Dilma Vem ai; Aguardem


Uma das primeiras providências que estão sendo tomadas pela base do governo é a preparação da chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, para a campanha presidencial de 2010. Já arrumaram até um especialista para orientar a ministra no uso de uma linguagem mais acessível para o povão. Uma espécie de tradutor dos termos técnicos que ela costuma utilizar em seus discursos e entrevistas. O fato é que Dilma está no centro dessa grande articulação governista.

Dilma Rousseff virou o pivô de um jogo, que envolve o bloquinho, formado pelo PC do B, PDT, PRB e PSB, para apoiar o governo dentro e fora do Congresso Nacional, e mais o PMDB. A idéia é que o vice da futura candidata petista pertença ao bloquinho, de tal forma que dê uma cara social-democrata à candidatura.

Para isso, já pensam no deputado federal Ciro Gomes ou no governador de Pernambuco, Eduardo Campos.Ao PMDB caberia a indicação dos grandes postos no Congresso Nacional, tais como as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado. E em troca o partido garantiria a maioria governista nas casas legislativas. E tudo seria resolvido. Seria? Não. Os autores dessa trama teriam que combinar com os russos, no caso o PT.
Os petistas não vão querer abrir mão do comando de pelo menos uma das casas do Congresso. Mas, para convencê-los, os defensores da idéia entrariam com o argumento de que o partido teria a Presidência da República. Os resultados dessas manobras só teremos daqui a algum tempo.

Promotor suspeito de ser ''espião'' do PCC


O Primeiro Comando da Capital (PCC) obteve informações "extremamente importantes para a organização" dentro do Ministério Público do Estado (MPE). O principal suspeito de ser o responsável por violar o sigilo em favor da facção é um promotor criminal da região oeste de São Paulo. O caso, considerado gravíssimo pelos integrantes do MPE, está sob investigação da Corregedoria, que faz apuração administrativa, e do setor de competência originária, responsável pelas investigações de crimes envolvendo integrantes da instituição.

A suspeita de que a maior facção do crime organizado do País conseguiu se infiltrar no MPE nasceu durante as investigações feitas pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Vale do Paraíba, como revelou ontem o Estado. Durante os meses de abril a julho deste ano, os promotores do Gaeco monitoraram as comunicações dos advogados da chamada Sintonia dos Gravatas, o departamento jurídico da facção.

Em conversas por meio de um programa de mensagens instantâneas, a advogada Patrícia Galindo Godoy disse aos colegas José Luiz Menezes e Alessandra Moller que havia obtido acesso privilegiado a um dos membros do Ministério Público, que lhe fornecia informações importantes. Por meio dele, Patrícia soube que o Gaeco investigava os advogados do PCC, entre os quais ela e seus dois amigos.

O autor da violação do sigilo informou ao crime organizado que os advogados eram investigados por causa das despesas do departamento jurídico custeadas pela facção. Pairava ainda a suspeita de que eles agiam como pombos-correio do PCC. Patrícia propôs aos colegas que "silenciassem seus celulares" e avisassem os chefes da organização para que fizessem o mesmo. "Ele (o promotor) me falou que a melhor maneira é desligar os celulares e não falar com ninguém, por enquanto. Aí nós passamos tudo isso pro Kala e pro MR", disse. Kala é o preso Orlando Motta Junior, o Macarrão, um dos generais da facção criminosa. MR é Marlon José de Souza Rosa, também conhecido como Melke, responsável pela contabilidade da Sintonia dos Gravatas.

Mais adiante, Patrícia se queixa da "irresponsabilidade" de uma colega advogada. "Isso foi de manhã. À tarde, a Ju liga pro MR e ele atende normal. Então f... Acho que tem uns que são irresponsáveis", disse a advogada. Patrícia foi presa no dia 25 de julho durante a Operação Prima Donna, deflagrada pelo Gaeco. Ela é filha de um tradicional advogado da região de Presidente Prudente (SP), região onde está presa a cúpula do PCC. Alessandra foi presa no mesmo dia e Menezes, no dia 28 de julho.

Olha a minha amiga fazendo sucesso...no JB


Paes fica no centro do alvo

Cláudia DantasMarcelo Migliaccio

A temporada de ataques nas eleições municipais do Rio começou e Eduardo Paes, o candidato a prefeito que mais cresce nas pesquisas, tem sido o alvo. Ontem, o site nacional do PCdoB (www.vermelho.org.br), o ex-blog do Cesar Maia e o blog Amigos do Presidente Lula (www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com) colocaram no ar um vídeo para desbancar o peemedebista.

Sob o título de Eduardo Paes: dá pra confiar?, o vídeo reúne uma seqüência de entrevistas e fotos do candidato, e relembra principalmente o troca-troca de partidos de Paes, que passou pelo DEM, PSDB e PMDB.

– O vídeo foi localizado no blog Amigos do Presidente Lula, e como é jornalisticamente relevante, divulgamos – disse Bernardo Joffily, editor do site Vermelho, do PCdoB.

Jorge Barreto, diretor regional do partido, afirma que a divulgação não partiu do Rio, e que Jandira Feghali nada tem a ver com a história.

O vídeo mostra também as declarações do candidato contra o governo Lula durante a CPI dos Correios. Paes, no entanto, não acredita que o combate à corrupção seja considerado um aspecto negativo do governo federal e descarta qualquer divisão com Lula.

– Ao contrário, a primeira parceria com o governo federal foi em minha secretaria de Turismo, Esportes e Lazer, para a realização do Pan – lembrou o candidato.

Paes não teme ser a bola da vez e avalia que a campanha municipal está bastante civilizada.

– Não é preciso ficar agredindo. Tenho uma relação boa com todos os candidatos. Convivi com a deputada Jandira por oito anos no Congresso Nacional. Gabeira é meu amigo pessoal – afirmou.

A troca de acusações entre o prefeito Cesar Maia e o governador Sérgio Cabral, que vem ocupando espaço na mídia nos últimos dias, na verdade é uma forma de os dois caciques preservarem seus respectivos candidatos. Essa é a leitura que cientistas políticos fazem das rusgas entre Cabral e Maia, que têm como tema recorrente o setor de saúde na cidade.

– Os ataques em campanha têm sempre um custo elevado. O eleitor rejeita os candidatos que considera mais agressivos, pesquisas mostram isso – diz Alessandra Aldé, pesquisadora do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj).

O cientista político Manuel Sanshes, da UFRJ, diz que há outro incoveniente nos ataques.

– Solange e Paes estão se guardando para um eventual acordo no segundo turno – analisa. – Eles têm mais em comum entre si do que com o Marcelo Crivella. Os dois até fazem um contraponto, mas não podem se distanciar muito, senão depois fica difícil costurar as rachaduras.

Para Sanshes, a saúde não é tema por acaso.

– Como as UPAs são o carro-chefe do Cabral e do Paes, Maia quer esvaziá-las, porque a saúde no município é criticada.


Jornal do Brasil Aqui

Ministros divergem de relator e admitem idéia de reduzir reserva


Consultados pelo jornal Estado,4 dos 11 ministros mostraram-se propensos a fazer ressalvas ao voto de Ayres Britto

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consultados pelo Estado adiantaram ontem que podem diminuir a área destinada à reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, para deixar livres para as Forças Armadas as faixas de fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana. A demarcação permaneceria da forma contínua, como determinou o governo, mas o tamanho da reserva seria reduzido.

Veja especial sobre a reserva, vídeos do julgamento e íntegra do voto

A decisão nesse sentido contrariaria o voto do relator da ação, contra a demarcação, ministro Carlos Ayres Britto, que manteve a delimitação da reserva nos moldes originais. Quatro dos 11 ministros se mostraram propensos a fazer ressalvas ao voto de Britto, que foi classificado por um colega de "romântico" e visto por outros como superficial - mesmo tendo 108 páginas. Para que sejam feitas alterações na reserva são necessários 6 votos. Os demais membros do Supremo preferiram não se pronunciar, mesmo reservadamente.

Os ministros que atenderam à consulta do Estado analisam que, da forma como foi feita a demarcação, a soberania do País estaria comprometida. Um deles disse que o voto, se mantido, é um "passo para o separatismo" de índios e brancos.

Isso porque os índios que ocupam a região têm parentes dos dois lados da fronteira (no Brasil e na Venezuela) e trafegam livremente para os dois lados. Nem mesmo a determinação do governo de que batalhões do Exército sejam instalados na área convence esses ministros. Um deles, que esteve em Roraima, afirmou que o Exército se vê obrigado a fazer convênios com índios para que tenham a entrada nas terras facilitada.

DECLARAÇÃO

A preocupação desses ministros é reforçada com a assinatura pelo Brasil da Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, da Organização das Nações Unidas (ONU). Por esse documento, os índios podem decidir livremente sua condição política, têm liberdade para estabelecer relações com povos do outro lado da fronteira e dispõem de autonomia para decidir assuntos internos.

Apesar de o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ter declarado que a presença dos índios não atrapalha a ação dos militares na fronteira, os integrantes do Supremo se mostraram sensíveis aos argumentos de parte do Exército, contrária à demarcação.

Em seu voto, o relator da ação foi duro ao tratar dessa suposta ameaça à soberania do Brasil. Ele classificou como tentativa de desviar o foco da discussão o argumento de que a ocupação pelos índios poderia atentar contra a soberania nacional.

"Não é por aí que se pode falar de abertura de flancos para o tráfico de entorpecentes e drogas afins, nem para o tráfico de armas e exportação ilícita de madeira. Tampouco de perigo para a soberania nacional, senão, quem sabe, como uma espécie de desvio de foco ou cortina de fumaça para minimizar a importância do fato de que empresas e cidadãos estrangeiros é que vêm promovendo a internacionalização fundiária da Amazônia legal, pela crescente aquisição de grandes extensões de terras", afirmou Ayres Britto durante o julgamento.

O relator foi o único dos 11 membros do Supremo a votar na sessão de quarta-feira. Depois do voto de Ayres Britto, o ministro Carlos Alberto Direito pediu vista do processo, o que adiou o julgamento para data indeterminada. O regimento do STF determina que o processo deve ser devolvido para a retomada do julgamento em até 20 dias, mas esse prazo pode ser descumprido.

SOBERANIA

Na retomada do julgamento, Direito será o primeiro dos ministros a suscitar a preocupação com a soberania do País e deve abrir a divergência em relação ao voto do relator.

Apesar de admitirem a possibilidade de manter a demarcação contínua, alguns ministros afirmaram ser necessário descobrir que terras eram ocupadas pelos índios à época da demarcação. Se ficar evidenciado que determinadas faixas não eram ocupadas pelos índios, admitiram dois ministros, podem propor a exclusão dessa extensão de terra da reserva demarcada.

De acordo com um dos ministros - que conhece a região -, as terras ocupadas pelos arrozeiros não seriam povoadas pelos índios e por isso não haveria razão para que fossem integradas à reserva

País terá R$ 2,4 tri em investimentos até 2011, prevê BNDES


O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, informou ontem, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que o Brasil vai receber R$ 1,5 trilhão em investimentos no período de 2008-2011. Segundo Coutinho, esses são os números "confiáveis e mapeados", mas existe uma perspectiva de que esse montante chegue a R$ 2,36 trilhões no mesmo período. A maior fatia será destinada à indústria e serviços, com R$ 627,1 bilhões, seguidos de perto pela construção residencial, com R$ 534,9 bilhões. A apresentação feita por Coutinho mostrou que, entre 2004 e 2007, foram investidos no Brasil R$ 896 milhões nos mesmos setores.

Coutinho, que abriu as apresentações da reunião do conselho, intitulada "Um Novo Brasil em Construção", afirmou que esse bom resultado do país acontece independentemente da crise financeira do subprime americana, que completa um ano em agosto. Enquanto a crise das hipotecas retraiu a economia americana, no Brasil o BNDES teve crescimento de 30% nos projetos de investimento programados de 2008 a 2011. "Neste período, as decisões de investimento nem tremeram", assinalou.

