterior nem de importar medicamentos resultado delas. Apenas impediria o desenvolvimento da pesquisa científica no Brasil.

Por ser um tema polêmico, a primeira fase do julgamento atraiu um número recorde de pessoas em toda história do tribunal, o que pode se repetir na sessão de amanhã.

Com a Amazônia, não tem negócio


“É muito engraçado que os países responsáveis por 70% da poluição do planeta agora fiquem de olho na Amazônia como se fosse apenas nossa a responsabilidade pelo que eles mesmos não fizeram todo o século passado”

Na véspera de dar posse ao novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que assume o cargo hoje no lugar de Marina Silva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem o mais duro recado aos chefes de Estado, estudiosos e ambientalistas que defendem uma gestão compartilhada das florestas tropicais do planeta: “O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono”, afirmou. “O dono da Amazônia é o povo brasileiro, são os índios, os seringueiros, os pescadores. E nós, que somos brasileiros, temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, as queimadas, mas também temos a consciência de que é preciso desenvolver a Amazônia”, disse Lula, muito aplaudido, ao discursar na abertura 20º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Centro do Rio.

No evento com a presença de cientistas e diplomatas de vários países — entre eles os professores Edmund Phelps, Prêmio Nobel de economia de 2006, e Albert Fishlow, da Universidade de Columbia, além do jornalista Roger Cohen, colunista do New York Times — Lula afirmou que não permitirá a segregação das 25 milhões de pessoas dos nove estados amazônicos. Segundo o presidente, essa população não pode ser impedida de aproveitar o desenvolvimento econômico que beneficia o restante do país. “É muito engraçado que os países responsáveis por 70% da poluição do planeta agora fiquem de olho na Amazônia como se fosse apenas nossa a responsabilidade pelo que eles mesmos não fizeram todo o século passado”, afirmou o presidente.

Diante do embaixador do Japão no Brasil, Ken Shimanouchi, Lula disse o “o protocolo de Kyoto já faliu”, e criticou países que nunca referendaram esse acordo internacional para reduzir as emissões de gases poluentes. Lula não citou diretamente os Estados Unidos, país que se recusou a assinar o protocolo. O presidente acusou os países desenvolvidos de terem “preconceitos arraigados” e de montarem “lobbies fortíssimos” contra os biocombustíveis. “O Brasil não se assusta com campanhas orquestradas”, garantiu Lula. Ele também informou que viajará na próxima semana para Roma onde participará da conferência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O tema principal será a polêmica entre produção de alimentos e de bioenergia.

O presidente lamentou a política protecionista dos Estados Unidos e da Europa contra produtos brasileiros, verdadeira responsável, segundo ele, pelo aumento global do preço dos alimentos — e não a nova matriz energética renovável. Segundo assessores, Lula está particularmente irritado com reportagem do New York Times, publicada na semana passada, em que o periódico pergunta: “De quem é esta floresta amazônica, afinal?”. No texto, o jornal diz que “um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território”.

Etanol
Também recentemente, o economista americano Paul Krugmann, em um artigo no mesmo NYT, chamou o etanol de “demônio” e listou o combustível como uma das causas da alta dos preços dos alimentos. “Não é correto afirmar que vamos prejudicar o cultivo dos alimentos. O etanol pode diminuir a crise energética e a poluição. O mundo pode e deve assinar um pacto global pelo uso de fontes alternativas de energia”, defendeu o presidente.

A pedido do novo ministro Carlos Minc, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) decidiu suspender a divulgação que faria ontem, em São José dos Campos (SP), das análises do sistema de alerta do desmatamento Deter para o mês de abril de 2008. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a divulgação foi suspensa até que seja acertado com o novo ministro do Meio Ambiente um novo esquema de apresentação dos dados sobre desmatamento.

A mudança na divulgação evitaria um constrangimento para o novo ministro, já que no dia da posse dele a notícia seria o aumento do desmatamento na Amazônia legal registrado pelo instituto. O Palácio do Planalto confirmou a posse do novo ministro para hoje às 15h, com transmissão de cargo às 18h na sede da Agência Nacional de Águas (ANA).

