2008 no ar. Seja feliz todos os dias desse novo ano!

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Petista é bom cabo eleitoral para candidatos a prefeito no Nordeste, diz pesquisa

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Ainda é muito cedo para acreditar no que dizem pesquisas para o final do ano de 2008. Como também é prematuro dizer que as pesquisas estejam certas quando fala na sucessão da Presidência da República. Muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte Presidencial. Mássss a Folha saiu com nova pesquisa em que mostra Lula um bom puxador de votos. Ahh! fala sério meu povo. Só agora que a Folha viu, o que nós pobres mortais, sabemos há séculos?. Mas, bem, aqui está na íntegra a reportagem do Leandro Beguoci, na Folha para assinante e livre aqui no blog para vocês.

Levantamento do Datafolha em nove capitais mostra que o quadro se inverte no Sul e Sudeste -o presidente tira mais votos do que traz

LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um bom cabo eleitoral para os candidatos a prefeito do Nordeste. No Sul e no Sudeste, tira mais votos do que traz. O governador Aécio Neves (PSDB) tem boas chances de colocar seu candidato no segundo turno. Luiz Henrique da Silveira (PMDB), de Santa Catarina, pode até tirar.

Pesquisa Datafolha realizada entre 26 e 29 de novembro em nove capitais mostra que em Recife, Fortaleza e Salvador, respectivamente, 38%, 29% e 26% dos eleitores dizem que o apoio do presidente a um candidato à prefeitura poderia levá-los a optar pelo nome. Apenas 10% em Recife, 15% em Fortaleza e 13% em Salvador declaram não votar em alguém que tenha Lula a seu lado.

O quadro se inverte no Sul e no Sudeste. Em Florianópolis, 34% rejeitam candidatos ligados ao presidente; o número é de 25% em Curitiba, 24% em São Paulo, 23% no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte e 22% em Porto Alegre.

Em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, 14% dos eleitores dizem que poderiam votar em candidatos apoiados por Lula. O índice sobe para 15%, em São Paulo e Belo Horizonte, e para 21%, no Rio de Janeiro.

A margem de erro é de cinco pontos percentuais, para mais ou para menos, com exceção das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro-onde a margem de erro é, cada qual, de três pontos e quatro pontos percentuais.

Portanto, no Rio de Janeiro há empate técnico entre os que se dizem dispostos a votar em um candidato apoiado por Lula e os que reprovam postulantes ligados ao presidente. Em Belo Horizonte e Porto Alegre também há empate técnico, mas a probabilidade maior é que, em 2008, o voto anti-Lula seja maior do que o pró-Lula.
O resultado atual lembra a eleição de 2006, quando o presidente foi derrotado por Geraldo Alckmin (PSDB) no Sul e bateu o tucano no Nordeste.

Governadores

A pesquisa Datafolha mostra os três governadores que mais transferem votos no país: Aécio Neves (PSDB-MG), Eduardo Campos (PSB-PE) e Cid Gomes (PSB-CE). Também traduz em números um recado: as capitais da região Sul estão dispostas a votar em nomes da oposição tanto ao presidente quanto a seus governadores.

Em Minas, 42% das pessoas dizem que poderiam escolher o candidato apoiado por Aécio; 14% rejeitam o nome ligado ao atual governador. Dentre os nomes pesquisados pelo Datafolha, ele é o maior "transferidor" de votos. Campos também aparece bem: 32% de simpatia por seu candidato e 12% de rejeição. Cid Gomes tem 30% e 21%, respectivamente.

Em São Paulo, o candidato apoiado por Serra tem mais chances de reverter apoio em voto do que o postulante de Lula: 23% dos eleitores se dizem propensos a escolher alguém que conte com o governador a seu lado, contra 15% que afirmam o mesmo para o presidente. O quadro se repete no Rio de Janeiro: enquanto 27% dos pesquisados afirmam que poderiam votar no candidato de Sérgio Cabral (PMDB), 21% votariam no escolhido por Lula.

A liderança do ranking negativo da influência cabe ao governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), de Santa Catarina: mais de um terço do eleitorado (38%) se recusa a votar em alguém ligado a ele.
Roberto Requião (PMDB-PR) e Yeda Crusius (PSDB-RS) vêm logo em seguida, com 30% de rejeição a seu candidato, cada um. Poderiam votar em postulantes apoiados por Silveira 15% dos eleitores. O índice vai a 17% para Requião e cai para 10% com Yeda Crusius.

Cautela para fugir da malha fina

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A partir do primeiro dia útil de 2008, os contribuintes que ficaram de fora da lista de restituição do Imposto de Renda (IR 2006-2007) - cujo último lote foi divulgado há 15 dias - podem se preparar para dar explicações ao Leão. De posse da malha fiscal, popularmente conhecida como "malha fina", a Receita Federal começa, no dia 2, a convocar todas as pessoas físicas que entregaram declarações irregulares. A maioria - 40% das 479.712 declarações retidas - foi fisgada por omissão de rendimentos.

O número de retenções, próximo ao patamar de 500 mil, assusta. Mas o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, considera o resultado positivo em relação ao ano anterior. Segundo ele, em 2006, 746.035 declarações caíram na malha fina - 266.323 contribuintes a mais que este ano.

A possibilidade de o contribuinte consultar o extrato da declaração pela internet permite fazer ajustes e correções antes de enviar o documento à Receita - observa Adir. - Com essa ferramenta, houve uma queda considerável das declarações entregues com erros.

Os contribuintes têm de fazer uma retificação e enviar à Receita, depois de identificar o erro na declaração enviada, a fim de que possam receber a restituição solicitada - orienta. - Dependendo do caso, vão precisar aguardar um tempo maior até serem chamados. Mas podem ficar tranqüilos, porque felizmente o Cadastro de Pessoa Física (CPF) não é bloqueado e a restituição é corrigida pela taxa Selic.

Quem foi fisgado pela malha fina este ano, não tem mais como sair. Para não repetir o erro em 2008, no entanto, o tributarista sugere que os contribuintes comecem, a partir de amanhã, a separar todos os documentos e informações para a próxima declaração de renda, agendada para o mês de abril.

É melhor não deixar para a última hora, pois a cada ano o fisco se torna mais exigente - avisa Branco. - Por isso, é bom rascunharem a declaração com antecedência para ter tempo de fazer as correções necessárias. Em fevereiro, já será possível fazer download do programa no site da Receita Federal.

A maioria das pessoas guarda a sete chaves que foi pego pela malha fina, por vergonha ou receio de represálias por parte da própria Receita. Rubens Branco esclarece, no entanto, que a maioria dos erros cometidos decorre de falta de atenção. Ele alerta que declarar despesas médicas acima de 15% ou informar rendimentos diferentes do lançamento das empresas para a qual trabalha são algumas das principais fontes de dúvida, já que, ao realizar a declaração pela internet, o computador separa automaticamente estes dados.

Omissão de rendimentos

Erros de preenchimento à parte, Branco informa que um equívoco muito comum é a omissão de recebimento de aluguéis e pensões alimentícias.

Os CPFs de quem paga e de quem recebe são analisados, por isso os lançamentos devem ser iguais. Se houver erro quando confrontados, as duas declarações caem na malha fina - explicou.

PT domina 45 das 100 maiores cidades

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Hoje, nos 100 maiores colégios eleitorais, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera 45, na companhia de aliados. Ele quer dobrar o número em outubro próximo, até porque, na maioria desses municípios - em 55 - está na oposição. Sozinho, o PT tem 23 prefeituras das 100 maiores cidades, seguido do PSDB e PDT, com 12, do PPS (nove), PSB (oito) e DEM (seis). Nas capitais, existem oito prefeituras contra quatro do PSDB, três do PMDB e PSB e duas do PPS, DEM e PTB.

Segundo o secretário de organização petista, Romênio Pereira, o partido terá candidatura própria em quase todas as capitais, a partir de prévias partidárias, indicando a estratégia eleitoral a ser seguida até outubro. As exceções seriam: Aracaju (o prefeito Marcelo Deda elegeu-se governador em 2006, passando o cargo ao vice Edvaldo Nogueira, do PC do B, que vai se candidatar à reeleição); Goiânia (possível apoio a Íris Rezende, PMDB); e Manaus (provável aliança com Serafim Correia, do PSB).

As preocupações dos petistas são maiores diante da constatação de que, nas últimas eleições, o partido teve sua influência eleitoral reduzida nos municípios mais populosos - constata Cristiano Noronha, da Arko Service.

Equilíbrio

Em 2006, quando Lula foi reeleito com mais de 58 milhões de votos (60,83% dos votos válidos), houve maior equilíbrio entre eleitores petistas e tucanos nos grandes centros urbanos. As demais forças eleitorais também nutrem grandes ambições para o pleito municipal.

Ainda de acordo com o analista da Arko Service, o PSDB pretende disputar as prefeituras de 4 mil cidades, com especial interesse nas 250 maiores. Sua meta é eleger 1.200 prefeitos, dos quais pelo menos oito nas capitais, três das quais prioritárias - São Paulo, Curitiba e Salvador.

Economia, o grande cabo eleitoral

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Timoneiro da propaganda dos bons números do desenvolvimento nos últimos meses, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta na estabilidade da economia para ajudar os partidos aliados - principalmente o PT - a conquistarem o maior número de prefeituras nas eleições municipais. Lula acredita que o bom momento que o país atravessa será o maior "cabo eleitoral" para os governistas angariarem votos.

Para isso, Lula e equipe levam em conta o maior índice de popularidade depois de completados cinco anos de mandato; a performance econômica mais exuberante do país desde o "milagre econômico" da década de 70 - quando a taxa de crescimento era de 10%, mas a inflação de 12% - a provável concessão do "grau de investimento" pelas agências internacionais de risco - qualificação capaz de atrair US$ 50 bilhões em investimentos estrangeiros diretos; e o controle absoluto da distribuição de recursos federais para Estados e municípios.

Empenhado nas disputas municipais, Lula - que obteve a aprovação de 61,2% dos entrevistados na última pesquisa de opinião realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT)-Sensus e de 51% dos ouvidos pelo Instituto Ibope na sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) - espera manter a mesma aliança que lhe assegura uma maioria de 380 votos na Câmara. O número, ainda que problemático, é mais expressivo do que o obtido por Fernando Henrique no seu primeiro mandato.

Nas eleições municipais é que os partidos constrõem suas bases próprias, explorando os conflitos locais para acumular forças visando à eleição presidencial - opina Cristiano Noronha, cientista político e analista da Arko Service. - Todo deputado federal tem que ter seu candidato a prefeito, uma forma clássica de afirmação partidária. Essa perspectiva, porém, choca-se com a intenção do presidente de conservar a aliança no embate municipal.

Para o analista, uma vitória de Lula e de seus aliados o credenciaria a eleger não apenas o sucessor como também voltar ao poder em 2014, embora o presidente desminta seu interesse na aprovação de uma emenda constitucional que permitiria um terceiro mandato.

Meta petista

Neste fim de ano, já reeleito para a presidência do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP) anunciou a intenção da legenda de disputar o comando dos 100 maiores municípios do país (5.564), que concentram 40% (50,5 milhões) dos 126,4 milhões de eleitores e os orçamentos mais vultosos.

Vamos estruturar o grupo de trabalho eleitoral para dar apoio aos diretórios regionais e municipais, e abrir o debate sobre a política de alianças e as questões programáticas comuns que servirão de base para os programas locais - disse Berzoini. - E vamos preparar documentos de orientação para a estruturação das campanhas.

Por outro lado, entre os tucanos, a ordem é uma ofensiva contra os governistas. A cúpula do PSDB "vai organizar um inventário da situação em todo o país, realizar campanha de filiações e reaproximar-se de aliados políticos, o que inclui até mesmo partidos da base política do governo", conforme avisou o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE).

DEM resiste e almeja 3 mil municípios

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Apesar da expectativa de que não deverá caminhar junto com os tucanos, o DEM competirá em mais de 3 mil municípios com a intenção de sair da batalha eleitoral com cerca de mil prefeitos, 300 a mais do que em 2004, mantendo as prefeituras de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Além dessas, o Democratas lançará candidatos fortes em Salvador - o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, herdeiro do "arsenal político" do avô - e em Porto Alegre - Onyx Lorenzoni, líder do partido na Câmara. No Rio, a intenção de Cesar Maia é emplacar a deputada Solange Amaral.