Segundo a avaliação do presidente do BNDES, há a percepção de que o Brasil pode atravessar as tormentas que poderão vir, porque tem um mercado interno com um potencial enorme. Ressaltou que os empresários estão confiando e investindo e o país tem um forte sistema financeiro. O diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, Marcelo Nery, disse que uma prova de que os empresários confiam no futuro do Brasil é o número de empregos com carteira assinada gerados nos últimos 12 meses, que ficou em torno de 1,5 milhão. "Carteira assinada era um elemento em extinção no cenário brasileiro. Essa reversão é uma clara aposta de futuro do empresariado nacional", destacou Nery.

Antes mesmo de o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, iniciar sua exposição, Coutinho já havia destacado que o Brasil teria de criar uma política industrial específica para o setor do petróleo. Segundo ele, essa tese ganhava força no Executivo há algum tempo, mas tornou-se imprescindível após o descobrimento dos campos do pré-sal, o que, nas palavras do próprio Gabrielli, que fez depois sua exposição, colocará "a indústria do petróleo em outro patamar".

O presidente da Petrobras apontou, em seu discurso, a necessidade de se encomendar navios-sonda para atuar na exploração em alto-mar. Serão 28 embarcações construídas no Brasil e 12 no exterior ao preço que varia entre US$ 700 milhões e US$ 1 bilhão. Essa política industrial do petróleo terá o foco na produção de máquinas e equipamentos para as elevadas demandas previstas para essa cadeia.

Embora haja uma orientação do governo em não falar muito sobre o modelo e a regulação do pré-sal antes da conclusão dos trabalhos da comissão interministerial, Gabrielli destacou que o campo Tupi começa a operar no final de 2010. "Os volumes do pré-sal encontrados, provavelmente, serão muito grandes." Nesse campo, ele estima uma reserva de cinco a oito bilhões de barris e, para explorá-lo, é preciso investir muito. O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, acha que o pré-sal será bom também para a Vale. "Se há uma demanda por novos navios, haverá necessidade de mais ferro. Se a Petrobras investir em material eletrônico, precisará de mais cobre. Se investir em materiais anticorrosivos, precisará de mais níquel", disse ele.

A Petrobras pretende investir, no período de 2008-2012, US$ 112,4 bilhões. Desse total, US$ 65,1 bilhões são destinados à exploração e produção. O total de investimentos poderá gerar, de acordo com cálculos do presidente da estatal, uma média anual de 917 mil novos postos de trabalho. Até 2010, a empresa pretende contar com 9.621 quilômetros de dutos no país. Em 2003, eram 5.804 quilômetros. Cinco novas refinarias serão construídas no país. Gabrielli lembrou que a última refinaria havia sido inaugurada em 1980.

Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e um dos vice-presidentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rodrigo Loures, presente à reunião, é interessante e positiva essa aproximação das ações do BNDES e do Ministério da Fazenda, mas afirma que os investimentos em infra-estrutura não têm a velocidade desejada. Como exemplo, cita o caso dos portos do país, que ainda estão muito aquém do desafio exportador e do crescimento da economia brasileira.

O que mais incomoda os empresários atualmente, segundo Loures, é o câmbio, que vem sendo ainda mais valorizado com o aperto monetário. Ele considera que a âncora das políticas econômicas está errada e deveria ser deslocada para a gestão fiscal. "O real valorizado tira competitividade do produto brasileiro no exterior e essa situação fica ainda mais deteriorada com a subida dos juros. É preciso racionalizar as despesas públicas", argumentou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o evento serviu para reunir todos os dados da economia brasileira que passavam, muitas vezes, despercebidos do conjunto da sociedade. "Mostramos que o crescimento do Brasil não é um vôo de galinha, mas de uma águia que pode voar mais alto do que pensava que voaria antes", afirmou o presidente.

Juiz ligado à Operação Influenza é investigado


O juiz que atuou no início da Operação Influenza, resultante na prisão de ex-executivos da Agrenco, está sob investigação. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou sindicância para apurar denúncia do prefeito Volnei Morastoni (PT), que tenta reeleição no município catarinense de Itajaí, contra o juiz estadual Paulo Afonso Sandri, da comarca da cidade.

Sandri é acusado de corrupção e de ter praticado ato ilícito ao autorizar grampos telefônicos e monitoramento de e-mails no início da Operação Influenza, quando se apurava apenas crime de sonegação fiscal. Nesses grampos, há gravações do prefeito, pois assessores próximos a ele eram objeto da investigação. Morastoni não foi preso na operação, mas houve um pedido de prisão por parte do Ministério Público Federal, que, no entanto, foi negado pelo Tribunal Regional da 4ª Região (TRF).

O juiz considerou um "absurdo" a acusação. Ele defende que cabia ao juiz estadual a decisão sobre os grampos, pois no início da investigação ainda se tratava de um suposto crime de sonegação fiscal no município. Segundo ele, quando as suspeitas se ampliaram para crime contra o sistema financeiro, o caso foi enviado à justiça federal e a juíza Ana Cristina Kramer "ampliou e ratificou" suas ações.

Sandri diz que a sindicância foi instaurada na segunda desta semana. Ele preferiu apresentar defesa prévia em 18 de agosto, pelo fato de a denúncia ao CNJ ter ocorrido ainda em julho. O advogado de defesa de Morastoni foi procurado, mas não se pronunciou.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal, não há motivos para a operação ser colocada em xeque. O delegado Airton Takada, à frente das investigações, não deu entrevista.

A Operação Influenza ainda não foi concluída e um novo prazo, que expira em 4 de setembro, foi pedido pelo delegado para a conclusão do inquérito da operação. Será solicitada prorrogação por mais 30 dias. A Operação Influenza levou à prisão de 24 pessoas no dia 20 de junho, entre elas os ex-executivos da Agrenco Antônio Iafelice, Antônio Augusto Pires e Francisco Ramos.


Alencar critica P-SOL em Porto Alegre


O candidato a Prefeitura do Rio de Janeiro Chico Alencar (P-SOL) criticou a doação de R$ 100 mil feita pela Gerdau e aceita pela campanha da candidata do P-SOL em Porto Alegre, Luciana Genro. "Pessoalmente, discordo. É uma contradição. Empresas muito poderosas têm a vocação irresistível para interferir nos negócios do Estado. Se o problema vier para o Diretório Nacional (do P-SOL), vou dar minha opinião, que é contrária", disse Alencar durante sabatina promovida pelo jornal "O Estado de S. Paulo", ontem, no Rio.

Alencar afirmou que vai rever a concessão "perene" do Carnaval para a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Ele disse que, se eleito, estudará devolver a organização do evento para a prefeitura ou fazer licitação com outras empresas. A concessão existe desde 1984.

O candidato do P-SOL prometeu ainda uma auditoria da dívida ativa da Prefeitura e dos gastos da gestão Cesar Maia (DEM) com os Jogos Panamericanos e a Cidade da Música. Neste último caso, ao contrário da maioria dos adversários, descartou a possibilidade de fazer concessão para a iniciativa privada. "Não daria concessão de jeito nenhum. A gente é contra essa mania do governo Cesar Maia de investir dinheiro público e depois passar para a iniciativa privada", disse.

MP investiga 22 dos 50 vereadores


Quase metade dos 48 vereadores que tentarão a reeleição em outubro já estão sendo investigados pelo Ministério Público Estadual do Rio, por suspeita de enriquecimento ilícito ou improbidade administrativa. O JB teve acesso exclusivo à lista do MP com nomes e números e inquéritos.


Pouco mais de um terço da Câmara, mais precisamente 18 dos 48 vereadores que tentarão a reeleição em outubro, já estão sendo investigados pelo Ministério Público Estadual (MP-RJ) por suspeita de enriquecimento ilícito. Descontada a inflação de 2004 a 2008, 11 destes parlamentares declararam à Justiça Eleitoral aumento no valor dos bens em seus nomes. Há ainda sete que alegaram decréscimo. Quatro vereadores são acusados apenas de improbidade administrativa.A Câmara tem 50 membros.

Cinco dos investigados ­ Argemiro Pimentel (PMDB), Chiquinho Brazão (PMDB), Liliam Sá (PR), Pastora Marcia Teixeira (PR) e Sami Jorge (PDT) ­ foram mencionados em reportagem do JB , na semana passada, que mostrou que, somado, o valor dos bens dos vereadores-candidatos dobrou durante a atual legislatura.

O MP informou que, por suas particularidades, os inquéritos estão sendo investigados caso a caso. O conservador Wilson Leite Passos (PP), por exemplo, não forneceu declaração completa do IR e por isso entrou na lista. Ao menos nove dos parlamentares investigados apresentam variações abismais.

É o caso de Jorge Pereira (PTdoB). Embora tenha apresentado pequena variação percentual no valor dos bens ­ - 11,75% - ­ Pereira passou de R$ 2.514.058,23, em 2004, para R$ 3.441.697,40, este ano. Uma diferença de R$ 927.639,17, terceira maior evolução de volume financeiro entre os vereadores-candidatos. Outra investigada, Verônica Costa teve crescimento patrimonial de R$ 608 mil. A vereadora foi a única parlamentar, eleita em 2004, que apresentou à Justiça Eleitoral declaração ­ base para o cálculo da reportagem ­ referente ao ano de exercício anterior. Segundo esta, a Mãe Loura do Funk, como é conhecida, teve um gigantesco saltopatrimonial, indo de R$ 154.995 para R$ 763.178 no período. Na contramão da maioria dos demais parlamentares, que teve acréscimo no patrimônio, Rosa Fernandes é investigada por ter declarado o maior declínio de bens. Em sua quarta legislatura consecutiva, a recordista de votos nas duas últimas eleições ­ atingindo a marca dos 100 mil ­ afirmou ter passado de R$ 413.918,68, em 2004, para R$ 283.043, este ano ­ diferença negativa de R$ 130.875,68 (-44%).Completam o quadro de ve- readores-candidatos investigados pelo MP-RJ por suspeita de enriquecimento ilícito Cristiane Brasil (PTB), Alexandre Cerruti (DEM), Luiz Antônio Guaraná (PSDB), Jorge Mauro (DEM), Dr. Carlos Eduardo (PSB), Jairo Souza dos Santos (PSC), também conhecido como Dr. Jairinho, e Sebastião Ferraz (PMDB).

Financiamento, a justificativa

A assessoria de Rosa Fernandes atribuiu a queda patrimonial da vereadora à rescisão de um contrato de financiamento a longo prazo de um imóvel, após o aumento das prestações do mesmo. Mas, ao ser informada de que a principal variação no valor dos bens da parlamentar referia-se a veículos declarados apenas em 2008, a assessoria não soube dizer se Rosa se desfez dos carros citados na declaração ao Leão. A assessoria de Verônica enviou fax informando que o patrimônio, à época, era de R$ 578.202. ­ Na declaração de bens em questão, a vereadora estava em disputa judicial com o ex-marido. Houve divisão de bens. Dá sensação de que cresceu, mas na verdade diminuiu ­ comunicou, embora no fax, enviado por pessoa que identificou-se como contador de Verônica, lia-se "como pode ser observado, o acréscimo de 2002 a 2007 foi de 31,99%". Jorge Pereira não foi localizado para justificar a variação.

Cheiro de perdedor


Diante do novo Datafolha, que mostra Geraldo Alckmin (PSDB) mais distante de Marta Suplicy (PT) e mais próximo de Gilberto Kassab (DEM), os apoiadores do ex-governador repetem que tudo vai melhorar porque "o Serra terá que ajudar", seja atraindo recursos, seja aparecendo ao lado do candidato. Mas não explicam como isso se dará, uma vez que Alckmin optou pelo ataque sistemático à administração que até outro dia era de Serra. No Palácio dos Bandeirantes, ouve-se que, tão logo "conseguiu arrancar" do governador uma declaração de apoio para exibir na TV, Alckmin "começou a esculachar a prefeitura". No Palácio do Anhangabaú, o clima é ainda pior.