Desafios
O maior desafio de Minc será a regularização fundiária nos nove estados que formam a Amazônia Legal. A opinião é consenso entre os dirigentes das maiores organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas e os militantes “verdes” independentes, além dos atuais assessores do próprio governo. “O novo ministro precisará de muito fôlego para poder negociar a regularização fundiária dentro do próprio governo e com os institutos de terra dos estados da região”, disse Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Segundo dados do Imazon, existem 42 milhões de hectares de terras públicas ocupadas por posseiros sem documentação e que precisam ser regularizadas. Essas áreas, segundo a instituição, são o foco das maiores queimadas e de outros graves crimes ambientais na Amazônia. Para poder regularizar essas regiões, será preciso uma negociação do Ministério do Meio Ambiente com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), instituição responsável pelas chamadas terras devolutas da União. “Acabar com as queimadas e o trabalho escravo na Amazônia é o desafio mais urgente para o novo ministro”, disse o biólogo Mário Mantovanni, dirigente da SOS Mata Atlântica.

Mas os desafios de Minc não param aí. Ele será cobrado pelos ambientalistas do Congresso para implantar a chamada agenda marrom, que consiste na construção da rede de saneamento básico nas principais cidades brasileiras. Esse tipo de poluição é considerada a maior causa de contaminação de rios, lagos, lagoas e outros mananciais. “Cuidar da Amazônia é estratégico para o Brasil porque a floresta não é somente o estoque de biodiversidade, mas uma das maiores causas de poluição por causa das queimadas”, comentou o deputado Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara.

Carlos Minc tem vários desafios: impedir o desmatamento, o trabalho escravo e fazer a regularização fundiária na Amazônia

Mário Mantovanni, dirigente da SOS Mata Atlântica

O ministro terá que identificar quem são os donos da terra na Amazônia, além da União, para poder fazer a regularização fundiária. Além disso, terá que acabar com a impunidade na Amazônia

Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon

Os desafios de Minc

1 - Regularização fundiária nos nove estados da Amazônia Legal. Existem mais de 24 milhões de hectares de terras públicas na região, boa parte delas ocupada por posseiros sem documentação. É nesse espaço onde acontecem as maiores queimadas para a abertura de novos pastos

2 - Redução das áreas queimadas na Amazônia e em outras regiões do país

3 - Definição de ações da chamada “agenda marrom”, que trata de medidas de despoluição das cidades, com implantação de estações de tratamento dos esgotos caseiros, considerados os maiores poluidores de rios, lagos e outros mananciais de água doce do país

4 - Programa de reciclagem do lixo urbano, hoje considerado um dos maiores problemas de contaminação

5 - Modificações de leis para a antecipação do prazo para que as indústrias de automóveis e de refino de petróleo passem a produzir combustíveis com menor emissão de partículas de enxofre e chumbo, exigência de protocolos internacionais

Fórum completa vinte anos pensando os rumos do País


Parafraseando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, "nunca houve, na história desse País" um encontro de debates e de idéias pluralistas tão extenso e duradouro. Em 20 anos de história, o Fórum Nacional, realizado pelo ex-ministro do Planejamento e atual superintendente-geral do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), João Paulo dos Reis Velloso, procurou sempre reunir as cabeças pensantes mais importantes do País nesse período, desde economistas, ministros, líderes de governo e sindicais, e até presidentes.

A edição deste ano – que começa hoje e se estende até a próxima sexta-feira, com palestras o dia inteiro na sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – tem como enfoque principal "Brasil: um novo tempo no mundo dos trópicos - 200 anos de independência econômica e 20 anos de Fórum Nacional, sob o signo da incerteza". O tema, na verdade, surgiu do livro New world in the tropics (Mundo novo nos trópicos), de Alfred P. Knopf e prefácio de Gilberto Freyre.
Mas Reis Velloso garante que o debate não se concentrará no passado, "a chegada da Família Real ao Brasil é apenas o ponto de partida, o que interessa é o presente e o futuro do País", diz.