O PMDB, terceira força em percentual de votos em 2004 (14,96%), mas a primeira sigla em quantidade de prefeitos eleitos (1.059), almeja repetir o êxito eleitoral que o credencia como o único e mais bem estruturado partido regional do país. Apenas no Rio Grande do Sul, onde o diretório administra um curso de formação política pelo método de ensino à distância, a meta é eleger mais de 200 prefeitos e 1.500 vereadores.

A novidade de 2008 pode ser o bloquinho de esquerda (PSB, PC do B e PDT) que irá às urnas aparelhado para disputar com boas chances algumas prefeituras de capital - acredita Cristiano Noronha.

Em Porto Alegre, por exemplo, a deputada Manuela D"Avila será a candidata do PC do B. Em São Paulo, o partido deve competir com o deputado federal Aldo Rebelo, ou apoiar o também deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, do PDT, embora ambos possam desistir em benefício de Luiza Erundina (PSB).

Acho que eu e o Aldo ainda podemos conversar com a Luiza, e oferecer apoio para a sua candidatura ao Senado, em 2010 - adianta Paulinho.

Em Manaus, o socialista Serafim Correia aposta na reeleição; em Aracaju e Vitória, o PSB também aparece bem cotado. (M.S.)

Previsões para 2008

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Não vou jogar búzios. Minhas previsões se baseiam em algo muito mais seguro: a velha propensão dos nossos políticos de repetirem as mesmas bobagens ano após ano…

Como é o último dia do ano, não resisti a colocar um turbante branco, tirar minha velha bola de cristal da gaveta e apresentar minhas previsões políticas para 2008. É verdade que conexões astrais nunca foram o meu forte, mas mesmo assim arrisco a dizer que vocês podem guardar esta coluna e me cobrar daqui a 365 dias. Não vou jogar búzios. Minhas previsões se baseiam em algo muito mais seguro: a velha propensão dos nossos políticos de repetirem as mesmas bobagens ano após ano…

Prevejo que em 2008 o Presidente Lula terá muitos problemas com a base governista no Congresso. Na Câmara, projetos importantes vão ficar parados durante um bom tempo nas comissões. Especialmente na de Constituição e Justiça, comandada pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Leio nas estrelas que os projetos voltarão a andar no momento em que algum indicado do PMDB fluminense for posto em um disputado cargo no segundo escalão do governo ou em alguma empresa estatal.

Vejo que na Câmara, depois de alguma pressão, os projetos de interesse do governo serão aprovados. Fecho os olhos e materializa-se à minha frente uma página de jornal relatando que nos dias anteriores à votação aumentou muito o volume de liberação das emendas parlamentares. Por falar nisso, o mapa astral mostra que, em ano de eleição municipal, os deputados candidatos por partidos da base governista terão uma impressionante facilidade para liberar o pagamento de suas emendas.

Também antecipo que a pedra no sapato do presidente Lula será… o Senado. É, os astros dizem que a base do governo lá continuará ainda mais desorganizada que a da Câmara. Vejo que o PT colocará a culpa nos líderes do governo e no coordenador político, José Múcio Monteiro. Por um estranho alinhamento nas estrelas, todos eles não são do PT. Por outro lado, os outros partidos jogarão a culpa na intransigência do PT, que não sabe negociar, e nos ministros petistas, por falta de jogo de cintura.

Outra previsão: o PMDB exigirá mais espaço no governo. E quando conseguir, brigará internamente para decidir quem ocupará os tais espaços. Mas o partido saberá se unir quando chegar a hora de brigar contra o PT, que estará de olho nos mesmos ministérios.

Minha percepção antecipa novas operações da Polícia Federal com nomes esquisitos, prendendo corruptos que atuam desde prefeituras lá no fim do mundo até em gabinetes importantes na Esplanada dos Ministérios. E, no dia seguinte, podem esperar os discursos. Se o envolvido for do PT, a oposição repetirá que o partido está atolado em corrupção. Se for do DEM ou do PSDB, quem correrá às tribunas são os petistas.

Prevejo que nunca antes na história deste país um Presidente repetirá a expressão “nunca antes na história deste país” tantas vezes quanto Lula em 2008.

A oposição insistirá em dizer que ele quer um terceiro mandato. Lula vai negar.

O PSDB iniciará uma negociação com o governo, mas romperá no meio por pressão das bases e da bancada no Senado. O líder Arthur Virgílio produzirá ao menos uma frase forte por dia útil contra o Palácio do Planalto.

José Serra e Aécio Neves dirão que não estão preocupados com as eleições presidenciais de 2010 e que o importante é manter o PSDB unido. Apesar disso, o partido continuará dividido.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso baterá em Lula, sem citar o nome do adversário.

Lula dirá que Fernando Henrique tem inveja, mas também não citará o nome dele.

É ano de eleições municipais. Prevejo que antes das eleições, todos os partidos farão previsões otimistas sobre as chances de seus candidatos. E, depois da apuração, todos dirão que venceram. Independente do resultado. Afinal, num país com mais de cinco mil prefeituras, há espaço de sobra para todo mundo comemorar alguma coisa.

Lula pode fazer de 2008 um ano muito bom

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Bem pessoal, vamos aproveitar que a Folha de SP,deixou publicar um artigo Pró Lula, para ler o que diz Roger Noriega.


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A revista "Time" escolheu Putin, presidente da Rússia, como personalidade do ano. Uma seleção muito melhor teria sido Lula
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A CADA ano, a venerável revista norte-americana "Time" escolhe um importante protagonista dos acontecimentos mundiais como "pessoa do ano". Ao explicar a seleção do presidente russo Vladimir Putin para essa distinção, em 2007, os editores de "Time" apontaram para o impacto dramático que o controverso líder exerceu ao restaurar a auto-estima de um país importante. Antecipando críticas à escolha do autocrata, eles admitem que Putin "representa, acima de tudo, estabilidade -estabilidade acima da liberdade, estabilidade acima da escolha...".

Nos termos dessa definição, uma seleção muito melhor como pessoa do ano teria sido Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República Federativa do Brasil. Ao escolher Lula, "Time" não precisaria se desculpar por ter selecionado um autocrata, porque Lula é o "democrata" definitivo. Tendo em vista suas origens notavelmente humildes, ele fez uma contribuição à humanidade simplesmente por ter sido eleito.

Ao contrário do voluntarioso Putin, Lula conquista o sucesso ao provar que não é necessário sacrificar a liberdade em nome da estabilidade e que não existe motivo para ceder a liberdade política em troca de oportunidades econômicas.

Quanto à importância comparativa das duas nações, a economia brasileira tem dimensões semelhantes à russa e sua população é bastante superior. O Brasil é um país respeitado e influente e serve de força propulsora à auspiciosa meta de integração sul-americana. Ainda que suas instituições não sejam perfeitas, ao contrário do que acontece na Rússia, elas vêm sendo reforçadas a cada dia.

O Brasil é uma das mais estáveis democracias mundiais, uma realização notável dado seu caráter multiétnico, sua diversidade geográfica e a grande proporção de sua população que continua vivendo na pobreza -motivos suficientes para que concedamos certa dose de respeito aos seus líderes.

Lula trabalhou nos limites de um processo livre e pluralista a fim de atingir sua meta de romper o ciclo de expansão e contração que afligia a economia brasileira havia gerações. Ainda que seja elogiado por ter mantido as políticas macroeconômicas "ortodoxas", sua maior contribuição está no reconhecimento de que o crescimento econômico e a justiça social são metas indispensáveis e complementares. Em lugar de recorrer a uma retórica populista vazia e divisiva, Lula está implementando programas práticos de combate à fome e à pobreza que vêm se tornando exemplos concretos para o resto do mundo.

Dados seus antecedentes como negociador sindical, Lula consegue observar a pessoa do lado oposto da mesa, avaliá-la e obter o melhor acordo para seu povo. O relacionamento pessoal inexplicável que estabeleceu com o presidente Bush pôs o Brasil como parceiro igual de Washington. Talvez o ponto mais forte de Lula seja que, diferentemente de Putin e de alguns dos líderes do setor de política externa do governo brasileiro, ele não considera que o relacionamento com os Estados Unidos seja uma questão definida em branco e preto. E sua persistência e autoconfiança representam o Brasil com perfeição.

Lula pode tornar a economia brasileira inabalável caso liberalize o mercado de trabalho, reforme o antiquado sistema tributário, dê incentivos ao setor de alta tecnologia e proteções dignas de um país de Primeiro Mundo à propriedade intelectual.

Ao fazê-lo, pode garantir que o Brasil concorra efetivamente pelo capital mundial necessário para sustentar um ritmo elevado de crescimento, gerar os milhões de empregos que representam a cura da pobreza e conduzir a economia brasileira a uma órbita mais elevada. Isso fará do Brasil um gigante industrial por direito próprio, em vez de um simples armazém de matérias-primas para a China.

Lula também pode resgatar sua política de comércio internacional das garras dos burocratas. Ele ocupa posição ideal para salvar um acordo mundial de comércio baseado em regras comuns, a fim de proteger os interesses das pequenas economias, pôr fim aos subsídios agrícolas que prejudicam os agricultores do Terceiro Mundo e gerar ampla prosperidade.

Por fim, Lula precisa encontrar uma maneira de domar os vestígios de corrupção que ainda afetam a maioria dos países da região. Um Estado de Direito é essencial a um governo responsável, à estabilidade política e a uma economia de mercado florescente. Não é tarde demais para enfrentar a praga da corrupção.
Lula pode não ser um homem perfeito, mas é um bom homem. E mesmo a revista "Time" deveria reconhecer que um verdadeiro democrata e reformista é melhor que um autocrata superlativo -em qualquer lugar, em qualquer ano.



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ROGER NORIEGA , diretor do escritório de advocacia Tew Cardenas e pesquisador visitante do American Enterprise Institute, foi secretário-assistente do Departamento de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental (2001-2005) e embaixador na Organização dos Estados Americanos.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

Oliver Stone confirma que filmará missão de resgate de reféns das Farc

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O diretor americano Oliver Stone confirmou nesta sexta-feira que viajará com a missão humanitária liderada pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para resgatar os três reféns que serão libertados pela guerrilha das Farc.

"É maravilhoso, nunca estive em algo assim. Estou orgulhoso de ser parte disto", disse Stone no aeroporto venezuelano de Santo Domingo, de onde partiu nesta sexta-feira para participar da primeira parte da missão.

Stone, que está na Venezuela para realizar "um documentário", não revelou se filmará o momento da libertação dos reféns, em algum lugar da selva colombiana.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) vão libertar nas próximas horas Clara Rojas, 44 anos, seqüestrada em 2002; seu filho Emmanuel, 3, nascido no cativeiro; e a ex-congressista Consuelo González, 57, detida desde 2001.

"Estou realizando um documentário sobre a América Latina e também sobre a América do Norte, mas terão que esperar um pouco, até dezembro do próximo ano, para vê-lo", disse Stone.

Oliver Stone já ganhou três Oscar, por O Expreso da Meia-Noite (roteiro adaptado, 1978), Platoon (direção, 1986) e Nascido em 4 de Julho (direção, 1989).


notícia da Agência AFP

Receita Federal simplifica importação para pesquisa

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Deve ser reduzido de aproximadamente 12 dias para cerca de sete horas o tempo consumido para a liberação de mercadorias importadas com o objetivo de serem usadas em pesquisas científicas. A previsão é do coordenador de Administração Aduaneira da Receita Federal, Francisco Labriola, ao comentar as normas da Instrução Normativa (IN) 799, publicadas na edição de ontem do Diário Oficial da União. A simplificação estabelecida pela Receita beneficia órgãos públicos - incluídas suas autarquias e fundações - e entidades sem fins lucrativos. A exigência é o credenciamento no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Labriola explica que a IN 799 vai remeter essas importações de animais, vegetais, vírus, bactérias, máquinas, equipamentos, computadores e muitos outros itens ao Canal Verde, sistema de desembaraço automático que dispensa, preferencialmente, a conferência física das mercadorias. Mesmo no Canal Verde, a Receita mantém um filtro aleatório que confere entre 10% e 12% do movimento aduaneiro. Se isso ocorrer, haverá prioridade para a liberação. Antes dessa norma, esses bens tinham de passar pelo canais Amarelo (análise documental) ou Vermelho (verificações documental e física).