Fúria 1. "A campanha do Geraldo é um tapa na cara do Serra", diz um tucano do primeiro escalão de Kassab. "É uma campanha de oposição. Só que o PSDB é governo."

Fúria 2. Um dos alvos da ira dos tucanos que integram a gestão Kassab é o ex-colega Floriano Pesaro. Recém-saído da Secretaria de Assistência Social, o candidato a vereador agora diz na TV que "uma cidade tão rica como São Paulo não pode ter mais de 150 mil crianças fora das creches e das escolas. Isso não pode continuar. É por isso que estou com Geraldo Alckmin. Ele vai criar vaga para todas essas crianças. Pode confiar!".

Aritmética. "O problema não é só virar casaca", diz um auxiliar do prefeito. "É que ele sabe bem que esse número está superfaturado. Nem a campanha da Marta usa." Ainda da Folha

Enganou-se quem esperava um negro submisso no STF


Como sempre, aquele meus fiéis dois leitores, sem Folha, viram a chamada da Folha para a notícia "Enganou-se quem esperava um negro submisso no STF". Clicaram, e nada! A matéria completa é para assinante. Pra que assinar, não é mesmo? Me pediram, eu publico na integra a matéria.

Ministro nega que seja "encrenqueiro", mas diz que não se cala quando vê algo errado

"ENGANARAM-SE os que pensavam que o Supremo Tribunal Federal iria ter um negro submisso, subserviente", diz o ministro Joaquim Barbosa, ao comentar os desentendimentos com alguns de seus pares -como Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Eros Grau. Ele atribui os atritos à defesa que faz de "princípios caros à sociedade", como o combate à corrupção. Barbosa entrou em choque com ministros tidos como "liberais" em julgamentos da Operação Anaconda. Ficou conhecido popularmente como relator do inquérito do mensalão e recentemente discutiu com Eros Grau sobre a liberação de um preso da Operação Satiagraha.

Joaquim Barbosa nega que seja "encrenqueiro" e diz não se sentir isolado no tribunal, onde "não costuma silenciar quando presencia algo errado". Ele critica, por exemplo, os advogados de "certas elites" que monopolizam a agenda do Judiciário -inclusive no Supremo-, marcando audiências para pedir que seus processos sejam julgados com prioridade, na frente de outros que entraram na Corte há mais tempo. Barbosa recebeu a Folha quarta-feira, em seu gabinete, onde concedeu entrevista em pé, durante cerca de uma hora. Ele sofre de dores crônicas na coluna, incômodo que se agrava quando fica sentado nas cinco sessões semanais na Corte.

FOLHA - A mídia o aponta como o ministro que mais se desentende com os colegas. O sr. é uma pessoa de temperamento difícil?

JOAQUIM BARBOSA - Engano pensar que sou uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento, uma pessoa difícil. Eu sou uma pessoa altiva, independente e que diz tudo que quer. Se enganaram os que pensavam que, com a minha chegada ao Supremo Tribunal Federal, a Corte iria ter um negro submisso. Isso eu não sou e nunca fui desde a mais tenra idade. E tenho certeza de que é isso que desagrada a tanta gente. No Brasil, o que as pessoas esperam de um negro é exatamente esse comportamento subserviente, submisso. Isso eu combato com todas as armas.

FOLHA - Gilmar Mendes chegou a dizer que o sr. "tem complexo". A ministra Carmen Lúcia insinuou que haveria um "salto social", com sua evidência no caso do mensalão. Como o sr. recebe esses comentários?

BARBOSA - A imprensa se esquece de dizer quais foram as razões pelas quais eu tive certos desentendimentos. Quase sempre foram desentendimentos nos quais eu estava defendendo princípios caros à sociedade brasileira, como o combate à corrupção no próprio Poder Judiciário. Sem aquela briga com o ministro Marco Aurélio, o caso Anaconda não teria condenação e cumprimento de penas pelos réus.

FOLHA - No julgamento de uma ação da Anaconda houve o comentário de que o sr. teria "complexo"...

BARBOSA - Achei apropriado naquele momento dar uma resposta dura. Falaram que eu sou encrenqueiro. Eu tenho amigos espalhados pelo Brasil e pelo mundo inteiro. São pessoas decentes. E eu não costumo silenciar quando presencio algo de errado, ainda que no âmbito do tribunal ao qual eu pertenço.

FOLHA - O sr. se sente isolado no Supremo?

BARBOSA - Nem um pouco. Eu tenho meu leque de amizades, que são pessoas que têm afinidades comigo, com aquilo que eu gosto, que não necessariamente coincide com o gosto da maioria do tribunal. Mas tenho boa relação com ministros.

FOLHA - Uma crítica recorrente é que o Supremo favorece as elites. Como o sr. vê essa observação?

BARBOSA - Eu ainda não amadureci a minha reflexão sobre isso. Mas há uma coisa que me perturba, que me deixa desconfortável aqui no tribunal e na Justiça brasileira como um todo. É o fato de que certas elites, certas categorias monopolizam, sim, a agenda dos tribunais. Isso não quer dizer que eu esteja de acordo com a frase de que o tribunal favorece as elites. Monopolizam a agenda.

FOLHA - Como isso ocorre?

BARBOSA - Nós temos na Justiça brasileira o sistema de preferência, tido como a coisa mais natural do mundo. O advogado pede audiência, chega aqui e pede uma preferência para julgar o caso dele. O que é essa preferência? Na maioria dos casos, é passar o caso dele na frente de outros que deram entrada no tribunal há mais tempo. Se o juiz não estiver atento a isso, só julgará casos de interesse de certas elites, sim. Quem é recebido nos tribunais pelos juízes são os representantes das classes mais bem situadas. Eu não posso avalizar inteiramente essa frase [de que o Supremo favorece as elites], mas acho que um país em que a Justiça está completamente abarrotada tem que ter atenção muito grande para esse perigo de que a agenda dos tribunais seja monopolizada por certos segmentos sociais. Basta prestar a atenção, durante cada ano, no tempo que o STF gasta julgando questões de interesse corporativo. É enorme.

FOLHA - O sr. costuma receber advogados em seu gabinete?

BARBOSA - Recebo, mas nenhum advogado, por mais importante que ele seja, monopoliza o meu gabinete [o ministro informa que concedeu 244 audiências, em 2006 e 2007].

FOLHA - Sua decisão de quebrar o sigilo do inquérito do mensalão contribuiu para a abertura do Supremo à sociedade. Quais os aspectos positivos e negativos dessa exposição?

BARBOSA - Eu acho que o lado bom é o pedagógico. Aproxima o tribunal da sociedade. Quebra com uma tradição tipicamente brasileira, ainda forte, de o juiz estar distante do cidadão. O tribunal entra nos lares dos brasileiros. As questões importantes da cidadania são debatidas, são absorvidas pelo cidadão. Acho isso muito positivo. O lado negativo disso é que essa superexposição traz uma carga de pressão muito grande em cima do tribunal. Essa hiper-exposição atrai cada vez mais demandas para o Supremo. Uma tendência natural de outros poderes e de segmentos da sociedade é pensar que tudo pode ser resolvido no Supremo. Não é tão fácil assim vir até o Supremo, e é extremamente caro.

FOLHA - Diante das decisões recentes do tribunal, alguns juízes dizem que o Supremo está se distanciando da sociedade, do mundo real.

BARBOSA - Teoricamente, acho que isso possa existir. Não quero falar sobre decisões. Em tese, o juiz não pode se desgrudar da sociedade. Ele não pode desprezar os valores mais caros da sociedade na qual opera. Seria suprema arrogância -e isso eu noto em alguns juízes brasileiros- achar que não interessa o que a sociedade pensa sobre determinadas decisões. O juiz é fruto do seu meio. Seria o supra-sumo da arrogância entender que o juiz poderia ter uma escala de valores que não leve em conta o sentimento da sociedade sobre questões que lhe são trazidas para decidir. Em um sistema judiciário que não leva em consideração o sentimento da sociedade sobre determinadas questões, a tendência é ele perder credibilidade e se transformar em monstrengo inútil, do ponto de vista institucional, a médio ou longo prazo.

FOLHA - O Supremo carece de especialistas em direito penal?

BARBOSA - Eu discordo. O Supremo não precisa de especialistas em direito penal. É verdade que na atual composição não há especialistas em direito penal. Mas uma pessoa com uma boa formação em direito público, com uma boa formação humanística, uma boa visão de mundo, que não seja paroquial, é isso que se espera do membro de uma Corte Suprema e não uma especialização exacerbada nesta ou naquela matéria. O que se espera é, sobretudo, prudência. Uma clara visão da sociedade.

FOLHA - Quantos membros do Supremo já interrogaram réus?

BARBOSA - Isso é irrelevante. Eu presido quatro grandes processos criminais, jamais vistos na história do tribunal. Eu não vou interrogar ninguém. Eu delego. Eu não preciso interrogar. A lei me dá esse poder. Não é uma corte para resolver questões pontuais. É um tribunal que julga casos com profunda repercussão na sociedade. Aqui não se cuida do varejo. Já interroguei réus. Fui procurador da República por 19 anos. Minha especialização é direito público, mas isso é bobagem, não tem a menor relevância.

FOLHA - Em que medida o foro privilegiado dificulta uma avaliação mais precisa do Supremo?

BARBOSA - Eu acho o foro privilegiado nefasto. O foro privilegiado e outras medidas são processos de racionalização da impunidade. Já disse e repito.

FOLHA - O Supremo é mais rigoroso para receber denúncias de crimes de colarinho branco?

BARBOSA - O Supremo é bem mais rigoroso em matéria penal em geral. O tribunal tem a tradição de mais rigor, nesses últimos anos. Vejamos o caso do mensalão. Com a importância do STF, com o número de causas e problemas seríssimos que tem para resolver, é racional que o tribunal gaste cinco dias inteiros só para julgar o recebimento de uma denúncia? Com todas as dificuldades que o Brasil inteiro assistiu ao vivo? O recebimento de uma denúncia como aquela, no primeiro grau, seria um despacho de duas páginas.

Lula barra articulação pró-Marta em 2010


Não foi à toa que a candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, disse na sexta-feira que a vaga do partido para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2010, é da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Marta já foi avisada pelo presidente de que, ainda que não seja eleita prefeita da capital paulista, dificilmente será candidata à Presidência da República pelo PT daqui a dois anos.

O motivo, segundo relato de petistas, é que como o provável candidato do PSDB à Presidência será o governador José Serra, não tem sentido o PT disputar a eleição também com um nome paulista. A idéia é lançar um nome de outro Estado, que “una o Brasil”. Situação em que, para o presidente, Dilma se encaixa.

A ministra já vem, inclusive, sendo preparada para 2010. Sem experiência nos palanques, conforme o Estado revelou, Dilma vai aproveitar a temporada eleitoral para treinar a retórica política e se aproximar da população.

ESTRATÉGIA

A estratégia foi preparada no Palácio do Planalto e ganhou reforço nos últimos dias com a contratação do jornalista e escritor Laurez Cerqueira, o ghost-writer encarregado de redigir os novos discursos da ministra e pôr tempero social em sua linguagem técnica.

Dilma também foi orientada pelo marqueteiro João Santana, uma espécie de consultor do Planalto e quem assina a campanha de Marta, a traduzir números, dados e tabelas para o cotidiano dos eleitores e a explicar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de forma didática.

A tese de Lula para lançar um candidato à sua sucessão que não seja de São Paulo esbarra no “medo do Nordeste” que São Paulo continue dominando o cenário político.

MUDANÇA

Outra intenção de Lula para 2010 é fazer de seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, presidente do PT. O presidente já disse a interlocutores que não pretende que o comando do partido continue mas mãos do deputado Ricardo Berzoini (SP) ou de qualquer outro petista próximo ao grupo do ex-ministro-chefe da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu. Foi Dirceu quem comandou o PT até Lula chegar ao Planalto, em 2002. Lula acredita que, se conseguir emplacar Gilberto Carvalho à frente do partido em 2010, terá “controle absoluto” da sigla, o que, em se tratando de PT, significa conter o “fogo amigo” que, com freqüência, é disparado por algumas das tendências.