O ex-ministro ressalta a lista de convidados. A grande estrela é, sem dúvida, o prêmio Nobel de Economia de 2006, professor Edmund Phelps, que vai palestrar sobre "Brasil - visão de desenvolvimento".

A abertura, no entanto, está nas mãos do presidente Lula, que debaterá os rumos do País com o tema "Para onde vai o Brasil - econômica, social e politicamente".
Entre as personalidades convidadas para o seminário, o ex-ministro cita o colunista do The New York Times, Roger Cohen, o economista Albert Fishlow, da Universidade de Columbia (EUA), embaixadores do Japão e do Brasil, em Portugal, cinco ministros, entre eles Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Guido Mantega, da Fazenda, vários empresários, sociólogos, escritores, e, sobretudo, economistas.

Origens

A origem do seminário, revela Reis Velloso, deu-se durante a crise econômica de 1988. A recessão que assolava o País, com índices de inflação na casa dos 80% ao mês, fez surgir o Fórum. Reis Velloso, no entanto, desconversa: "Não sou o autor da idéia, o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) na época, Paulo Guedes, instituição que eu presidia, e o Banco Mundial (Bird) é que foram os responsáveis".

O ex-ministro conta que foi logo seduzido pela possibilidade de poder reunir um grupo de economistas para discutir o Brasil. Porém, imaginou que não poderia haver apenas simpatizantes do governo, o encontro precisava ter uma orientação pluralista. Reis Velloso então bancou, pessoalmente, a vinda do líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara na época, Plínio de Arruda Sampaio.
"O Sampaio precisou pedir autorização da bancada do partido. Ele participou do seminário e ainda trouxe o filho, economista, para complementar", relembra.

Edição de livros

Do resultado do primeiro seminário foram produzidos 10 livros, que já discutiam temas como reforma política e nova política industrial. "Todos com capas do pintor holandês Vicent van Gogh", lembra Velloso.
Aliás, a cada edição o seminário edita livros sobre os temas debatidos. Em 20 anos de Fórum, falou-se de tudo um pouco: reforma do Estado, mercado de capitais, propostas concretas para o País, sociedade e governo.

Índice de Desenvolvimento

No encontro deste ano, a novidade é a palestra sobre o Índice de Desenvolvimento Social (IDS). Criado no Brasil, o IDS é muito mais abrangente que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com Velloso, a análise do IDH considera apenas três variáveis, já o IDS ressalta 12 itens nas suas pesquisas: renda; trabalho e emprego; educação e capital humano; saúde e saneamento; e condição de domicílio.

Estado Emigrante é o 6º- maior do País


Os emigrantes brasileiros já são mais de 5 milhões mundo afora. Ao final deste ano terão gerado, com o trabalho que realizam, um Produto Interno Bruto (PIB) avaliado em R$ 109 bilhões. Se todos esses conterrâneos formassem um estado, o 28 nacional, este ocuparia a 6 posição no ranking em tamanho da economia. A pujança econômica não pára por aí. Os habitantes do "estado" dos emigrantes detêm hoje a maior renda per capita do País: R$ 20.400,00. Este valor é superior à renda média dos paulistas, rankeados em 3 lugar, com R$ 11.383; dos fluminenses, em 2 lugar, com R$ 11.459,00; e dos domiciliados no Distrito Federal, no topo da lista até agora, com R$ 16.361,00, segundo os dados de 2005 disponíveis no IBGE.

Este Brasil distante, mas absolutamente vitorioso, deve sair do anonimato. No próximo dia 17 de junho, em sessão solene no Congresso Nacional, convocada pelo presidente da Câmara Federal, deputado Arlindo Chinaglia, o emigrante brasileiro finalmente será reconhecido e homenageado. O fórum parlamentar mais importante do País será palco do lançamento "oficial" do Estado dos Emigrantes, uma organização não-governamental fundada pelo empreendedor Ricardo Bellino. Na ocasião, o maestro João Carlos Martins vai reger a orquestra Bachiana Filarmônica na interpretação do hino oficial do Estado Emigrante com letra de Ives Gandra Martins (irmão do regente) e música do maestro Mateus Araújo.