"Há pouca fraude nessas importações ligadas à pesquisa científica porque o controle do CNPq é confiável", afirma o coordenador. Para ilustrar essa confiança, ele informa que em 2006 e 2007 foram registradas 8.088 declarações de importação e apenas 29 revelaram infrações.

A instrução normativa da Receita foi editada para cumprir as determinações de um decreto publicado para incentivar a pesquisa tecnológica. Ficaram obrigados a desburocratizar as importações os ministérios da Fazenda, da Agricultura, da Saúde, do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia.

País pede em janeiro autorização para retaliar americanos

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Quando era ministro de Comércio do Canadá, Pierre Pettigrew teve nas mãos, em 2000, o direito de impor sanção comercial de US$ 1,4 bilhão contra o Brasil por causa de subsídios ilegais concedidos à Embraer. Pettigrew conta que foi o interesse de donas de casas canadenses que o fez não retaliar o Brasil, como autorizado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) na briga envolvendo os construtores aeronáuticos Embraer e Bombardier.

"As canadenses adoram sapatos bonitos, como os italianos. Mas eles são caros e muitas canadenses acabam comprando os sapatos brasileiros, que são mais baratos, mas também são muito bonitos. Ora, se eu retaliasse o Brasil, as canadenses seriam afetadas, porque teriam de pagar mais por causa da taxa de importação maior. E nem a Bombardier ganharia com isso", disse Pettigrew ao Valor.

Três anos depois foi a vez de o Brasil obter também na OMC o direito de retaliar o Canadá no montante de US$ 248 milhões por subvenções ilegais dadas por Ottawa à Bombardier. Igualmente o Brasil nunca aplicou a sanção, porque iria reduzir o comércio bilateral.

Agora, no começo de janeiro, o Brasil vai pedir sinal verde da OMC para retaliar os EUA. O país pedirá a adoção pelo Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, do relatório que condenou mais uma vez os Estados Unidos por dar subsídios excessivos a seus produtores de algodão. Com isso, pode pedir o direito de impor sanções contra produtos americanos.

Os EUA vão apelar, provavelmente também em janeiro, empurrando a disputa por mais alguns meses. Mas o veredicto contra as subvenções americanas tem pouca chance de mudar. E desta vez, a decisão sobre retaliar ou não pode ser diferente.

No segundo semestre de 2008, o Brasil saberá em quanto poderá retaliar os EUA. E a estratégia brasileira desperta atenção em Genebra. É que Brasília indicou que quer fazer retaliação cruzada. Ou seja, por causa dos subsídios ao algodão, pretende aplicar sanção na área de propriedade intelectual. Por exemplo, não respeitando patente para obras cinematográficas.

Com isso, o Brasil deixa os americanos brigarem entre eles. Joga a indústria de cinema, moderna e competitiva, contra um setor algodoeiro retrógrado, dependente de ajuda governamental.

Aplicar o plano ainda levará tempo. Certo mesmo é que aumenta o debate sobre retaliações. Afinal, a OMC foi criada para estimular o comércio, não para restringi-lo. Retaliação diminui as trocas.

Daí porque Pierre Pettigrew, na presidência da Comissão Warwick, reunindo especialistas sobre comércio mundial, veio a Genebra propor que numa futura reforma os países introduzam a opção de compensação financeira, ao invés de retaliação.

"Em muitos casos, as sanções aumentam o custo das importações. Por isso, propomos a obrigação de os países condenados pagarem em dinheiro quando não implementam as decisões dos painéis" - que é exatamente a razão da briga agora entre o Brasil e os EUA sobre algodão. Outras comissões já propuseram diferentes remédios para substituir retaliação por compensações.

Cabral jura que será leal a Lula

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Em seu primeiro ano, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) enfrentou duas questões centrais: as contas desequilibradas e a situação crítica da segurança pública. A primeira, Cabral conseguiu superar e vai fechar o caixa no azul. Uma ação eficiente de combate ao crime é a marca que Cabral quer deixar no fim do seu governo.

Até outubro, o superávit primário era de R$ 3,4 bilhões ante déficit de R$ 1,5 bilhão em janeiro. O Estado aumentou a receita em 5,9% nos dez primeiros meses do ano, mas sob forte ajuste fiscal, o investimento caiu 37%, em razão principalmente do corte de 39% nos gastos com obras. A economia serviu para pagar dívidas, juros da dívida e fazer frente a reajustes salariais concedidos neste ano e no governo anterior.

Na segurança pública, sob críticas, Cabral implementou política de enfrentamento capaz de reduzir praticamente todos os indicadores de violência às custas de mais mortes. Dados oficiais preliminares coletados de janeiro até novembro mostram aumento de 21% no número de mortes de civis durante confrontos com a polícia na comparação com igual período de 2006. Os número de policiais mortos também cresceu nos primeiros dez meses de sua gestão, o equivalente a 24%.

Forte aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o apoiou desde o segundo turno da campanha eleitoral, Cabral depende quase que totalmente dos recursos federais para tocar grandes empreendimentos no Estado, como o Arco Rodoviário Metropolitano e a urbanização de favelas, ambos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O Estado do Rio deve receber cerca de R$ 3,5 bilhões de verbas federais somente para os dois projetos e obras de saneamento e dragagem de rios. Tem recebido mais dinheiro para programas de diversas áreas, como a de transportes. Ele mesmo diz que recentemente conseguiu "arrancar R$ 5 milhões" por medida provisória presidencial para fazer o projeto de construção da linha 3 do metrô, ligando os municípios de Itaboraí e Niterói.

Na Assembléia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), Cabral tem maioria e diz que enfrentou pouca resistência. Cita que precisou recuar ao tentar aprovar que a contribuição patronal de 22% sobre as folhas de pagamento do Legislativo, Judiciário e do Ministério Público estaduais não fosse mais totalmente coberta pelo Executivo. Após negociar, conseguiu aprovar acordo no qual os 22% serão pagos de forma escalonada em oito anos pelos respectivos Poderes.

Na área da Saúde, a nova gestão aprovou a regulamentação de fundações de saúde no fim do ano, que permitirá ao Estado a contratação por meio da CLT. Também no segundo semestre, foi iniciado o projeto de criação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que visa a desafogar as emergências dos hospitais públicos. Até o fim de 2007, quatro unidades foram inauguradas e a previsão é de instalar outras 14 até o fim de 2008. Cada UPA custa R$ 450 milhões e tem capacidade para 600 atendimento diários.

Na Educação, o Estado pretende aumentar a rede de escolas do ensino médio, mas esbarra no impedimento legal para contratar mais professores. "Não podemos fazer concurso público porque a Lei de Diretrizes e Bases da Educação não permite , diz que é responsabilidades dos municípios. Então, as contratações são precárias, falta professor, é um problema", disse Cabral.

Na área da gestão administrativa, houve avanços significativos, com a ajuda do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), que já auxiliou a modernizar a máquina de Minas na primeira gestão Aécio Neves (PSDB). A consultoria do INDG é paga pelo Movimento Brasil Competitivo, uma ONG formada por grandes empresas brasileiras, como Gerdau, Votorantim e Souza Cruz. O chefe da Casa Civil, Regis Fichtner, disse que a maior parte das metas estabelecidas pelo INDG foi cumprida, como o aumento da receita de ICMS, o corte nos gastos de custeio e a agilização de processos internos.

Somente a recuperação da recuperação da dívida ativa não deslanchou. O Estado tem R$ 16 bilhões para receber da dívida ativa e vai utilizar mais o mecanismo da penhora online na conta bancária do credor antes da execução na Justiça para aumentar sua receita. "Quando tiramos dinheiro da conta do credor, o processo caminha mais rápido. E enquanto o processo caminha, o Estado pode sacar uma parte dele e usar imediatamente", diz Fichtner. Além disso, o governo pleiteia na Alerj expandir o limite do saque sobre o valor da penhora de 30% para 70% e ainda planeja contratar um banco para fazer a cobrança amigável ao credor antes do valor devido ser inscrito na dívida ativa. A maior arrecadação deveu-se à maior fiscalização e a procedimento simples, como o cruzamento de dados de faturamento e de contribuição de empresas. "Verificamos o aumento da frota de carros no Rio de Janeiro, mas a receita de ICMS sobre os combustíveis não teve o mesmo crescimento".

Nas despesas de custeio, com queda de 16% de janeiro a outubro, a fórmula foi renegociar contratos com os fornecedores e utilizar o pregão eletrônico. "Há uma redução média de 25% nos pregões eletrônicos", disse Fichtner.

Na parte de pessoal, uma auditoria da folha de salários está em curso. Embora faltem profissionais em áreas como educação, o Estado do Rio tem casos curiosos, como a manutenção de 2,4 mil funcionários da Flumitrens e da Metrô Rio, empresas privatizadas nos anos 90. "Temos até maquinista. Vamos mandar embora esses funcionários, que são celetistas", disse.

Ano positivo para continuar a lição de casa

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No início de 2007 havia dúvidas quanto às boas perspectivas da economia brasileira. Elas se desfizeram à medida que as estatísticas mensais e trimestrais foram se sobrepondo ao longo do ano. Tomemos a variação do Produto Interno Bruto (PIB). No período de 12 meses encerrado em setembro, este indicador apresentou alta de 5,2%. Como não se nota desaceleração da atividade neste último trimestre é bem provável que o resultado final do PIB supere os 5%.

A produtividade da indústria de transformação, impulsionada por fortes investimentos, cresceu 4,2% entre janeiro e outubro. De janeiro a novembro, o emprego industrial em São Paulo teve alta de 8,6% sobre igual período de 2007. Os índices nacionais de emprego, medidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também dão conta de bom desempenho. O aumento da massa salarial, a criação de novos empregos e a aceleração do crédito bancário formaram um tripé que resultou em mais consumo por parte das famílias.

O investimento em máquinas e ampliação de instalações destinadas à produção também cresceu em níveis bem superiores aos de 2006. Este é um indicador (formação bruta de capital fixo) especialmente importante, pois revela a disposição dos empresários de aumentar a capacidade de produção para atender à alta da demanda. Quando demanda e oferta andam juntas, é menor ou nula a pressão sobre os preços.

Exportação cresce acima da média

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O crescimento das exportações, acompanhado pelo aumento das importações provocado pela queda do dólar, fará com que o Brasil ganhe posições entre os países com maior participação no comércio internacional. A avaliação é do secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Ivan Ramalho.

Segundo Ramalho, mesmo com a queda na cotação do dólar, as exportações somaram US$ 146,4 bilhões de janeiro a novembro, 16,1% acima do registrado no mesmo período de 2006 e acima da média mundial, em torno de 10%. Já as importações passaram dos US$ 110 bilhões, 30,2% a mais que no ano passado.

A desvalorização da moeda norte-americana, ressalta o executivo, não prejudicou as exportações brasileiras. Ele diz que, de acordo os relatos colhidos dos setores industriais, a preocupação com o dólar é mais visível em áreas que utilizam mais mão-de-obra, como calçados, têxteis e móveis. Mesmo nesses setores, salienta Ramalho, o dólar abaixo de R$ 2 está forçando as empresas a buscar alternativas para manter a presença em marcados conquistados no exterior. "Um bom exemplo são os calçados, que neste ano estão com um crescimento nas exportações da ordem de 11%, ou seja, apesar das dificuldades, as vendas do setor para o exterior continuam a apresentar crescimento", diz.

No ano passado, o Brasil foi o 24º país exportador e o 27º país importador. De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil respondeu por apenas 1,1% das exportações e 0,8% das importações mundiais.

Reformas e faxinas no Congresso

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Sem sessões e com a maioria dos servidores em férias, o Congresso aproveita o recesso parlamentar para fazer reformas e limpeza. A Câmara começou a trocar o piso do corredor que liga o plenário à taquigrafia. Foram comprados 358,3 m² de granito negro no valor de R$ 25 mil para a obra. No local, onde sempre há exposições, será feita ainda a revisão das instalações elétricas e reposição de luminárias. No Senado, ontem foi dia de limpar o carpete azul.