Prefeita não pode mais usar imagem de Lula


A prefeita de São Gonçalo, Aparecida Panisset (PDT), candidata à reeleição, recebeu ontem duas advertências por vincular a imagem do presidente Lula à sua campanha. À tarde, uma liminar da 135ª Zona Eleitoral de São Gonçalo determinou a imediata retirada das imagens do presidente do programa eleitoral de Panisset, veiculado na quarta-feira. À noite, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apreenderam, em uma gráfica de Alcântara, grande quantidade de material de campanha da candidata com a foto de Lula estampada. ­

- A prefeita quer enganar as pessoas dizendo que é a candidata do presidente. Ela foi avisada da liminar durante a tarde e mesmo assim continuou ignorando a Justiça e fabricando material ilegal ­ reclamou o candidato Altineu Côrtes, da coligação São Gonçalo Precisa Mudar (PT, PTC, PR, PHS, PSL, PP, PRB, PRP e PSB).

No programa de TV, a prefeita usou imagens de Lula e trecho de um discurso que o presidente fez ano passado, em Itaboraí. A pedetista também mencionou o suposto apoio no programa de rádio e em panfletos. Os advogados de Altineu Côrtes, que entraram com a representação na Justiça, alegaram que o uso da imagem de Lula pela prefeita configura propaganda irregular. De acordo com a legislação, é proibido o apoio a candidato por pessoa que seja integrante de outro partido ou coligação.

TRE diz que Rio tem um milhão em área de risco


O pedido de reforço de tropas federais para o Rio foi formalizado ontem junto à Presidência da República. O contingente será enviado a 20 áreas do Estado consideradas sensíveis em levantamento do TRE. A data de chegada depende do Ministério da Defesa.

Lista leva TSE a oficializar pedido de tropas federais

A Justiça Eleitoral formalizou, ontem, pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para envio das Forças Armadas a cerca de 20 áreas do Rio de Janeiro. O Exército, em coalizão com as polícias federal e estadual, vai atuar com o objetivo de garantir a regularidade do processo eleitoral. O cálculo inicial do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro é de que pelo menos um milhão de eleitores vivam nas áreas consideradas sensíveis.

A data do envio das tropas e o contingente que será mobilizado depende agora de avaliação do Ministério da Defesa. Pelo menos outras seis regiões estão na mira da Justiça e podem vir a contar com a presença do Exército também.

O mapeamento das áreas mais críticas controladas por grupos milicianos e narcotraficantes que estariam sofrendo restrições e ameaças eleitorais, feito pelo TRE-RJ em conjunto com as forças policiais do estado do Rio de Janeiro e Polícia Federal, foi entregue pelo presidente do tribunal, desembargador Roberto Wider, ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Britto, ontem mesmo. Após reunião com o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, onde foi discutido alguns dos procedimentos que serão necessários para o envio das tropas, Britto abriu a sessão administrativa do TSE, no início da noite, confirmando aos colegas de tribunal o encaminhamento do ofício de requerimento das tropas ao presidente Lula.

Também presente ao TSE, Roberto Wider não quis detalhar quais regiões constavam no relatório final. O desembargador alegou que não desejava fornecer aos criminosos aviso para que eles não pudessem se "prevenir", mas adiantou que, além de algumas favelas da capital fluminense, constam no relatório áreas das cidades de Caxias, Nilópolis e Nova Iguaçu. ­

- São áreas mais do que conhecidas ­ comentou Wider. ­ É um tratamento cuidadoso no sentido de garantir a regularidade dos trabalhos eleitorais, tranqüilizando o eleitor e candidatos.

Apesar de não saber precisar quando exatamente as tropas poderão estar no Rio de Janeiro, Ayres Britto afirmou que o estabelecimento de contatos com autoridades do Rio de Janeiro e do Ministério da Defesa antes mesmo do requerimento formal das tropas diminuiu o tempo necessário para a fase de preparação necessária agora. ­

- Nos contatos que mantivemos com o governador Cabral, ele pediu o envio da força o quanto antes, com a maior rapidez possível ­ lembrou o presidente do TSE, observando que somente nos últimos dias Cabral o procurou quatro vezes. ­ Claro que isso influencia nosso subjetivismo e certamente os planos que estão sendo traçados pelo Ministro Jobim. Não deve demorar porque nós já estávamos conversando com o ministro há pelo menos 12 dias, falando da possibilidade do envio das tropas. Mas o processo afunilou e todos os atos preparatórios foram consumados.

Segundo Ayres Britto, a coordenação operacional fica sob o comando das Forças Armadas. Já o comando jurídico da operação será responsabilidade do juiz do TRE-RJ, Luiz Márcio Pereira. Ainda não há previsão de quanto a operação como um todo custará aos cofres públicos, mas Britto lembrou que todas as despesas devem, a princípio, ser bancadas pelo TSE. O presidente do TRE-RJ, Roberto Wider, confirmou que, se necessário, as tropas permanecerão no Rio de Janeiro também no segundo turno das eleições municipais.

Setembro vai ser mês do petróleo


Vai se aproximando o “setembro do petróleo” e a temporada é de marcar posição ante a iminente decisão sobre o futuro das jazidas do pré-sal, especialmente pela garantia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que nada foi definido até agora. Governadores reclamam da repartição dos royalties, operadores do mercado financeiro calculam que vai faltar dinheiro se o Estado quiser investir sozinho, e acionistas da Petrobras temem a desvalorização de seus papéis, enquanto a estatal e o Ministério de Minas e Energia parecem tentar minar as propostas um do outro.

Setembro começa com o primeiro barril de petróleo de uma área ultraprofunda, no caso o campo de Jubarte, na Bahia. No dia 7, Lula fará um pronunciamento à Nação tendo o petróleo e independência como temas. E antes do fim do mês, no dia 19, fica pronta a proposta da comissão interministerial que estuda um novo modelo de exploração do óleo no país. É calendário para fazer do ouro negro a nova mania nacional.

“Acho que petróleo virou tema igual à Seleção Brasileira, todo mundo tem palpite”, resumiu o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que considera um debate “esquizofrênico” as mudanças na legislação. Como que para comprovar sua máxima, ele e os colegas do Espírito Santo, Paulo Hartung, e de Sergipe, Marcelo Déda, dividiram o seu.

“Enquanto a riqueza ficar lá embaixo, ninguém usufrui dela. Enquanto ficar essa esquizofrenia, o Brasil não ganha. Existem instrumentos importantes, como a Participação Especial, que por meio de decreto o governo brasileiro poderá aumentar sua arrecadação”, disse Cabral. O recado dos três governadores de estados produtores de petróleo, portanto, é que a lei deve ficar onde está.

Ainda que por motivos diferentes, a defesa do modelo atual, de concessões, predominou num seminário que reuniu, também no Rio de Janeiro, analistas do mercado de capitais. O presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, Gilberto Mifano, afirmou que já foi procurado por acionistas da empresa, preocupados com os rumores da criação da estatal e os efeitos sobre as ações. “Não estou preocupado com investidores estrangeiros. Estou preocupado com 400 mil brasileiros que escolheram ter ações da Petrobras”, explicou.

Por outro viés, há quem desconfie da capacidade do país aportar os recursos necessários para transformar o óleo acumulado a seis mil metros de profundidade em riqueza. “Explorar o pré-sal demanda investimentos elevados, o que o governo não tem”, afirmou o presidente da associação dos analistas, a Apimec, Álvaro Bandeira, para quem as reservas do pré-sal só foram descobertas porque o governo quebrou o monopólio da exploração no setor e, com isso, permitiu a Petrobras realizar convênios com 37 companhias estrangeiras.

“Os investimentos são estimados em US$ 600 bilhões. Vamos precisar de outras empresas nesse processo”, avaliou o senador Delcídio Amaral (PT-MS). Esse tema, por sinal, está no cerne da mais recente divergência entre a Petrobras e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Nos planos da estatal está um aumento de capital de US$ 100 bilhões, o que exigiria um aporte de US$ 40 bilhões pela União, valor considerado alto pelo ministro.

“Isso não dá em nada. Se você aumenta o capital em US$ 100 bilhões e a União Federal, chamada a se manifestar, comparece com 40%, os outros também vão subscrever. Ou seja, a União continuaria com os mesmos 40%, tendo de desembolsar dinheiro para isso”, disse Lobão, referindo-se ao interesse dos acionistas minoritários no negócio.

A Petrobras, por meio seu gerente de Relações com Investidores, Elder Leite, rebateu que a empresa “sempre andou com as próprias pernas”, mas preferiu ser cauteloso a arriscar que isso também valeria para o pré-sal pois os números ainda seriam imprecisos. “É difícil dizer porque não temos ainda uma estimativa do volume de recursos que serão necessários.”

Boa parte do debate está em como utilizar o dinheiro gerado por essa riqueza. Aos partidos aliados, Lula teria sustentado mudanças na lei para que os novos recursos sejam convertidos na área social, mas também quer uma nova divisão dos royalties.


Petrobras puxa alta da Bovespa

A alta do preço do petróleo e dos metais garantiu à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) o terceiro pregão consecutivo de ganhos, engordados pela recuperação das bolsas americanas. Petrobras guiou as ordens de compras, amparada pela disparada do petróleo. As commodities metálicas acompanharam e Vale e siderúrgicas registraram variações robustas.

O Ibovespa terminou com variação de + 1,01%, aos 55.934,7. No mês, as perdas foram diminuídas a 6% e, no ano, a 12,45%. Apenas nestas três sessões, os ganhos somaram 4,89%. O volume financeiro totalizou R$ 4,635 bilhões. A alta da Bolsa doméstica foi impulsionada pela arrancada do petróleo, motivada por tensões geopolíticas e também pelo enfraquecimento do dólar.

A moeda norte americana voltou a cair no mercado e terminou com a terceira queda seguida em relação ao real, pressionado por novos indicadores ruins dos Estados Unidos e a migração dos investidores para o petróleo e outras commodities. Com a tensão entre os EUA e a Rússia e a persistente preocupação com a saúde do setor financeiro norte-americano, os agentes internacionais reduziram posições em dólar, direcionando os negócios domésticos. Por isso, segundo um operador, o aumento do déficit em conta corrente do balanço de pagamentos do Brasil para US$ 2,111 bilhões em julho foi recebido sem pressão sobre as taxas de câmbio.

Em sessão de negócios reduzidos, o dólar terminou cotado a R$ 1,6100, com queda de 0,53% na BM&F e a R$ 1,61, com declínio de 0,56% no balcão.

Collor se licencia para ajudar filho candidato


Oito meses depois de retornar de uma licença, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) vai se ausentar do Senado novamente a partir de setembro. Desta vez, para se dedicar à campanha eleitoral do filho Fernando James (PTB), que disputa a prefeitura do município de Rio Largo, distante 27km de Maceió, onde o parlamentar reside. Como presidente do partido em Alagoas, Collor vai tentar alavancar a campanha do descendente que anda em baixa.

A nova licença do senador vai abrir vaga para sua segunda suplente, Ada Mello (PTB), visto que Euclides Mello (PTB), que ocupa a primeira suplência, é candidato à prefeitura do município alagoano de Marechal Deodoro. Ada deverá ficar no cargo por 90 dias.

Ada Mello é prima e braço direito do ex-presidente. Fiel escudeira, cuida das questões pessoais de Fernando Collor em Alagoas, como agenda e o pagamento de contas. Ligada a entidades religiosas e conhecida como a amiga dos padres, a nova senadora faz papel também de cabo eleitoral de Fernando Collor, cuidando das relações dele com a Igreja Católica no Estado. Discreta e de poucas palavras, a nova senadora não tem história política e nunca foi candidata.