O economista e professor Stephen Kanitz, mestre pela Universidade de Harvard, nos Estado Unidos, não poupa elogios ao empreendedor: "Ricardo Bellino entrará na história do Brasil junto com Pedro Alvarez Cabral, por ter descoberto o 28 Estado Brasileiro, que é maior do que Bahia, Santa Catarina, Pernambuco e praticamentente do mesmo tamanho do Paraná. O que é impressionante é que nenhuma empresa, agência de propaganda ou economista que calcula o PIB deste país percebeu o potencial de consumo e de renda do Estado Emigrante".

No prefácio do livro que Ricardo Bellino escreveu em parceria com o professor da UUS José Carlos Meihy, o empresário e economista Roberto Gianetti da Fonseca identifica nesse fenômeno social ainda recente no Brasil a perplexidade que os números gigantescos do Estado dos Emigrantes projetam. "Os Estados Unidos têm hoje cerca de 290 milhões de habitantes, dos quais 12%, ou seja, aproximadamente 35 milhões, são imigrantes. A vasta maioria vem da América Latina, Caribe e Ásia. Cerca de um terço deles está em situação ilegal no país, vive uma vida tensa, semi-clandestina, sujeita à sobrevivência do dia-a- dia. As repercussões demográficas deste atual fluxo migratório para os Estados Unidos ainda não foram devidamente estudadas", avalia Roberto Gianetti, também diretor de relações internacionais e de comércio exterior da Federação das Industrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "É de extrema importância a valorização da imagem pessoal do imigrante brasileiro promovida por pelos autores do livro (Bellino e Meihy), quando afirmam que, antes de ser um desertor de seu país e de sua cultura, ele é na verdade um lutador que, não tendo encontrado condições de trabalho ou de realização profissional em sua terra natal, se vê compelido a imigrar para outro país, mesmo em condições eventualmente adversas, sem recursos materiais para garantir sua sobrevivência a curto prazo, sem conhecimento suficiente da língua estangeira, dos hábitos e da cultura local", enfatiza Gianetti.

O livro "O Estado dos Emigrantes", de autoria de Bellino e Meihy que está sendo lançado pela editora Elsevier, registra diversos casos dos emigrantes brasileiros, mais ou menos dramáticos. O historiador e professor titular da Universidade de São Paulo (USP) José Carlos Meihy, profundo pesquisador do exodo dos brasileiros afirma que os cinco milhões de brasileiros que vivem lá fora podem passar aperto, mas o dinheiro da família é sagrado. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) informa que os emigrantes brasileiros enviam mais de s U$ 7 bilhões por ano aos seus familiares que ficaram no País,. mas, apesar do sacrifício a que estão submetidos para ganharem esses recursos, em muitas situações são gastos de forma errada. "O emigrante manda dinheiro para a família comprar uma geladeira ou fogão, mas os parentes pagaram roupas ou viagens", diz Meihy.

Para explorar esse novo mercado, no mês passado Ricardo Bellino se associou à rede de varejo Ponto Frio, à construtora residencial Tenda, à rede de ensino e formação profissional Microlins, ao Grupo Notre Dame Intermédica e à Rede Record de Televisão para lançar o projeto OleXpress no Brasil e no exterior. O objetivo é criar uma plataforma de integração dos emigrantes com o seus familiares, que, segundo as contas do professor Meihy, somam 15 milhões de brasileiros. Para acelerar o processo, a OleXpress irá patrocinar o primeiro censo do emigrante, com o objetivo de mapear quem são e onde e como vivem os emigrantes brasileiros no exterior.