Para reformar o piso do corredor, a Câmara conta com mão-de-obra própria. Escolheu o granito negro por ser um piso de “alta durabilidade”, de acordo com a secretaria de comunicação da Casa. Os pedreiros vão reservar mais de 47 m² do piso para arremates e eventuais consertos.

Enquanto se faz pequenos ajustes, uma comissão formada por 16 deputados e oito senadores vai representar o Congresso Nacional durante o período de recesso parlamentar, que começou em 22 de dezembro e vai até 5 de fevereiro. Os integrantes do colegiado foram indicados pelos líderes partidários e eleitos pela Câmara e pelo Senado no último dia 19. A Comissão Representativa do Congresso Nacional foi instituída pela Constituição para evitar que, durante o recesso parlamentar, haja um vácuo no Poder Legislativo.

Cabe à comissão, durante o recesso, autorizar o presidente da República e o vice-presidente a se ausentarem do Brasil por mais de 15 dias. São eles também que decidem sobre a suspensão de atos do Poder Executivo, desde que se caracterize a necessidade de medida cautelar em caráter urgente. Entre os senadores, dois são do Distrito Federal e um de Goiás. O DF conta também com três deputados na Comissão Representativa.

Obras de Kassab. persiguição

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Uma bandeira branca é hasteada no local onde normalmente fica a bandeira do Brasil, no Oscar's Hotel, do empresário Oscar Maroni Filho. Ele afirmou que o ato é uma sinalização de paz. Maroni tenta na Justiça a liberação do prédio

Lacrado por pela Prefeitura de São Paulo( a mando de kassab) por três vezes desde o dia 26 de julho, o Oscar's Hotel, do empresário Oscar Maroni Filho, trocou nesta semana a tradicional bandeira do Brasil, hasteada no topo do prédio, por uma bandeira branca.


O proprietário afirma que o ato é uma sinalização de paz. Ele tenta na Justiça a liberação do prédio e aguarda uma decisão favorável ainda no mês de janeiro. A intenção da prefeitura é demolir o prédio, localizado na cabeceira da pista do aeroporto de Congonhas, a pouco mais de 100m dela.

Além do hotel, a boate Bahamas, de propriedade de Maroni, também está interditada, acusada de favorecer a prostituição.

O hotel foi interditado pela primeira vez nove dias após o acidente com o avião da TAM, que deixou 199 mortos. O fechamento se deu depois que foi anulado o alvará de construção do prédio. O empresário é acusado de fornecer informações falsas à Aeronáutica e à municipalidade para que o prédio pudesse ser erguido.

Em julho, o secretário municipal da Habitação, Orlando Almeida, afirmou que um primeiro pedido de construção feito por Maroni foi indeferido pela Aeronáutica. Segundo Almeida, o projeto previa a construção de um flat residencial.

"Depois ele mudou o projeto e afirmou que construiria ali um prédio de escritórios, conseguindo assim a autorização. Só que um hotel não é um prédio de escritórios", argumentou.

Depois disso, o empresário conseguiu duas vezes reabrir o prédio, porém, suas liminares foram cassadas.

O hotel sequer chegou a ser inaugurado e estava na fase final de construção. Na ocasião da interdição, houve muita confusão. Munido de um megafone, o empresário bradou contra o prefeito Gilberto Kassab, que participou pessoalmente do ato administrativo.

"Não podemos, por incompetência de todos os nossos governantes, culpar meia dúzia de pessoas (pela queda do avião). Estou servindo de bode expiatório, político e eleitoreiro", disse Maroni.

Passados cinco meses, o empresário mudou o discurso. "Reconheço que naquela época não tomei uma atitude correta com o prefeito. Se eu fosse prefeito, não gostaria de ver a forma como o Oscar se expressou."

Nepotismo no TCE preocupa membro do Conselho de Justiça

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O conselheiro Antonio Umberto de Souza Jr., do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), diz ser irregular e preocupante a prática de nepotismo adotada pelos sete membros do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

"Acho muito ruim que um tribunal de contas, que tem uma função fiscalizadora, não dê exemplo e passe a impressão terrível de que a administração pública está fora de controle, que foi privatizada", afirma.

A Folha publicou ontem reportagem mostrando que os sete conselheiros do TCE nomearam filhos, irmãos e noras, sem concurso público, para salários altos, em média R$ 12 mil líquidos por mês.

Num dos casos, o conselheiro Eduardo Bittencourt Carvalho nomeou cinco filhos. Segundo funcionários do tribunal, eles não trabalham no órgão. Os demais conselheiros contrataram parentes que atuam no TCE.

"O acesso ao cargo público deve ser por mérito. A Constituição prevê alguns cargos de livre nomeação, mas é muito pior usar esses cargos para colocar parentes. A impressão que essas autoridades passam é que elas têm o direito de preencher as vagas como bem entenderem, o que não é verdade."

Para o conselheiro, deveria ser dispensável o CNJ ter de ditar uma resolução vetando a contratação de parentes em todos os órgãos do Poder Judiciário, como fez em novembro.

O procurador de Justiça João Francisco Moreira Viegas, coordenador do Centro de Apoio às Promotorias da Cidadania do Estado de São Paulo, afirma que, além da resolução do CNJ, "que deveria servir de diretriz para todo órgão pública", a própria Constituição Federal proíbe o nepotismo.

"As nomeações no TCE paulista são preocupantes. É uma prática irregular e isso está escrito no artigo 37 da Constituição, que declara que toda administração pública obedecerá aos princípios de legalidade, da impessoalidade e da moralidade", diz Viegas, que orientou todos os promotores do Estado a atuarem contra o nepotismo.
"Se realmente for verdade que os filhos de um dos conselheiros não trabalham, será um caso clássico de improbidade administrativa [má gestão]. Se isso ficar comprovado, eles terão de devolver o dinheiro aos cofres públicos", afirma.
Em caso de condenação por improbidade, além da devolução dos salários, o agente público pode ser obrigado a pagar multa e estará sujeito à perda dos direitos políticos por até cinco anos.

Para Viegas, o caso do irmão do presidente do TCE, Antonio Roque Citadini, é mais "razoável". Do grupo de 12 parentes contratados, ele foi o único que passou por concurso público, para investigador de polícia, e foi transferido para o órgão.
O promotor Silvio Marques, que abriu um procedimento para apurar suposta improbidade praticada por Bittencourt, também sustenta que a decisão do CNJ, por analogia, deve ser aplicada aos demais poderes. "O nepotismo afronta os princípios da moralidade e da impessoalidade."

Os conselheiros do TCE-SP entendem que a decisão do CNJ não afeta o TCE, que é ligado à Assembléia.
"Se houver uma determinação judicial proibindo, sou o primeiro a tirar meus dois filhos", afirma o conselheiro Fúlvio Julião Biasi.
Eles dizem ainda que o cargo é de livre provimento, como prevê a Constituição Federal. --Folha

OAB quer meio Bi

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A seccional da OAB da Bahia reivindica o apoio do governador Jaques Wagner (PT) ao projeto para que Salvador venha a sediar a 8ª Região da Justiça Federal. Hoje subordinada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, a nova jurisdição incluiria o Estado de Sergipe.

A proposta da OAB-BA colide com a alegação do TRF-1 para construir sua mega-sede de meio bilhão de reais: "as instalações não atendem mais às necessidades do tribunal, que tem jurisdição em 13 Estados e no DF". A obra foi ganha pelo consórcio da baiana OAS.


"Para distribuir Justiça, o que o Judiciário menos precisa é de sedes grandiosas, daquelas em que o povo é convidado a não entrar."

De MARCELO SEMER, ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia, sobre a construção de mega-sedes de tribunais, ameaçadas pelos cortes do governo no Orçamento para compensar o fim da CPMF.

Companheiros.

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Cláudio Lembo (DEM) comemora: a Assembléia Legislativa aprovou as contas de seu período no Palácio dos Bandeirantes (2006). O ex-governador registra o fato de não ter havido nenhum discurso de deputados do PT contra os números de sua administração.

A culpa é o Lula.

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Gente! Estou pasma com a Folha. Para mim é uma aventura abrir as páginas do jornal, me deparar que para seus jornalistas, esse mundão brasileiro não há nada que preste, tudo vai de mal a pior.

Se não, vejamos o que diz aqui o editorial desta manhã linda de quinta-feira: "Com a economia crescendo em torno de 5%, há mais carros em circulação -quase 50 milhões, no Brasil todo- e renda para adquirir combustível e bebida. Muitos teriam optado pelas estradas, ainda, por falta de confiança na aviação em crise"

Pois não é um achado? Quer dizer que a culpa dos acidentes no natal é da economia que vai bem, do povão finalmente pode adquirir seu carro, e ainda de quebra ter dinheiro no bolso?: Resumo da ópera. A culpa é do Lula!

Ai, vem a propaganda para os tucanos.:"A principal diferença entre estradas paulistas e federais está na qualidade". Claro! a Folha, cabo eleitoral do Zé Serra, não ia deixa-lo de fora. Evidente que não, né?. Mas.... e ai, os acientes foram apenas nas rodovias federais?. E aquela família inteira que morreu em São Paulo ontem? Foram 7 pessoas, segundo conta aqui o JN da Globo. Silêncio na Folha!

Então...para dar uma acalmada no pessoal "folheiro" vem a Polícia Rodoviária aqui:
"Polícia culpa motoristas por mortes recordes em rodovias" e Segundo a Polícia Rodoviária, condições das estradas melhoraram, mas motoristas estão "mais agressivos"; policiamento será reforçado ... Ahhhh bom! Encontramos alguém de bom-senso


Vou ajudar meus dois leitores que não assinam a folha. Aqui está o editorial na integra.

Natal trágico nas estradas
O ANO 2007 termina mal, no que respeita a acidentes e mortes nas estradas durante o feriado natalino. Contra o padrão usual da imprudência sobre rodas, houve mais mortes no Natal do que no Carnaval.


Nas estradas federais, o saldo de 2.561 acidentes é desalentador. Foram 196 mortes em cinco dias. A média de óbitos por dia de feriado subiu 74,2%, para 39,2, em relação ao Natal de 2006.
Com a economia crescendo em torno de 5%, há mais carros em circulação -quase 50 milhões, no Brasil todo- e renda para adquirir combustível e bebida. Muitos teriam optado pelas estradas, ainda, por falta de confiança na aviação em crise. São explicações plausíveis, assim como a imprudência do condutor brasileiro, destacada pela Polícia Rodoviária Federal (81% dos acidentes ocorrem em pista avaliada como boa e 71% em retas).


Há mais fatores envolvidos que o crescimento vegetativo de desastres, contudo, como sugerido pela comparação com estradas paulistas. Registraram-se nestas 44 mortos por volta do Natal, ou 8,8 por dia; em 2006, haviam sido 30, ou 7,5 por dia. Um acréscimo lamentável, também, mas não equivalente, de 17,3%.
A principal diferença entre estradas paulistas e federais está na qualidade. Do asfalto à sinalização e do policiamento ao número de radares fixos, a superioridade das primeiras é patente.


Além disso, norma estadual proíbe a venda de bebidas alcóolicas ao longo de tais vias. Ainda que não haja nada a comemorar, pois as próprias estradas paulistas se tornaram menos seguras, fica evidente que manutenção e fiscalização não revertem só em eficiência e conforto, mas em vidas poupadas.


O governo Lula deu um passo na direção correta, em outubro, ao leiloar seu primeiro bloco de sete estradas. Que esse gesto de superação do preconceito antiprivatista frutifique, abrindo novo ciclo de investimento nas rodovias federais e no restante da infra-estrutura do país.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2712200702.htm


Polícia culpa motoristas por mortes recordes em rodovias

Segundo a Polícia Rodoviária, condições das estradas melhoraram, mas motoristas estão "mais agressivos"; policiamento será reforçado

ANDREZA MATAIS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Balanço final da Polícia Rodoviária Federal, divulgado ontem, revelou que o feriado do Natal foi o mais violento do ano nas estradas federais e, na comparação com igual período, o que teve maior número de morte em duas décadas. Em cinco dias, foram registradas 196 mortes, 117,7% a mais do que no feriado do ano passado, que teve um dia a menos.
Para o coordenador de controle operacional da PRF, Alvarez Simões, foi um "Natal sangrento", por responsabilidade maior dos motoristas imprudentes. "Em cinco dias foi um avião que caiu", comparou.