A dedicação à família do senador rendeu a Ada Mello um processo. Em 1992, ela foi indiciada com a ex-primeira-dama Rosane Collor no desvio de recursos da extinta Legião Brasileira de Assistência (LBA). Na época do escândalo, Rosane presidia a instituição e Ada era uma das principais funcionárias. A Justiça Federal condenou as duas por superfaturamento numa licitação para compra de leite em pó.

Discreta atuação
Desde que assumiu o cargo de senador, em janeiro de 2007, Fernando Collor teve uma atuação discreta e quase imperceptível. Num gabinete distante do plenário e do movimento da Casa, o ex-presidente evitou pronunciamentos, entrevistas e pouco conversou com os colegas senadores. O único tema ao qual realmente se dedicou foi à proposta de emenda constitucional de sua autoria que institui o parlamentarismo. Apesar de ter levantado a bandeira do assunto, suas constantes ausências prejudicam a aceitação do tema, que não empolga os senadores.

A primeira licença de Collor foi pedida em 20 de agosto do ano passado. Para justificar a ausência na época, o senador disse que a agenda do Senado em 2007 não iria avaliar questões do seu interesse, como a reforma política e projetos referentes ao meio ambiente. Desta vez, as explicações serão mais políticas. Sob alegação de “tratar de problemas pessoais”, o ex-presidente da República vai fazer campanha e tentar fortalecer o seu partido em Alagoas. Tudo de olho em 2010.

Filha de banqueiro é candidata do PSOL


A economista Mariana Almeida, 26, candidata a vereadora em SP pelo PSOL da ex-senadora Heloísa Helena, é filha de um banqueiro, "espécime" tão combatida pelo partido. O pai dela, Natalisio Almeida, é diretor do Itaú para a América Latina. "Sou simpático ao PSOL. Gosto de princípios e eles têm.
A instituição onde trabalho também tem, apesar de ser banco!", diz ele. Mariana falou à coluna:

- Seu pai é diretor do banco Itaú e seu partido é contra os bancos. Teve briga em casa?

MARIANA - Foi muito mais difícil para ele entender quando eu fui para a Venezuela trabalhar no governo do Hugo Chávez, como assessora do vice-ministro da Economia Agrícola. Mas meu pai nunca se meteu muito em política. Só depois da minha candidatura é que ele entendeu os problemas que o PSOL tem com banqueiros. Mas sempre almoçamos em paz em casa.


- Questiona seu pai por ele trabalhar em um banco?

MARIANA - O que a gente não consente é que existam práticas corruptas nas corporações e nos bancos. Mas trabalhar em um banco é legítimo. Quem está lá dentro está cumprindo um papel social, não tem que ser responsabilizado. O que não significa que eu queira isso para mim. Não dá para eu propor mudança social trabalhando em banco.


- Mas seu pai é banqueiro.

MARIANA - Desde nova, sempre tentei separar meu padrão de vida e o dos meus pais. Foi por isso que saí de casa aos 19 anos e meio, para me desvincular de tudo isso. Abri mão de ter alguém que limpe as minhas coisas, de ter comida pronta. Agora tenho que fazer mercado, essas coisas. Em casa nunca faltava papel higiênico. Morando sozinha, às vezes falta. Da coluna de Mônica Bergamo

Alckmin desaponta tucanos


A estréia do horário eleitoral gratuito da TV ontem dividiu a opinião dos comandos de campanha dos principais candidatos à Prefeitura de São Paulo. Enquanto no PT de Marta Suplicy houve surpresa com a qualidade do programa do prefeito Gilberto Kassab (DEM), no PSDB de Geraldo Alckmin a avaliação era que a apresentação tucana deixou a desejar, apesar do aguardado apoio formal do governador José Serra.

Satisfeitos com a estréia, assinada por João Santana, integrantes da campanha da petista consideraram acertada a decisão de incluir logo no primeiro programa uma mensagem de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, aliados de Marta avaliaram que a ex-ministra conseguiu passar a mensagem de que dará continuidade a projetos criados em sua gestão na cidade.

Mas a surpresa no quartel-general do PT em São Paulo ficou mesmo por conta do programa inaugural de Kassab. Apesar de já esperarem ataques do prefeito na televisão, petistas avaliaram que a propaganda do DEM apresentou a qualidade técnica necessária para que o prefeito se fortaleça na disputa nas próximas semanas.

Já o programa do tucano Geraldo Alckmin foi considerado fraco por aliados da petista. Diagnóstico semelhante foi feito por integrantes do DEM e até por tucanos. Um dos conselheiros de Alckmin, o deputado José Anibal (SP), minimizou: “O primeiro programa é assim mesmo. É para criar referência, passar mensagem. O importante é daqui pra frente”.

A avaliação mais comum dos caciques tucanos foi a de que Alckmin teve uma estréia “fria”, “sem tocar as pessoas”. A preocupação é de que, sem fazer um programa atraente, especialmente o dos candidatos a vereadores, o PSDB desperdice um espaço que julga ser precioso para eleger Alckmin.

No DEM, o dia foi de sorrisos. Tanto o marqueteiro Luiz Gonzalez quanto coordenadores da campanha de Kassab avaliaram que o programa saiu “na medida”. Eles também consideraram “bom” o programa da adversária do PT, avaliando que Marta fez uma estréia “digna de quem está em 1º lugar nas pesquisas”. Em relação à estréia de Alckmin, a avaliação do DEM é que faltou identidade.

Banqueiro é novamente acusado


O diretor-geral da Agência Bra- sileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, deixou sua habitual serenidade para atacar o banqueiro Daniel Dantas e a multinacional de investigação Kroll que, segundo ele, se envolveram em espionagem ilegal para constranger autoridades brasileiras. Num depoimento de mais de cinco horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara que investiga as escutas telefônicas clandestinas, também conhecida como CPI do Grampo, Lacerda negou que a Abin tenha praticado ato ilegal ao apoiar o delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha e reclamou da mudança de foco nas investigações. ­

- Estamos aqui discutindo os investigadores e não os investigados ­ disse. ­ Quero dar os parabéns aos advogados do senhor Daniel Dantas. Essa é uma tese dos brilhantes advogados que ele tem. Eles querem mudar o foco e estão de parabéns ­ desabafou Lacerda ao ironizar que o foco das investigações trocou de mérito.

Ao responder a acusação de Dantas, na mesma CPI ­ de que as investigações contra o Grupo Opportunity seriam uma retaliação ­ o diretor da Abin disse que foi ele mesmo quem requisitou a abertura de inquérito. Lembrou que o dossiê concluído pela Kroll a pedido de Dantas e publicado pela revista Veja citava seu nome entre as autoridades às quais se atribuía a titularidade de contas não declaradas no exterior.

Indiciamento
O inquérito resultou na Operação Chacal e terminou com o indiciamento de Dantas e um dos diretores da Kroll, Frank Holder, pelos crimes de calúnia, injúria e difamação. Eles já foram denunciados à Justiça. As informações repassadas à revista envolviam também o presidente Lula, e os ex-ministros Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, e Luiz Gushiken, das Comunicações e, segundo concluiu a polícia, eram falsas.

Lacerda usou parte do tempo à CPI para acusar a Veja de publicar matérias "levianas" e sem fundamento, levantando a suspeita de que ele tenha "comandado" a Operação Satiagraha e envolvido a Abin em espionagem clandestina. ­

- Fiquei perplexo com o nível de irresponsabilidade da Veja ­ disse o delegado, que desafiou a revista a apresentar na mesma CPI qualquer documento que ampare as suspeitas.

O delegado rechaçou, também, as suspeitas de que agentes da Abin tenham monitorado o gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ou monitorado funcionários da mesma corte. Explicou que se isso tivesse ocorrido, seria um procedimento ilegal, já que a agência não tem autorização para realizar escutas telefônicas.

Lacerda admitiu, no entanto, que ficou feliz quando Protógenes procurou a ajuda de oficiais da Abin, que pediram autorização a seus superiores e, segundo garante, apoiaram levantando dados do banco de dados da agência, pesquisando cadastros abertos (internet) e confirmando endereços de alvos da Operação Satiagraha. Segundo o delegado, foram cumpridas todas as exigências administrativas que regulam a atuação da Abin. ­

- Não houve ilegalidade ­ argumentou. ­ A Abin não participou de escuta telefônica e nem poderia. Só pode realizar se o Congresso rever a lei e autorizar.

O delegado reclamou do preconceito contra os agentes de inteligência que trabalham na Abin, que são freqüentemente chamados de arapongas quando, segundo ressaltou, são capacitados e exercem uma função de Estado. ­

- Isto até me faz lembrar cena, muitas vezes citada, de um clássico do cinema, o filme Casablanca que, em dado momento, diante da urgência das autoridades em apontar logo culpados, surge a ordem superior: prendam os culpados de sempre ­ provocou. ­ Na opinião de alguns, os suspeitos de sempre estão na Abin.

O depoimento de Lacerda coincidiu, ontem, com a publicação, no Diário Oficial da União, de decreto do presidente Lula criando na Abin um gabinete de gerenciamento de crise onde todos os órgãos públicos estarão integrados. Segundo Lacerda, a iniciativa quebra as suspeitas levantadas em torno da colaboração da Abin que, segundo ele, é comum no serviço público e em outras operações da PF. ­

- O principal obstáculo da Abin é vencer o preconceito histórico que ainda existe. É um estigma de seu antecessor ­ disse Lacerda ao se referir ao extinto Serviço Nacional de Informações (SNI) do regime militar, que ficou marcado pela atividade ilegal de espionagem política.

Lula vai sancionar licença-maternidade de seis meses


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que vai sancionar o projeto que amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses. Aprovada pelo Congresso, a mudança corria o risco de ser vetada devido ao impacto fiscal, calculado em R$ 800 milhões anuais.

Projeto aprovado no Congresso amplia prazo de 4 para 6 meses e terá impacto de R$ 800 milhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em São Gonçalo do Amarante, a 60 km de Fortaleza, CE, que vai sancionar o projeto, aprovado pelo Congresso, de ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses. ­

- A lei está lá e eu vou sancionar ­ disse o presidente. Segundo Lula, é mais barato "investir para cuidar das mulheres no pós-parto" do que gastar no tratamento das crianças que adoecem em conseqüência da ausência de cuidados pelas mães.

O presidente reclamou dos rumores de que poderia vetar a lei devido a pressões do setor produtivo e do impacto fiscal, calculado em R$ 800 milhões por ano. ­

- Não sei quem foi que disse que eu iria vetar. Estou achando muito engraçado a capacidade de adivinhação de coisas que eu não digo ­ disse.

A recomendação do veto foi do ministro Guido Mantega (Fazenda), preocupado com o custo. Lula, porém, entendia que o veto provocaria efeitos negativos na sua popularidade.

Em reunião com líderes partidários do Conselho Político do governo, ontem, ele se mostrou insatisfeito com o fato de o Congresso não ter barrado o projeto, transferindo o ônus da decisão para o Planalto.

Ontem, no porto de Pecém, onde visitou as obras do terminal de regaseificação, o presidente afirmou que a ampliação da licença-maternidade "não vai afetar a economia".

Segundo ele, a maioria das empresas deduzirá os custos no Imposto de Renda. ­

- Depois, você vai repartir isso com os municípios e com os Estados, porque o Imposto de Renda é repartido entre eles ­ declarou. Lula disse ainda que a lei "tem procedência" e que o setor público pode cumpri-la.

Atualmente, a licença-maternidade é de 120 dias. As empresas pagam o benefício e deduzem o valor das contribuições pagas ao INSS.

O projeto aprovado prevê mais 60 dias para as funcionárias de empresas que aderirem ao programa Empresa Cidadã. O salário dos dois meses adicionais poderá ser descontado do IR devido pelas empresas.

A medida vale para os setores público e privado. No setor privado, só será aplicada a partir de 2010 porque não há tempo de incluir, no Orçamento de 2009, recursos para a renúncia fiscal.

Segundo Mantega, "é normal que a Fazenda seja mais conservadora e mais prudente". ­

- Mas a última palavra é do presidente e ele, que tem mais sensibilidade política do que nós, sabe o que é bom para a população e acha que vale a pena termos esse gasto", disse ele no programa de rádio do governo, Bom dia, ministro.