Também serão perfilados os dependentes que ficaram no Brasil. Com essa base de dados o projeto pretende integrar esses quase 20 milhões de brasileiros e transformá-los em uma comunidade ativa e dinâmica por meio de um portal de comunicação, oferecendo informações úteis, orientações e assessoria, além de oportunidades e promoções especiais nos negócios em que atua cada uma das empresas. As perspectivas de geração de negócios são robustas, já que nos últimos cinco anos as remessas de dinheiro pelo emigrantes cresceram no ritmo médio de 25%.

A iniciativa do Estado dos Emigrantes pode resgatar também alguns direitos desses cidadãos brasileiros, que hoje, em razão das condições de sobrevivência no exterior, estão comprome-tidos, ao menos parcialmente. Itens básicos como documentação, acesso ao sistema bancário e ao crédito e participação eleitoral acirram bastante o sentimento de esquecimento pela pátria mãe, já que estão impossibilitados de ao menos escolherem seus representantes nos poderes constituídos do Brasil.

Casa Civil vai avaliar projeto de fundo soberano esta semana


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou que o Fundo Soberano do Brasil (FSB), desenvolvido para estimular o comércio exterior brasileiro e conter o derretimento do dólar ante o real, deve ser encaminhado à Casa Civil esta semana. Pela primeira vez, o ministro confirmou que o instrumento será enviado como Projeto de Lei.

"O presidente Lula determinou que nós fizéssemos o fundo soberano. O projeto de lei está praticamente pronto e só faltam os aspectos jurídicos (no Ministério da Fazenda), mas a concepção econômica já está clara e definida", afirmou o ministro na sexta-feira, ao rebater boatos de que a criação do FSB seria postergada. As declarações de Mantega foram confirmadas pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins, que disse que o instrumento será encaminhado ao Congresso Nacional "proximamente", tão logo seja assinado pelo presidente Lula.

O fundo soberano seguirá à ordem da Casa Civil. Ele passará por uma análise de mérito nas receitas e despesas. Será avaliado, por exemplo, a procedência dos recursos. Em seguida, passará por uma análise jurídica. A duração desse processo vai depender da complexidade do FSB, para o qual o ministro Mantega já falou em recursos de até US$ 20 bilhões.

O FSB é considerado complexo e ainda gera desconfiança dentro do governo, além de receber críticas de analistas que acreditam ser cedo para o Brasil criar um fundo soberano por ainda possuir déficit nominal. Fonte reservada da equipe econômica do governo informou que até terça-feira da semana passada (20), o presidente Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, demonstravam insegurança em relação ao projeto.

Ao rebater críticas, Mantega declarou que o FSB possui um modelo mais vantajoso do que outros fundos soberanos. "Todo mundo está procurando um paralelo do nosso fundo soberano com os de outros países. O nosso é diferente e é adequado às necessidades do Brasil. Ele não precisa ser igual ao do Kuwait ou da Arábia Saudita", disse.

Mantega reiterou que a economia brasileira está habilitada a criar o fundo soberano. "Esse é um instrumento que o Brasil pode ter porque acumulou reservas de US$ 200 bilhões e tem um fluxo de reservas elevadas", disse.

O ministro voltou a esclarecer que o FSB não usará as reservas internacionais. "Do ponto de vista cambial haverá uma ação em sintonia com o Banco Central que, diga-se de passagem, aprova e concorda com o fundo."

Nas palavras do ministro, o FSB é um fundo versátil que pode ser utilizado em várias frentes: na contenção da depreciação do dólar ante o real e na melhora das questões fiscal, pressão inflacionária e comércio exterior.

As diretrizes do FSB estabelecem a criação de uma poupança pública com o excedente da meta do superávit primário, estimada para 2008 em 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB). Como um instrumento anticíclico, a idéia é que os recursos da poupança sejam usados em momentos de crises na economia. Além disso, a poupança poderá ajudar a enxugar os dólares na praça, pois as sobras do superávit primário poderão ser utilizadas para a aquisição de dólares que seriam repassados ao BNDES, por exemplo, para financiar empresas brasileiras no exterior. E assim beneficiar o setor exportador, hoje prejudicado pela forte depreciação cambial.