Em Minas, Estado que lidera as estatísticas, a PRF também culpou os motoristas. "As estradas estão melhores do que há um, dois anos. Se elas melhoraram, os números [de acidentes] deveriam reduzir, mas estão aumentando, porque os motoristas perderam o medo de cortar o pneu, de amassar a roda e, agora, podem frear com velocidade maior. Estão mais agressivos", disse Aristides Júnior, chefe do setor de Comunicação Social da PRF em Minas.
A falta de fiscalização adequada também influencia. "Sem dúvida, a presença maior de policiais inibiria a imprudência de alguns motoristas.


Temos, em média, dois policiais para fiscalizar um trecho de 60 km. O ideal seria um dupla a cada 30 km", disse Simões. Segundo ele, a PRF tem 9.700 policiais para fiscalizar 61 mil km de rodovias federais. O número de mortes levou a PRF a promover ajustes na Operação Ano Novo, que começa amanhã. Haverá reforço no policiamento. Como não há recursos para novas contratações, a PRF usará mais tecnologia, como radares.


Entre 0h de sexta-feira e a meia-noite de terça, foram registrados 2.561 acidentes e 1.870 feridos. No Carnaval, tradicionalmente o feriado mais violento, 145 pessoas morreram nas estradas federais. Embora tenha informado que o número de mortos foi o maior das duas últimas décadas, a assessoria de imprensa da PRF não quis repassar os dados nesse período.
Os acidentes provocam prejuízo econômico ao país de R$ 111,1 milhões, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado pela PRF.


Na "Operação Natal", a PRF fiscalizou 94.804 veículos e multou 18.536. Ou seja, um em cada cinco motoristas fiscalizados cometeu infração ao Código Brasileiro de Trânsito.
A PRF também apreendeu, no período, 1.141 veículos com problemas de conservação ou de documentação. As prisões por embriaguez e direção perigosa também cresceram na comparação com o ano passado. Foram 147 ou 107% a mais do que em 2006.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2712200716.htm

Partidos ficam sem imunidade tributária

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A Receita Federal suspendeu, na sexta-feira, a imunidade tributária de sete siglas - PT, PSDB, PMDB, DEM, PP, PTB e PR. Como os partidos punidos são oposicionistas e governistas, é difícil supor que a autuação feita pela Receita Federal tenha obedecido à lógica da paranóia do ex-deputado (cassado) Roberto Jefferson, presidente do PTB, para quem o órgão agiu em retaliação ao fato de ele, Jefferson, ter denunciado o esquema do "mensalão", em 2005. A punição atinge a gregos e troianos do quadro político. O discurso para eleitor ouvir - a disputa pela glória de ser o mais ou o menos irregular, o mais ou o menos ético etc - está cada vez mais desautorizado pela realidade.

A autuação da Receita assim como o resultado das investigações feitas pela Polícia Federal acerca do escândalo do "mensalão" - quando o PT foi acusado por Jefferson de ter repassado dinheiro de caixa 2 para seus partidos aliados nas eleições municipais de 2004 - têm o condão de colocar as legendas no mesmo saco e abrir sérios questionamentos em relação à base sobre a qual está assentado o quadro partidário brasileiro. Ao fim e ao cabo, o que as investigações externas ao mundo político revelam dos partidos é que eles vivem à margem da lei; acham que são entidades autônomas que não devem satisfações a ninguém nem obediência aos preceitos legais que eles mesmos, com representação no parlamento, elaboram e aprovam; e que são intocáveis. E o que as conclusões da PF e da Receita indicam é que essa realidade pode estar mudando com uma velocidade impensada antes, quando se considerava impossível transformar num futuro próximo uma cultura de impunidade arraigada na política brasileira.

Segundo a Receita, os sete partidos - os gregos e os troianos - incorreram em irregularidades. São os maiores do país e deixaram de repassar ao fisco tributos recolhidos na fonte, contabilizaram notas fiscais frias e omitiram operações nos seus balanços, entre outras irregularidades. Todos os partidos envolvidos já foram notificados de que serão multados. O resultado da devassa fiscal será repassado também ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se o Tribunal ainda tiver em aberto prestações de contas referentes ao período da autuação fiscal, e considerar procedentes as queixas da Receita, poderá punir os partidos com a suspensão do fundo partidário, principal fonte de recursos das agremiações políticas.

A decisão da Receita promete uma união inédita no cenário político, já que a sobrevivência de todos eles está ameaçada. Partidos de oposição e de situação ameaçam se unir para "resolver" juntos o problema. Interessa ao país, todavia, não a pressão política sobre um órgão técnico, mas a pura e simples adequação das legendas às exigências da lei.

Terá sido esta a primeira vez que a Receita fiscaliza os partidos. Se as legendas recorrerem da decisão do órgão e provarem inocência, estarão livres de punição. Mas se usarem de seu poder político para inibir o poder fiscalizatório da autoridade fiscal, estarão se recusando a sair das sombras. Terão, assim, se consagrado como aqueles que, depositários de um poder político conferido pelo voto popular (toda a estruturação partidária brasileira está baseada no resultado de disputas eleitorais, isto é, na sua representação eleitoral), usam-no em favor próprio, para se preservar de cumprir leis aprovadas nos próprios parlamentos para os quais foram eleitos.

Trazer a contabilidade partidária à luz do dia deveria ser algo obrigatório às legendas. Se, no entanto, a realidade é outra, é louvável que órgãos de controle externos atuem para expor as entranhas partidárias. A extensão das autuações da Receita, assim como o resultado das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal sobre o escândalo do "mensalão", colocaram a nu os enormes vícios que regem as agremiações políticas brasileiras, que se sujeitam a financiamentos obscuros, apostam na impunidade e têm uma vida submersa muito mais ativa do que aquela que a vista dos comuns mortais alcança. As investigações a que estão sendo submetidos os partidos desde 2005 confirmam as piores suspeitas. A única coisa inteligente a fazer, de posse do diagnóstico de seus males, é discutir como eliminar essas mazelas. A transparência é o primeiro passo.

Lula discursa

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará hoje pronunciamento de fim de ano à nação, às 20 h, em rede nacional de rádio e televisão. Em tom otimista, Lula deve abordar o bom desempenho da economia e o crescimento do país em 2007, o fortalecimento da classe média e as perspectivas para 2008. Ontem, estava decidido a deixar de fora assuntos indigestos, como eventuais aumentos de impostos para compensar a perda da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

"Em mensagem de final de ano, melhor falar só de coisas boas", afirmou o ministro das Relações Institucionais José Múcio Monteiro , depois da última reunião do ano da coordenação de governo - e a primeira após a derrota da CPMF no Senado.

Múcio garantiu que, para compensar a perda da CPMF, não haverá corte nos investimentos em programas sociais, no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nem na Segurança Pública. Segundo o ministro, como a votação do Orçamento da União para 2008 no Congresso ficou para o final de fevereiro, até lá o governo tem "tempo e campo" para analisar onde promoverá corte de gastos.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, que participou da reunião, também manifestou confiança que a área da segurança pública será poupada."Na minha opinião, não haverá cortes. Mas essa é uma decisão que compete ao presidente, que tem dito que os programas estruturantes do governo não devem ter cortes", disse. E completou: "O Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) é um programa social preventivo na área de segurança pública. Creio que não haverá cortes".

Lula reafirmou a intenção de enviar ao Congresso no início do ano legislativo (fevereiro) a proposta de reforma tributária, para que os parlamentares tenham tempo de examinar o assunto. Como será ano de eleições, a previsão é de redução do ritmo no Congresso. Lula e ministros avaliaram que a matéria, polêmica, dificilmente será aprovada. "Vai caber ao Legislativo assumir se faz a reforma em 2008 ou não", disse Múcio.

Na reunião, Lula submeteu aos ministros os pontos do pronunciamento. Participaram, além de Múcio e Genro, os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento), Franklin Martins (Comunicação Social) e Luis Dulci (Secretaria-Geral da Presidência). "O discurso falará sobre economia, o crescimento do Brasil, perspectivas no momento extraordinário que o Brasil vive. Vai ser um pronunciamento dividindo com os brasileiros a alegria que tem tido com o desempenho do país. Vai ser um presente de Natal , as notícias são alvissareiras, apontam para um ano bom", disse Múcio.

Segundo ele, o governo ainda está "impactado" com a derrubada, pelo Senado, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorrogava a CPMF até 2011, e as medidas compensatórias serão estudadas até fevereiro, quando o Orçamento de 2008 será votado ."A área econômica está estudando para ver de que maneira poderá suprir. Não se fala nisso (aumento de imposto) no pronunciamento. Época de Natal não é de se falar em imposto", afirmou.

Apesar do aparente otimismo de fim de ano, José Múcio admitiu que sua sala está "cheia de parlamentares" cobrando empenho de recursos destinados em emendas do orçamento de 2007. Nesse caso, não alimentou esperanças. "Há um distanciamento grande entre o sonho e o possível. O orçamento tem sido maior do que os governos têm podido realizar. Vamos tentar até o final do ano empenhar para cumprir a nossa obrigação do que for possível", afirmou.

Em relação às emendas parlamentares, o governo enfrenta dois dilemas: o empenho das emendas do orçamento de 2007 até 31 de dezembro, para que os recursos sejam aplicados em 2008, e o corte de emendas ao orçamento de 2008, a ser votado em fevereiro. O ministro Paulo Bernardo tem admitido a possibilidade de cortar as emendas coletivas propostas ao orçamento de 2008, como forma de ajudar a compensar o fim da CPMF. As emendas coletivas totalizam um valor de R$ 12 bilhões.

Múcio informou que a questão do preenchimento de cargos vagos do segundo escalão será resolvida em janeiro pelos ministros envolvidos. Segundo ele, haverá reunião na primeira semana do mês para tratar do assunto. Quanto à nomeação do futuro ministro de Minas e Energia - cargo cujo titular é indicado do PMDB -, Múcio não deu previsão. Afirmou tratar-se de decisão de Lula.

Carlos Lupi

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A Comissão de Ética Pública encaminhou ao presidente Lula o documento sugerindo a demissão do ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Conforme a secretaria-executiva do órgão, o conteúdo do documento será divulgado amanhã em ata da comissão.

A comissão sugere a demissão de Lupi por estar ocupando ao mesmo tempo o comando do Ministério do Trabalho e a presidência do PDT. Para os integrantes da comissão, o acúmulo dos cargos gera conflitos éticos e de interesse.

O órgão recomendou que Lupi deixasse um dos cargos e deu prazo de dez dias para que o ministro tomasse as providências. Porém, o ministro não apresentou justificativa, de acordo com a secretaria-executiva. Assim, a comissão decidiu sugerir a exoneração de Lupi a Lula. O ministro já anunciou que não pretende abrir mão de nenhum dos cargos. Só deixará o ministério se o presidente Lula determinar. Há 15 dias, a AGU (Advocacia-Geral da União) solicitou que a comissão interrompesse o processo contra Lupi, porém a comissão deu continuidade ao caso. Em janeiro, deve ficar pronto parecer definitivo da AGU sobre a situação.

Porto de São Sebastião será base de gasoduto

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O porto de São Sebastião deu a partida para se transformar em base de apoio aos suprimentos destinados ao campo de Mexilhão, da Petrobras, cuja exploração exigirá a construção de um gasoduto de 135 km de extensão e a implantação de uma unidade de tratamento em Caraguatatuba, ambas cidades do litoral paulista. Um protocolo de intenções assinado há poucos dias entre o porto e a Consolidated Pipe Carriers (CPC), de Singapura, prevê que no prazo de 30 dias seja assinado o respectivo contrato operacional, pelo qual todo embarque e desembarque de tubos, equipamentos, máquinas, combustíveis, rancho e lixo sejam efetuados em instalações de São Sebastião. A vigência do contrato será de 10 meses.