STF proíbe a contratação de parentes nos três poderes


O Supremo Tribunal Federal decidiu que o nepotismo está proibido no Executivo, Legislativo e Judiciário. A contratação de parentes continua permitida para ministros e secretários estaduais e municipais.

Medida, que a princípio valeria apenas para o Judiciário, acabou ampliada

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprova, ainda hoje, a redação definitiva de uma nova súmula vinculante (a de número 13), que proíbe a prática do nepotismo na administração pública, em qualquer um dos três poderes da União, e não apenas no Judiciário. O tema é correlato às reportagens do Jornal do Brasil sobre prática de tráfico de influência no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

A decisão unânime foi tomada, na longa sessão de ontem, depois de o plenário ter acolhido, no mérito, ação declaratória de constitucionalidade proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), com o objetivo de obrigar alguns tribunais recalcitrantes a cumprir resolução de 2005 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que vedou a nomeação de parentes de magistrados até o terceiro grau, cônjuges, companheiros e familiares por afinidade para cargos de confiança e de comissão em todos os tribunais federais ou estaduais.

Logo em seguida, foi chamado a julgamento um recurso extraordinário do Ministério Público contra decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que entendeu não ser aplicável aos Executivo e Legislativo do pequeno município de Água Nova a mesma Resolução nº 7/05 do CNJ, no caso da nomeação de dois parentes do vice-prefeito e de um vereador para cargos comissionados. Para o TJ-RN, "somente uma lei específica poderia estabelecer restrições à investidura de parentes nos cargos de confiança do município".

Caso piloto
Mas o STF selecionou esse re- curso como "caso piloto" a fim de aplicar ­ com relação apenas ao motorista nomeado pelo vice-prefeito, do qual é irmão ­ o entendimento majoritário estabelecido no julgamento da ação declaratória da AMB. Ou seja, que o Supremo tem competência para aplicar a "Lei Maior" ­ na ausência de lei específica ­ para considerar a proibição do nepotismo implícita no artigo 37 da Constituição.

Segundo esse dispositivo constitucional, "a administração pública direta e indireta de quaisquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência".

Todos os ministros (ausentes Ellen Gracie e Joaquim Barbosa) concordaram com a maioria já formada quando do julgamento, em fevereiro de 2006, da liminar na ação da AMB, a partir do voto do relator, Ayres Britto, que a prática do nepotismo é contrária, sobretudo, aos princípios da "impessoalidade e da moralidade administrativas", que são "auto-aplicáveis" por exigência constitucional.

A tese já tinha sido esboçada na sustentação oral feita pelo advogado da AMB, Luiz Roberto Barroso, na confirmação, pelo novo plenário, da medida liminar que declarou constitucional a resolução do CNJ, em fevereiro de 2006 (Cármen Lúcia e Menezes Direito não eram ainda ministros). Barroso sustentou que não havia necessidade de "lei formal" para que a prática do nepotismo fosse proibida, em face do artigo 37 da Carta, nem que se pudesse falar em direito adquirido por detentor momentâneo de cargo de confiança ou em comissão.

Normas vazias
No julgamento do recurso ex-traordinário que vai gerar ­ juntamente com jurisprudência citada pelos ministros em seus votos ­ a nova súmula vinculante, o ministro-relator Ricardo Lewandowski destacou também que "a Carta Magna não é formada por um conjunto de normas vazias", e acrescentou: "A interpretação da Constituição deve amoldar-se à realidade em que está imersa, e há inegável repúdio social ao nepotismo e ao clientelismo, que são repudiados pela Lei Maior".

A proposta inicial da súmula apresentada pelo ministro Ricardo Lewandowski ­ cujo texto deve sofrer algumas modificações ­ era a seguinte: "A proibição do nepotismo na administração pública direta, indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, independe de lei, decorrendo diretamente dos princípios contidos no artigo 37, `caput", da Constituição Federal".

Na área do Executivo, a nomeação de parentes para cargos eminentemente políticos, como ministros de Estado, secretários estaduais ou municipais não é considerada prática de nepotismo, conforme deu a entender ontem a maioria do plenário.

Venda de motos cresce 31,21%


O setor de motocicletas (foto) deve fechar o ano com crescimento de 20% no Distrito Federal. De janeiro a julho, as vendas subiram 31,21% em comparação com o mesmo período de 2007. Ao todo, foram vendidas 12.679 unidades em 2008, contra 9.663 no ano anterior, segundo o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Autorizados (Sincodiv/DF). No mês passado, as lojas do ramo venderam 2.361 motos, 6,16% a mais que em junho e 64,99% acima de julho de 2007. A tendência de crescimento é vista em todo o país. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a indústria comercializou 708.510 unidades entre janeiro e julho, uma alta de 23% frente a igual período do ano anterior. A estimativa da entidade para este ano é de aumento de 15% nas vendas. Nem o aumento da taxa de juros deve conter as vendas de motocicletas. Esse mercado ainda oferece as menores taxas de financiamento, e tem grandes chances de continuar em alta

Chinaglia cobra o governo


Aumento para 300 mil servidores continuam travados por ausência de acordo entre Executivo e Legislativo. Falta de definição alimenta a impaciência dos servidores federais, que prometem mais protestos hoje


O suspense criado em torno dos aumentos prometidos a cerca de 300 mil servidores do Executivo federal ganhou ontem mais um capítulo. Incomodado com as acusações de que estaria atrasando os reajustes — e refém da indefinição do governo —, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, cobrou maior agilidade na oficialização dos acordos fechados entre o Ministério do Planejamento e as 54 categorias beneficiadas. Chinaglia reclamou do excesso de medidas provisórias editadas pelo Palácio do Planalto nos últimos tempos, mas disse não ter preferências quanto ao formato das propostas.

Chinaglia explicou que, independentemente de serem enviadas na forma de MP ou projeto de lei, os textos terão de chegar à Câmara sem falhas para evitar desgastes ou disputas políticas desnecessárias. “Eu recebi dezenas de lideranças. O que constatei, pelas palavras dos servidores, é que aquilo que foi acordado no Ministério do Planejamento ainda não se transformou de fato em uma proposta do governo. E que portanto haveria, supostamente, divergências no próprio governo. Não sei dizer qual é o nível de acordo feito entre servidores e governo”, completou.

O presidente da Câmara reconheceu que houve avanços por parte do Executivo, mas que é preciso mais empenho. “Algumas MPs acabam atrapalhando o próprio Executivo, correndo o risco de serem rejeitadas”, reforçou. A MP 437, a medida provisória que cria o Ministério da Pesca, por exemplo, ainda não foi revogada pelo Planalto. “Se for MP (o reajuste), tem de ter janelas para a votação de matérias importantes. Cabe ao governo analisar”, reforçou Chinaglia.

Impacientes, os sindicatos foram às ruas ontem. Entidades que representam as categorias criticaram a demora do governo em liberar as novas tabelas salariais. Aguardados há mais de dois meses, os ganhos nos contracheques já foram adiados por, pelo menos, quatro vezes. Com faixas e carros de som, cerca de 400 servidores caminharam pela Esplanada dos Ministérios. Hoje, as carreiras típicas de Estado prometem se mobilizar. Estão previstas paralisações de advertência e redução na jornada de trabalho.


LIMITE AINDA ESTÁ NA PAUTA
O ministro da Fazenda Guido Mantega negou ontem que o governo tenha abandonado a idéia de aprovar no Congresso Nacional o projeto que limita o crescimento da folha de pessoal da União. Depois de encontrar-se com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, Mantega pediu rapidez na votação. O texto que impõe uma trava aos gastos gerais com salários — a folha só pode crescer 1,5% real ao ano — está parado. Na avaliação do ministro da Fazenda, a proposta evita que os gastos com pessoal subam além do Produto Interno Bruto (PIB). “Mas isso não significa o fim dos aumentos, o fim de reajustes. O que vai acontecer é que esse gasto vai crescer em uma velocidade menor que o PIB. Isso é salutar para as contas públicas brasileiras e isso não vai inibir que o funcionário público tenha seu direito de melhoria de vida, de aumento de salário garantido”, disse Mantega. (ES)

Vagas para Codevasf em Brasília
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) fará concurso para contratar 222 profissionais, além de cadastro reserva, para cargos de nível fundamental, médio e superior. Os salários são de R$ 644,48 para nível fundamental, R$ 1.046,22 (médio) e R$ 2.215,34 (superior), acrescidos de benefícios.

As inscrições podem ser feitas de 1º de setembro a 30 de setembro no site www.consulplan. net ou de 8 a 30 de setembro em agências credenciadas dos Correios. As taxas são de R$ 10 (nível fundamental), R$ 15 (nível médio) e R$ 30 (nível superior). As vagas ou cadastro reserva são para a sede da companhia em Brasília e para as superintendências regionais localizadas em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Piauí, Ceará e Maranhão.

Além dos salários, será concedido auxílio-refeição/alimentação no valor de R$ 334,40; auxílio-creche/pré-escolar para dependentes com idade entre 4 meses e 7 anos incompletos correspondente a R$ 182,96; custeio de 50% do prêmio de seguro de vida em grupo; plano de saúde e previdência complementar. As provas objetivas e discursivas serão aplicadas em 23 de novembro em várias cidades localizadas nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste, listadas no edital.

Inscrições
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome abriu ontem as inscrições para 110 vagas temporárias de técnicos de nível superior. Os postos são divididas em quatro níveis: atividade técnica de suporte (III), com a remuneração de R$ 3,8 mil; atividade técnica de complexidade intelectual (IV), com salário de R$ 6.130; e para análise técnica de complexidade gerencial (V) e de atividade técnica de complexidade gerencial — tecnologia da informação (V – TI), R$ 8,3 mil.

Os interessados em participar do processo seletivo devem efetuar a inscrição pela internet (www.cespe.unb.br/concursos/mds2008), até 9 de setembro. A taxa de inscrição varia de R$ 70 a R$ 90 para os níveis V e V – TI. (Da Redação)

Cai dívida em julho
O estoque da dívida interna em títulos caiu para R$ 1,204 trilhão em julho, segundo o Tesouro Nacional. O valor é 3,44% menor que o de junho, quando atingiu R$ 1,247 trilhão. Entre um mês e outro o valor caiu em termos nominais R$ 42,885 bilhões. Apesar da queda, o perfil da dívida piorou com a escalada dos juros básicos para conter a inflação. Isso levou a um crescimento da participação de papéis atrelados à Selic, os preferidos pelos investidores em tempo de turbulências. Em julho, o Tesouro vendeu R$ 12,3 bilhões em títulos atrelados à Selic. Segundo o Tesouro, a redução do estoque ocorreu em virtude do resgate líquido de R$ 57,5 bilhões em julho. Conforme o Tesouro, essa redução foi compensada em parte pela apropriação de juros, que somou R$ 14,6 bilhões no mês passado. O estoque da dívida pública federal total — dívida interna e externa — teve redução de 3,39% em julho na comparação com junho, para R$ 1,297 trilhão. Especificamente sobre a dívida pública federal externa, houve redução do estoque de 2,70%, para R$ 93,5 bilhões, o equivalente a US$ 59,7 bilhões. Segundo o Tesouro, a realização de superávits primários robustos tem permitido o resgate títulos em volume maior.

Tião Viana quer recesso em época de campanha


Enquanto o Senado está vazio por conta da disputa eleitoral de outubro, o senador Tião Viana (PT-AC) faz planos para o futuro e começa a bolar estratégias de afagos aos seus pares, de modo a fortalecer seu nome rumo à Presidência do Senado. O primeiro passo foi dado. Ontem, chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado uma questão regimental levantada pelo acreano que pode resultar na oficialização da folga parlamentar durante o período pré-eleitoral.