Preço do álcool cai mais 5,1% no mercado de SP


Como já era esperado, o álcool voltou a cair na última semana em São Paulo, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). O litro do hidratado (que abastece diretamente o motor) recuou 5,1% para R$ 0,66 na usina. O álcool anidro (misturado à gasolina), que na semana passada tinha ficado praticamente estável, recuou mais forte nos últimos dias, encerrando a semana em queda de 1,27%, cotado a R$ 0,822 o litro na usina.
A pesquisadora do Cepea, Ivelise Rasera Bragato, explica que a queda já era prevista, uma vez que a safra de cana começa a tomar mais corpo no estado. "O hidratado está caindo mais que o anidro por que, pelo próprio processo produtivo, as usinas produzem inicialmente o hidratado para, depois, fazerem o anidro", explica.

Papelada compromete Paulinho


A Polícia Federal vai centralizar suas investigações nas anotações e canhotos de cheques apreendidos durante a Operação Santa Tereza, que desmontou um suposto esquema de desvios de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo investigadores, os papéis reforçam as suspeitas em torno do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, cujo nome constava na contabilidade de um escritório de consultoria envolvido nas irregularidades. A partir do material coletado durante a ação policial, a PF organizou um organograma mostrando as funções de cada um dos integrantes do grupo.

Os documentos apreendidos, conforme os investigadores, mostram coincidências entre valores divididos pelo esquema e as liberações do BNDES para a Prefeitura de Praia Grande (SP) e para uma loja de departamentos. Para a PF, segundo os relatórios de inteligência, o nome Paulinho e a sigla “PA”, escritas em anotações e planilhas encontradas, são referências ao deputado. O advogado Antonio Rosella, que defende o parlamentar, classificou essa conclusão como “loucura” e reclamou que não teve acesso a todos os documentos da apuração. Rosella afirmou ainda que muitos dos diálogos apresentados nas escutas telefônicas estão fora de seu contexto total.

Plenário
O monitoramento do lobista João Pedro de Moura, ex-assessor de Paulinho, durante a investigação que resultou na Operação Santa Tereza, realizada em abril pela Polícia Federal, não se restringiu aos corredores de acesso e gabinetes parlamentares da Câmara. Agentes da área de inteligência da PF acompanharam o lobista até no plenário da Casa, área restrita aos congressistas. Moura, que é acusado de ser um dos principais envolvidos no esquema de desvios, esteve na área reservada ao café dos deputados federais, onde foi vigiado por meia hora pelos policiais.

Durante as investigações, policiais federais mantiveram um severo monitoramento dos principais envolvidos, principalmente em torno de Moura. Para os policiais, ele seria o intermediário político do grupo. Nos relatórios produzidos pela PF, o lobista é tido como uma pessoa importante do esquema, já que mantém contatos com parlamentares, prefeitos e assessores, transitando com facilidade nessa área. Gravações feitas em fevereiro deste ano mostraram o ex-assessor de Paulinho no gabinete do deputado e de seu colega, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).

O relatório de inteligência nº 11 da Polícia Federal, encaminhado na semana passada à Justiça, mostra detalhadamente os passos de Moura dentro da Câmara, revelando até a marca do notebook que ele usou na apresentação feita a um grupo de pessoas. Isso aconteceu no dia 26 de fevereiro passado, quando ele fez várias incursões no Parlamento, terminando com a reunião na sala do café dos deputados. Lá o ex-assessor de Paulinho ficou por meia hora, observado atentamente por um agente, que o fotografou em companhia do deputado e um outro homem não identificado.

A presença da PF no plenário da Câmara deverá ser motivo de polêmica entre o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o Ministério da Justiça. Há 15 dias, ao saber que agentes monitoraram a visita de Moura a gabinetes, Chinaglia protestou alegando que era necessário permissão para que fossem feitas investigações no local. Com a revelação de novos fatos, tanto a presença dos policiais como a reunião que Moura teve na sala do café, o assunto deverá ser retomado.