O campo de Mexilhão, na bacia de Santos, está distante cerca de 100 quilômetros do porto paulista, que disputa com portos do Rio de Janeiro e Santos as operações de off shore originadas pelas plataformas marítimas da Petrobras. A CPC, pelos termos do protocolo, "se declara em vias de ser contratada pela Acergy-Group que, por sua vez, se declara contratada pela Petrobras para a implantação do gasoduto submarino de cerca de 135 quilômetros de extensão.

Assinaram, por São Sebastião, Frederico Bussinger, presidente do porto, e pela CPC, Mark Van Der Molen, gerente de desenvolvimento de mercado e negócios.

Varejo de São Paulo tem o melhor Natal em dez anos

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Os consumidores não pouparam neste Natal e as expectativas de maior crescimento das vendas em relação ao ano passado se confirmaram. O Indicador Serasa do Nível de Atividade do Comércio registrou alta de 9,9% nas vendas em todo o país no período de 21 a 23 de dezembro, comparado a 2006. Na cidade de São Paulo, o crescimento foi ainda maior, de 12,8%, sob a mesma comparação. Segundo os técnicos da Serasa, o movimento registrado pode ser considerado bom, já que o crescimento veio sobre uma base forte. Em 2006, a alta das vendas no fim de semana do Natal foi de 9%.

Os resultados do varejo paulistano dos dias 1º a 25 de dezembro já garantem que este é o melhor Natal em vendas dos últimos dez anos, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A alta no movimento das vendas no período foi de 7,9%, de acordo com levantamento da entidade baseado nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao UseCheque. "O crescimento supera com folga os últimos anos, mesmo que o movimento enfraqueça até o fim do mês", diz o economista da ACSP Emílio Alfieri. É o quarto ano consecutivo de alta nas vendas de Natal em São Paulo. Entre os fatores que mais contribuíram em 2007, Alfieri destaca o maior volume de crédito, a queda de juros em relação a 2006 e o dólar barato.

A recuperação da massa salarial também influenciou, segundo o economista. Diferente do ano passado, quando as consultas ao UseCheque na capital paulista - que representam compras de baixo valor - foram mais representativas na alta das vendas, em 2007 esse resultado foi dividido. A venda de itens mais caros, representada pelas consultas ao SCPC, tiveram crescimento de 7,7%, próximo ao resultado dos produtos de baixo valor, de 8,1%.

Entre os produtos de maior valor, os eletroeletrônicos foram a grande aposta do varejo para o Natal. No Sul, uma das maiores varejistas de eletroeletrônicos do país, a Lojas Colombo, apurou alta de 8% no faturamento de dezembro até o Natal em comparação com o mesmo período de 2006. Em volume, a expansão das vendas de fim de ano foi bem maior, mas os produtos preferidos pelos consumidores em 2007 - televisores LCD, DVDs, computadores e câmeras digitais - tiveram reduções de preços de até 50% nos últimos 12 meses, diz o diretor-comercial da rede, Arnildo Heimerdinger. "Um televisor LCD de 32 polegadas que custava R$ 3,9 mil em dezembro do ano passado agora foi vendido por R$ 2 mil", relata.

O aumento da participação dos televisores LCD, equipamentos de informática, DVDs e câmeras digitais sobre o total das vendas, mesmo com preços menores, aumentou o tíquete médio neste Natal. De acordo com Heimerdinger, a alta ficou em torno de 5% a 6%, para cerca de R$ 400.

Os shopping centers também sentiram o aumento nas compras e registraram alta entre 10% e 12% nas vendas de Natal, de acordo com estimativa da Associação Brasileiras de Lojistas de Shopping (Alshop). Segundo a entidade, os shopping centers do país deverão fechar o ano com uma receita de R$ 68,4 bilhões, 13,43% acima do valor de 2006. Entre os produtos que mais cresceram neste ano estão os eletrodomésticos e eletroeletrônicos (20%), os produtos de linha branca - geladeiras, fogões, lavadoras e microondas - (20%) e os vestuário (18%).

Segundo dados da Câmara de Diretores Lojistas de Belo Horizonte, o Natal injetou cerca de R$ 1,96 bilhão na economia da cidade. A entidade ainda não tem um levantamento fechado, mas no acumulado do período, a avaliação dos lojistas é satisfatória. Na Eskala, loja de roupas, as vendas do Natal ficaram entre 30% e 40% maiores que as de 2006, segundo a subgerente, Juliana Rezende. A loja contratou 20 funcionários temporários para trabalhar no fim de ano, o dobro do ano passado. Para o presidente da CDL, Roberto Alfeu, o comércio varejista de Belo Horizonte deve fechar 2007 com alta entre 5,5% e 6,5% em relação a 2006, o que significará R$ 17,5 bilhões em vendas.


Metalfrio compra fábrica turca por 33 milhões de euros

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A Metalfrio Solutions, fabricante de refrigeradores comerciais, fechou ontem a compra de 71% da empresa turca Senocak, por 32,66 milhões de euros. País muçulmano, a Turquia não comemora o Natal, o que permitiu que os executivos e advogados da empresa brasileira prosseguissem com as negociações nos últimos dias.

O contrato prevê ainda que a Metalfrio terá direito de adquirir (call) os demais 29% da companhia da Turquia depois de um prazo de três anos. Os acionistas da Senocak também terão direito de vender (put) seus papéis à Metalfrio, o que elevará o valor da transação a 46 milhões de euros.

A conclusão da venda está condicionada à aprovação do órgão que regula a concorrência na Turquia. A Metalfrio já possui uma fábrica naquela país, que produz 60 mil unidades.

O que atraiu a Metalfrio na Senocak, que é uma holding com vários negócios, foi a sua participação de 61% numa fabricante de refrigeradores comerciais chamada Klimasan, que é listada na bolsa turca. Nos seis primeiros meses do ano, a Klimasan respondeu por 65% da receita da Senocak (que só pode consolidar 61% do resultado da sua controlada). A Metalfrio já havia comunicado a compra de outros 15% da Klimasan em bolsa e, segundo o Valor apurou, essa fatia já está em 19%. Com isso, a Metalfrio passa a deter 80% da Klimasan e pode ter apetite para mais. Pelas regras locais, provavelmente a empresa brasileira terá que fazer uma oferta pública de compra das demais ações em mercado.

A Klimasan produz atualmente 200 mil unidades por ano. A Metalfrio fabricou 280 mil unidades em 2006 e deve fechar este ano com uma produção de 500 mil. Ou seja, a compra da empresa turca representará um acréscimo de 40% em sua produção. Atualmente, a Klimasan tem uma fábrica antiga na cidade de Izmir, mas está construindo uma nova planta em Manisa, com capacidade instalada para 400 mil produtos. É também nesta cidade que fica a fábrica atual da Metalfrio.

Das vendas da Klimasan, 45% são no mercado interno turco, outros 45% são exportados em euros, enquanto 10% são exportados em dólares. Seus principais mercados no exterior são Europa Oriental, Ucrânia, Rússia e Ásia Central, o que a torna complementar à Metalfrio, que exporta para Europa Ocidental e Rússia.

A Metalfrio, que fez sua abertura de capital em abril deste ano, tem perseguido uma forte internacionalização. Com mais essa aquisição no exterior, a partir do ano que vem apenas 40% da receita da companhia será gerada pela fábrica brasileira. As plantas na Turquia responderão por outros 30%, enquanto as unidades mexicana e russa gerarão 20% e 10%, respectivamente. Na estimativa de analistas, o faturamento líquido da Metalfrio em 2007 deve ficar em R$ 540 milhões. Para 2008, já incluindo a empresa recém adquirida, deve chegar a R$ 800 milhões.

A compra da Klimasan saiu por um preço abaixo da cotação da ação da empresa em bolsa. Pelo critério de proporção nas vendas da holding Senocak, pode-se calcular que a Metalfrio pagou 5,59 liras turcas por ação. E a última cotação em bolsa ficou em 5,90 liras.

Segundo levantamento publicado pelo Valor em sua edição de ontem, a Metalfrio ficou entre as poucas empresas estreantes na bolsa em 2007 que tiveram um desempenho superior ao do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira. De um total de 66 novas companhias abertas, 50 (76%) tiveram desempenho inferior ao do índice. E apenas 16 (24%) conseguiram superá-lo. De sua estréia em abril até o dia 21 de dezembro, a Metalfrio subiu 34,74%, praticamente empatada com os 33,27% do Ibovespa no período.


Cid monta versão cearense do PAC

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O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), gastou o primeiro ano de mandato para fazer aquilo que aliados e oposicionistas chamaram de "arrumação de casa". Eleito no primeiro turno para suceder o então governador e também candidato Lúcio Alcântara (PSDB), Cid dedicou seus primeiros 365 dias à elaboração de um programa de governo detalhado, algo que não tinha feito ainda.

Sem ter um planejamento em mãos, Cid preferiu reter os investimentos e contratar novos empréstimos com bancos de fomento para conseguir executar suas ações futuras. Enquanto em 2006 foram investidos mais de R$ 700 milhões, neste ano o volume aplicado não deve chegar a R$ 500 milhões.

Por outro lado, os cofres ficaram mais gordos. Além dessa economia, o governo do Ceará obteve empréstimos com o Banco Mundial e com o Banco Interamericano de Desenvolvimento de cerca de US$ 700 milhões.

Com o caixa cheio, Cid quer pôr em ação em 2008 os programas de Monitoramento de Ações e Projetos Prioritários (MAPP), uma versão estadual do Programa de Aceleração do Crescimento federal.

Depois de uma série de discussões de julho a setembro, só em outubro, o governo começou a lançar os MAPPs. Até agora são três: saúde, segurança pública e infra-estrutura. O mais robusto é o dedicado a estradas, metrô e trem, com R$ 5,3 bilhões, sendo que a maior fatia dos recursos irá para a construção de novas vias no Ceará. Outra grande expectativa é o Metrofor, o metrô de Fortaleza.

Mas a grande promessa de governo reside no MAPP da segurança, principalmente no Ronda no Quarteirão, um programa que fez parte da campanha eleitoral de Cid. A idéia é colocar viaturas e motos policiais rondando cada três quilômetros quadrados de todas as cidades com mais de 50 mil habitantes.

Essa é a única ação mais concreta que o governo Cid começou a implementar neste ano. Em dezembro, as cidades de Fortaleza, Maracanaú e Caucaia começaram a ser vigiadas pelo novo sistema.

A vitrine de Cid, entretanto, já é atacada pela oposição, formada por apenas dois dos 46 deputados da Assembléia Legislativa. Isso por causa do carro escolhido para o Ronda no Quarteirão: um Hilux, da Toyota, que custou cerca de R$ 150 mil. Ao todo, foram comprados 200 veículos.

"Foi uma demonstração de falta de bom-senso e de parcimônia. Se vai dar certo ou não, não sei. Só sei que o governador deixou de investir no principal: os homens", afirma Adahil Barreto (PR), deputado estadual da oposição.

Para os aliados, entretanto, os veículos são uma parte importante do programa. "Não dá para correr atrás de bandido sem se ter um bom carro", diz Nelson Martins (PT), líder do governo na Assembléia. Contou também para a troca dos veículos a imagem que carros modernos iam causar à população.

No campo econômico, Cid obteve uma derrota e uma vitória neste primeiro ano. Promessa de campanha do governador, a tão esperada siderúrgica Ceará Steel deixará de ser implantada por causa de desentendimentos com a Petrobras em relação ao preço do gás, fonte energética do empreendimento.

Mas, em uma articulação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Cid conseguiu viabilizar um outro empreendimento para o Estado, a Companhia Siderúrgica de Pecém, com a Vale e a sul-coreana Dongkuk como acionistas. Porém sem a Danielli, que forneceria os equipamentos do projeto anterior.

O novo empreendimento, orçado em US$ 2 bilhões, é maior do que o anterior, mas oposicionistas - e até mesmo aliados - entendem que é como se tudo estivesse começando da estaca zero outra vez. "No passado, também já assistimos à assinatura do memorando de intenções da Ceará Steel. Quem garante que desta vez será diferente?", indaga Heitor Ferrer (PDT), deputado estadual da oposição.