Isso porque, no questionamento, Viana alega que o artigo 174 do Regimento Interno do Senado estabelece que as fases de sessão correspondentes ao período de expediente ou à Ordem do Dia podem ser canceladas durante os 60 dias que precederem as “eleições gerais”. Na prática, o artigo permite que as faltas dos parlamentares ao trabalho não sejam descontadas, devido à ausência de matérias para deliberação na pauta.

O problema que os senadores encontraram no artigo está na restrição imposta pelo termo “eleições gerais”. Até hoje, permaneceu o entendimento de que um pleito eleitoral somente poderia ser considerado geral quando objetivasse a eleição para todos os cargos eletivos do país. Tião Viana quer saber exatamente se esse entendimento deve ser mantido, visto que desde 1986 não há um pleito unificado.

A depender da interpretação que os integrantes da CCJ dêem ao termo, um recesso branco de 60 dias antes de cada disputa eleitoral pode ser instalado no Senado de forma oficial e regimental. “Como o próprio Regimento deixa algumas dúvidas de interpretação sobre esse assunto, eu estaria plenamente satisfeito se a matéria fosse remetida à Comissão de Constituição e Justiça para a devida interpretação”, justificou o senador petista.

Crítica
A reação veio rápida: “Acho que foi inteligente, mas altamente eleitoreiro. Uma nova interpretação sobre esse assunto pode ficar mal para a sociedade, mas pegaria bem entre os que podem torná-lo presidente. Mas não quero criticar a conduta de um possível candidato do meu partido”, ensaiou uma crítica um dos integrantes do PT.

Mas a boa repercussão eleitoral do questionamento feito por Tião Viana pode ser medido pelas discussões informais travadas na manhã de ontem no Senado, quando integrantes da CCJ começaram a defender suas teses e elogiaram a iniciativa do petista. “Essa questão colocada em discussão é importante para que haja uma posição clara sobre a paralisação das votações em período pré-eleitoral. Pessoalmente sou a favor de uma nova interpretação ao artigo regimental e apoio a iniciativa do senador Tião”, comentou o senador Antonio Carlos Magalhães Junior (DEM-BA).

Posição semelhante tem outro integrante da CCJ, senador Pedro Simon (PMDB-RS). Para ele, a análise do significado eleições gerais deve ser feita com base na abrangência geográfica do pleito e não nos cargos disputados. “Se toda população do Brasil vai às urnas, exceto em Brasília que é uma situação excepcional, não vejo como não chamar isso de eleição geral”, disse.

Uma voz distoante é a do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para ele, o conceito de eleição geral deve se limitar aos pleitos que envolvam disputas para os cargos de presidente da República, deputados, senadores e governadores. “Vou votar dessa forma, mesmo que eu seja vencido”, anuncia. A CCJ não tem data para decidir sobre o assunto.



Apadrinhados desconhecidos


A caminhada de um prefeito que não concorre nesta eleição fica difícil quando a campanha do candidato aliado sofre com a demora para ganhar musculatura por conta do desconhecimento do eleitorado. Esse é o cenário na maior parte das seis cidades que não têm disputa por reeleição: Rio de Janeiro, Macapá, São Luís, Belo Horizonte, Natal e Recife.

O melhor exemplo de campanha em dificuldade é a da deputada Solange Amaral (DEM), candidata do prefeito Cesar Maia (DEM), no Rio de Janeiro. Além de ser relativamente desconhecida para a maior parte do eleitorado carioca, ela ainda não transformou em votos o apoio de Maia.

O prefeito argumenta que o baixo desempenho de sua aliada deve-se à campanha ainda embrionária. Ele aposta que a propaganda eleitoral, iniciada ontem, dará gás a sua sucessora. “É claro que estou dentro dela (da campanha) e a TV vai mostrar isso amplamente”, disse Maia.

Em São Luís, a campanha de Clodomiro Paz (PDT), que disputa a sucessão do correligionário Tadeu Palácio, atribui os 11% exibidos na última pesquisa Ibope — e os 47% do adversário João Castelo (PSDB) — à rejeição do eleitor ao governo estadual de Jackson Lago (PDT). “Em relação à administração Tadeu Palácio não há rejeição, a saturação do PDT vem do governo estadual que não investiu em São Luís. É por isso que o João Castelo tem crescido. Os eleitores de São Luís estão chateados com o governador não com o prefeito”, opina o presidente do diretório municipal pedetista, Júlio França.

O candidato à Prefeitura de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB) não enfrenta as mesmas dificuldades do candidato maranhense. Seus principais apoiadores, o atual perfeito Fernando Pimentel (PT) e o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), têm alta popularidade.

O problema de Lacerda é não ser conhecido entre os eleitores. E o candidato aposta na televisão para reverter o cenário até agora adverso que o coloca com 9% no último levantamento do Ibope, atrás dos deputados Jô Moraes (PCdoB) e Leonardo Quintão (PMDB).

Tevê
O prefeito do Rio, Cesar Maia, argumenta que para candidatos desconhecidos e em cidades onde não haverá nomes à reeleição a disputa começa com a tevê. É quando o eleitor tem oportunidade de conhecer a cara e as propostas dos concorrentes.

É nisso que a deputada Fátima Bezerra (PT) aposta as fichas. Apesar do apoio do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PSB), ela está 37 pontos percentuais atrás de Micarla Sousa (PV). Na capital, não se aplica o argumento de saturação dos candidatos. Tanto Fátima quanto Micarla são apoiadas por famílias tradicionais: os Alves e os Maia, respectivamente.

A situação é mais confortável em Recife, onde o petista João da Costa dá sinais de ter absorvido parte da popularidade de João Paulo Lima e Silva (PT). Na última pesquisa Ibope, ele saltou 10 pontos percentuais, atingindo 30% na preferência do eleitorado. Ele divide a liderança num empate técnico com Mendonça Filho (DEM).


REGISTRO
O Correio se baseou em pesquisas do Ibope para produzir a reportagem: Belo Horizonte (realizada entre 11 e 13 de agosto, registrada no TRE-MG com o número 53863/2008); Recife (entre 11 e 13 de agosto, no TRE-PE com o número 034/2008); e Rio de Janeiro (entre 12 e 14 de agosto, no TRE-RJ com o número 20/2008). As três tiveram margem de erro de três pontos percentuais. Foram consideradas ainda as pesquisas de Natal (entre 24 e 27 julho, no TRE-RN com o número 1035/2008); Macapá (entre 8 e 10 de agosto, no TRE-AP com o número 5.907/2008); e São Luís (entre 13 e 15 de agosto, sob o número 7979/2008 na 2ª Zona Eleitoral de São Luís). Essas três tiveram margem de erro de quatro pontos.

O povo não perdoa


O senador Adelmir Santana (DEM-DF) aproveitou os dez dias que ficou no estaleiro para refletir sobre a atividade política. “É muito triste a descrença do povo em nós revelada nas pesquisas. Fiquei mesmo angustiado, pois acredito que tudo que fazemos é política. Não faço parte do grupo que contribui para esse descontentamento”, desabafou. Se todas as excelências fizessem a sua parte, talvez as pesquisas fossem diferentes.

Premiado


O prefeito de Petrolina (PE), Odacy Amorim,(PSB) recebe hoje o prêmio de excelência em saneamento do Instituto Biosfera. Isso porque a cidade será a primeira do Vale do Rio São Francisco a tratar 100% do esgoto. A primeira etapa do projeto fica pronta em setembro e o restante no ano que vem. Em tempo: o prefeito não concorre à reeleição.

Trabalhando para o povo


Que eleição que nada. O governo federal aproveita a disputa nas capitais para tratar dos sete grandes negócios na área de transporte, energia e telecomunicações. Basta ver as últimas reuniões palacianas. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, lidera esse ranking, com as discussões sobre a regulamentação do pré-sal, um negócio que, só no megacampo Tupi, supera os US$ 200 bilhões. “Vamos deixar decantar as propostas. Só daqui a um mês teremos as soluções”, comenta Lobão, um minsitro que ainda tem sob sua batuta as usinas do Rio Madeira, Jirau e Santo Antônio, outro tesouro do governo.

Na área de transportes, tem o trem-bala que liga Rio e São Paulo, orçada em US$ 9 bilhões, e a ferrovia do Atlântico. Na área de telecomunicações, a TV digital e a fusão da BrT com a Oi. A esse grupo de seis inclua-se ainda a transposição do Rio São Francisco, outro megaprojeto. E, na política, muita gente já reparou que à exceção das obras de transporte, a cargo do PR do ministro Alfredo Nascimento, todos os outros grandes negócios estão nas mãos do PMDB. Por essas e outras, o casamento entre os peemedebistas e o governo promete durar.


A gente somos inuteis?


Expressão bem brasileira trata as relações entre países com certa ironia. E foi o que aconteceu nas Olimpíadas. A vara determinada para o salto da brasileira Fabiana desapareceu. A informação que chegou ao público anunciava o desaparecimento. Choro e desespero. A notícia que se espalhou era que o desaparecimento favorecia à chinesa, para que fosse classificada com a prata. E foi o que aconteceu. Houve sabotagem e não roubo. Impossibilitada de saltar, Fabiana não compareceu, abrindo o previsto segundo lugar à chinesa. Essa informação correu dentro das Olimpíadas e logo se espalhou mundo afora. Quando a prova se realizou, aconteceu o comentado. Saltadora e vara têm nova técnica. Regula-a para a altura. Na flexibilidade, a saltadora tem a comodidade para impulso, e alcança o ponto da marca. Sem a vara especial, não realiza o trabalho. Havia certo frisson e ninguém queria dizer a verdade. Depois dos saltos, o material apareceu misturado às varas usadas pela nossa equipe. O segredo foi guardado por instantes. Confirmada a sabotagem, desespero da delegação brasileira. A Comissão de salto se isentou de responsabilidade. E o Brasil ficou fora da prova. O protesto foi enviado, mas ficou nisso.

Aberta a temporada de promessas impossíveis


Com o início do horário eleitoral no rádio e na TV, foi aberta a temporada de promessas impossíveis. O candidato a vereador Cleiton Ferreira (PMDB), que se apresentou como “o homem do IPTU", propôs que o dinheiro do imposto só possa ser gasto onde é arrecadado, o que é inconstitucional. Outros propuseram a emancipação da Pavuna, a volta do monopólio do petróleo, todas fora do âmbito da Câmara dos Vereadores. Hoje começa a campanha eletrônica para prefeito.

O horário eleitoral também contou com a presença de políticos que enfrentam problemas com a Justiça ou a polícia. Entre eles, dois são suspeitos de ligações com milícias. Um é o bombeiro Cristiano Girão (PMN), apontado como chefe de milícias da Gardênia Azul. O outro é o vereador Luiz André Deco (PRB), suspeito de chefiar milícias no Mato Alto, e que foi indicado pela Polícia Civil em inquérito sobre dois homicídios na região. Ele nega.

O ex-governador Anthony Garotinho também apareceu, apresentando a filha Clarissa (PMDB) como sua candidata a vereadora. Garotinho responde a dois processos em ações propostas pelo Ministério Público. Em maio, na operação Segurança Pública S/A, a acusação foi de formação de quadrilha armada. A PF investigava a formação de um esquema na Polícia Civil de lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção, que, na época, levou à prisão do deputado Álvaro Lins, posteriormente cassado.

Na lista de escândalos

Já na Operação Pecado Capital, que investigou desvio por ONGs de R$70 milhões em recursos da Secretaria estadual de Saúde, o ex-governador Garotinho foi denunciado por improbidade administrativa. Na operação, em julho, 12 pessoas foram presas, incluindo o ex-secretário de Saúde Gilson Cantarino. O esquema começou a ser investigado há cerca de dois anos, depois que O GLOBO denunciou que doadores da campanha de Garotinho à Presidência eram ligados a ONGs contratadas pelo governo do estado.

- Minha filha vai lutar por projetos sociais - disse Garotinho, ao lado de Clarissa.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, cassado após denunciar o esquema do mensalão, apareceu para apresentar os candidatos do partido a vereador. Outro nome envolvido em escândalo e que apareceu no horário político foi o ex-deputado federal João Mendes de Jesus (PRB). Ele tenta retornar à política como vereador, depois de ter seu nome envolvido no escândalo dos sanguessugas, que consistia em fraudes em licitações na área de saúde.