Os passos de Moura na Câmara

Em 25 e 26 de fevereiro deste ano, agentes da área de inteligência da Polícia Federal seguiram João Pedro de Moura nas dependências da Câmara dos Deputados. A PF monitorou o lobista nas visitas que ele fez a dois gabinetes de deputados e em reunião com um grupo de pessoas no plenário da Casa. Confira abaixo o itinerário de Moura no dia 26:

17h03 - Moura entra no gabinete 539, do deputado Henrique Eduardo Alves

17h30 - O lobista deixa o gabinete do líder do PMDB na Câmara e vai para o de Paulo Pereira da Silva

17h55 - Paulinho recebe um grupo de pessoas, possivelmente parlamentares, segundo a PF, com quem se reuniu por cerca de 10 minutos. Não se sabe se Moura participou da reunião com o grupo

19h03 - Moura deixa, sozinho, o gabinete 218, que é de Paulinho, e se dirige ao Salão Verde, onde se encontra com um grupo de pessoas

19h10 - Acompanha o grupo de pessoas ao plenário da Câmara

19h20 - No interior do plenário, em uma mesa na sala de café dos parlamentares, acompanhado por três pessoas, ele abriu seu notebook e fez uma apresentação aos presentes, fornecendo-lhes papéis de anotações

19h50 - Paulinho chega ao plenário e acompanha a reunião de Moura com o grupo de pessoas, com quem conversa

20h03 - Moura deixa o plenário acompanhado por Paulinho e uma outra pessoa que estava presente à apresentação do lobista

20h05 - A Polícia Federal encerra o monitoramento dentro do plenário da Casa

Explicações à Justiça

O lobista João Pedro de Moura será o primeiro a depor na Justiça sobre seu envolvimento nos desvios de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Moura é considerado um dos principais mentores do esquema, segundo a Polícia Federal, por ter ligações com a instituição financeira, de onde foi do conselho administrativo, e livre trânsito com políticos, empresários e empresas de consultoria. Ele foi preso em 24 de abril durante a Operação Santa Tereza, que desbaratou o esquema de fraudes. Moura será ouvido hoje na 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Na semana passada, a Justiça cancelou os interrogatórios de outros envolvidos nas fraudes. Escutas telefônicas feitas pela PF mostravam conversas em árabe entre diversas pessoas, que precisavam ser traduzidas. Além disso, os advogados dos acusados alegaram que não tiveram acesso ao processo, onde foi incluído o relatório de inteligência policial nº 10 depois que os autos chegaram ao juiz Márcio Catapani, da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Segundo a defesa do empresário Marcos Vieira Mantovani e do advogado Ricardo Tosto, outros dois acusados de fazer parte do esquema, seus clientes foram surpreendidos por novas provas, mesmo a ação estando em curso.

Moura é acusado de fazer intermediações entre empresários e políticos, em troca de comissão por financiamento liberado. A PF o incrimina nas liberações feitas para a Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, e para uma loja de departamentos. Segundo o advogado do ex-assessor de Paulinho, Frederico Crissiúma de Figueiredo, o interrogatório será o melhor momento para que seu cliente possa esclarecer os fatos. Moura se negou a prestar depoimento à PF.

Meirelles embaralha disputa goiana em 2010


O desejo do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, de mergulhar a partir do próximo ano numa campanha ao governo de Goiás embaralhou o jogo político no estado. Todas as composições negociadas até agora nas eleições municipais previam uma aliança entre PT e PMDB em 2010, tendo o atual prefeito de Goiânia, o peemedebista Iris Rezende, como protagonista. Mas a disposição do principal comandante da política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva de entrar no páreo pode dividir ainda mais os petistas.

No dia 19 de abril, em convenção, o partido resolveu com uma diferença de apenas um voto, num universo de 231 delegados, que fecharia uma aliança com outro candidato e não teria um nome próprio na disputa. Na prática, significou a disposição de apoiar a reeleição de Iris. A negociação, conduzida pessoalmente pelo atual prefeito, prevê que o PT indique o vice na chapa à reeleição do PMDB. Caso a dobradinha seja vitoriosa, Iris deixará a prefeitura em 2010 para concorrer ao governo e o vice-prefeito herdará o comando da capital goiana.