Entre os governistas, o medo reside justamente na nova matriz energética do projeto, mais poluidora. "Será que isso não trará problemas? Muitos questionamentos ainda surgirão. Realmente não há certeza de que o Ceará terá sua siderúrgica", diz um aliado.

Além da sua própria robustez, a siderúrgica seria importante para desenvolver um novo setor no Ceará, o metal-mecânico, impulsionando a indústria do Estado. Tradicional pólo têxtil, o Ceará tem amargado com a valorização do real. Além disso, as atividades ligadas ao refino de petróleo estão em baixa.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, de janeiro a outubro deste ano, a produção industrial no Ceará ficou estável em relação a igual período de 2006. É o pior desempenho entre os três Estados pesquisados pelo IBGE: Pernambuco, Bahia e o próprio Ceará. A média nacional foi de 5,9%.

Cid, porém, sabe que colocar tanto seus planos da área econômica quanto os MAPPs agora ficará mais difícil. Isso por causa da queda da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O governador tem dito acreditar que os Estados e as prefeituras serão os mais prejudicados com o fim do imposto. Para ele, recursos do Programa de Aceleração do Crescimento, que ajudarão vários projetos dos MAPPs a sair do papel, poderão ficar comprometidos.

Outro desafio que Cid terá pela frente são as eleições municipais. O governador vem manifestando seu apoio à prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), que deu suporte a ele. Entretanto, além de a candidata à reeleição estar apresentando baixo desempenho nas pesquisas, Cid ainda poderá contar com um grande cabo eleitoral do Estado em outro palanque. Ciro Gomes (PSB), seu irmão, vem dizendo que não poderá negar apoio à mãe de seus filhos, Patrícia Saboya, que saiu do PSB e se filiou ao PDT justamente para disputar a prefeitura

O ano dos fundos de ações

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Os investidores que aplicaram em fundos de ações têm muito mais a comemorar neste fim de ano. Especialmente os de carteiras Petrobras e Vale, que ganharam mais de 80%. E, se as projeções dos analistas de bolsa para o ano que vem se confirmarem, é bom reservar o champanhe extra pois a festa deve se prolongar em 2008, não com o mesmo ímpeto, mas ainda acima da renda fixa. Por isso, a expectativa é de que o movimento de diversificação, que se consolidou ao longo de 2007, com a sangria nos fundos de renda fixa e DI e a forte captação dos multimercados e ações, continue no próximo.

A explicação para a forte captação dos fundos de ações, mais de R$ 22 bilhões neste ano, está na rentabilidade muito superior à dos fundos de renda fixa. Enquanto a média das carteiras de ações (incluindo aí as de Vale e Petrobras abertas para aplicações) estava em 41,96%, os renda fixa acumulavam 11,75% e os DI, 11,38%, segundo dados do site Fortuna. "A diferença entre os fundos de ações e DI e renda fixa é a maior desde 2003, ano da grande recuperação da bolsa", afirma Marcelo D"Agosto, sócio do Fortuna. Se for considerado o ganho dos fundos Vale, de 84,20% até dia 21, e Petrobras, de 83,38%, a comparação vira covardia. Em 2003, o ganho médio dos fundos de ações foi de 76%, para 24,5% dos DIs e renda fixa.

Além disso, DIs e renda fixa tiveram este ano uma das menores rentabilidades da história, acompanhando a queda dos juros. Os 24,5% de 2003, por exemplo, ainda eram um ganho que atraía o investidor, lembra D"Agosto. "E com a queda dos juros, muitos fundos renda fixa e DI de varejo passaram a render menos que a poupança por conta das taxas de administração cobradas pelos gestores e pelo imposto de renda", completa.

D"Agosto cita um estudo feito pelo Fortuna apenas com essas carteiras de varejo. No ano, os DIs e renda fixa para pequenos investidores tiveram um resgate líquido de R$ 35 bilhões, encerrando o dia 22 com um patrimônio total de R$ 213 bilhões. Considerando os números gerais das duas carteiras, que somados equivalem a resgates líquidos de R$ 24 bilhões no ano, isso significa que os grandes investidores e empresas compensaram em parte os saques do varejo com aplicações líquidas de cerca de R$ 11 bilhões.

"Tivemos muitas ofertas públicas de ações neste ano e grande parte do dinheiro arrecadado pelas empresas e pelos sócios foi aplicada em fundos exclusivos de renda fixa", afirma D"Agosto. Parte do dinheiro do varejo que deixou a renda fixa, acredita ele, distribuiu-se entre fundos de ações e caderneta de poupança. "Muitos fundos de varejo DI já estão rendendo menos que as cadernetas", afirma D"Agosto.

Isso explica também a grande procura por fundos Vale e Petrobras, uma vez que as carteiras acabam atraindo os investidores de varejo por sua rentabilidade passada e por serem mais simples de entender. No ano, os fundos da Vale abertos para captação acumulam depósitos líquidos de R$ 5,3 bilhões e os da Petrobras, R$ 1,7 bilhão. "É um número expressivo mesmo considerando a captação total dos fundos neste ano, de R$ 76 bilhões, incluindo os exclusivos que não informam ao mercado", afirma D"Agosto.

Para 2008, a expectativa é de que os fundos Petrobras e Vale não repitam o mesmo desempenho deste ano, apesar das projeções dos analistas seguirem otimistas. O mais provável, acredita D"Agosto, é que o investidor procure diversificar um pouco o risco. "Podemos ver gente sacando de fundos Petrobras e Vale e aplicando em fundos ativos ou nos fundos PIBB do BNDES, que reproduzem a carteira do Índice Brasil (IBrX-50)", diz.

Nos fundos de renda fixa e DI, D"Agosto diz que o cenário vai depender de os bancos oferecerem para o varejo opções mais rentáveis, com peso menor de taxas de administração. "Da forma como estão hoje, rendendo menos que a poupança, esses fundos vão continuar diminuindo", diz. Já no segmento de atacado, muitas empresas e pessoas que aplicaram os recursos das ofertas públicas podem encontrar oportunidades de investimento, o que levaria a saques das carteiras exclusivas.

A tendência de diversificação e aplicação em fundos de ações e multimercados pode ter uma pausa no primeiro trimestre, por conta das incertezas com o cenário externo e a turbulência do mercado local e internacional, afirma Roseli Machado, responsável pela Fator Administração de Recursos (FAR). Mas a expectativa para Petrobras e Vale continua boa. "O petróleo tende a ficar próximo dos US$ 100 o barril e o preço do minério continua pressionado, com expectativa de alta não só em 2008 como nos anos seguintes", afirma. A turbulência também favorece Petrobras e Vale pois são papéis mais líquidos, preferidos pelos estrangeiros, pois podem ser vendidos com maior facilidade.

Até março, vai ser possível ver com mais clareza o impacto da crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos bancos e na economia americana e se vai haver recessão nos Estados Unidos. Apesar disso, Roseli trabalha com um cenário positivo, com o Ibovespa atingindo 82 mil pontos, um ganho de 30% que deve se consolidar no segundo semestre.

Vale deve continuar com bom desempenho em 2008 e nos próximos anos, com demanda crescente da China e outros emergentes, diz Pedro Galdi, analista da corretora do Banco Real. "Não dá para prever 80% como neste ano, mas 35% a 50% já é um nível bom", diz. Quanto a Petrobras, Galdi se diz cético no curto prazo pelas dificuldades da empresa em atingir as metas de produção. "Mas Petrobras é Petrobras e, no longo prazo, achamos que tem mais coisas para ser anunciadas, a exemplo do campo de Tupi." Galdi trabalha com uma projeção para o Ibovespa em 2008 de 73 mil pontos. "Mas estamos revisando esse número para cima."

Privatização a vista

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A Cia. Energética do Estado de São Paulo (Cesp), com privatização prevista para o primeiro trimestre de 2008, está longe de ser um ativo qualquer do setor elétrico. Um verdadeiro mico alguns anos atrás, quando estava afundada em dívidas, a empresa foi saneada e tem capacidade para gerar sozinha mais energia do que as duas hidrelétricas projetadas para o rio Madeira. As seis usinas da Cesp têm capacidade instalada de 7,46 mil megawatts (MW). As hidrelétricas de Santo Antônio, recém licitada, e Jirau, terão 6,45 mil megawatts.

Depois que o Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização (PED) aprovou na sexta-feira a privatização da empresa, dissipando dúvidas que ainda existiam sobre os reais planos do governo paulista, analistas e investidores voltaram de vez sua atenção para o potencial da companhia num cenário futuro de escassez de energia. Ontem, as ações da empresa dispararam. Os papéis PNB (mais líquidos) subiram 15,21% e as ações ON tiveram forte valorização de 26,62%, à medida que os investidores ajustavam os preços de acordo com a expectativa de preço mínimo no leilão.

Além da sua enorme capacidade de geração - quarta maior do país em potência instalada e terceira em energia produzida -, um ponto em especial passou a chamar a atenção do mercado financeiro. A empresa já contratou a venda de toda a energia que produzirá até 2012. Mas o que poderia ser considerado um fator de segurança, limita o seu faturamento.

A empresa fechou contratos no leilão de energia velha de 2004 e estima-se que o preço médio seja de R$ 70 o megawatt-hora (MWh). No leilão de energia velha mais recente, no entanto, o MWh saiu a R$ 109, enquanto no mercado livre o preço está na faixa de R$ 130 a R$ 140. Ou seja, a Cesp deve ter um salto expressivo de receita a partir de 2013, com novos contratos. E esse fator só a torna mais atrativa.

Esse salto esperado na receita ainda não está totalmente computado no preço atual do papel. Neste ano, a sua receita bruta deve ser de R$ 2,6 bilhões. Em um relatório da Merrill Lynch, o analista Felipe Leal afirma que o seu preço alvo de R$ 45 para a ação PNB incorpora um MWh de R$ 110. "Nós estimamos que cada R$ 5/MWh a mais no preço de energia aumenta a avaliação de Cesp em 4%", escreve ele.

Outro fator ainda não incorporado às cotações e que é um grande atrativo para o comprador são os créditos fiscais acumulados em função de prejuízos passados. Estima-se algo como R$ 2 bilhões.

Nos últimos dois anos a empresa promoveu uma grande reestruturação financeira. Seu endividamento, que estava na casa de 9 vezes a geração de caixa caiu para cerca de 5 vezes. E a meta para 2008 é chegar a um índice de 3,5. Todo o caixa livre tem sido destinado ao abatimento dos débitos.

Os esforços para reestruturar as finanças da Cesp, já com vistas à privatização, ainda no governo de Geraldo Alckmin, incluíram uma emissão de debêntures, uma oferta primária de ações e uma capitalização do governo com recursos da venda da Ceteep. O pacote total, entre capitalização e alongamento de dívida, foi de R$ 5 bilhões.

Muito tem se especulado sobre a data e o preço mínimo do leilão. O comunicado divulgado pela Cesp na sexta-feira fala em privatização no primeiro trimestre. Mas o Valor apurou que o cronograma com que o governo trabalha atualmente prevê a venda em fevereiro. Quanto ao preço mínimo, o Banco Fator, contratado para fazer a avaliação do ativo, indicou algo próximo a R$ 45 por ação. O Citi, responsável pela modelagem da venda, apontou um preço um pouco inferior, em torno de R$ 43, com vistas a atrair mais compradores. Já o governo de São Paulo tem dado sinais de que gostaria de ver o preço mínimo acima dos R$ 45, mais próximo a R$ 48 ou R$ 49. Seja como for, no mercado financeiro ninguém acredita que o comprador levará a empresa por menos de R$ 50 por ação. O novo controlador ainda terá que fazer oferta aos minoritários donos de PNB. Mas a oferta aos detentores de ON "é dúvida".

FGTS libera R$ 3 bi para os bancos

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Financiamento de 100% de um imóvel de R$ 60 mil, para famílias com renda a partir de três salários mínimos e pagando prestação inicial de R$ 175. Esse tipo de operação, antes característica das faixas subsidiadas da Caixa Econômica Federal, é feita hoje pelo Banco Real, em um empreendimento da Gafisa em parceria com a Odebrecht, em Cotia, região metropolitana de São Paulo.

Isso é possível devido ao uso dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), cujas taxas são as mais baixas do mercado. O alongamento dos prazos, que giram em torno de 25 e 30 anos também contribuiu para reduzir as prestações, que agora cabem no bolso dessa faixa da população.