Em 2006, o empresário Luiz Antônio Vedoin acusou o então deputado João Mende de Jesus (na época no PSB) de cobrar propinas de 10% do valor das emendas de sua autoria que fossem executadas por empresas envolvidas no esquema. Uma CPI investigou o caso e propôs a cassação de João Mendes, mas o processo não foi concluído antes do fim do mandato. Sem partido, ele não tentou a reeleição.

Aumento dos servidores


Uma queda-de-braço entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), está atrasando a concessão de reajuste salarial a cerca de 300 mil servidores públicos federais. Se dependesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), o aumento seria baixado por meio de medida provisória (MP). Essa possibilidade existe e desponta como favorita na comparação com o envio de um projeto de lei ao Congresso. Só não saiu do papel devido à ofensiva verbal deflagrada por Chinaglia contra o suposto excesso de MPs editadas pelo presidente.

Segundo discursos entoados em público, Lula ainda não assinou a MP porque não quer confrontar os deputados. Nos bastidores, a versão é outra. O presidente quer que Chinaglia avalize previamente a MP dos servidores, assumindo o compromisso de não atacar o Planalto quando o texto chegar à Câmara. No cerco ao deputado, Lula conta com o apoio dos funcionários públicos, que se já reuniram com o parlamentar. Entre uma MP, que tem vigência imediata, e um projeto de lei, que só vale depois de aprovado pelas duas Casas do Congresso e sancionado pelo presidente da República, os servidores preferem a primeira opção.

“A solução será dada pelo deputado Chinaglia”, diz Múcio. Para facilitar um acordo, o governo fez uma proposta. Revogaria a MP que transformou em ministério a Secretaria Especial da Pesca e criou 295 cargos comissionados, ressuscitando-a, posteriormente, em forma de projeto de lei. Em troca, Chinaglia apoiaria a MP dos servidores. Se o pacto fosse selado, os dois lados ganhariam. O deputado poderia se apresentar como responsável pela derrubada de mais uma medida. Já o governo garantiria o afago aos servidores.

“Não importa a forma, mas o conteúdo”, afirma Múcio, referindo-se à possível substituição da MP da Pesca por um projeto de lei. De acordo com o ministro, a troca será feita assim que Chinaglia apresentar uma proposta alternativa que, ao fim e ao cabo, resulte na preservação do novo ministério e dos 295 postos cujo preenchimento independe de concurso público. Múcio não reclama da insistência do deputado em criticar as MPs. Lembra que a atitude está em linha com uma promessa feita pelo petista durante a campanha pela presidência da Câmara.

Outros assessores de Lula não são tão compreensíveis. Alegam que Chinaglia não age apenas em busca de uma marca para sua gestão ou em nome da autonomia do Legislativo. Adotaria uma postura independente como forma de alertar o Planalto sobre a necessidade de acomodá-lo num cargo de primeiro escalão tão logo concluído o seu mandato à frente da Casa. O nome de Chinaglia foi citado em conversas sobre possíveis sucessores de José Gomes Temporão no Ministério da Saúde quando este era alvo de fritura no Congresso e na Esplanada dos Ministérios. Agora, volta à mesa como talhado para assumir, por exemplo, o Turismo.

“O Congresso adora medida provisória. É mais fácil aprovar uma emendinha numa MP do que um projeto de lei”, afirma um ministro, sugerindo um quê de hipocrisia no coro contrário aos textos baixados pela Presidência. Chinaglia conhece as restrições feitas a ele no Planalto. Por enquanto, não dá sinais de que pretende mudar de postura. Entre outros motivos, porque marca pontos internamente com o discurso de defesa do Congresso. O deputado também atira nos governistas. Recentemente, atacou a iniciativa de Lula de propor uma reforma política, assunto que seria da alçada dos parlamentares.

Servidores mobilizados para pressão

Luciano Pires

Os sindicatos decidiram romper o silêncio e sair do imobilismo. Como forma de pressionar o Executivo a finalmente liberar os reajustes para o restante do funcionalismo federal, entidades que representam as 54 carreiras que serão contempladas com aumentos salariais farão protestos hoje e amanhã. As ações incluem atos públicos, paralisações de 24 horas e redução de jornada de trabalho.

A maior parte das entidades elegeu o Ministério do Planejamento como alvo. Os blocos K e C da Esplanada foram escolhidos como pontos de referência para os grupos que prometem se organizar. “O pessoal está ansioso. Pode até não ter clima para greve, mas tem para protesto”, disse Josemilton Costa, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef).

Ontem, representantes dos servidores que compõem as chamadas carreiras típicas de Estado retomaram o lobby político. No Congresso, foram recebidos pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves. Segundo um dos participantes, o senador se mostrou sensível à causa e prometeu empenho. “Ele até ligou para o ministro Paulo Bernardo (Planejamento)”, disse um sindicalista. Garibaldi teria ouvido de Bernardo que as medidas provisórias com os reajustes para os cerca de 300 mil servidores seguirão para a Câmara no início da próxima semana.

Desconfiados, os sindicatos das carreiras estratégicas não desmobilizaram suas bases. Ao contrário. Advogados públicos, servidores do ciclo de gestão, do Fisco e do Banco Central resolveram em assembléias que vão realizar amanhã paralisações e atos de repúdio à demora do governo em resolver a questão.

O ministro Paulo Bernardo cumpriu uma extensa agenda institucional ontem. No Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, antes de entrar para um a reunião, disse ao Correio que os aumentos “vão sair” e desqualificou teses e boatos que circulam na Esplanada dando conta de que os reajustes empacaram.

Em meio à crise instalada entre os poderes e entre o governo e os servidores, as áreas técnica do Ministério do Planejamento e da Casa Civil, até ontem, revisavam os termos de acordo assinados com as categorias.

STF proíbe cópia de informações do Opportunity


O Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a concessão de cópia do disco rígido do Banco Opportunity à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga abusos em escutas telefônicas. A decisão foi tomada pelo ministro Cezar Peluso e limitou a atuação da CPI.

O disco foi apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Chacal, em 2004, que investigou suposta ação de espionagem que teria sido promovida pela empresa Kroll a mando do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, contra a Telecom Itália e integrantes do primeiro escalão do governo Lula. Mas, o conteúdo do disco foi mantido sob sigilo por determinação da Justiça. Uma das razões foi proteger o sigilo dos correntistas e investidores do banco.

A CPI pediu cópia da decisão do juiz titular da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, onde o caso tramitou. Os advogados do Opportunity recorreram ao STF para garantir o resguardo do sigilo, conforme determinou a Justiça.

Peluso não apenas concordou com os argumentos dos advogados do banco, como fez duras advertências à CPI. "É entendimento firme desta Corte que, nos termos da Constituição, as CPIs têm todos os poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, mas apenas esses, e nenhum além desses", enfatizou o ministro. "Estão, portanto, submissas aos mesmos limites constitucionais e legais de caráter formal e substancial oponíveis aos juízes de qualquer grau, no desempenho de idênticas funções".

A decisão foi mais um revés imposto pelo STF à CPI dos Grampos. Na semana passada, o STF aceitou um recurso de várias operadoras de telefonia contra determinação da CPI, que havia requisitado cópias de decisões judiciais que obrigavam essas empresas a realizar escutas telefônicas.

Ontem, no Rio, o advogado Sérgio Tostes, que teve seu telefone celular particular grampeado por 75 dias durante as investigações que antecederam a Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal em julho, impetrou junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região um habeas corpus com pedido de liminar contra a decisão do juiz Fausto de Sanctis. O juiz é apontado como autoridade coatora no processo deflagrado por Tostes, que é defendido no caso pelo advogado criminalista Renato Neves Tonini, do escritório Tonini Advogados Associados.

Ontem, a desembargadora do TRF, Ramza Tartuce, relatora do processo, negou o pedido de liminar, que visava dar mais rapidez ao atendimento, mas aceitou analisar o mérito do habeas corpus.


Parecer sobre fusão de teles só deve sair em 2009


A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, calcula que a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi deverá receber o parecer da instituição somente no fim do ano que vem. Antonio Henrique Silveira, titular da Seae, justifica sua previsão com o fato de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ainda ter que avaliar a mudança das normas do Plano Geral de Outorgas (PGO), que, atualmente, proíbe a união de duas companhias de telefonia fixa que atuam em diferentes áreas de concessão.

Sem alterar a legislação, as duas operadoras têm de permanecer separadas. Na Seae, a expectativa é por uma decisão da Anatel no fim deste ano. "Antes dessa mudança não temos como concluir qualquer parecer", justifica Silveira. Segundo ele, a realidade do mercado é uma com o PGO e outra completamente diferente sem ele. "Qualquer desdobramento depende dessa mudança. Sem isso, não há parecer", alerta.

De acordo com a legislação brasileira, a palavra final das autoridades sobre a compra da BrT pela Oi é dos integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), julgando a aquisição com base nos argumentos das empresas, dos concorrentes e analisando pareceres da Seae, da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e, no aspecto regulatório, decisão da Anatel.

O fato de a nova empresa resultante da compra da BrT pela Oi ser uma grande competidora de capital nacional está longe de ser determinante na análise que será feita pela Seae. "Do ponto de vista da concorrência, isso interfere muito pouco", explica o secretário.

O Ministério das Comunicações incentivou o negócio para propiciar a criação de uma grande empresa nacional no setor, capaz de rivalizar com as gigantes estrangeiras, como Telefônica e Telmex. Para a Fazenda, o que importa é a manutenção de ambiente competitivo e não a nacionalidade das empresas. "A Seae não analisa essa questão da necessidade de criação de grandes conglomerados nacionais", enfatiza Silveira.

Com relação ao principal argumento das empresas para justificar a união - necessidade de aproveitar diversas plataformas, como celulares, transmissão de dados e internet, para sobreviver no mercado -, a Seae já realizou estudos técnicos em todas essas áreas e o desafio, agora, será usar essa experiência num caso novo, em que duas empresas pretendem unir esforços em vários serviços distintos.

Contrariado, diretor da PF manda cumprir restrição de algemas


Visivelmente contrariado, o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, anunciou, ontem, que promoverá uma readequação nos procedimentos das operações feitas pela instituição para cumprir a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF) que restringe o uso de algemas.

Corrêa enviou uma circular para todos os integrantes da corporação para que cumpram a decisão do STF que admite algemas apenas nos casos de resistência à prisão, de fundado receio de fuga ou de ameaça de agressão pelo preso contra o policial, terceiros ou a si próprio. Ele também confirmou que a PF editará um novo manual prevendo alterações neste sentido. O novo texto deverá ficar pronto em 15 dias.

O anúncio foi feito após reunião do diretor-geral da PF com o ministro da Justiça, Tarso Genro. "Vamos, agora, dentro das técnicas policiais, fazer o escalonamento para o emprego necessário das algemas, observando as diretrizes da súmula", disse Corrêa. Ele enfatizou que as medidas seguem orientações de Genro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O diretor-geral da PF admitiu que a súmula vai restringir o trabalho da instituição e que a decisão do STF "não tem precedentes no mundo". "É uma restrição a uma prática histórica, consagrada e bem-sucedida de segurança. Toda a polícia do mundo usa algemas", afirmou Corrêa. Ele ressaltou ainda que, ao cumprir a decisão do STF, as equipes da PF terão de observar a segurança de todos nas operações, tanto dos policiais, quanto dos presos. "Vamos aplicar a norma sem perder de vista que somos um órgão de segurança e devemos preservar a integridade dos envolvidos nas operações".

A súmula do STF foi aprovada na quarta-feira, depois de a PF desafiar o tribunal e usar algemas em mais de 30 presos durante operação realizada dias depois de a Corte restringir o uso de algemas. De acordo com o STF, o uso de algemas deve ser justificado por escrito.


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