Ainda não há uma definição oficial sobre o assunto. O atual vice-prefeito, Valdivino de Oliveira (PMDB), deseja permanecer na chapa e outros partidos, como o PR, também articulam essa posição em troca de apoio. Os petistas defensores da coligação, no entanto, desejam o cumprimento do compromisso. Por trás dessa articulação está o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares que, inclusive, participou da festa de comemoração da ala petista vitoriosa na convenção de abril. Afastado do partido, o ex-homem forte das finanças do PT manteve algumas conversas, mas no dia-a-dia é representado por duas pessoas de sua confiança: seu irmão, o vereador Carlos Soares (PT), e a ex-deputada federal Neyde Aparecida (PT).

Em Goiás, Henrique Meirelles faz política entre adversários do PT e do PMDB. Em 2002, ele se elegeu o deputado federal mais votado no estado, com 183 mil votos. Renunciou, em seguida, para assumir a presidência do Banco Central, a convite de Lula, então recém-eleito presidente da República. Há três semanas, Meirelles avisou o Palácio do Planalto de sua intenção de deixar o cargo no próximo ano para voltar às campanhas eleitorais. Recebeu total apoio de Lula e já começou a percorrer o estado.

Em abril, Meirelles esteve em Catalão (GO), a convite do presidente da Assembléia Legislativa de Goiás, deputado Jardel Sebba (PSDB), que é da cidade. O presidente do BC deu palestra sobre perspectivas econômicas do país diante da crise nos Estados Unidos. Também esteve há 10 dias em Anápolis, sua cidade natal, acompanhado da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), para lançamento do projeto de Zona de Processamento de Exportação, um Porto Seco.

O presidente do PT-GO, Rubens Ottoni, já declarou que a candidatura de Meirelles ao governo é viável. Ele deve, no entanto, ingressar em algum dos partidos da base aliada do governo Lula, como o PR ou o PTB. Se isso acontecer, o PT terá de escolher em qual posição estará no jogo político goiano. É certo, no entanto, que Meirelles vai surfar na onda da estabilidade e nos bons índices econômicos do governo Lula. Petistas avaliam, nos bastidores, que será difícil fazer oposição ao presidente do BC.

Reinvenção de Iris
O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, conseguiu se reinventar. Depois de passar seis anos fora da vida pública, ele ressurgiu na política goiana há quatro anos, quando disputou a prefeitura de Goiânia com a promessa de asfaltar todo o município. Ele tentava — e conseguiu — recomeçar depois de uma derrota para o então novato na política, Marconi Perillo (PSDB), que se elegeu governador num efeito considerado surpreendente entre os goianos.

Iris era favorito a vencer no primeiro turno, mas o tucano conseguiu ganhar na segunda fase da campanha com uma diferença de 1,67% dos votos. Iris era apontado como o político tradicional e populista. Perillo dizia que ele tinha sido afastado de vez do cenário. Em 2004, Iris, no entanto, derrotou o candidato de Perillo, Sandes Júnior (PP), e o então prefeito de Goiânia, Pedro Wilson (PT), num embate duro, recheado de troca de agressões. A disputa entre PMDB e PT era histórica até as últimas eleições, quando o grupo de Iris Rezende apoiou a reeleição do presidente Lula.

No primeiro turno, Lula perdeu para o tucano Geraldo Alckmin por uma diferença de 320 mil. A performance virou, no segundo turno, com a ajuda do prefeito de Goiânia. Lula terminou a eleição com 260 mil votos na frente do adversário. Com essa ajuda, Iris espera retribuição na eleição municipal deste ano e numa eventual candidatura ao governo, caso consiga se reeleger em outubro. Esses planos, no entanto, esbarram nas pretensões do atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.


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