Assim, os grandes bancos deram início ao financiamento de imóveis de baixa renda. Na última reunião do conselho curador do FGTS, foi decido a ampliação do orçamento para o próximo ano em R$ 3 bilhões, justamente a demanda dos bancos comerciais por esses recursos, diz o secretário do conselho do fundo, Paulo Furtado.

O Itaú foi o primeiro a conseguir a liberação de R$ 1 bilhão para empréstimos com recursos do fundo e já começou a fechar os primeiro negócios, diz o diretor do banco, Luiz Antônio França.

O Real pediu inicialmente R$ 350 milhões. O HSBC também tem interesse nessa faixa de renda. A Nossa Caixa repassa recursos do FGTS desde 2003, cerca de R$ 30 milhões por ano, explica o diretor Jorge Luiz Avila da Silva.

Já existem dez bancos autorizados a operar financiamentos com recursos do fundo, com limites definidos em função de um rating atribuído pela Caixa, que administra os recursos. Entre eles estão o Itaú, Real, Nossa Caixa e o Banco do Brasil. O Santander e Bradesco também já demonstraram interesse e estão "estudando" captar esses recursos.

Com os R$ 3 bilhões adicionais, a linha destinada a financiar imóveis de até R$ 130 mil pode atingir R$ 8,4 bilhões, preferencialmente para população com renda de até dez salários mínimos. É o maior volume já atingido pelo fundo. Em 2007, a previsão de liberação ficou em R$ 6,4 bilhões.

Os bancos estão de olho num segmento da população entre três e dez salários mínimos que vem ampliando a renda nos últimos anos e que representa cerca de 10% do total do déficit habitacional brasileiro. Isso representa quase um milhão de unidades de um déficit total de oito milhões, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas. (Os outros 90% do déficit estão na faixa de menos de três salários mínimos, atendidos por programas governamentais de subsídio.)

As linhas utilizam um modelo muito similar ao mexicano. Lá, ao contrário do Brasil, os financiamentos começaram a ser desenvolvidos no segmento de baixa renda, com forte subsídio do sistema previdenciário Infonavit, similar ao FGTS brasileiro, e que hoje respondem por quase 90% da carteira imobiliária.

O diretor do Real, Antônio Barbosa, que voltou recentemente do México, onde foi observar o caso de sucesso daquele país, diz que esse é o caminho para crescer no crédito imobiliário. Os R$ 350 milhões do FGTS representam quase 20% do total da carteira imobiliária do banco para pessoas físicas. "Há uma tendência de o mercado se voltar para o segmento de mais baixa renda."

Os bancos tentam repetir o sucesso que vêm atingindo no segmento de mais alta renda. As instituições devem fechar o ano com R$ 18 bilhões em financiamentos com recursos da poupança nesse segmento. Para o próximo ano, a previsão é de pouco mais de R$ 23 bilhões.

Na baixa renda, o FGTS é o mais adequado devido às taxas mais baixas. O Conselho do fundo exige que a taxa seja 6% ao ano mais a variação da TR. Exige também que o spread cobrado seja de 2,16%, elevando os juros para 8,16% ao ano, mais TR. (A partir do próximo ano, essa taxa será reduzida em 0,5 ponto percentual para cotistas do fundo).

Além disso, a Caixa, responsável pelos acordos, ainda cobra uma espécie de taxa de administração, que varia em função do rating do banco, a partir de 0,2%. O vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, diz que a concorrência é saudável e que nos primeiros anos os bancos passarão por um período de adaptação. "Não é fácil atuar nesse segmento".

A Caixa fechou ainda neste mês parceria diretamente com as construtoras MRV, Rodobens e Tenda, para financiamento com recursos do FGTS de unidades com foco na baixa renda. Como o maior problema para esses cliente é a comprovação de renda, serão considerados pré-aprovados pela Caixa aqueles que comprovem o pagamento em dia dos 12 últimos meses de aluguel. Além disso, os mutuários poderão utilizar o sistema de "Adimplência Premiada", com o reconhecimento da capacidade de pagamento equivalente à média dos valores pagos com pontualidade nos últimos 12 meses

Serra reforça caixa em primeiro ano de poucas obras

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O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), um dos presidenciáveis do partido em 2010, conseguiu manter bons índices de popularidade em um primeiro ano de governo marcado pela ausência de crises em áreas vitais para a imagem da administração, um enorme esforço para aumentar a receita estadual e poucos projetos já em execução.

Boa parte das iniciativas de impacto da sua administração foram anunciadas pelo secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa. As duas mais recentes foram uma operação casada com a Polícia Militar para identificar donos de veículos que fraudam o IPVA e um programa de incentivo a consumidores que exigem nota fiscal.

Anúncios de obras ou mudanças administrativas, que marcaram a sua fugaz passagem pela Prefeitura de São Paulo, no ano de 2005, foram evitados a ponto de fomentarem críticas internas. Em uma entrevista em meados do ano para a revista "Piauí", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um de seus principais aliados dentro do PSDB, classificou o seu governo como tendo tido um início "que não foi brilhante".

Boa parte das manobras de Serra para reforçar o Tesouro Estadual se apoiou em recursos extraordinários, sendo a mais importante delas a venda para a própria Nossa Caixa, um banco estadual, da folha de pagamento do Estado, o que representou um aporte de R$ 2,1 bilhões nos cofres paulistas, mas seus assessores deixaram claro que o veio ainda não se esgotou. "Há outras fontes de recursos, como a alienação de ativos e a venda de recebíveis. Nossa criatividade para obter receita é freqüentemente exercitada", disse Mauro Ricardo. A renegociação de todos os contratos assinados em governos anteriores gerou uma economia de R$ 602,3 milhões.

Paira sobre os anos futuros do governo Serra a possibilidade de privatização. O governador determinou que todas as empresas do Estado fossem submetidas a uma avaliação patrimonial e a um estudo de modelagem para a venda, conduzidas por consórcios liderados respectivamente pelos bancos Fator e Citibank. "Dependendo do resultado que obtivermos, poderemos trazer isto para o balanço do Estado, usar as empresas como lastros em operações ou mesmo vendê-las. Mas não há nenhuma decisão tomada sobre isso. Serra não tem interesse em vender a Sabesp e a Nossa Caixa", afirmou o secretário de Economia e Planejamento, Francisco Vidal Luna. De concreto, o que será feito é a concessão das rodovias administradas pelo Dersa, cujos editais devem ser publicados até fevereiro.

Na administração Serra, o governo paulista transformou-se em uma máquina de acumular dinheiro. Entre janeiro e outubro, os investimentos do Estado caíram de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,3 bilhão, em comparação com o mesmo período no ano passado, uma queda de 23,8%, levando em conta a inflação corrigida pelo IGP-DI. Mais da metade deste total foi aplicada em um único projeto, a construção do Rodoanel. As receitas passaram de R$ 69,7 bilhões para R$ 78,1 bilhões, alta de 7,5%.

A reversão só começa aparecer no final deste ano. Na última sexta, Serra participou da entrega do primeiro de uma série de 99 trens metropolitanos que devem ser comprados durante seu governo. No mesmo dia, a Assembléia Legislativa aprovou a peça orçamentária de 2008, que prevê investimentos de R$ 12,1 bilhões.

A contenção do Estado no primeiro ano de Serra é visível no superávit primário: até outubro, estava em R$ 17,2 bilhões, nada menos que quatro vezes o estipulado pela LDO. Em termos percentuais, atingiu 22,1%, o maior índice nos últimos cinco anos. A relação entre a dívida estadual e a receita corrente líquida no governo Serra recuou de 1,89 para 1,68, a menor em uma década.

Foi graças a esta última redução que o governador obteve a sua conquista mais importante junto ao governo federal ao qual se opõe politicamente: o aval para contratar empréstimos externos, impossível quando a relação de endividamento estava acima de 2 para 1. Os novos empréstimos, ainda sob negociação, somam R$ 6,7 bilhões e representam o pulmão da política de investimentos viários de Serra. Como o recuo prossegue, o Estado já tem hoje uma folga de R$ 23 bilhões para a contratação de novos empréstimos.

Englobando PPPs, parcerias com prefeituras e com a União, o plano de investimentos de Serra até 2010 envolve recursos de R$ 30,5 bilhões, sendo R$ 19,8 bilhões na região metropolitana do Estado, área onde o PSDB disputa a hegemonia com o PT, mas o governo nega o viés geopolítico da programação. "Nem sempre a ação administrativa corresponde a um fortalecimento político, sem que haja uma amarração por trás. Serra já investiu como administrador em áreas onde depois foi derrotado. Esta não é uma preocupação dele", disse o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira Filho.

Fazem parte da boa relação de Serra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva R$ 1,2 bilhão para a conclusão do Rodoanel, R$ 450 milhões para Saneamento e Habitação, investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além de R$ 270 milhões para o metrô. No momento em que Aloysio Nunes, Mauro Ricardo e Vidal Luna deram entrevistas, ao longo da semana passada, todos afirmaram que a primeira parcela deste bolo -R$ 300 milhões para o Rodoanel- sairia ainda antes do Natal, independentemente da derrota governista na votação da emenda constitucional que prorrogaria a CPMF. O futuro, contudo, preocupa. Teme-se que o fim da CPMF tensione a relação entre o governo federal e o PSDB e trave a aprovação de empréstimos .

No plano político, o governador desfruta do privilégio de lidar com uma Assembléia Legislativa onde apenas 22 dos 94 deputados são oposição. Serra aprovou a criação da previdência estadual, a instituição do salário mínimo regional de R$ 410, a criação de um cadastro de devedores inadimplentes, e a Agência Reguladora Estadual de Saneamento e Energia sem sobressaltos.

De quebra, o presidente da Casa, Vaz de Lima (PSDB), manteve represada a instalação de 69 requerimentos para a instalação de CPIs que mofam em sua gaveta e se acumulam com pelo menos mais uma dezena de novos requerimentos protocolados já nesta legislatura. "O governo está blindado", reclama o líder da bancada do PT , Simão Pedro.

Das comissões de inquérito instaladas na Assembléia, nenhuma investiga o governo Serra, nem os principais problemas da administração apontados pela oposição: o acidente nas obras da linha quatro do metrô, que matou sete pessoas, e as denúncias de irregularidades na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

As eleições municipais poderão trazer uma situação ainda mais confortável para o governo no Legislativo: da bancada de vinte petistas, nove são pré-candidatos a prefeito e devem dedicar-se às campanhas.

Na Assembléia, Serra conseguiu aprovar a contratação de 1,3 mil funcionários para a área de políticas públicas e finanças, o que deve aumentar os gastos com pessoal em pelo menos R$ 64 milhões ao ano. Ao assumir , o tucano cortou 4,2 mil cargos em comissão da administração direta e autarquias, economizando valor semelhante ao que será gasto com as novas contratações. Nas empresas estaduais e fundações, cortou 221 cargos , representando R$ 12,9 milhões a menos na folha. Em termos globais, Serra reduziu o peso da folha nas despesas. De janeiro a outubro de 2007, o gasto com pessoal foi de R$ 26,7 bilhões. O montante representa, em relação ao mesmo período de 2006, uma queda nominal de 1% ou 4,4% pelo IPCA.

O ponto frágil de Serra na seara política é a sucessão municipal de 2008 na capital. O governador, que foi eleito prefeito em 2004 e renunciou ao mandato, perdeu o controle do processo municipal desde que Alckmin demonstrou intenção de ser candidato. Serra não tem como impedir sua candidatura em favor do prefeito paulistano Gilberto Kassab, um aliado fundamental dentro do DEM para viabilizar uma aliança futura, caso Serra seja candidato a presidente na próxima eleição. O grupo político do governador já acenou a Alckmin com a garantia da candidatura ao governo estadual em 2010, sempre partindo do pressuposto que Serra será o candidato tucano à sucessão de Lula, mas o ex-governador mantém o discurso e a atitude de interessado em concorrer no município. Com a base dividida, os próprios aliados de Serra admitem que cresce a possibilidade de uma vitória da ex-prefeita Marta Suplicy, do PT, na capital do Estado.


Valor Econômico